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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Equilíbrio Distante

Imagem extraída do Facebook oficial do São Paulo- https://www.facebook.com/saopaulofc



Teve são-paulino comemorando quando o winger Osvaldo (foto acima) e o lateral Álvaro Pereira (foto abaixo) deixaram o Morumbi. Muitos torcedores ainda tinham em mente a imagem daquele Osvaldo de 2013, que apresentou rendimento pífio e ficou mais de um ano sem balançar as redes. Com Álvaro, a rejeição foi menor, mas o rendimento do uruguaio havia caído no segundo semestre do ano passado por "algum motivo".

Eu posso dizer que o torcedor teve lá suas razões para cobrar melhores rendimentos da dupla, mas acho que a maioria das críticas aos atletas foram injustas. Tanto Osvaldo quanto Álvaro poderiam contribuir muito mais em campo e mereciam mais chances no São Paulo.

Começando com Osvaldo: o atleta nascido no Ceará não é atacante, e sim winger -aqueles jogadores velocistas que atuam abertos pelas pontas e alternam as funções de marcadores ou armadores. O cearense ficou um tempo sem fazer gols, mas ele ajudou s outros atletas a balançar as redes graças a precisão de seus cruzamentos. Basta olhar as estatísticas de 2014 e notamos que o ex-camisa 17 foi líder de assistências no clube e um dos melhores no Brasileirão nesse quesito. Isso sem falar que Osvaldo também ajudava nos aspectos defensivos.

A cobertura que Osvaldo proporcionava, permitia que Álvaro Pereira subisse para o ataque e ajudasse o cearense pela esquerda, sem deixar aquele lado desprotegido. Álvaro e Osvaldo se completavam pela esquerda, seja nos aspectos defensivos, seja nos aspectos ofensivos.



São Paulo no Paulistão 2014: no destaque, Osvaldo e Álvaro
Pereira  se ajudavam de forma mútua pelo lado esquerdo, tanto
na defesa, quanto no ataque (obtido via this11.com). 



Com as vindas de Pato, Alan Kardec e Kaká, o treinador Muricy Ramalho mudou o esquema de 4-2-3-1 para 4-2-2-2. Osvaldo voltou para o banco de reservas no processo e Álvaro, que estava em alta no time, permaneceu. No entanto, sem a cobertura do cearense, o uruguaio tinha menos liberdade para subir ao ataque e ainda tinha mais trabalho para negar os espaços aos rivais. Desta forma, Álvaro sofria mais com as infiltrações dos adversários pelo seu lado e era obrigado a cometer mais faltas.



São Paulo na segunda metade do Brasileirão 2014: sem a
cobertura de Osvaldo, Álvaro Pereira tem menos liberdade para
subir ao ataque e precisa cometer mais faltas para evitar as
infiltrações rivais. Não a toa, o rendimento do uruguaio caiu
no segundo semestre (obtido via this11.com).



Como nós brasileiros somos muito apressados e queremos sempre resultados a curto prazo, não percebemos como havia esse sinergismo entre Osvaldo e Álvaro. Da mesma forma, poucos notaram que a queda de rendimento do uruguaio se deveu à saída do cearense. Michel Bastos, que deveria fazer a função de Osvaldo, não era titular absoluto por disputar posição com Kaká e, por vezes, era escalado na vaga de Álvaro. Era o fim daquele equilíbrio pelo lado esquerdo.

É uma pena que Osvaldo e Álvaro tenham saído do Morumbi sem deixar muitas saudades. O Osvaldo é jogador de bola e o Álvaro, apesar de ser mais raça do que técnica, tinha recursos para ajudar o time. A impaciência de alguns privou a dupla de ajudar o Tricolor em campo.



Imagem extraída do Facebook oficial do São Paulo- https://www.facebook.com/saopaulofc



TIKI-TAKA TRICOLOR

A escalação do São Paulo na teoria (à esquerda) e na prática (à direita)-imagens obtida via this11.com.

Assisti ao jogo do São Paulo contra o Bragantino e gostei muito do desempenho do meio-de-campo tricolor, com Boschilia, Maicon, Centurión, Hudson e Thiago Mendes. A equipe mista atuou com muita leveza, envolveu o Braga com sua troca de passes e massacrou os donos da casa por 5x0. Os atletas do Bragantino foram se enervando com o espetáculo tricolor e os mandantes começaram a apelar para as faltas -o meia Caio acabou expulso e matou qualquer possibilidade de reação. Tudo bem que o rival era fraco, mas o jogo mostrou claramente como Muricy evoluiu de 2009 pra cá, abandonando o feio futebol de resultados e adotando um jogo mais agradável de se ver. Parabéns ao time e ao treinador pela mudança! Espero ver mais exibições assim no decorrer do ano.



SHOW DE GOLS NA ALEMANHA

A Bundesliga tem seus problemas, mas tivemos três grandes jogos na última rodada, repletos de gols e bom futebol. Na sexta-feira, o meu Borussia Dortmund derrotou o Mainz de virada e saiu da zona de rebaixamento após vencer por 4x2 -Marco Reus fez dois gols. Ontem, o todo-poderoso Bayern trucidou o Hamburger/Hamburgo por 8x0, com os craques Götze, Müller e Robben deixando suas marcas duas vezes. Ainda no sábado, o Wolfsburg e o Bayer Leverkusen fizeram um jogo espetacular de nove gols na Bay Arena, com vitória para os Lobos por 5x4. O sul-coreano Heung-Min Son (do Bayer) e o holandês Bas Dost (do Wolfsburg) foram os goleadores do jogo, com 3 e 4 tentos, respectivamente. Se você não viu os jogos, vale a pena dar uma espiada nos melhores momentos no site da ESPN!


quinta-feira, 6 de março de 2014

O Exemplo É Osvaldo

Imagem extraída do Facebook oficial do São Paulo- https://www.facebook.com/saopaulofc

A pressa dos dirigentes por resultados a curto prazo e a impaciência de alguns torcedores (muitos deles "modinhas", que só apoiam o time enquanto está ganhando) fizeram o São Paulo perder bons jogadores que hoje estão brilhando em outros clubes.

Arouca e Cícero hoje são titulares absolutos no Santos. Jadson está brilhando no Corinthians. E Rhodolfo é o xerifão do Grêmio.

O que faltou ao meu Tricolor com os referidos jogadores foi justamente paciência. Esqueceram-se que jogadores também passam por fases ruins em decorrência de problemas pessoais, lesões ou outros motivos que a ciência não explica.

Faltou aos dirigentes e comissão técnica do São Paulo bancar os jogadores quando eles não estavam mais rendendo o esperado. Faltou a alguns torcedores apoiarem os atletas justamente no momento em que mais precisavam de ajuda.

Osvaldo (foto) estava no grupo dos atletas que vinham sendo contestados pela queda de rendimento em 2013. E, verdade seja dita, ele fez uma temporada para ser esquecida no ano passado. A sua saída só não ocorreu porque as negociações envolvendo o cearense melaram -o Tricolor teria oferecido o atacante ao Inter e ao Fluminense.

Hoje, o camisa 17 é novamente titular no Soberano. Já anotou dois gols na temporada, dá assistências, cruza muitas bolas e ainda ajuda na marcação. Ainda não é o atleta que ajudou o Tricolor a conquistar a Sulamericana em 2012, mas justiça seja feita, ele sabe jogar bola, está se empenhando muito em campo e tem ajudado o São Paulo de várias maneiras.

Se eu fosse dirigente do São Paulo, daria o tempo necessário para que Osvaldo e qualquer outro jogador em má fase a se recuperar plenamente. Muito pior do que contratar mal, é perder bons jogadores em nome da pressa por resultados a curto prazo.

Se os dirigentes do Barcelona agissem como fizeram os cartolas tricolores, Messi já estaria sendo negociado, afinal desde que voltou de lesão, ainda não voltou a exibir todo o seu potencial em campo.