domingo, 8 de fevereiro de 2026

Curso de Verão




O Instituto de Ciências Biomédicas oferecia dois cursos durante o período de férias escolares: o Curso de Inverno (realizado em julho e voltado para professores da rede particular de ensino) e o Curso de Verão (ministrado em janeiro e destinado a graduandos que não estudam na USP). Ambos foram ideia de uma aluna do laboratório onde eu estagiei e consistiam em visitas guiadas pelo Departamento de Fisiologia. Os próprios pós-graduandos organizavam as atividades.

Eu nunca havia me interessado em participar das atividades, mas eu tive uma curiosa contribuição com o Curso de Verão quando eu ainda era um estagiário. Dois amigos que haviam acabado de ingressar na pós-graduação me pediram ideias para exibirmos para os visitantes. Foi aí que eu sugeri demonstrar o que era "cromatografia".

Eu possuía a habilidade de explicar processos complicados com palavras e procedimentos simples. Tanto que alguns colegas do laboratório costumavam tirar dúvidas de química e de física comigo. Assim, eu sugeri demonstrar o que era cromatografia (separação de substâncias líquidas ou gasosas através de sua polaridade) com papel filtro, etanol e caneta hidrográfca -todos materiais facilmente encontrados em qualquer escritório.

Expliquei que a tinta preta era a mistura de diversos pigmentos das mais variadas cores e que cada um destes pigmentos interagia de maneira diferente com o papel filtro Assim, quando o papel era umedecido com o etanol, os pigmentos se separavam e cada um deles se deslocava por distâncias diferentes dependendo da afinidade com o papel. Cabe mencionar que eu tive a ideia poucas horas antes de recebermos os visitantes e eu testei todo o método antes da apresentação!






Recebemos duas turmas compostas por cerca de dez alunos e expliquei para eles a cromatografia de forma bastante simplificada. Cada um deles recebeu uma tirinha de papel filtro com a tinta e todos eles viram com seus próprios olhos como o pigmento preto se separava em diversas cores após o contato com o álcool.

A segunda turma gerou um evento curioso: uma das alunas ficou mais um tempo comigo para tirar algumas dúvidas enquanto um rapaz que a acompanhava ficou esperando na porta. Naturalmente, eu pensei que eles fossem um casal, mas soube algumas horas depois que eles haviam se conhecido durante a atividade!

Defendi meu mestrado sem nunca ter participado diretamente das visitas guiadas. Ainda assim, fico feliz em ter contribuído com o Curso de Verão mesmo que de maneira informal. Aliás, aquela havia sido a primeira vez que eu demonstrei que possuía algum talento para ensinar, embora não tenha percebido isto durante a ocasião. Felizmente, minha jornada durante a pós-graduação trouxe tais habilidades à tona.