domingo, 28 de dezembro de 2025

Te Vi na TV!




Era uma noite de segunda-feira em final de semestre. Meu chefe iria aplicar uma última atividade antes da prova e eu estava ajudando como monitor, assim como fizera durante boa parte do período enquanto trabalhei no Instituto de Ciências Biomédicas.

O Corinthians havia acabado de se sagrar campeão e meu chefe me perguntou rindo se eu havia visto o jogo durante o dia anterior. Eu não pude assistir à partida do título porque eu tive um compromisso naquele domingo -se eu não me engano, eu estava em uma confraternização com os amigos da Farmácia.

Meu chefe logo revelou o motivo de tanta graça: ele havia assistido à partida durante o dia anterior e avistou uma de nossas alunas no meio da torcida, comemorando o triunfo corinthiano. Como não vi as imagens, acredito que as câmeras exibiram a estudante durante um tempo apreciável, o suficiente para ela ser reconhecida! Cabe mencionar que é difícil para um professor se lembrar de tantos rostos visto que os docentes lecionam para dezenas de pessoas diferentes todos os anos!






Aproveitei a ocasião para agradecer o convívio com os alunos durante aquele semestre. Cabe mencionar que não precisei me despedir deles visto que eu ainda me encontrava frequentemente com a maioria deles durante as festas e eventos da Farmácia. O "adeus" àquela turma nada mais foi do que um "até logo"!

O ocorrido com a aluna nada mais foi um lembrete de que devemos ser o mais corretos possível em público mesmo quando não estamos em um ambiente profissional, sobretudo com o advento da internet quando informações transitam literalmente na velocidade da luz e pequenos incidentes podem condenar uma pessoa para sempre. Eu mesmo já fui flagrado pelo meu chefe na rua e, felizmente, não estava fazendo nada de errado durante a ocasião!

Nunca tive a oportunidade de conversar com a mencionada aluna após o ocorrido, mas certamente seria muito engraçado! Qual a probabilidade de se flagrar algum conhecido em meio a uma multidão, sobretudo em uma torcida uniformizada onde as pessoas pulam e gritam freneticamente?







domingo, 21 de dezembro de 2025

Perdendo o Rumo de Casa

Eu esperava reencontrar a Farmácia deste jeito, mas...



Eu havia sido informado por alguns leitores e amigos que a marquise da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP fora demolida por questões de segurança e que uma nova estrutura seria reerguida no lugar da antiga. Eu não imaginava, contudo, que tal reforma colocaria o autor em uma situação, no mínimo, embaraçosa!

Fui à USP há duas semanas atrás participar de uma confraternização anual de alunos e ex-alunos da Farmácia. Devido às reformas na faculdade, o churrasco seria realizado em um outro local, mas a comissão organizadora conseguiu autorização para utilizar o Centro de Vivência. Assim, rumamos para o Conjunto das Químicas durante a parte da tarde onde acreditávamos que nada daria errado. Assim eu imaginava!

Fomos surpreendidos com a entrada da faculdade cercada por tapumes, o que nos impedia de ingressar nos prédios pela parte da frente. Não obstante, um dos estacionamentos (o antigo "Bolsinho") estava sendo desativado para a construção de novos edifícios.

Havia placas no local nos orientando a adentrar na faculdade pela parte de trás dos edifícios, um lugar bastante escondido e protegido por guaritas que estavam desocupadas devido ao período das férias escolares. Eu e um amigo atravessamos um extenso e estreito corredor onde eu jamais havia pisado apesar de frequentar a Farmácia há mais de dez anos!



Os tapumes estavam de volta à Farmácia!



Chegamos ao final do corredor e encontramos uma porta trancada. Havia outra guarita desocupada e não havia ninguém que pudesse nos dar acesso à Vivência. Restou-nos voltar para o carro e entrar pela faculdade através do Edifício Semi Industrial, localizado na quase escondida Rua do Lago. O local é tão oculto que eu quase perdi a entrada!

Conversei com alguns dos organizadores do evento e fui informado que o prédio da Vivência também será afetado pelas reformas, situação que o autor já vivenciara durante seus tempos de graduação. Compartilhei com eles as minhas memórias de como era a faculdade sem um espaço voltado para os alunos e alguns dos colegas se mostraram bastante apreensivos com a possibilidade de ficarem "sem teto".

Pensei nos ingressantes de 2026 que correm o risco de se perderem já no dia da matrícula visto que foi bastante complicado transitar na faculdade pela porta dos fundos e é um pouco difícil chegar às instalações pelo Semi Industrial. Sem mencionar que as próximas gerações de alunos correm o risco de enfrentarem a mesma situação do autor, que passou toda a sua graduação sem um local dedicado à Atlética ou ao Centro Acadêmico.

Resta torcer para que as reformas transcorram o mais rápido possível para que as próximas gerações de alunos não passem pelas mesmas experiências do autor que conseguiu se perder em um lugar tão familiar! Eu frequento a Faculdade de Ciências Farmacêuticas há mais de dez anos e, quem diria, o local ainda me reservaria tantas surpresas!







domingo, 14 de dezembro de 2025

Interanos 2025




Eu estava bastante desanimado para escrever hoje mas não poderia deixar de dedicar algumas palavras ao Interanos, confraternização realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas que reune alunos e ex-alunos da instituição dos mais diversos anos. Eu, aliás, considerei me ausentar desta edição 2025 por conta de alguns problemas pessoais mas optei por ir.

Cheguei bastante cedo ao CEPEUSP, local onde os jogos são realizados, e encontrei alguns poucos alunos -apenas uma delas conhecida pelo autor. Eles optaram por realizar um jogo de queimada enquanto os demais estudantes não chegavam. Assim que a partida terminou, fomos até uma das quadras cobertas (ou "módulos") onde estava sendo realizado um confronto entre Poli e EEFE e ficamos lá assistindo enquanto esperávamos a vinda de mais participantes.

Mais alunos chegaram por volta das 9:00h e encontrei diversos conhecidos -alguns deles, cabe mencionar, eu não me recordava visto que sou péssimo para me lembrar de rostos. Tirei algumas fotos e fiz alguns vídeos dos jogos. Não consegui, porém, fazer registros do rugby, queimada e basquete. Apenas vôlei, futsal e handebol (masculino e feminino) foram contemplados pelo blogueiro.

Subimos para o churrasco de confraternização por volta das 14:00h. A festa seria realizada inicialmente no DCE devido a reformas na faculdade mas os alunos conseguiram a liberação do Centro de Vivência para o evento. Eu, porém, não sabia que a parte da frente da Farmácia estava interditada para as obras e tivemos que dar a volta até alcançarmos os fundos da instituição.






Eu quase não comi durante o churrasco (comprei apenas um sanduíche e duas cervejas). Eu não estava com muita fome e dei prioridade em conhecer os novos alunos, além de tirar algumas fotos. Encontrei um pessoal jogando truco e tirei uma partidinha. Eu estava visivelmente fora de forma e, por pura culpa do autor, perdi o jogo por 12x11, mas não considerei meu desempenho ruim apesar dos mais de dez anos sem disputar um carteado.

Eu tentei me aproximar de algumas outras rodas de alunos para fazer novas amizades mas foram poucos os que me ofereceram alguma abertura para conversar. Talvez eu não tenha sido muito feliz em minhas abordagens. Ou talvez a diferença entre as gerações tenha gerado alguma desconfiança por parte deles.

O Interanos 2025 terminou com a tradicional premiação dos alunos que se destacaram ao longo do ano e o tradicional brinde "Farmácia Mi", puxado pelo meu colega de classe por ser o aluno mais velho presente no evento. Eu estava filmando do meio da roda para registrar a cantoria e quase levei um banho de cerveja!

Conheci, após os brindes, uma integrante do rugby que proferiu diversos elogios a este blog. Eu, porém, tive que ir embora às pressas e não tive tempo nem de pegar seus contatos nas redes sociais -ela apenas me deixou seu apelido. Se você estiver lendo este texto, saiba que você me encorajou a escrever este relato!

Fui embora do Interanos 2025 bastante satisfeito apesar de alguns pontos negativos. O evento, mais uma vez, ajudou a levantar o astral do autor justamente quando o blogueiro não vivia seus melhores dias, assim como fora em 2009, 2014 e 2019. Por este motivo, sempre faço o possível para estar presente na confraternização, mesmo durante os piores momentos!







domingo, 26 de outubro de 2025

Eu e a SUPFAB




Foi realizada durante a última semana a 59ª Semana Universitária Paulista de Farmácia e Bioquímica (LIX SUPFAB), evento realizado anualmente na Faculdade de Ciências Farmacêuticas onde são oferecidos cursos, palestras e oficinas a estudantes e profissionais do ramo. As aulas são suspensas durante o período e eu jamais havia me interessado em participar enquanto eu era aluno, exceto por uma única oportunidade.

Houve, em uma ocasião, um curso a respeito de uma profissão que estava na moda durante a época quando o autor ainda era graduando. A atividade oferecida, contudo, fora pouco proveitosa para o blogueiro. Para evitar danos à imagem da palestrante e da organização do evento naquele ano, estou omitindo o assunto e também o período quando eu participei.

A palestrante pouco explicou a respeito da profissão em questão, limitando-se a expor apenas os aspectos ruins do ramo como a possibilidade do "profissional ser acionado durante a noite de um final de semana", algo que amigos que atuam na área jamais relataram ao autor. Foi uma palestra pouco objetiva e que em quase nada elucidou a respeito da atuação do farmacêutico.






As palestras, no fim das contas, acabaram sendo uma perda de tempo e um desestímulo ao aspirante para se inserir no ramo. Como o mercado estava bastante aquecido para o segmento durante a época, é provável que a palestrante tenha afirmado aquilo para eliminar possíveis concorrentes. Ou então, a ministrante simplesmente estava desiludida com a profissão, algo que já ouvi de muitos conhecidos.

O curso acabou valendo apenas pelos brindes e pelo coffee break oferecido. Também tive o prazer em ver uma colega de classe ganhar um livro em um sorteio -horas antes, ela me relatara que "jamais havia tido sorte nesse tipo de evento". Foram os únicos acontecimentos proveitosos que tive após alguma noites frustrantes.

Esta foi a única experiência que tive com a SUPFAB. A despeito dos aspectos ruins, o autor ainda incentiva as atuais gerações de alunos a participarem. Tenho certeza de que o Centro Acadêmico absorveu os elogios e críticas ao longo dos anos para oferecer eventos muito melhores do que aquele cursado pelo blogueiro.

Cabe, por fim, mencionar que a SUPFAB é organizada por alunos, pessoas que estão adquirindo experiência e responsabilidade para realizarem eventos de tamanha magnitude. Eu mesmo compreendi isto posteriormente quando participei de meus primeiros congressos já durante a pós-graduação.







domingo, 19 de outubro de 2025

Eu Satirizado!




A disciplina de Fisiologia II nos rendeu diversas memórias divertidas! Meu futuro orientador nos passou um trabalho onde deveríamos representar a ação de medicamentos através de peças de teatro, conforme relatei em um post anterior. O docente havia recomendado que filmássemos as apresentações para guardássemos de lembrança, algo que infelizmente não pudemos fazer devido a limitações da época.

Um grupo de amigos, cujo medicamento não me recordo, elaborou uma apresentação com algumas "surpresas". Eles deixaram escrito na lousa o que cada integrante representaria, exceto por um deles que estava com a legenda "?????". O colega até deixou para vestir sua fantasia na última hora, aumentando o clima de mistério.

O colega em questão fez uma paródia do blogueiro para representar o medicamento em questão e performou uma "piada interna" da turma para demonstrar a ação do fármaco! Devo admitir que ficou bastante engraçado e lamento até hoje não ter filmado a cena! Felizmente, um amigo tirou uma foto da apresentação com os limitados celulares da época (a resolução era de alguns poucos pixels) e aquela acabou sendo a única recordação material daquele dia.






O grupo também solicitou a ajuda de uma voluntária da plateia (acho que ela representou o substrato de um receptor intracelular) quando dois colegas (acredito que estavam interpretando reguladores bioquímicos) começaram a dançar ao redor da garota! A cena foi tão engraçada que eu quase fiquei sem ar de tanto rir!

Eu, alguns anos depois, voltaria à disciplina de Fisiologia II, desta vez como assistente do mesmo professor que havia lecionado a matéria. Resolvi filmar as apresentações como recordação, não apenas para mim mas também para os alunos, algo que eu não pude fazer durante os meus tempos de graduação. Não havia compartilhamento por nuvem naquela época, mas consegui enviar os vídeos com algum esforço.

A disciplina de Fisiologia II foi um dos eventos mais marcantes para o autor durante sua graduação. Até hoje dou risada de nossas performances a despeito de não possuir nenhuma lembrança material daquele dia, senão aquela foto que se perdeu no tempo! Deixo aqui um conselho para as atuais gerações de alunos: aproveitem bem as facilidades oferecidas pela tecnologia atual e registrem os momentos felizes da universidade! A faculdade é uma época efêmera e vocês certamente sentirão saudades, algo que meu orientador havia nos alertado! 







domingo, 12 de outubro de 2025

O Café Assassino




Aprendi com meus professores de farmacognosia e em sites de culinária que não se deve ferver a água para o preparo do café visto que isto pode queimar o pó e tornar o seu sabor ainda mais amargo. Apesar disto, a bebida bem quente (quase pelando) é a preferência da maioria dos brasileiros e muitos optam por contrariar a recomendação.

Acredito que quase todos os leitores e leitoras gostem de café, seja para tirar o sono, para ajudar na digestão ou simplesmente porque apreciam. Eu tive, contudo, experiências não muito felizes com a bebida ao longo de minha pós-graduação, principalmente durante os congressos e nas defesas de tese quando o autor acabou queimando a língua (literalmente!) ao degustar do líquido.

Minha experiência mais traumática ocorreu em outubro de 2014, quando fui assistir à defesa de doutorado de uma colega de laboratório. O autor permaneceu apenas durante algumas poucas horas visto que o blogueiro fora acometido de uma forte virose naquele dia. Um grande amigo meu (que hoje leciona na UNICAMP) estaria na banca julgadora e aproveitei para encontrá-lo.






Uma das copeiras deixou uma garrafa de café no auditório após o término da apresentação e fui tomar um pouco para tirar o sono. A bebida estava tão quente que eu literalmente queimei a boca e, por muito pouco, não derrubo o copo de plástico no chão! A queimadura foi tão intensa que minha língua ficou anestesiada e não pude sentir nenhum gosto durante uns três dias!

Eu tivera outras experiências ruins com café em outros congressos ou defesas, mas nenhum acontecimento foi tão traumático quanto aquele de 2014! Desde então, o autor evitou degustar de chá ou café durante eventos similares, preferindo tomar água ou bebidas geladas mesmo!

Ainda costumo degustar de café mas nunca mais provei da bebida durante os coffee breaks de congressos! Preferi arriscar dormir durante as apresentações a passar mais uma semana com a língua anestesiada novamente! O professor de farmacognosia tinha toda a razão no final das contas!







domingo, 5 de outubro de 2025

Eu Ator!




Conheci o meu futuro orientador durante o segundo semestre do segundo ano de faculdade. Tivemos greve durante o período mencionado e as nossas aulas foram realocadas para setembro, o que acabou nos custando parte das férias de verão. Na mesma época, alguns poucos colegas começaram a passar disciplinas para o período noturno com a finalidade de conseguirem tempo livre para estágios de iniciação científica ou mesmo para empregos remunerados. Confesso que me arrependo de não ter feito o mesmo.

O professor era um sujeito que lecionava aulas bastante animadas. A disciplina era oferecida durante a tarde e fazia muito calor na época, o que era um convite perfeito para cochilar. As apresentações do docente, contudo, eram tão divertidas que os alunos conseguiam se manter acordados a despeito das adversidades. 

Meu orientador, além das provas escritas, aplicava uma avaliação bastante curiosa: os alunos teriam de representar a ação de medicamentos nos sistemas do corpo humano através de peças de teatro! As apresentações não eram apenas divertidas: elas valiam nota e seu conteúdo era cobrado na parte dissertativa.

Formei meu grupo com cinco garotas e o tema sorteado foi um medicamento betabloqueador (ou "antagonista de receptor beta adrenérgico"), que reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca. Eu interpretei o coração enquanto as minhas amigas fizeram os papéis do remédio e dos sítios de ligação. Eu dancei ora lentamente, ora intensamente para representar o funcionamento do órgão sob efeito da droga!






Tivemos a prova escrita imediatamente após as apresentações e, para não perder tempo, nem tirei a fantasia ou a maquiagem! O professor ficou me aloprando o tempo todo durante a avaliação e ganhei o sugestivo apelido de "coração"! Felizmente, fui bem no teste muito graças aos teatros que forneceram dicas sobre as respostas, além de terem reforçado a minha nota final.

Uma pena que não foi possível filmar as apresentações durante aquele dia. Câmeras digitais e smartphones eram artigos de luxo naquela época, enquanto filmadoras eram equipamentos bastante dispendiosos para serem transportados.

Pude viver o outro lado da história anos depois. Meu orientador continuou aplicando a atividade nas turmas da farmácia e eu avaliei o desempenho dos alunos. Mais do que isso, eu possuía câmera digital e pude filmar as apresentações dos graduandos. Com algum trabalho, consegui disponibilizar os vídeos para eles -não existia compartilhamento por nuvem na época.

Muitas pessoas descobriram aptidões escondidas ao atuarem em peças de teatro, mas não foi o meu caso! Prefiro continuar com os textos mesmo e deixar os palcos para os colegas de mais talento! E essa não foi minha única recordação daquela avaliação! Outros grupos também realizaram apresentações muito divertidas que contarei em posts futuros!