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sábado, 15 de outubro de 2022

Carregando o Piano -Parte 2

Kvaratskhelia vêm brilhando no Napoli. Conseguirá
fazer o mesmo na seleção de seu país (imagem
extraída de www.facebook.com/SSCNapoli)?



Escrevi ontem um texto onde mostrava algumas seleções que possuíam um único craque à disposição, à exceção da Noruega onde havia dois jogadores acima da média. Apresentei casos onde atletas não conseguiram carregar o piano por mais excepcionais que fossem.

Khvicha Kvaratskhelia, atacante que está brilhando no Napoli, deve ser uma estrela solitária na seleção da Geórgia. O país do Leste Europeu possui pouquíssima tradição no futebol e jamais se classificou para uma Eurocopa ou Copa do Mundo. A menos que a nação revele mais algum jogador excepcional, o camisa 77 deverá carregar o piano sozinho.

O torcedor georgiano, porém, pode se apegar a alguns casos onde um único craque conseguiu, sim, carregar toda uma seleção até alguma competição mais importante. Ainda que o futebol seja um jogo coletivo, individualidades podem fazer toda a diferença em campo.

Apresentamos aqui cinco casos onde um único atleta conseguiu fazer a diferença em campo e levar sua seleção a alguma competição importante. Quem sabe Kvaratskhelia e seu torcedor se inspirem nestes jogadores e alimentem esperanças para fazer história no futebol assim como estes esportistas fizeram.



GARETH BALE (País de Gales)



Bale classificou Gales à primeira Eurocopa de sua história, além
de levar seu país de volta à Copa do Mundo após 64 anos de
ausência (imagem extraída de www.facebook.com/Bale).



Confesso que achei um exagero quando o Real Madrid pagou 100 milhões de Euros para tirar Gareth Bale do Tottenham em 2013 -a maior quantia paga por um jogador até então- mas todos os feitos do galês justificaram plenamente o investimento.

Bale venceu cinco vezes a Champions Legue pelo Real Madrid o que já seria suficiente para considerá-lo excepcional. O meia-atacante, porém, faria muito mais ao classificar a sua seleção para a primeira Eurocopa de sua história, a de 2016. E ele ainda levaria o País de Gales a uma improvável semifinal durante aquela edição -os Dreigiau caíram diante dos campeões portugueses.

O jogador, mesmo longe dos seus melhores dias, ajudou o seu país a voltar a uma Copa do Mundo após 64 anos de ausência e ainda classificou Gales para a segunda Eurocopa de sua história, a de 2020. Com todos esses feitos, os 100 milhões que o Real Madrid pagou em 2013 hoje parecem uma pechincha.



DWIGHT YORKE (Trinidad e Tobago)



Yorke classificou Trinidad e Tobago para a única Copa do Mundo de
sua história (imagem extraída de www.facebook.com/manchesterunited).



O atacante Dwight Yorke já havia entrado para a história do futebol em 1999 quando ajudou o Manchester United a faturar sua primeira -e, por enquanto, única- tríplice coroa. O trinitário, porém, faria a diferença novamente em 2005 ao classificar sua seleção para a primeira Copa do Mundo de sua história.

Os trinitários, infelizmente, não duraram muito naquele mundial -foram os lanternas do Grupo B com apenas um ponto marcado e sem anotarem nenhum gol. Isto, porém, não diminui em nada o feito histórico de Yorke e de seus companheiros.



EMMANUEL ADEBAYOR (Togo)



Adebayor levou o seu país à primeira e, por enquanto, única
participação em Copas do Mundo de sua história (imagem
extraída de www.facebook.com/profile.php?id=100044399767193).



2006 foi o ano das estreias em Copas do Mundo. A seleção do Togo participou pela primeira vez da competição muito graças ao atacante Emmanuel Adebayor, seguramente o maior jogador da história do país. O africano, ironicamente, conquistou poucos títulos ao longo de sua carreira a despeito de sua fama.

O Togo, assim como Trinidad e Tobago, não durou muito naquela Copa do Mundo -os Gaviões foram lanternas do Grupo G, com três derrotas e apenas um gol pró. Isto, porém, em nada diminui o feito de Adebayor e de seus companheiros.



ANDRIY SHEVCHENKO (Ucrânia)



Sheva não apenas levou à Ucrânia à Copa do Mundo como também alcançou as quartas-
de-final da competição (imagem extraída de www.facebook.com/shevaofficial).



Mais uma estreia na Copa de 2006. Todos sabem que Shevchenko era um jogador excepcional. O ucraniano empilhou diversas conquistas individuais e coletivas, incluindo a Champions League em 2003 pelo Milan e a Bola de Ouro em 2004. Tanto que ele continua sendo reverenciado mesmo após sua aposentadoria. 

O atacante ainda conseguiria levar o seu país a uma Copa do Mundo -a primeira e única participação desde a separação da União Soviética- no ano de 2006. Não obstante, Sheva conseguiria alcançar as quartas-de-final da competição, parando apenas na campeã Itália.



MOHAMED SALAH (Egito)



Salah recolocou o Egito em uma Copa do Mundo após 28 anos
de ausência (imagem extraída de www.facebook.com/momosalah).



Salah faturou todos os títulos possíveis pelo Liverpool, além de diversas conquistas individuais. O africano também ajudou a levar sua seleção novamente a um Mundial, o de 2018, após uma ausência de 28 anos -a última participação do Egito havia sido em 1990.

O egípcio ficou muito perto de acabar com o jejum de títulos de sua seleção (o último troféu foi em 2010 na Copa Africana de Nações) e também de levar seu país ao Mundial do Catar, mas acabou encontrando o ótimo Senegal de seu ex-colega Sadio Mané pelo caminho.



Depois do que apresentamos aqui, acredito que Kvaratskhelia
terá um pouco mais de esperanças para levar a Geórgia a alguma
competição (imagem extraída de www.facebook.com/SSCNapoli)!




sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Carregando o Piano -Parte 1

O georgiano Kvaratskhelia é o principal destaque do Napoli nesta
temporada (imagem extraída de www.facebook.com/SSCNapoli).



Assisti à partida do Napoli durante a última semana para ver o atacante Khvicha Kvaratskhelia em ação, afinal o jogador vem chamando a atenção da mídia esportiva. É fato que alguns dos comunicadores exageram nos elogios mas o atleta georgiano é realmente muito bom com sua velocidade, com seus dribles e com sua determinação -ele foi bastante caçado pelos zagueiros do Ajax mas sempre se levantava para dar prosseguimento às jogadas.

O camisa 77, que foi contratado na atual temporada para substituir o capitão Lorenzo Insigne, tornou-se a principal esperança do Napoli por títulos após seu início arrasador. Os cerca de 10 milhões de Euros investidos no atleta foram uma verdadeira "pechincha" pelo que o georgiano vêm entregado em campo.

Kvaratskhelia, com o seu sucesso na Itália, também se torna uma esperança para o futebol de seu país. A Geórgia, porém, possui pouquíssima tradição no futebol. Desde a sua separação da União Soviética, a equipe do Leste Europeu jamais conseguiu se classificar para uma Eurocopa ou uma Copa do Mundo mesmo contando com atletas de renome como Kakha Kaladze e Jaba Kankava.

Muitos outros jogadores também se destacaram em clubes e conquistaram muitos títulos, mas nunca conseguiram carregar o piano em suas respectivas seleções. Não se sabe, portanto, se Kvaratskhelia conseguirá levar o seu país a alguma competição.

Apresentamos aqui, para efeito de comparação, alguns atletas que brilharam (ou brilham) em seus clubes mas que jamais conseguiram ir muito longe com as suas seleções, quanto mais conquistar um título. Amanhã, mostraremos jogadores que conseguiram superar as dificuldades e carregar o piano enquanto representavam seus respectivos países. Confira!



MIRKO VUČINIĆ (Montenegro)



Vučinić conquistou muitos títulos na Itália, mas jamais conseguiu
 levar a Seleção de Montenegro a alguma competição
(imagem extraída de www.facebook.com/MirkoVucinicOfficial).



O atacante Mirko Vučinić faturou muitos títulos em sua passagem pela Itália -defendeu Lecce, Roma e Juventus, conseguindo um total de sete taças pelos dois últimos clubes. Para muitos torcedores, ele é o maior jogador da história de seu país, Montenegro, o que é reforçado por suas conquistas na Velha Bota.

O jogador, no entanto, jamais conseguiu classificar a sua seleção a alguma competição apesar de ter companheiros atuando em bom nível técnico, como Stevan Jovetić e Stefan Savić. O melhor que Vučinić conseguiu foi levar Montenegro à repescagem da Euro 2012 -caíram diante da República Checa de Čech e Rosický.



GEORGE WEAH (Libéria)



O atacante George Weah foi o único africano a faturar a
Bola de Ouro (imagem extraída de www.facebook.com/ACMilan).



George Weah conquistou títulos pelo Monaco, Paris Saint-Germain e Milan. Além disso, o atacante faturou a Bola de Ouro e foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1995, sendo até hoje o único africano a realizar tal feito. Tudo isso sem mencionar que ele é considerado o maior atleta de seu país e também um verdadeiro herói na Libéria.

O atacante, pela sua seleção, até conseguiu alguns feitos, classificando os Estrelas Solitárias às Copas Africanas de Nações de 1996 e 2002, mas não conseguiu ir além da fase de grupos. Atualmente, Weah é o presidente de seu país, cargo que ocupa desde 2018.



ERLING HAALAND E MARTIN ØDEGAARD (Noruega)



Ødegaard e Haaland estão prestigiados em seus
respectivos clubes, mas ainda não repetiram
o mesmo sucesso na Noruega (imagem
extraída de www.facebook.com/fotballandslaget).



O meia Martin Ødegaard e o atacante Erling Haaland estão fazendo muito sucesso na Inglaterra: o armador é o atual capitão do Arsenal enquanto o definidor é o homem-gol do Manchester City sendo o artilheiro da Premier League e também da Champions League.

A dupla, contudo, ainda não teve pela Noruega o mesmo sucesso obtido em clubes -não conseguiram classificar o país nórdico nem para a Eurocopa, nem para a Copa do Mundo. Talvez tivessem mais sorte se nascessem há alguns anos atrás visto que no início dos anos 2000 havia muito mais craques noruegueses para dialogar em campo -Tore André Flo, John Carew, Ole Gunnar Solskjær e John Arne Riise.

Os dois jogadores, contudo, são jovens e ainda terão muitos anos de atividade para levar os Løvene mais longe. Quem sabe mais craques noruegueses surjam durante o próximo ciclo e, juntos, consigam classificar a Noruega novamente a alguma competição.



KAKHA KALADZE (Geórgia)



O lateral Kakha Kaladze venceu a Champions League duas vezes
pelo Milan mas nunca conseguiu classificar a Geórgia para nenhuma
competição(imagem extraída de www.facebook.com/ACMilan).



Apresentamos, para encerrar o post, um compatriota de Kvaratskhelia, o lateral Kakhaber "Kakha" Kaladze, que é considerado por muitos o maior jogador da história da Geórgia. O defensor faturou muitos títulos em seu país natal, na Ucrânia e, principalmente, no Milan da Itália, onde jogou durante nove temporadas e venceu duas vezes a Champions League.

Kaladze, porém, sequer conseguiu levar a sua seleção aos playoffs da Copa do Mundo ou da Eurocopa. Não obstante, o hoje ex-lateral teve a carreira prejudicada por lesões justamente durante o momento que seria o seu auge. Após sua aposentadoria, também ingressou na política e é o atual prefeito de Tblisi, a capital da Geórgia.



Será que Kvaratskhelia conseguirá levar a Geórgia a alguma
Copa? Ou terá o mesmo azar dos atletas aqui apresentados
(imagem extraída de www.facebook.com/SSCNapoli)?