Um dos maiores erros de um mestre é não compreender o ritmo de aprendizado de um discípulo. Foi algo que eu constatei durante a minha pós-graduação enquanto eu ajudava a aplicar uma prova de fisiologia digestória para uma turma da Farmácia.
Eu havia elaborado uma questão inspirada em um vestibular da FUVEST a respeito da polaridade de vitaminas: a pergunta original questionava quais moléculas eram solúveis em sucos de frutas (meio aquoso) enquanto a minha indagava quais dos compostos teriam sua absorção prejudicada por usuários de Xenical (medicamento que impede o intestino de captar lipossolúveis).
Considerava aquela questão trivial, sobretudo para estudantes de farmácia que possuem extensa carga horária em disciplinas de química. Para a minha surpresa, vi muitos alunos em dificuldade com a pergunta. Muitos deles estavam recorrendo a "macetes" para relembrar quais vitaminas eram lipossolúveis e a quantidade de erros foi bem maior do que eu esperava.
Compreendi, com aquela questão, que as pessoas possuem ritmos de aprendizados diferentes e o que é trivial para um mestre pode não ser óbvio para um aprendiz. Isso sem mencionar que a urgência do momento (eles precisavam obter uma boa nota para serem aprovados na disciplina) talvez os tenha prejudicado.
Recebi, há alguns dias atrás, a notícia da demissão do treinador Alex de Souza que teria sido motivada pelo fato dos métodos do técnico não estarem sendo bem assimilados pelos jogadores. O ex-meia era um atleta excepcional, porém "atletas comuns" possivelmente não conseguem compreender ou desempenhar os fundamentos com a mesma desenvoltura do paranaense. Casos semelhantes já haviam ocorrido com os também ex-futebolistas Paulo Roberto Falcão e Thierry Henry.
Lembrei de minha própria experiência com os estudantes ao ler a notícia da demissão de Alex, com a licença de que eu era um aluno apenas mediano na faculdade. Percebi que havia cometido o mesmo erro que o ex-meia ao pressupor que o trivial para mim também seria facilmente assimilado pelos graduandos.
Aprendi que bons mestres precisam ter humildade se quiserem formar bons discípulos e compreender que nem tudo que é obvio para um instrutor também o será para um aprendiz. Desde então, procurei me tornar mais próximo dos alunos e me ofereci para ouvir mais as suas dúvidas. Na verdade, nem foi necessário visto que as últimas turmas que monitorei foram excepcionais em todos os sentidos!




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