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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sem Perder o Rebolado

Imagem extraída do Facebook oficial do Tottenham Hostspur
http://www.facebook.com/TottenhamHotspur

Assisti à partida entre Tottenham e Swansea City realizada durante o último domingo. Os Spurs, apesar da torcida a favor, tiveram dificuldade em superar o empenhado adversário galês (comandado pelo grande Michael Laudrup) e venceram os Cisnes pelo apertado placar de 1x0, com gol anotado por Roberto Soldado de pênalti.

Com a licença dos exageros da imprensa esportiva, eu gostei da participação do volante Paulinho na partida. O atleta revelado pelo Audax-SP (time pertencente ao Grupo Pão de Açúcar) e com passagem vitoriosa pelo Corinthians buscou o jogo o tempo todo e teve boa presença no ataque. O jogador mostrou boa movimentação em campo e provou que volantes ofensivos podem, sim, fazer a diferença em campo sem comprometer a defesa.

Paulinho fez uma boa escolha ao acertar com o Tottenham (ele era pretendido pela Internazionale). Forte e rápido, o volante tem um bom arranque e pode armar um contra-ataque partindo detrás da linha da intermediária e carregando a bola até a linha de fundo, possibilitando um bom cruzamento com o adversário de guarda aberta. O futebol inglês se notabiliza pelo jogo mais físico e o jogador tem as características desejadas pelos times na Terra da Rainha. Ele não é muito técnico -não tem o passe como característica e ainda dá muita trombada- mas o espírito coletivo do futebol europeu pode ajudá-lo a melhorar suas habilidades.

Espero, contudo, que Paulinho não siga o caminho do compatriota Ramires. Lembro-me até hoje quando aquele volante ofensivo explodiu pelo Cruzeiro entre 2008 e 2009 ao buscar sempre o jogo e ao efetuar alguns dribles. Desde que Ramires acertou com o Chelsea em 2010, contudo, o jogador tornou-se cada vez menos técnico e cada vez mais violento. O futebol inglês endureceu a cintura do ex-cruzeirense e transformou-o em um atleta forte e veloz, porém muito faltoso e pouco capaz de realizar um drible ou um passe bem feito. As exibições que Ramires realizou durante a "Era Mano Menezes" mostraram que seu futebol se perdeu em detrimento a força física. Uma pena.

Como o futebol de Paulinho vai evoluir nos Spurs? O Tottenham já teve muitos atletas com boa qualidade técnica, como Luka Modrić e Gareth Bale, e agora tem Roberto Soldado. Com a companhia de jogadores técnicos e/ou habilidosos, vejo possibilidade do volante brasileiro desenvolver qualidade no passe e visão de jogo. Mas frente a tantas equipes truculentas como adversários, há chances de Paulinho endurecer a cintura e se transformar em um verdadeiro jogador de rúgbi...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O Corinthians sem Paulinho

Demorou, mas a transferência do volante Paulinho para o Tottenham se concretizou. Os corinthianos mais exaltados devem estar indo às lágrimas pela perda de um atleta considerado importante, enquanto as hienas devem estar com o sorriso de orelha a orelha dizendo que o Timão vai acabar com a saída do camisa 8.

Menos, pessoal. Menos. Paulinho é um bom volante mas não é insubstituível. E faz parte do futebol o desafio de renovar e se reinventar, uma vez que todo atleta um dia deixa seu clube, seja para buscar oportunidades de crescimento, seja para se aposentar.

Ao Tite, posso sugerir uma mudança tática que pode ser interessante aos atacantes que estão sofrendo um jejum de gols: colocar outro armador na vaga de Paulinho, alterando o esquema de 4-2-3-1 para 4-1-2-3. Pode ter a certeza que Guerrero e Pato agradecerão com um armador a mais, pois eles terão de voltar menos para buscar a bola e estarão sempre com a caixa cheia para finalizar uma jogada.

Outra ideia é buscar um volante ofensivo. Minha primeira sugestão é o Bolatti, que está voltando de empréstimo ao Inter, mas provavelmente terá poucas chances de jogar pelo Colorado. O argentino não é tão explosivo como Paulinho, mas sabe sair para o jogo, apoia bem e tem boa presença de área para fazer gols. Outro que eu posso sugerir é o Arouca, que é veloz e ajuda bastante na armação. O único entrave é que eu duvido que o Santos libere um titular para um rival direto. Ambos que eu citei são meio-campistas leves e que podem ajudar tanto na marcação quanto na criação de jogadas.

O Corinthians, de qualquer forma, precisa aproveitar o momento e se preparar para a perda de mais atletas importantes, como aconteceu com o São Paulo após 2005, com o Inter após 2006 e 2010, e com o Santos após 2011: todos disputaram o Mundial Interclubes, contemplaram seus elencos serem valorizados e terminaram por perder seus atletas mais importantes nas ocasiões mencionadas. Será, portanto, fundamental ter um planejamento bem feito para manter o Timão na briga pelos títulos.

Não duvido, no entanto, que Tite não dê ouvidos às minhas sugestões, continue priorizando mais a defesa em detrimento ao ataque e, eventualmente, atribua possíveis tropeços à saída de Paulinho, assim como faz a maioria dos treinadores do Brasil em uma situação como essa.