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terça-feira, 4 de agosto de 2015

A Geração que Cumpriu sua Missão

Imagem extraída do Facebook oficial de Yaya Touré- https://www.facebook.com/yayatoure



Escrevi na última quinta-feira um texto mostrando que as principais seleções da América do Sul e da Europa teriam de passar por um processo de renovação, afinal muitos de seus principais atletas já são trintões e dificilmente terão condições físicas e técnicas para disputarem a próxima Copa do Mundo em alto nível. Óbvio que um ou outro veterano precisa ser mantido para liderar o grupo e transmitir maturidade aos mais jovens, mas a grande maioria dos jogadores trintões vai se aposentar de suas respectivas seleções até 2018, ano em que o próximo mundial será realizado.

Deixei, na ocasião, para falar das seleções africanas em um outro post. Falaremos mais especificamente da atual geração da Costa do Marfim, que colocou fim a um longo jejum de títulos ao vencer a Copa Africana de Nações (CAN) deste ano.

Quem acompanhou meus textos da época, percebeu que eu estava torcendo para que Gana (que também passa por um grande jejum de troféus) ficasse com o título deste ano por jogar um futebol muito mais leve e agradável. Mas eu admiti que os marfinenses mereciam a taça mais do que nunca, afinal seria a última chance para que esta geração, composta por muitos atletas trintões, conquistasse um troféu. Seria triste ver Kalou, Gervinho, Doumbia e os irmãos Touré se aposentarem pela Seleção Marfinense sem terem erguido uma taça sequer.

Esta geração surgiu no começo da década passada, com nomes como Drogba, Kolo Touré, Zokora e Boubacar Barry. O grupo ganhou corpo por volta de 2004, durante o ciclo da Copa do Mundo 2006, quando Romaric, Eboué, Yaya Touré, Boka e outros se juntaram à equipe para levar os Elefantes a uma inédita classificação ao mundial. O feito, aliás, foi muito comemorado no país africano pelo fato de ser a primeira vez que a Costa do Marfim disputaria o campeonato e também pela atitude dos jogadores que pararam uma guerra civil que estava assolando o país na ocasião.

Seguiram-se os anos e a Costa do Marfim foi acumulando participações em Copas do Mundo e também na CAN. Os atletas foram envelhecendo e nada dos troféus chegarem. As lesões foram se tornando frequentes e alguns dos jogadores já estavam sentindo o peso da idade. Drogba e Zokora já haviam anunciado suas respectivas aposentadorias dos Elefantes após a Copa 2014. Estava acabando o tempo para esta geração.

A CAN 2015 seria, provavelmente, o último campeonato de seleções que esta geração disputaria. Barry, Kolo Touré, Die, Yaya Touré, Tiené e Kalou (que jogaram a final da competição) já estavam na casa dos trinta anos e muitos deles dificilmente teriam condições físicas para jogar um outro campeonato. A chance para conseguir o troféu e consagrar esta grande geração seria agora ou nunca.

A esperada taça veio após aquela dramática cobrança de pênaltis em que todos os onze titulares de cada equipe tiveram de bater. O goleiro Barry, do auge de seus 35 anos, foi o grande herói ao converter sua cobrança e defender o chute de Razak, o goleiro de Gana. A missão desta geração estava finalmente cumprida após anos de espera e de sofrimento.

Provavelmente, não veremos mais Tiené (que estará com 36 anos em 2018), Boka (35), Bamba (33), Yaya Touré (35), Die (34), Kalou (33) e Romaric (35) em Copas do Mundo. Um ou outro talvez permaneça até lá para transmitir experiência à próxima geração. O treinador Hervé Renard também deixou a equipe e acertou com o Lille há alguns meses atrás.

Os atacantes Gervinho (que terá 31), Bony (30), o volante Gradel (31), o goleiro Gbohouo (30) e o zagueiro Doumbia (31), por outro lado, terão lenha para queimar até 2018 e devem garantir a continuidade do trabalho iniciado por esta grande geração.

Esta grande geração de atletas marfinenses pode se aposentar com honras e a sensação do dever cumprido. Estes jogadores deixarão muitas saudades após colocarem fim a um jejum que durava desde 1992, quando os Elefantes haviam conquistado seu último título na CAN.



Imagem extraída do Facebook oficial de Yaya
Touré-https://www.facebook.com/yayatoure



O FREGUÊS APRONTOU

Enquanto a temporada 2015-16 não se inicia efetivamente no futebol europeu, o espectador pode ir assistindo à pré-temporada das equipes e também às recopas. Na Inglaterra, o Arsenal, jogando o seu delicioso futebol de toque de bola, venceu o Chelsea na FA Community Shield (gol de Alex Oxlade-Chamberlain) e colocou fim a uma freguesia que durava 13 jogos.



A SINA DE GUARDIOLA

O Borussia Dortmund não estava presente, mas ainda não foi desta vez que o Bayern München de Guardiola conseguiu seu troféu na DFL-Supercup. O Wolfsburg, vencedor da DFB-Pokal, derrotou os bávaros por 5x4 nos pênaltis após empate por 1x1 no tempo normal. Pelo jeito, o treinador catalão precisa mudar alguns conceitos a respeito de pré-temporada, afinal esta é a terceira vez consecutiva que o técnico deixa escapar o título da DFL-Supercup.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O Professor Pardal do Bayern

Imagem extraída do Facebook oficial de Neven Subotić- https://www.facebook.com/Subotic4/


Antes de mais nada, parabéns ao meu Borussia Dortmund pela conquista da DFL-Supercup pelo placar de 2x0 sobre o rival Bayern München, com gols de Henrikh Mkhitaryan e Pierre-Emerick Aubameyang. O time aurinegro teve muitos méritos nesta conquista, afinal sofreu muitos desfalques por lesão nos últimos meses, perdeu seu principal jogador (o atacante Robert Lewandowski) para o próprio Bayern e ainda vem lutando a duras penas para segurar suas estrelas que vem sendo cobiçadas por outras potências europeias. E o treinador Jürgen Klopp não abre mão do jogo bonito, com muito toque de bola, velocidade e coletividade.

O tema desta resenha, contudo, é o derrotado Bayern München e o seu treinador Josep Guardiola. Sou torcedor declarado do Borussia, mas gosto do futebol praticado pelo Bayern e também admiro a filosofia de jogo praticada pelo técnico catalão. O comandante, contudo, vem tomando algumas decisões questionáveis desde que assumiu o time bávaro.

Guardiola já conquistou quatro títulos à frente do Bayern: Supercopa da UEFA (2013), Mundial Interclubes (2013), Bundesliga (2013-14) e DFB Pokal (2013-14). O futebol continua muito bonito, nos mesmos moldes do Tiki-Taka, e os troféus estão aí para quem só pensa em produtividade.

O treinador catalão, no entanto, vem utilizando seus jogadores fora de suas posições de origem. Na temporada 2013-14, Guardiola sacou Mandžukić e alternou os meias Müller e Götze como "falso nove". E ele deslocou Philipp Lahm, que eu considero o melhor lateral do mundo, para o setor de marcação, a despeito do Bayern ter à disposição jogadores como Schweinsteiger, Martínez e Kroos para a função. Essa última "invenção" de Pep rendeu até críticas do craque Tostão.

O Bayern, na DFL-Supercup, entrou em campo em uma espécie de 3-4-3, provavelmente influenciado pelos sucesso do Chile e, principalmente, da Holanda na última Copa do Mundo. Alguns jornais afirmava que Guardiola estava testando formações com três zagueiros. E a ideia não deu muito certo na primeira partida oficial com a nova formação...



Bayern no 3-4-3 contra o Borussia no 4-2-3-1: o time aurinegro
teve mais posse de bola e volume de jogo. Bávaros não se
mostraram muito à vontade na nova "invenção" de Guardiola
(imagem obtida via this11.com).


Não questiono a competência de Guardiola, de quem sou fã confesso, e nem a qualidade da multicampeã equipe bávara. É questionável, contudo, utilizar atletas fora de suas posições de origem sem necessidade. O improviso deve ser efetuado apenas em caso de necessidade, quando não há jogadores apropriados para a posição. Do contrário, tal atitude pode ser considerada uma "invenção", como no caso de Lahm, lateral excepcional que se comportou como um volante comum durante a última Copa do Mundo por influência de Guardiola. Algumas dessas "invenções", contudo, dão resultados extraordinários, como foi o caso de Bastian Schweinsteiger, que era meia-esquerdo de origem, mas foi recuado por Louis Van Gaal para a marcação e o camisa 31 acabou se consagrando no setor.

Vamos ver como o Bayern se comportará no decorrer da temporada 2014-15. A Seleção Alemã começou o último mundial cheio de invenções. Trucidou a Seleção Portuguesa na estreia, mas perdeu um pouco do rendimento nas partidas seguintes e só melhorou após adotar uma postura mais ortodoxa, com os retornos de Khedira, Klose e Schweinsteiger, além de recolocar Lahm e Müller em suas posições de origem.

As referidas mudanças foram cruciais para a conquista do tetra pela Mannschaft. E com o Bayern? Como será?



Imagem extraída do Facebook oficial do Bayern München- https://www.facebook.com/FCBayern/