domingo, 26 de outubro de 2025

Eu e a SUPFAB




Foi realizada durante a última semana a 59ª Semana Universitária Paulista de Farmácia e Bioquímica (LIX SUPFAB), evento realizado anualmente na Faculdade de Ciências Farmacêuticas onde são oferecidos cursos, palestras e oficinas a estudantes e profissionais do ramo. As aulas são suspensas durante o período e eu jamais havia me interessado em participar enquanto eu era aluno, exceto por uma única oportunidade.

Houve, em uma ocasião, um curso a respeito de uma profissão que estava na moda durante a época quando o autor ainda era graduando. A atividade oferecida, contudo, fora pouco proveitosa para o blogueiro. Para evitar danos à imagem da palestrante e da organização do evento naquele ano, estou omitindo o assunto e também o período quando eu participei.

A palestrante pouco explicou a respeito da profissão em questão, limitando-se a expor apenas os aspectos ruins do ramo como a possibilidade do "profissional ser acionado durante a noite de um final de semana", algo que amigos que atuam na área jamais relataram ao autor. Foi uma palestra pouco objetiva e que em quase nada elucidou a respeito da atuação do farmacêutico.






As palestras, no fim das contas, acabaram sendo uma perda de tempo e um desestímulo ao aspirante para se inserir no ramo. Como o mercado estava bastante aquecido para o segmento durante a época, é provável que a palestrante tenha afirmado aquilo para eliminar possíveis concorrentes. Ou então, a ministrante simplesmente estava desiludida com a profissão, algo que já ouvi de muitos conhecidos.

O curso acabou valendo apenas pelos brindes e pelo coffee break oferecido. Também tive o prazer em ver uma colega de classe ganhar um livro em um sorteio -horas antes, ela me relatara que "jamais havia tido sorte nesse tipo de evento". Foram os únicos acontecimentos proveitosos que tive após alguma noites frustrantes.

Esta foi a única experiência que tive com a SUPFAB. A despeito dos aspectos ruins, o autor ainda incentiva as atuais gerações de alunos a participarem. Tenho certeza de que o Centro Acadêmico absorveu os elogios e críticas ao longo dos anos para oferecer eventos muito melhores do que aquele cursado pelo blogueiro.

Cabe, por fim, mencionar que a SUPFAB é organizada por alunos, pessoas que estão adquirindo experiência e responsabilidade para realizarem eventos de tamanha magnitude. Eu mesmo compreendi isto posteriormente quando participei de meus primeiros congressos já durante a pós-graduação.







domingo, 19 de outubro de 2025

Eu Satirizado!




A disciplina de Fisiologia II nos rendeu diversas memórias divertidas! Meu futuro orientador nos passou um trabalho onde deveríamos representar a ação de medicamentos através de peças de teatro, conforme relatei em um post anterior. O docente havia recomendado que filmássemos as apresentações para guardássemos de lembrança, algo que infelizmente não pudemos fazer devido a limitações da época.

Um grupo de amigos, cujo medicamento não me recordo, elaborou uma apresentação com algumas "surpresas". Eles deixaram escrito na lousa o que cada integrante representaria, exceto por um deles que estava com a legenda "?????". O colega até deixou para vestir sua fantasia na última hora, aumentando o clima de mistério.

O colega em questão fez uma paródia do blogueiro para representar o medicamento em questão e performou uma "piada interna" da turma para demonstrar a ação do fármaco! Devo admitir que ficou bastante engraçado e lamento até hoje não ter filmado a cena! Felizmente, um amigo tirou uma foto da apresentação com os limitados celulares da época (a resolução era de alguns poucos pixels) e aquela acabou sendo a única recordação material daquele dia.






O grupo também solicitou a ajuda de uma voluntária da plateia (acho que ela representou o substrato de um receptor intracelular) quando dois colegas (acredito que estavam interpretando reguladores bioquímicos) começaram a dançar ao redor da garota! A cena foi tão engraçada que eu quase fiquei sem ar de tanto rir!

Eu, alguns anos depois, voltaria à disciplina de Fisiologia II, desta vez como assistente do mesmo professor que havia lecionado a matéria. Resolvi filmar as apresentações como recordação, não apenas para mim mas também para os alunos, algo que eu não pude fazer durante os meus tempos de graduação. Não havia compartilhamento por nuvem naquela época, mas consegui enviar os vídeos com algum esforço.

A disciplina de Fisiologia II foi um dos eventos mais marcantes para o autor durante sua graduação. Até hoje dou risada de nossas performances a despeito de não possuir nenhuma lembrança material daquele dia, senão aquela foto que se perdeu no tempo! Deixo aqui um conselho para as atuais gerações de alunos: aproveitem bem as facilidades oferecidas pela tecnologia atual e registrem os momentos felizes da universidade! A faculdade é uma época efêmera e vocês certamente sentirão saudades, algo que meu orientador havia nos alertado! 







domingo, 12 de outubro de 2025

O Café Assassino




Aprendi com meus professores de farmacognosia e em sites de culinária que não se deve ferver a água para o preparo do café visto que isto pode queimar o pó e tornar o seu sabor ainda mais amargo. Apesar disto, a bebida bem quente (quase pelando) é a preferência da maioria dos brasileiros e muitos optam por contrariar a recomendação.

Acredito que quase todos os leitores e leitoras gostem de café, seja para tirar o sono, para ajudar na digestão ou simplesmente porque apreciam. Eu tive, contudo, experiências não muito felizes com a bebida ao longo de minha pós-graduação, principalmente durante os congressos e nas defesas de tese quando o autor acabou queimando a língua (literalmente!) ao degustar do líquido.

Minha experiência mais traumática ocorreu em outubro de 2014, quando fui assistir à defesa de doutorado de uma colega de laboratório. O autor permaneceu apenas durante algumas poucas horas visto que o blogueiro fora acometido de uma forte virose naquele dia. Um grande amigo meu (que hoje leciona na UNICAMP) estaria na banca julgadora e aproveitei para encontrá-lo.






Uma das copeiras deixou uma garrafa de café no auditório após o término da apresentação e fui tomar um pouco para tirar o sono. A bebida estava tão quente que eu literalmente queimei a boca e, por muito pouco, não derrubo o copo de plástico no chão! A queimadura foi tão intensa que minha língua ficou anestesiada e não pude sentir nenhum gosto durante uns três dias!

Eu tivera outras experiências ruins com café em outros congressos ou defesas, mas nenhum acontecimento foi tão traumático quanto aquele de 2014! Desde então, o autor evitou degustar de chá ou café durante eventos similares, preferindo tomar água ou bebidas geladas mesmo!

Ainda costumo degustar de café mas nunca mais provei da bebida durante os coffee breaks de congressos! Preferi arriscar dormir durante as apresentações a passar mais uma semana com a língua anestesiada novamente! O professor de farmacognosia tinha toda a razão no final das contas!







domingo, 5 de outubro de 2025

Eu Ator!




Conheci o meu futuro orientador durante o segundo semestre do segundo ano de faculdade. Tivemos greve durante o período mencionado e as nossas aulas foram realocadas para setembro, o que acabou nos custando parte das férias de verão. Na mesma época, alguns poucos colegas começaram a passar disciplinas para o período noturno com a finalidade de conseguirem tempo livre para estágios de iniciação científica ou mesmo para empregos remunerados. Confesso que me arrependo de não ter feito o mesmo.

O professor era um sujeito que lecionava aulas bastante animadas. A disciplina era oferecida durante a tarde e fazia muito calor na época, o que era um convite perfeito para cochilar. As apresentações do docente, contudo, eram tão divertidas que os alunos conseguiam se manter acordados a despeito das adversidades. 

Meu orientador, além das provas escritas, aplicava uma avaliação bastante curiosa: os alunos teriam de representar a ação de medicamentos nos sistemas do corpo humano através de peças de teatro! As apresentações não eram apenas divertidas: elas valiam nota e seu conteúdo era cobrado na parte dissertativa.

Formei meu grupo com cinco garotas e o tema sorteado foi um medicamento betabloqueador (ou "antagonista de receptor beta adrenérgico"), que reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca. Eu interpretei o coração enquanto as minhas amigas fizeram os papéis do remédio e dos sítios de ligação. Eu dancei ora lentamente, ora intensamente para representar o funcionamento do órgão sob efeito da droga!






Tivemos a prova escrita imediatamente após as apresentações e, para não perder tempo, nem tirei a fantasia ou a maquiagem! O professor ficou me aloprando o tempo todo durante a avaliação e ganhei o sugestivo apelido de "coração"! Felizmente, fui bem no teste muito graças aos teatros que forneceram dicas sobre as respostas, além de terem reforçado a minha nota final.

Uma pena que não foi possível filmar as apresentações durante aquele dia. Câmeras digitais e smartphones eram artigos de luxo naquela época, enquanto filmadoras eram equipamentos bastante dispendiosos para serem transportados.

Pude viver o outro lado da história anos depois. Meu orientador continuou aplicando a atividade nas turmas da farmácia e eu avaliei o desempenho dos alunos. Mais do que isso, eu possuía câmera digital e pude filmar as apresentações dos graduandos. Com algum trabalho, consegui disponibilizar os vídeos para eles -não existia compartilhamento por nuvem na época.

Muitas pessoas descobriram aptidões escondidas ao atuarem em peças de teatro, mas não foi o meu caso! Prefiro continuar com os textos mesmo e deixar os palcos para os colegas de mais talento! E essa não foi minha única recordação daquela avaliação! Outros grupos também realizaram apresentações muito divertidas que contarei em posts futuros!