quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Mudar Treinador Resolve Mesmo?

Imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras



Não existe uma receita certa para o sucesso, sobretudo quando lidamos com pessoas. Tanto que um professor de história me disse que "em ciências humanas, 1+1 pode dar cinco". Há clubes que foram vitoriosos apesar de serem mal administrados, assim como há times que fizeram campanhas ruins (ou abaixo das expectativas) a despeito das gestões exemplares.

Uma das constantes discussões a respeito do sucesso ou não no futebol passa pela manutenção de treinadores. Quando uma equipe entra em crise, o técnico sempre é o primeiro a entrar na mira. Tanto que a demissão de comandantes já se tornou algo cultural em nosso esporte.

Quando os dirigentes promovem uma mudança no comando, ocorre um "choque de gestão" no elenco: os jogadores são obrigados a sair de sua zona de conforto porque precisam mostrar serviço ao novo técnico para manterem suas posições no time e os resultados aparecem a curto prazo. Com o tempo, porém, o grupo tende a se acomodar, a equipe deixa de vencer, o clube entra em crise novamente e mais uma troca de treinador acontece. E o ciclo se repete.

Muitos dos times vitoriosos, porém, souberam remar contra a corrente e bancaram seus treinadores mesmo durante momentos de crise, pensando em resultados a longo prazo. São Paulo (entre 2006 e 2008 com Muricy Ramalho) e Corinthians (entre 2011 e 2013 com Tite) foram alguns desses casos. O exemplo mais extremo, porém, se deu na Inglaterra com o Liverpool segurando Jürgen Klopp desde 2015 e esperando até 2019 para o trabalho gerar frutos.

Os argumentos aqui apresentados fizeram com que muitos (o autor deste blog incluso) defendessem a teoria de que o treinador precisa de tempo e respaldo para desenvolver seu trabalho, mesmo que isto significasse perder alguns jogos a curto prazo. Mas houve algum exemplo prático da eficiência disto em relação ao outro modelo? A resposta é sim e se deu durante a temporada 2007 entre os grandes rivais paulistas, Palmeiras e Corinthians.



Imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras



Palmeiras e Corinthians iniciaram a temporada 2007 em condições bastante semelhantes: ambos estavam em dificuldades financeiras, ambos viviam momentos de grande pressão devido às campanhas ruins em 2006, ambos tinham elencos bastante fracos e ambos eram até vistos como candidatos ao rebaixamento.

O Verdão contratou o saudoso Caio Júnior, que havia feito uma grande campanha com o modesto Paraná Clube no ano anterior. E os dirigentes palmeirenses bancaram o treinador até o final o ano apesar das oscilações do time. O Timão, por sua vez, começou a temporada com Emerson Leão (que havia salvado o Coringão do rebaixamento no ano anterior) mas trocava de treinador a cada três meses em média. Passaram pelo banco corinthiano Leão, Zé Augusto, Paulo César Carpegiani e Nelsinho Baptista.

O Palmeiras terminou o Brasileirão em um razoável 5º lugar e, por muito pouco, não chegou à Libertadores (acabou superado pelo Cruzeiro na última rodada) mas fez uma campanha muito acima das expectativas. A frustração pela perda da vaga, porém, falou mais alto e o treinador Caio Júnior acabou demitido após o término da temporada.

O Corinthians, por sua vez, realizou uma campanha com os sintomas típicos de equipes que trocam constantemente de treinador. Quando o interino Zé Augusto assumiu, por exemplo, o Timão venceu o clássico contra o Santos, o que fez com que o auxiliar recebesse muitos elogios (da imprensa e da torcida) e fosse efetivado. O time, porém, não demorou a cair de rendimento novamente e Paulo César Carpegiani acabou contratado semanas depois. O mesmo aconteceu mais tarde com Nelsinho Baptista, que conseguiu derrotar o São Paulo em pleno Morumbi mas não conseguiu evitar uma nova queda no desempenho e o rebaixamento foi inevitável.

A manutenção (ou não) do treinador não foi o único motivo pelas campanhas distintas dos dois rivais. Houve outros fatores externos, como a crise política do Timão que resultou na renúncia do presidente Alberto Dualib (falecido neste ano) que, certamente, tiveram reflexos em campo.

Tivemos, porém, dois times em condições praticamente iguais e os dois rivais tomaram atitudes totalmente opostas com relação a manutenção de seus respectivos treinadores. A permanência ou não do técnico certamente teve alguma influência no desempenho das equipes.

A manutenção de um treinador não é uma receita para o sucesso. Quando se lida com seres humanos, nunca há uma fórmula exata visto que cada indivíduo é diferente, bem como o contexto em que cada um está inserido. O que se observou ao longo da temporada 2007, porém, foi que dois times em condições praticamente iguais tiveram destinos totalmente distintos. E a continuidade (ou não) dos técnicos certamente teve alguma influência no desfecho de ambos. 



Imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras




domingo, 10 de outubro de 2021

Airsoft




Eu entendo muito pouco a respeito de airsoft. Trata-se de um esporte semelhante ao paintball em que o praticante utiliza armas quase idênticas às reais que disparam bolinhas de plástico por pressão ao invés de munição ou tinta. Os esportistas são divididos em times e o objetivo é derrotar a equipe adversária, seja alvejando os rivais ou surpreendendo-os pelas costas, o que os entusiastas chamam de "render". Nunca tive interesse na modalidade por medo de me machucar mas a categoria gerou algumas histórias divertidas.

Era agosto de 2016. Um amigo da faculdade me convidou para visitar seu novo apartamento. Estava com uma muita má vontade porque havia acabado de perder um parente mas aceitei. Chegando lá, ele e outros colegas começaram a falar a respeito de airsoft.

O tal airsoft não era uma simples brincadeira: era um verdadeiro hobby que demandava investimento e dedicação. Meus amigos adquiriam muitos equipamentos e acessórios para a prática incluindo roupas de proteção, armas, munição (as tais "bolinhas de plástico") e até câmeras para filmar suas performances. Eles utilizavam as filmagens não apenas para se exibir mas também para analisar seus próprios desempenhos e se aperfeiçoar na modalidade.

Eu e outros colegas leigos no assunto entendíamos muito pouco do que era falado. Apenas tentávamos empunhar o equipamento e imaginávamos como seria seu uso nas arenas onde o esporte é praticado. Devo dizer que as armas são verdadeiras réplicas (exceto pela peça alaranjada na extremidade do cano) e são bastante pesadas. Fiquei pensando o esforço que o praticante precisa fazer visto que cada um deles porta pelo menos uma pistola e um rifle.






Meus amigos, em dado momento, pegaram as armas para "brincar". Um deles saiu correndo atrás de outro colega até encurralá-lo na cozinha e tentou atirar. Não presenciei a cena, só ouvi as gargalhadas vindo de lá. O meu amigo, ao tentar disparar, ejetou todas as bolinhas da escopeta e derrubou tudo no chão!

Eu estava filmando a cena mas não consegui registrar o que havia acontecido dentro da cozinha. Só consegui pegar o momento em que meu amigo saiu correndo atrás do outro. Peripécias típicas que apenas o álcool é capaz de proporcionar...

O colegas seguiram praticando o airsoft mas a frequência foi diminuindo a medida em que os amigos foram tomando seus próprios rumos. Alguns se casaram, outros precisaram se dedicar mais ao trabalho e houve aqueles que mudaram de cidade ou de país. A pandemia também serviu para dificultar ainda mais os encontros.

Não tive o interesse em experimentar a modalidade apesar do que presenciei mas cheguei a perguntar se eu não poderia ir junto para assistir a uma sessão. Não lembro os motivos mas nunca consegui marcar um dia. Me disseram na ocasião que eles passavam o dia inteiro na arena, incluindo a hora do almoço, e era necessário levar uma marmita para ficar por lá.

Não perguntei mais aos amigos a respeito do airsoft desde então. A distância e a pandemia provavelmente deve ter impossibilitado a prática. Nunca cheguei a experimentar a modalidade mas, mesmo assim, ela me deixou alguma histórias divertidas como esta que trouxe hoje para o blog!







sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Tão Diferentes e Tão Iguais

Imagem extraída de www.facebook.com/santosfc



Juro que não estou escrevendo isto por oportunismo, afinal é muito fácil criticar Fábio Carille neste momento. O treinador não obteve nenhuma vitória em seis jogos disputados (foram quatro empates e duas derrotas), cinco gols sofridos, um tento anotado e um revés por 3x0 diante do modesto Juventude. Mas, muito antes dele assinar com o Santos, eu já acreditava que o paranaense não seria o técnico adequado para o Peixe na atual situação, sobretudo se comparado com o antecessor Fernando Diniz.

Carille e Diniz diferem apenas no estilo de jogo: o paranaense prioriza a defesa de seus times enquanto o mineiro é um ofensivista convicto. Os perfis dos dois treinadores, porém, são bastante parecidos nos demais aspectos: ambos ainda são jovens, ambos ainda comentem alguns erros pela inexperiência e ambos deixaram o sucesso lhes subir a cabeça em algum momento, como veremos adiante.

O paranaense teve uma trajetória brilhante no rival Corinthians ao final da década anterior, com três títulos paulistas consecutivos (2017, 2018 e 2019) e um brasileiro (2017). Carille, mesmo com um elenco envelhecido e com poucas opções no banco, conseguiu obter grandes resultados. Como integrante fixo da comissão técnica, ele aprendeu quase tudo o que sabe com Mano Menezes e Tite, além de conhecer muito bem o time.

Carille, com o tempo, parece ter se deslumbrado com o sucesso. Passou a dar respostas atravessadas a repórteres, chegou a surtar porque não foi cumprimentado por um técnico adversário e entrou em conflito com dirigentes corinthianos. Ao enfrentar sua primeira crise no Timão em 2019, passou a "rifar" os jogadores durante entrevistas o que fez com que fez com que perdesse de vez o controle do elenco e, consequentemente, fosse demitido. Não foi muito diferente do que aconteceu com Diniz, que também foi ríspido com a imprensa durante alguns momentos e chegou a insultar seus próprios atletas publicamente.

O treinador, ademais, não tem experiência para atuar como "bombeiro". Tal missão deveria ser confiada a um técnico mais experiente, com mais "casca" e com mais trato com os jogadores. Isso sem mencionar que Carille é identificado demais com o rival Corinthians. O paranaense, a meu ver, foi uma aposta ousada demais dos dirigentes santistas para um momento em que o clube deveria ser mais conservador.



Imagem extraída de www.facebook.com/santosfc



O ideal, a meu ver, seria fazer uma "aposta segura". Emerson Leão e Dorival Júnior seriam os nomes ideais. Os dois treinadores têm identificação com o clube, conhecem bem a instituição, possuem estofo para cobrar o elenco, são experientes, já ajudaram em outros momentos de crise e, principalmente, sabem utilizar a base. E o Santos vai precisar demais de seus Meninos da Vila neste momento, visto que dificilmente haverá contratações e o Peixe precisa fazer caixa com a venda de jogadores.

Não adiantaria, porém, demitir Carille agora que o trabalho já foi iniciado e com apenas seis partidas disputadas. Uma nova mudança no comando, além de injusta, significaria tumultuar ainda mais o ambiente e também mais uma multa rescisória ao Santos, que não pode se dar ao luxo de aumentar sua já milionária dívida.

O treinador precisará de apoio e respaldo mais do que nunca. Carille pegou o bonde andando, ainda está acertando o time e muitos jogos serão perdidos até que os resultados apareçam. O tempo, porém, será um adversário implacável e os santistas precisam ter frieza para não se precipitarem com a emoção do momento.

A troca de Fernando Diniz por Fábio Carille, portanto, foi realizada apenas em critérios técnicos, e não levando-se em conta os perfis dos treinadores. A escolha dos dirigentes santistas não foi muito feliz para o contexto atual mas uma nova ação precipitada (leia-se "demissão") poderia piorar ainda mais a situação do clube.



Imagem extraída de www.facebook.com/santosfc




segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Um Crédito Para Abel?

Imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras



Abel Ferreira deixou de ser unanimidade do Palmeiras há algum tempo. O treinador realizou o feito inédito de se conquistar a Libertadores e a Copa do Brasil durante a mesma temporada. O português, porém, passou a ser contestado com a fraca campanha no Mundial de Clubes (foi apenas o quarto colocado), as eliminações na temporada 2021 (caiu no Paulista e na Copa do Brasil, além de perder os dois títulos das recopas) e a campanha abaixo do esperado no Brasileirão (está em 2º, oito pontos atrás do líder Atlético Mineiro).

O treinador chegou ao Palmeiras em novembro de 2020 após uma busca desenfreada por um técnico estrangeiro. Os dirigentes palestrinos sondaram comandantes das mais diversas nacionalidades e perfis durante a ocasião até que o português aceitou comandar o Alviverde.

O começo foi muito bom, com Abel conseguindo recuperar jogadores que estavam em baixa no elenco como Raphael Veiga, Scarpa e Rony. O treinador, com pouco menos de seis meses de trabalho, conseguiu acertar o time (apesar de alguns tropeços) e conquistou a Libertadores, repetindo o feito do compatriota Jorge Jesus pelo Flamengo durante o ano anterior.

Abel, porém, ainda é um treinador jovem, com menos experiência e "casca" que o seu compatriota. Isto ficou evidente durante o Mundial de Clubes quando o português foi visto ajoelhado e cabisbaixo enquanto seu time perdia para o Tigres. Ademais, o técnico esbarrou em sua própria falta de criatividade visto que sua equipe foi se tornando previsível e com poucas variações táticas.

Parte dos problemas apresentados, porém, poderiam ser evitados (ou atenuados) com a vinda de reforços. Abel cansou de pedir contratações durante as entrevistas coletivas mas nunca foi atendido e, em dado momento, conformou-se com a situação ao declarar que o "elenco estava bom". É provável que os situacionistas, preocupados com o ano eleitoral no clube, estejam evitando ao máximo fazer novas dívidas para não comprometer o pleito.



Imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras



Reconheço que o Palmeiras faz uma campanha abaixo das expectativas. O elenco está no mesmo patamar que seus concorrentes milionários, Flamengo e Atlético Mineiro. Abel realmente poderia extrair mais do grupo. Ou, então, poderia efetivar mais garotos da base visto que o Verdão vem revelando muitos talentos durante os últimos anos.

Abel, porém, merece crédito por tudo o que fez até aqui. A campanha abaixo das expectativas em 2021 não pode invalidar suas conquistas. Foi muito difícil encontrar um treinador capaz de levar o Palmeiras novamente ao título da Libertadores, algo que não ocorria desde 1999.

O português, como explicado, ainda é jovem e ainda carece de "casca". Ele precisa ter a oportunidade de aprender com os erros e corrigí-los. Canso de explicar que treinadores precisam de estabilidade para desenvolver seus trabalhos. E, sobretudo, necessitam de apoio nos momentos de crise, algo que raramente existe no futebol brasileiro.

Abel, portanto, merece um voto de confiança de seus dirigentes e também de seu torcedor. Ele não é perfeito e comete erros, assim como todo ser humano. O português merece uma nova chance no Palmeiras mesmo que, eventualmente, o time seja eliminado amanhã para o Galo.

O Palmeiras terá oportunidades para disputar novos títulos em todos os anos, mas nem sempre terá bons treinadores à disposição. O Verdão levou anos para encontrar um técnico com a competência necessária para liderar seu elenco milionário até o troféu da Libertadores. Demitir Abel neste momento seria retornar à estaca zero.



Imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras




domingo, 26 de setembro de 2021

Pés Descalços

Vocês não imaginam a cara que eu fiz quando vi calçados como estes expostos
em uma loja (imagem extraída de www.facebook.com/VibramFiveFingers)...



Olá, leitoras e leitores! Voltei a escrever aqui após quase dois meses de ausência. Peço desculpas pelo período sem atualização mas está muito difícil manter a regularidade do blog. Meus projetos estão demandando muita dedicação e estou com pouco tempo para escrever ou acompanhar as partidas de futebol. Tentarei postar mais textos durante esta semana mas não garanto, OK?

Estava me lembrando no dia em que conheci a esposa do meu ex-chefe. Ela é formada em educação física e é docente em uma universidade particular. Isto aconteceu por volta de abril de 2008 e ela havia acabado de voltar de um congresso científico realizado nos Estados Unidos.

Eu estava ajudando a arrumar o laboratório quando ela chegou bastante empolgada com o que havia sido apresentado no evento. Chamou-lhe a atenção um trabalho que demonstrava as vantagens de se praticar exercícios físicos com os pés descalços. Segundo ela, isto diminuiria a incidência de lesões.

Eu fiquei incrédulo com o que eu acabara de ouvir. Não conseguia imaginar um Usain Bolt correndo descalço em uma pista. Ou os nossos jogadores indo a campo sem chuteiras. Tudo aquilo soava estranho demais para mim a despeito de ser algo cientificamente comprovado. E aquele trabalho gerou muitos frutos como vocês verão a seguir.



Imagem extraída de www.facebook.com/VibramFiveFingers



Um ano se passou desde que eu tomei conhecimento daquela pesquisa (que, aliás, nunca me dei ao trabalho de procurar no Pubmed) e fui dar uma volta em um shopping da Zona Sul de São Paulo. Vi em uma vitrine um estranho calçado que mais parecia uma pantufa de silicone com o formato exato de um pé descalço (veja nas ilustrações acima). Imediatamente me lembrei daquela pesquisa que tanto empolgou a esposa do meu ex-chefe. As empresas de material esportivo, baseando-se naquele estudo, trataram de lançar produtos que simulassem/reproduzissem as condições apresentadas pelos cientistas. Nunca observei, contudo, algum atleta de alto nível se utilizar de tais acessórios.

As empresas de material esportivo mais tradicionais (Nike, Adidas, Puma, ...) também haviam se atentado aos resultados daquela pesquisa. Lembro que eu estava acompanhando à Euro 2020 quando o ex-jogador e comentarista Pedrinho chamou a atenção das chuteiras atuais. Segundo o ex-atacante, os calçados atuais são muito mais leves que os de antigamente e conferem mais conforto para os atletas, mas protegem menos contra acidentes como pisões.

As palavras de Pedrinho, novamente, invocaram lembranças daquele trabalho que a esposa do meu ex-chefe mencionou. Mesmo que a ideia de se praticar esportes com os pés descalços não tenha sido aplicada, os resultados daquele estudo influenciaram drasticamente a indústria de calçados como podemos observar.

Jamais poderia imaginar que um estudo que não pertence à minha área de atuação pudesse marcar tanto a minha vida. Pena que nunca conversei com a esposa do meu ex-chefe a respeito tais fatos. Foi divertido e surpreendente ao mesmo tempo! E mais uma demonstração do quanto a ciência é importante mesmo em áreas onde ela, aparentemente, não tenha aplicação.



As chuteiras atuais são muito mais leves do que as dos anos 90 e 2000 por influência
de estudos científicos (imagem extraída de www.facebook.com/adidasfootball).




quinta-feira, 15 de julho de 2021

Como Capotar um Ônibus

Imagem extraída de www.facebook.com/DFBTeam



Não, nós não estamos falando sobre provocar acidentes automobilísticos, e sim métodos para vencer o "ônibus", formação defensiva que consiste em formar duas linhas que quatro jogadores diante do gol e que ganhou notoriedade quando o Chelsea a utilizou para superar o Barcelona em 2012.

O "ônibus" dificulta a execução do Tiki-Taka porque nega espaços ao adversário e impede que a bola possa circular próximo à área. A estratégia não é exatamente nova, afinal treinadores italianos já a adotavam muito antes de 2012 mas continua bastante eficiente visto que muitas equipes ainda lançam mão dela com sucesso.

Observou-se, porém, muitas formas de superar o "ônibus" durante a Euro 2020. Os treinadores encontraram vários métodos para vencer o ferrolho adversário e tais estratégias mostraram-se muito eficazes visto que funcionaram mais de uma vez durante a competição.

Algumas dessas estratégias não são exatamente novas mas a eficácia de todas foi comprovada em campo. Como o "ônibus" ainda é bastante utilizado, seria prudente que os treinadores se atentassem às jogadas observadas durante a Euro 2020, afinal elas podem ser úteis para furar retrancas adversárias e também para a elaboração de contramedidas.



1- INVERSÃO DE JOGADA:



Toda a defesa adversária volta suas atenções para o lateral que está
com  a bola. O jogador, então, faz um passe longo para o colega
desmarcado no outro lado do campo que chuta para o gol sem que
haja nenhum rival no caminho (imagem obtida via this11.com).



A inversão de jogada não é novidade sobretudo no futebol brasileiro mas não vinha sendo muito utilizada na Europa visto que no Velho Continente a posse e o controle da bola são muito valorizados -uma óbvia influência de Guardiola. A estratégia, porém, mostrou-se muito eficaz para superar o "ônibus". 

Os laterais Robin Gosens e Joshua Kimmich se valeram disto para derrotar Portugal durante partida válida pela fase de grupos: ambos os jogadores chegavam à linha de fundo, surpreendiam, a defesa com uma inversão de jogada e o receptor da bola quase sempre ficava livre para chutar ou cruzar. A Inglaterra também lançou mão da estratégia em algumas partidas, com êxito.



2- COMPACTAÇÃO OFENSIVA:



A presença de mais jogadores no campo ofensivo sobrecarrega a
marcação adversária, permite a abertura de espaços para infiltrações
e ainda força erros rivais na saída de bola (imagem obtida via 
this11.com).



Esta estratégia ganhou notoriedade através de técnicos alemães como Jupp Heynckes e Jürgen Klopp. A execução, porém, foi sendo aperfeiçoada no decorrer do tempo por outros treinadores e com os avanços no preparo físico dos jogadores.

A tática consiste em adiantar as linhas para pressionar a marcação adversária, além de dificultar que o rival consiga sair jogando com a defesa. É uma estratégia arriscada visto que ela deixa espaços às costas dos jogadores e a recomposição precisa ser feita de maneira precisa para que o oponente não consiga aproveitar as brechas.

A estratégia também mantém a marcação adversária distraída e os jogadores podem arriscar chutes de fora da área com grandes chances de acerto.

Itália e Holanda lançaram mão desta estratégia, com o meio-de-campo e os laterais avançando junto com o ataque para furar a retranca adversária.



3- LINHA DE CINCO:



Uma linha com quatro jogadores não consegue dar conta
 de cinco homens (imagem obtida via this11.com).



Os laterais ou alas avançam com os atacantes, formando uma linha de cinco jogadores. Como a maioria dos adversários se agrupam em quatro atletas, haverá pelo menos um homem desmarcado e ele estará livre para chutar ao gol.

A Bélgica utilizou esta tática para vencer Portugal nas oitavas em lance que terminou com gol de Thorgan Hazard. A Inglaterra abriu o placar contra a Itália na final de maneira semelhante, em jogada que contou com a participação de Kieran Trippier e Luke Shaw.



4- GOL CONTRA:



Uma bola cruzada com força acaba desviando no defensor
adversário e entra no gol (imagem obtida via this11.com).



Esta não é bem uma "estratégia" mas houve um recorde de gols contra na Euro 2020 (onze no total) e quase todos com o roteiro parecido: cruzamentos ou chutes em diagonal desviaram em algum defensor ou no próprio goleiro e a bola entrou. Como houve uma chance de acerto razoável durante a competição, vale a tentativa.

A Alemanha conseguiu anotar dois gols desta maneira durante aquele mesmo jogo contra Portugal na fase de grupos: Robin Gosens e Joshua Kimmich tentaram cruzar bolas na área e os zagueiros lusitanos deram a infelicidade de empurrar contra o próprio gol ao tentar cortar as jogadas.



Se o seu time está tendo dificuldades em superar adversários que jogam na defensiva, o material aqui confeccionado pode ser de grande valia. E se você só atua no contra-ataque, vale se atentar a estas estratégias para elaborar contramedidas!



Imagem extraída de www.facebook.com/NazionaleCalcio




terça-feira, 13 de julho de 2021

Aviso




Queridas leitoras e queridos leitores.

Teremos uma redução na frequência dos posts no blog Farma Football a partir de amanhã.

O autor irá se dedicar a projetos pessoais (que não são outros blogs desta vez) e, em virtude disto, terá menos tempo para acompanhar os jogos e escrever textos.

Aproveito para informar que não irei cobrir os jogos olímpicos de Tóquio. Talvez eu faça um ou outro texto a respeito.

Não se trata de uma pausa como ocorreu em outras ocasiões, apenas não terei como manter o compromisso de escrever todos os dias aqui.

Tentarei, ao menos, postar as crônicas de domingo que haviam sido suspensas em virtude da Eurocopa.

Se vocês tiverem dúvidas ou sugestões, podem escrever nos comentários.

Um abraço!

Equipe Farma Football