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sábado, 21 de março de 2015

De Olho nos Rivais

Imagem extraída do Facebook oficial de Antoine Griezmann- https://www.facebook.com/antoine.griezmann



O Brasil enfrentará a França na quinta-feira dia 26 no Saint-Denis (França) e o Chile no domingo dia 29 no Emirates Stadium (Inglaterra). Foram dois adversários muito bem escolhidos por serem equipes com bons elencos e que praticam, de modo geral, um bom futebol. Os Bleus sempre foram uma pedra no sapato dos brasileiros desde os tempos de Zico, enquanto a Roja vive um bom momento e será um páreo duro na próxima Copa América, a ser disputada em solo chileno.

França e Chile divulgaram suas listas de convocados nesta semana e prometem dar muito trabalho ao Brasil. Ambas as equipes terão muitos bons jogadores e alguns craques à disposição.

Os Bleus têm jogado um futebol menos elegante e mais físico em relação à era do antecessor Laurent Blanc. A esperada renovação na Seleção Francesa acabou não acontecendo após problemas ocorridos durante a Euro 2012. Vários meias criativos como Menez, Ben Arfa e Nasri deixaram de ser convocados e isto afetou a beleza do futebol francês. Houve também a inesperada aposentadoria de Ribéry, mas os dirigentes do país têm feito o possível para fazer o atleta do Bayern reconsiderar sua decisão. Para completar, o volante Paul Pogba foi cortado por lesão.

Em compensação, os franceses estão muito bem servidos nas posições defensivas (Lloris, Sagna, Koscielny e Varane) e no ataque (Valbuena, Giroud e Benzema). O bom momento do Lyon não passou desapercebido pelo treinador Didier Deschamps e o técnico convocou vários jovens dos Gones (Gonalons, Fekir e Lacazette, além do veterano Jallet).

O destaque (em minha opinião) é o jovem atacante Antoine Griezmann (foto acima). O jovem atleta de 24 anos completados hoje está em excelente fase no Atlético de Madrid, com boa movimentação, assistências e, claro, muitos gols com a camisa rojiblanca. Como curiosidade, Griezmann jamais atuou profissionalmente em seu país: ele foi revelado pela Real Sociedad (clube sediado no País Basco, região espanhola que faz divisa com a França) e está no Atleti desde o início da temporada. Espero, contudo, que o treinador Deschamps deixe Griezmann atuar em sua posição preferida, como segundo atacante (função que ele vem exercendo no Atlético) e não como winger esquerdo (seu desempenho durante a Copa foi bastante irregular quando exerceu a função).

A França pode atuar em 4-2-3-1 ou 4-4-2 (veja esquemas abaixo):



Possíveis formações da França no 4-2-3-1 (esquerda) e 4-4-2 (direita): a equipe francesa pode perder um pouco da criatividade no
meio-de-campo sem Pogba, que é um de seus poucos volantes com saída de bola. Valbuena e Griezmann devem compensar,
exercendo a função de carregar o piano pelos lados (imagens obtidas via footballuser.com).



O Chile, adversário seguinte, está no seu auge. A equipe começou a ser montada por Marcelo El Loco Bielsa no final da década passada, teve continuidade com Claudio Borghi e hoje colhe os frutos com Jorge Sampaoli. A média de idade atual da equipe é de 27 anos.

Sampaoli manteve a base que chegou às oitavas-de-final da última Copa do Mundo. A defesa não é muito segura, com laterais estritamente ofensivos (Isla e Mena) e há apenas o zagueiro Jara auxiliado por Medel (que alterna entre as funções de volante e defensor) como referências defensivas. O treinador compensa as limitações de sua zaga através da superioridade numérica, recuando os meio-campistas para auxiliar os zagueiros e fazendo marcação dupla nos jogadores rivais. O meio-de-campo, por outro lado, tem excelentes opções criativas (Aránguiz, Valdívia e Vidal) e que ajuda muito na construção das jogadas, seja no toque de bola, seja em velocidade.

O destaque é o atacante Alexis Sánchez (foto abaixo). O jogador de apenas 1,69m de altura foi contratado pelo Arsenal junto ao Barcelona e não tardou a se firmar na equipe de Arsène Wenger. Ele pode jogar como centroavante, falso nove, segundo atacante ou aberto pelos dois lados. Sánchez conseguiu mandar o badalado Podolski para a reserva graças à sua movimentação, qualidade no toque de bola e, claro, seus muitos gols anotados. Pena que as lesões o atrapalharam um pouco na temporada.

O Chile não conta com jogadores muito altos, mas os "baixinhos" sabem tirar proveito de sua estatura, jogando com a bola no chão e se movimentando bastante em campo. A equipe combina qualidade técnica no ataque com raça na marcação.



Chile 3-4-3 football formation
Chile no 3-4-3: a equipe se vale da formação para efetuar triangulações
em campo e aproveita a velocidade de seus jogadores, tanto na defesa
quanto no ataque. Valdívia, ainda se recuperando de lesão, pode não
atuar a despeito de ter sido convocado (obtido via footballuser.com).



Como se vê, o Brasil terá dois adversários que darão muito trabalho em campo. A Seleção precisa utilizar bem seus meio-campistas se quiser triunfar sobre os rivais. Um dos erros do Brasil na Copa foi justamente a falta de comunicação entre os meias e os atacantes, o que nos tornava muito dependentes da genialidade de Neymar.

A França é uma equipe que deseja virar de vez a página Zinedine Zidane e reaver seu passado glorioso, enquanto o Chile é um time em plena ascenção que busca se firmar entre os grandes. Para eles, vencer um adversário de tradição como o Brasil é fundamental para que tais objetivos serem alcançados.

Serão duas partidas amistosas, mas os adversários certamente virão com tudo em busca da vitória.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/SeleccionChilena/



NOVOS VELHOS JOGADORES

Imagem extraída de https://www.facebook.com/DFBTeam/

Contrariando a minha expectativa, o treinador Joachim Löw não convocou nenhum "jovem desconhecido" para representar a Alemanha nas partidas contra a Austrália (amistoso) e contra a Geórgia (válida pelas eliminatórias da Euro 2016). No entanto, dois jogadores que andaram afastados da Mannschaft por lesão estão de volta, o zagueiro Holger Badstuuber (à esquerda na foto acima) e o volante İlkay Gündoğan (direita). Que sejam muito bem-vindos de volta! Senti falta da dupla nos últimos jogos da Alemanha!



CORTA! CORTA! CORTA!

Três atletas foram cortados da Seleção Brasileira por lesão: os zagueiros Marquinhos, David Luiz (do PSG) e o atacante Diego Tardelli (do Shandong Luneng). Dunga convocou Gabriel Paulista (do Arsenal), Gil (do Corinthians) e Luiz Adriano (do Shakhtar Donetsk) para o lugar do trio. Gil está em boa fase no Timão, mas Luiz Adriano acabou de vir de um verdadeiro sacode do Bayern e Gabriel é apenas reserva no Arsenal. Será que as escolhas do treinador foram realmente boas?


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Por Que Considero Gündoğan o Melhor Volante do Mundo?

Imagem extraída do Facebook oficial de İlkay Gündoğan-
https://www.facebook.com/IlkayGuendogan



Talvez você nunca tenha ouvido falar de İlkay Gündoğan, meio-campista jovem (apenas 24 anos) e que defende o Borussia Dortmund desde 2011. Mas quando este volante está em campo, ele dificilmente passa desapercebido pela genialidade de seus lances.

Gündoğan nasceu na Alemanha, mas possui ascendência turca, assim como Mesut Özil, Emre Can, Nuri Şahin e Hamit Altıntop (os dois últimos optaram por defender a Turquia). Mesmo assim, o camisa 8 do Borussia não esquece as suas origens, como se vê na foto acima.

Gündoğan nem de longe lembra os volantes daqui no Brasil. Ele não é muito alto (tem 1,80m de altura), não é muito forte e comete poucas faltas.  Ele não faz o estilo "cão de guarda", típico dos volantes de contenção (Mascherano, Sandro, Rômulo, Luiz Gustavo, Ralf, ...) e, provavelmente, não seria considerado um meio-campista defensivo pelos "professores" daqui.



Imagem extraída do Facebook oficial de İlkay Gündoğan- https://www.facebook.com/IlkayGuendogan



O que Gündoğan não tem de tamanho ou força, ele compensa com técnica e elegância. Dizer que ele tem boa saída de bola é pouco para descrever seu estilo de jogo. Gündoğan tem muita qualidade no passe, uma excelente movimentação em campo e sobe muito bem para o ataque. Isso sem falar que ele é um bom cobrador de faltas. Claro que ele também ajuda nas funções defensivas -senão, ele não seria um volante- e o faz de maneira elegante e segura. Raramente eu o vejo dar carrinhos em campo e ele ainda facilita os contra-ataques com suas bolas muito bem colocadas.

Gündoğan era presença certa aqui no Brasil para a última Copa do Mundo. Infelizmente, ele se lesionou ao final da temporada 2013-14 e desfalcou o Borussia por um bom tempo. A equipe aurinegra sentiu tanto a sua falta que o time não foi mais o mesmo sem o camisa 8. Como azar pouco é bobagem, o seu parceiro Sven Bender (outro volante que se notabiliza pela leveza) também se machucou na mesma época. Sem os dois, o meio-de-campo do Dortmund perdeu qualidade e o time está ameaçado de rebaixamento.

Se Gündoğan tivesse vindo para o Brasil, eu tenho certeza que ele roubaria fácil a vaga de um dos titulares da Seleção Alemã, Schweinsteiger ou Khedira. Os dois também são bons de bola, mas Gündoğan se encaixa muito mais no estilo de jogo de do treinador Joachim Löw. Ele faria uma excelente dupla com Kroos na Mannshcaft, ambos volantes com muita elegância e qualidade no passe.

É uma pena que o ano de 2014 tenha acabado tão cedo para Gündoğan -ele só voltou aos gramados já em 2015. Se estivesse em condições de jogo, tenho quase certeza de que teria brilhado na Copa do Mundo e estaria entre os melhores do mundo de sua posição. Ele tem talento para isso.

Isso sem falar que os gramados brasileiros teriam o privilégio de receber o elegante futebol de Gündoğan.



Imagem extraída do Facebook oficial de İlkay Gündoğan- https://www.facebook.com/IlkayGuendogan



SEMANA QUENTE

A semana do Carnaval vai ter muitas atrações para os fãs de futebol. Serão realizados os jogos da primeira rodada da fase de grupos da Libertadores (faremos análises e palpites na terça-feira) e também quatro jogos válidos pelas oitavas-de-final da Champions League (veja no link análise e palpites para os jogos). Boas opções para fugir um pouco do marasmo dos fraquíssimos campeonatos estaduais e também para curar a sua ressaca do carnaval.



MARTINO, CONVOQUE O DÁTOLO

Imagem extraída do Facebook oficial do Atlético Mineiro-
https://www.facebook.com/atletico/

O meia Jesús Dátolo (foto acima) já merecia uma nova chance na Seleção Argentina desde o ano passado. Dátolo está em excelente fase no Atlético Mineiro, com qualidade na marcação, muitas assistências e, claro, gols. Ele poderia ser usado perfeitamente como volante ou meia-armador -faltam jogadores para esta última função na Albiceleste- e melhoraria muito a qualidade no meio-de-campo argentino, algo que faltou durante a última Copa do Mundo. O único porém é que Dátolo já está com 30 anos e ele dificilmente chegaria em condições de disputar a Copa de 2018, mas poderia ser de grande utilidade para a Copa América, jogando no auge de sua forma física.



COMPLICOU

Quando as coisas pareciam melhorar para Anderson Silva, o lutador sofreu mais um duro golpe em sua carreira. Após o segundo exame ter acusado negativo para qualquer substância proibida no corpo do lutador, um terceiro teste, realizado após a luta contra Nick Diaz, acusou a presença de compostos não divulgados pelos organizadores. O lutador ainda não se pronunciou sobre o caso, mas que ele tenha consciência: isto pode encerrar para sempre a sua carreira.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Seleção dos Lesionados

Imagem extraída do Facebook oficial de İlkay Gündoğan- https://www.facebook.com/IlkayGuendogan

Falcao García, Theo Walcott, Sami Khedira e agora İlkay Gündoğan. Esta poderia ser a lista de reforços para o seu time preferido, mas são os atletas que se lesionaram de forma grave e provavelmente não poderão vir ao Brasil defender suas respectivas seleções em julho.

Triste, mas é a realidade. Impressiona a quantidade de craques que dificilmente terão a chance de jogar a Copa do Mundo. E a lista vai aumentando cada vez mais.

O preparo físico exigido para os jogos é cada vez mais rigoroso e muitos atletas acabam não aguentando. E a exigência é ainda maior para os craques, afinal todo mundo quer vê-los em campo o tempo todo. Em alguns casos, cria-se uma dependência absurda em relação a esses jogadores ao ponto dos times não conseguirem jogar nada sem eles.

A fama dos craques também traz muitas contrapartidas. Os rivais, sabendo da importância e do talento dos mencionados atletas, passam a fazer uma marcação mais dura sobre eles e muitos adversários apelam até mesmo para a deslealdade, tornando os craques ainda mais propensos a lesões.

Alguns torcedores reclamam, afirmando que os jogadores deveriam pensar primeiro em suas seleções e em seus países antes de pensarem em seus clubes. Mas são os clubes que pagam o salário dos atletas e os atletas, sobretudo na Europa, são muito profissionais e querem jogar todos os jogos para ganhar todos os títulos, mesmo que seja algum amistoso de verão. Não dá, portanto, para exigir que os craque se preservem em campo visando apenas a Copa do Mundo.

Jogar um mundial, no entanto, é sempre uma grande honra e nenhum atleta quer ficar de fora. Mas nenhum jogador pode (e nem quer) deixar de demonstrar profissionalismo em campo, independente da partida. Um título de clubes, seja ele um campeonato nacional ou a Champions é sempre o grande objetivo dos times. Os jogadores, portanto, ficam entre a cruz e a espada quando precisam decidir ente se preservar para a Copa ou jogar o máximo pelos clubes que pagam seus vencimentos.

Caso a ausência de Gündoğan se confirme, ele fará muita falta à Seleção Alemã. Ele é um volante que saber marcar e sair para o jogo quando necessário. É um dos pilares do magnífico meio-de-campo do Borussia Dortmund.

A Gündoğan, desejo melhoras e que sua recuperação seja rápida. Não falo apenas como torcedor do Borussia, mas também pelo bem do futebol-arte e também pensando no sofrimento em ter de assistir aos jogos sem que o atleta possa ajudar em campo.


Leia mais:

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Volante Bom Também Faz Gol

Imagem extraída do Facebook oficial de İlkay Gündoğan -http://www.facebook.com/IlkayGuendogan

Felipão, Tite, Mano e outros que rezam pela mesma cartilha deveriam assistir aos jogos do Campeonato Alemão (ou Bundesliga) com mais frequência, principalmente às partidas do meu Borussia Dortmund.

Será que os entusiastas do "futebol eficiente" já ouviram falar de Nuri Şahin, Sven Bender ou İlkay Gündoğan? O trio de volantes do Borussia não se restringe a marcar: os atletas primam pela leveza, participam ativamente do jogo, trocam passes e sobem para criar oportunidades de gol. Mesmo com três volantes tão ofensivos, o time amarelo leva pouquíssimos gols -a última goleada sofrida pelo time alemão foi aquela na Champions League 2012-13 por 3x0 ante o Real Madrid, no Santiago Bernabéu. Ah! E os zagueiros e os laterais também ajudam na elaboração de jogadas.

Houve um jogo neste ano contra o Bayern München em que o treinador Jürgen Klopp precisou colocar os três volantes para completar o meio-de-campo (Şahin foi improvisado na vaga que pertencia a Mario Götze) e o Borussia anotou 4x2 em cima do rival bávaro.

O Borussia leva poucos gols graças a uma defesa muito bem organizada e o mais importante: a equipe joga sem rifar a bola, impedindo que o adversário jogue. Já escrevi uma centena de vezes que quando o adversário não tem a bola ele não consegue jogar nada. Mesmo com tantas evidências, os "professores" daqui ainda não parecem compreender isso e continuam oferecendo a bola e o campo para o adversário jogar, mantendo seus times totalmente recuados.

Outra equipe que possui volantes participativos é a Juventus, tendo à disposição o veterano Andrea Pirlo e o chileno Arturo Vidal, dois atletas que jogam com a bola no chão e têm qualidade no passe. A Juve atua normalmente com três zagueiros, é verdade, mas os volantes e os laterais ajudam na criação de oportunidades para compensar.

Aqui no Brasil, infelizmente, ainda cultuamos aqueles volantes "guerreiros", muito mais lembrados pelas suas chegadas duras do que pelos lances bonitos. Denílson, Wellington, Ralf, Márcio Araújo, Renê Júnior, ... E muitos deles têm cadeira cativa nos times.

Existem, felizmente, alguns volantes com características ofensivas à disposição da Seleção Brasileira. Eu aprecio muito o jogo do Hernanes (atualmente na Lazio), do Casemiro (que, aos poucos, vai ganhando espaço no Real Madrid) e, com boa vontade, o do Elias (hoje no Flamengo). O Ramires já foi um bom volante ofensivo, mas sua transferência para o Chelsea fez dele um atleta de cintura dura e muitas faltas. O Paulinho, atualmente no Tottenham, é participativo e esforçado, mas ainda dá muita trombada e efetua poucos dribles.


Imagem extraída do Facebook oficial de Nuri Şahinhttp://www.facebook.com/nurisahinofficial

Ainda tenho esperanças de que nossos "professores" e atletas acordem e tragam de volta o nosso futebol artístico e ofensivo. Até temos bons meio-campistas, mas cada vez mais eles perdem espaço para os volantes de força que se vangloriam pelos seus carrinhos.

Felizmente, ainda existe o Borussia Dortmund para me alegrar. E, junto do time amarelo, existem Şahin, Gündoğan e Bender fazendo boas partidas e provando que é possível apostar em um futebol ofensivo sem comprometer a defesa.