sábado, 23 de agosto de 2025

Será que o Brasil Realmente Deseja o Fair Play Financeiro?

Imagem extraída de x.com/leilapereiralp



A presidenta do Palmeira, Leila Pereira, defendeu o modelo de clube-empresa e também a implantação do fair play financeiro como soluções para os problemas econômicos enfrentados pelos clubes brasileiros. A mandatária aproveitou a oportunidade para alfinetar o arquirrival Corinthians, que deve mais de R$ 2 bilhões e foi punido pela FIFA com transfer ban (está proibido de contratar novos jogadores) por calote ao Santos Laguna do México.

O fair play financeiro nada mais é do que uma regra de sustentabilidade econômica que impede que os clubes gastem mais do que arrecadam. O mecanismo fora criado durante a década anterior na Europa para punir instituições que acumulassem dívidas (como quase ocorreu com o Lyon durante a última temporada) e também para evitar que magnatas (como os donos do Paris Saint-Germain e os ex-proprietários do Chelsea) desequilibrem as competições com seus elencos inchados.

A aplicação da medida, cabe mencionar, não se mostrou totalmente eficaz mesmo na Europa. Na Inglaterra, os hoje medianos Everton e Nottingham Forest foram punidos com a dedução de pontos por desrespeitarem a regra enquanto o milionário Manchester City, que teria cometido infrações ainda mais graves, vem conseguindo adiar o seu julgamento. A ausência de isonomia já deflagrou a revolta de alguns clubes no país exigindo revisão das normas.

A regra, a despeito de suas falhas, ainda seria muito bem-vinda no Brasil visto que coibiria as gestões irresponsáveis de alguns de nossos dirigentes, cujos clubes devem bilhões de reais. Não obstante, evitaríamos vexames como atrasos nos vencimentos ou calotes em outros times. E as instituições não mais se tornariam reféns de más administrações que aumentam as dívidas ao invés de amortizá-las.



Imagem extraída de x.com/leilapereiralp



A implantação do fair play financeiro no Brasil, porém, enfrentaria muita resistência por parte de alguns dos próprios dirigentes visto que a maioria dos clubes ainda é administrado da maneira tradicional (cartolagem) e, com a adoção das medidas, os mandatários teriam limites mais rígidos para seus habituais gastos. Ademais, os torcedores também se oporiam à regra visto que os fãs adoram contratações e o regulamento seria um obstáculo a mais para a aquisição de novos jogadores.

Os clubes brasileiros, ademais, são especialistas em encontrar brechas nos regulamentos. Há algumas temporadas atrás, fora implantado um limite na demissão e contratação de treinadores. Os dirigentes, porém, conseguiram driblar a regra como o argumento de que "seus técnicos que haviam pedido desligamento". A julgar pelo exemplo da Inglaterra, não seria difícil observar nossos times burlando o fair play financeiro aproveitando-se de eventuais falhas.

A implantação do fair play financeiro no Brasil, portanto, confrontaria dois cenários no país: o ideal e o real. Idealisticamente, nossos dirigentes acatariam as regras e passariam a gerir seus clubes com mais responsabilidade. Realisticamente, a norma sequer seria aceita e, se isto ocorrer, haverá dezenas de cartolas se aproveitando de possíveis brechas no regulamento para a manutenção de seu status quo.



Imagem extraída de x.com/leilapereiralp




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