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| Imagem extraída de www.facebook.com/corinthians |
Este texto deveria ter ido ao ar na terça-feira, dia 1º de abril, mas só consegui publicá-lo hoje.
Parabéns, antes de mais nada, ao Corinthians pela conquista do Campeonato Paulista. O feito findou o jejum de títulos que durava desde 2019 e também ampliou o recorde de troféus do clube na competição -foi a 31ª taça do Coringão. É inegável que o resultado sobre o arquirrival Palmeiras foi bastante justo, sobretudo se considerarmos como os dois participantes se comportaram ao longo desde primeiro semestre.
O Corinthians vive situação político-econômica bastante conturbada: as dívidas do clube superaram os R$ 2 bilhões e o presidente Augusto Melo corre risco de ser afastado do cargo devido ao escândalo com a ex-patrocinadora Vai de Bet. O mandatário, portanto, necessitava de um título para desviar o foco e também para ganhar alguma sobrevida para evitar o impeachment. Assim, o Timão se dedicou ao Campeonato Paulista de corpo e alma -os playoffs da Libertadores até acabaram "sacrificados" durante o processo. O treinador Ramón Díaz também teve méritos ao isolar o elenco dos problemas administrativos da instituição.
O Palmeiras, por outro lado, jogou o estadual visivelmente acomodado e necessitou da ajuda dos rivais para chegar às quartas-de-final -e o Verdão ainda passou pelo São Paulo nas semifinais graças a um pênalti duvidoso. Não obstante, o planejamento foi ruim com os dirigentes prometendo grandes contratações e, no fim das contas, os reforços vieram muito mais por quantidade do que qualidade. Por fim, ficou evidente que o treinador Abel Ferreira e boa parte do elenco se mostra desgastada, necessitando de grandes mudanças na equipe.
Tudo isso se refletiu na decisão e observamos um Corinthians muito mais competente e determinado, enquanto o Palmeiras se mostrava um deserto de ideias em campo. Nem mesmo a expulsão de Félix Torres e o pênalti (também duvidoso) em Vitor Roque serviram para animar o Verdão diante do arquirrival.
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| Imagem extraída de www.facebook.com/futebolpaulista |
O Campeonato Paulista já perdeu sua relevância há muito tempo: serve apenas para iludir os vencedores, gerar crises inúteis aos perdedores e enriquecer a sua federação. O título, contudo, serviu para trazer algum alento para o instável Corinthians e também algum respiro político ao presidente Augusto Melo. É como um analgésico: não trata a doença mas serve para aliviar as dores.
O Palmeiras, por outro lado, deixou evidente que os problemas detectados em 2023 e 2024 ainda persistem. Jogadores e o próprio treinador Abel Ferreira parecem estar em fim de ciclo no Verdão. Será doloroso abrir mão de uma geração que conquistou tantos troféus mas é necessário compreender que o tempo acaba para todos, assim como foi com os vitoriosos Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari.
A competição deu uma pequena mostra da situação dos rivais: o Corinthians vê alguma luz no fim do túnel para sair da crise (ou, ao menos, atenuá-la) enquanto o Palmeiras necessita de uma ampla renovação visto que a "Geração 2020" parece ter atingido seu teto. O mais irônico disto é que muitos comunicadores afirmam que o sucesso vem de dentro para fora dos clubes mas o Timão parece viver um melhor momento em campo desde o segundo semestre de 2024 a despeito da turbulência política enquanto o Verdão, durante o mesmo período, vem decaindo nos gramados apesar dos bastidores mais tranquilos.
O Campeonato Paulista, portanto, não deve ser usado para santificar ou crucificar os times, mas deixou evidente qual rumo seus dirigentes devem tomar para que possam navegar por águas mais tranquilas no segundo semestre de 2025. E o mais importante: o futebol não é uma ciência exata. Os mandatários podem fazer tudo "certo" nos bastidores e, mesmo assim, tudo pode dar errado. E vice-versa.
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