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domingo, 23 de junho de 2024

Drama Húngaro

Csoboth (de número 23) decidiu a partida no último lance
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Era esperado um jogo muito "pegado" entre Escócia e Hungria, duas seleções que se valem bastante da força física. A urgência do resultado (os times precisavam vencer para terem chances de classificação) faria com que os jogadores lutassem ainda mais em campo. Porém, a partida acabou ficando em segundo plano após o atacante Barbabás Varga, dos magiares, cair, aparentemente inconsciente, após choque com o goleiro Angus Gunn.

Steve Clarke, novamente, escalou a Escócia em 3-4-3 variando para 5-4-1 conforme a necessidade. Marco Rossi também optou pelo 3-4-3 mas variando para 5-2-3 e com Szoboszlai deslocado para o lado direito com o óbvio propósito de segurar Robertson.

Os Tartans, sem poderem utilizar seu capitão, adiantaram as linhas e utilizaram o toque de bola sempre buscando McTominay, mas o meia não conseguiu acionar Adams, preso no ferrolho húngaro. Os magiares responderam com bolas longas ou pela esquerda com Sallai. Aos poucos, a seleção do Leste Europeu conseguiu avançar e criar chances em cobranças de falta ou escanteio, mas quase nada que assustasse o goleiro Gunn. O primeiro tempo, como esperado, foi marcada por muitas faltas e disputas físicas.



Escócia, em 3-4-4, não consegue usar Robbo (bloqueado por
Szoboszlai) e toca a bola em busca de McTominay, que não
consegue acionar Adams. Hungria, em 5-2-3, responde pelo
lado esquerdo com Sallai ou com bolas longas em direção a
Varga (imagem obtida via this11.com).



Os times, sabendo que o empate eliminaria a ambos da Euro, partem para a "trocação franca" e o jogo trona-se aberto com chances iguais para os dois lados. A partida, porém, torna-se mais "pegada" com muitas faltas e divididas violetas. Em uma delas, o goleiro Gunn acertou o atacante Varga na cabeça e o jogador húngaro foi retirado de maca por suspeita de concussão cerebral.

Os minutos finais foram marcados pelo desespero de ambos os times ávidos pelo gol. Os treinadores abandonam a estratégia e escancaram suas equipes para o ataque mas os atletas desperdiçam chances claríssimas pelo nervosismo. A igualdade persiste até que Sallai, em contra-ataque, aciona Csoboth nos  minutos finais e o atacante de camisa 23 não desperdiça.

Hungria vai a três pontos mas fica atrás da Suíça nos critérios de desempate e agora aguarda pelos outros resultados para saber se estará entre os quatro melhores terceiros colocados. Escócia se despede fazendo uma Eurocopa honesta de muito esforço mas esbarrando em suas próprias limitações.

Varga, até a publicação deste texto, seguia internado e em observação. O jogador, segundo a MLSZ, está consciente. O incidente do jogador serve de alerta, mais uma vez para que as confederações de futebol se atentem mais a respeito dos riscos do esporte, incluindo os choques de cabeça.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




quarta-feira, 19 de junho de 2024

Gentileza Gera Gentileza

Escócia e Suíça lutaram muito mas não saíram do empate
(imagem extraída de www.facebook.com/Swiss.Nati.Men).



Escócia e Suíça lutaram muito mas não conseguiram sair de um empate por 1x1. Ambos os gols saíram em falhas da defesa -um chute de McTominay que desviou em Schär e uma entregada de Ralston que Shaqiri aproveitou para igualar o placar. Pode-se dizer que os Tartans "retribuíram a gentileza" da Nati em campo.

Steve Clarke repetiu o 3-4-3/5-4-1 da rodada anterior mas com Hanley e Gilmour nos lugares de Porteous e Christie. Murat Yakin, por sua vez, foi de 3-4-3 variando para 4-2-3-1 com Shaqiri na vaga de Duah.

Os Tartans mantiveram a estratégia de apostar nos contra-ataques pelos lados mas distribuíram melhor seus jogadores em campo para dificultar a ação dos meio-campistas suíços. A Nati, com menos espaço para circular a bola, também atuou pelos flancos e se valeu da movimentação de Shaqiri para abrir espaços na marcação rival.

A Escócia também lançou mão de seus talentos individuais -Robbo pela esquerda e McTominay pela direita. Com ajuda de sua dupla mais talentosa e da imposição física, os Tartans foram imprensando a Suíça até que o camisa 4 deu um chute que desviou em Schär e enganou Sommer. A sorte da Nati foi que, minutos depois, Ralston "devolveu a gentileza" ao sair jogando errado e Shaqiri não perdoou.



Suíça, em 4-2-3-1, avança pelas pontas e utiliza a movimentação
de Shaqiri para abrir espaços na defesa rival. Escócia, em 5-4-1,
ocupa espaços para dificultar a troca de passes dos suíços e contra-
ataca com Robertson e McTominay (obtido via this11.com). 



O jogo torna-se mais aberto durante o segundo tempo com os dois times partindo para a "trocação", havendo chances claras de gols para ambos os lados -e ambos desperdiçaram. A Escócia segue apostando na imposição física de seus atletas e acaba cometendo muitas faltas ao longo da etapa complementar. Os treinadores, sabendo que o empate poderia complicar suas equipes na tabela, realizam mudanças em busca do gol mas a igualdade persiste.

O resultado foi um pouco melhor para a Suíça que vai a quatro pontos e ainda pode sonhar com a liderança da chave -precisará vencer a Alemanha na próxima rodada. Escócia soma seu primeiro ponto e também pode vislumbrar a classificação desde que vença a Hungria na próxima partida -ainda há chances matemáticas de alcançar a Nati no grupo e quatro pontos costumam ser suficientes para ficar entre os melhores terceiros colocados.

Escócia e Suíça terminam em um justo empate marcado por muitas batalhas táticas e, principalmente, por falhas bizarras de seus zagueiros. Quem diria que dois adversários pudessem ser tão "gentis" em campo com relação aos gols!



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




sexta-feira, 14 de junho de 2024

O Adversário Perfeito para uma Estreia Perfeita

Musiala "abriu a porteira" para o massacre alemão
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



A Alemanha, mesmo jogando em casa, chegou sob forte desconfiança devido ao desempenho vexaminoso nas últimas competições oficiais. Era necessário dar a resposta e a inoperante Escócia foi a a adversária perfeita para isto.

Julian Nagelsmann escalou a Mannschaft em 4-2-3-1 variando para 3-4-3 com Kroos aruando como um terceiro zagueiro (geralmente aberto pela esquerda) para liberar os laterais. Steve Clarke optou por um 3-4-3 variando para 5-4-1 apostando em linhas compactas para tirar os espaços e esperando por possíveis contra-ataques oferecidos pelos alemães.

A Alemanha mostrou suas credenciais logo no início buscando espaços às costas da zaga escocesa, seja com lançamentos longos (geralmente realizados por Kroos), seja com infiltrações com os atacantes. Wirtz, Havertz e Musiala inverteram constantemente suas posições visando confundir a marcação rival. A Escócia tentou responder com seu lado esquerdo visando acionar Adams na frente mas o centroavante foi facilennte anulado pelos grandões Rüdiger e Tah.

Musiala e Wirtz não tardaram a fazerem seus gols para colocar a Alemanha em vantagem. A Escócia só levou algum perigo em lances de bola parada. O jogo acabou para os Tartans aos 43 minutos do primeiro tempo quando Porteous foi expulso ao acertar a canela de Gündoğan na área de Gunn. Havertz cobrou pênalti e a Nationalelf foi para o intervalo vencendo por 3x0.



Alemanha em 3-4-3 ataca pelas costas da zaga escocesa com
bolas longas de Kroos ou com infiltrações de seu trio ofensivo,
que troca constantemente de posição. Escócia, em 5-4-1,
tenra responder pelo lado esquerdo mas Adams é facilmente
anulado pelos grandões Rüdiger e Tah (obtido via this11.com).



Clarke troca o atacante Adams pelo zagueiro Hanley para cobrir o espaço deixado por Porteous e o meia Christie passa a atuar como "falso nove". Nagelsmann se limita a tirar o amarelado Andrich por Groß. Os Tartans, na imposição física e na bola parada, chegam a dar algum susto na Alemanha mas não conseguem mais preencher os espaços com um jogador a menos. Com o jogo virtualmente controlado, o treinador alemão coloca os reservas Füllkrug, Sané e Müller para jogar.

Füllkrug amplia para 4x0 e quase faz mais um gol, anulado por impedimento. McKenna, em lance de bola parada, consegue diminuir com a bola desviando em Rüdiger (o tento foi creditado como contra para o zagueiro) mas Can, nos minutos finais, encerra o massacre.

Alemanha tem sua estreia perfeita diante de uma limitada Escócia, o que foi ainda mais facilitado pela expulsão de Porteous. A Mannschaft causa uma boa impressão em seu primeiro jogo e tranquiliza seu torcedor após tantas campanhas ruins. Já a Escócia terá de buscar pontos com os outros rivais (que, felizmente, são mais acessíveis) e torcer para que a mesma Nationalelf dê uma "ajudinha".

A Mannschaft, com um time renovado e com o apoio de sua torcida, mostra sua força, mas ainda é cedo para se falar em favoritismo ao troféu afinal o adversário era bastante limitado e ainda deu aquela ajuda ao atuar com um jogador a menos.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024



Atualização 15-06-2024: erros de português corrigidos e remoção de palavras repetitivas nas frases.




terça-feira, 22 de junho de 2021

Certas Coisas Nunca Mudam...

Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2020



Croácia e Escócia chegaram à última rodada da fase de grupos em situação dramática: com apenas um ponto conquistado em dois jogos, ambas precisavam da vitória para avançar às oitavas-de-final, ou ambas morreriam abraçados. Foram beneficiadas pelos resultados dos Grupos B e C onde os terceiros colocados terminaram com três pontos e, portanto, quatro pontos seriam suficientes para a classificação.

A Croácia, escalada em 4-3-3/4-2-3-1, jogou valorizando a posse da bola e trocando passes em busca de espaços na defesa escocesa. A Hrvatska, porém, desperdiçou muitas oportunidades criadas e ainda demonstrou muita dependência de seu principal jogador, Luka Modrić. Praticamente todas as jogadas tinham de passar pelo camisa 10.

A Escócia aparentava estar ciente de suas limitações e passou praticamente todo o primeiro tempo recuada em 5-3-2. Eventualmente, os atacantes pressionavam a saída de bola croata mas o goleiro Livaković não teve muito trabalho inicialmente.

A Hrvatska conseguiu criar boas chances pelos lados, principalmente pela esquerda com Perišić e Gvardiol, mas foi pela direita que o primeiro gol saiu, em jogada iniciada com o lateral Juranović e que terminou em uma finalização certeira de Vlašić.



Croácia, em 4-2-3-1, toca a bola em busca de espaços ou tenta
acionar Modrić, que não consegue jogar devido à marcação.
A alternativa surge pelos lados, com o laterais e pontas. Escócia
passa boa parte do primeiro tempo recuada em 5-3-2 com os dois
atacantes eventualmente tentando pressionar a saída de bola
 (imagem obtida via this11.com).



A Escócia, precisando reagir, conseguiu tirar proveito das fraquezas adversárias. Passou a adiantar linhas, interceptar passes e forçar o jogo sobre a insegura zaga croata. O volante McGregor pegou uma sobra após confusão na área de Livaković e acertou um chute de fora da área sem chances para o goleiro. 1x1.

Quando o jogo começou a pender para o lado escocês, foi a hora da estrela de Modrić brilhar. Primeiro em um chutaço de fora da área que Marshall aceitou. 2x1. Depois em uma cobrança de escanteio na medida para Perišić dar números finais ao jogo. 3x1. E, para a sorte da Croácia, a Inglaterra fazia 1x0 sobre a República Checa, o que garantia a Hrvatska na segunda colocação em virtude do saldo de gols.

A Escócia ainda ensaiou uma pressão final para honrar seu torcedor mas já estava mentalmente derrotada. Mesmo encontrando brechas na defesa croata, não havia mais tempo nem força mental para buscar uma reação.



Ainda no final do 1º tempo, Escócia busca o empate, adianta linhas
e consegue se infiltrar na frágil zaga croata, mas deixam espaço
para Modrić e ele tratou de aproveitar (imagem obtida via this11.com).



Croácia, em um misto de sorte com méritos, consegue a improvável vaga para as oitavas-de-final. Luka Modrić desequilibrou o jogo no momento em que a Escócia crescia e mostrou porque é o principal craque da Hrvatska. Cabe, porém, alertar para a fragilidade da zaga (talvez fosse interessante colocar o volante Milan Badelj daqui para frente), a necessidade de mais contundência no ataque (a troca de passes funcionou hoje, mas não tem mais a eficiência do passado) e, principalmente, a urgência de uma renovação no elenco.

Escócia deixa a Euro 2021 eliminada na primeira fase como esperado. O grupo demonstrou garra mas o trio Robbo, McTominay e Tierney não foi suficiente para carregar o limitado elenco. Ao menos, conseguiram arrancar um empate da arquirrival Inglaterra e fizeram um gol de honra diante da Croácia.

Vale destacar a atuação de Luka Modrić na partida de hoje. O craque mostrou que ainda pode fazer a diferença apesar dos 35 anos. A Croácia precisa aprender a jogar sem seu camisa 10, cuja aposentadoria não está muito longe, mas o meio-campista brilhou no momento crucial da partida e ainda pode ajudar neste ciclo.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2020