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quarta-feira, 3 de julho de 2024

Nó Tático

Demiral (camisa 3) fez os dois gols para a Turquia
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Vicenzo Montella estava em baixa na Itália mas parece ter se reencontrado na Turquia. O ex-atacante assumiu os Yıldızlılar na metade de 2023 e vem obtendo resultados convincentes, ajudado pela atual safra de jovens e promissores atletas. O treinador estava desfalcado de seu capitão Hakan Çalhanoğlu contra a ótima Áustria de Ralf Ragnick mas isto não chegou a ser um problema: o italiano mudou o esquema e deu um nó tático no alemão.

Ragnick, também com alguns desfalques, escalou a Áustria em 4-2-3-1 assim como fizera durante a fase de grupos. Montella formou a Turquia em um 4-2-3-1 "teórico" mas mudou o posicionamento de todos os seus jogadores com o time funcionado em um 3-5-2.

Os Yıldızlılar posicionaram o meia Arda Güller como referência na área e deslocaram o atacante Yılmaz pela direita. O camisa 21 deixou Mwene e Lienhart completamente perdidos em campo. Quando a dupla se deu conta do que estava acontecendo, já estavam perdendo por 1x0 com gol do zagueiro Demiral em cobrança de escanteio. 

Os Burschen tentaram responder na imposição física e também utilizando a movimentação de Sabitzer e Arnautović mas foram encaixados pela linha de cinco dos Yıldızlılar. A Turquia seguiu mais perigosa com seus contra-ataques pela direita e foi para o intervalo em vantagem.



Áustria, em 4-2-3-1, não consegue transpor a linha de cinco dos
turcos. Turquia, em 3-5-2, responde principalmente pela direita
com Yılmaz (imagem obtida via this11.com).



Ralf Ragnick troca Mwene e Schmid por Prass e Gregoritsch mudando o esquema para 4-4-2/4-2-4 com o propósito de vencer a linha de cinco dos turcos além de fechar os espaços para Yılmaz mas não adiantou muito: o atacante conseguiu um novo escanteio por aquele lado e Demiral, em mais um cabeceio, ampliou para 2x0.

Toda aquela intensidade dos Yıldızlılar durante a primeira etapa, porém, cobrou o seu preço na segunda e os turcos se cansaram por volta dos 70 minutos, o que foi um convite para os grandões austríacos se aproximarem. Montella promoveu mudanças para reforçar a defesa mas poderia ter mantido Güler e Yıldız que ainda estavam bem na partida.

Os Burschen conseguem diminuir com Gregoritsch em cobrança de escanteio e vão para cima dos turcos durante os minutos finais -até o goleiro Pentz vai para a área nas bolas paradas visando evitar a eliminação. Os Yıldızlılar, já sem fôlego para buscarem algum contra-ataque, sofrem até o final e conseguem a classificação.

A Áustria se despede da Euro 2024 realizando uma grande campanha mas esbarrando na estratégia de Montella. Os Burschen souberam aliar a força física de seus atletas com a ofensividade. Uma pena que seus principais jogadores, Sabitzer e Arnautović, já sejam trintões e dificilmente permanecerão na seleção a longo prazo.

Turquia consagra sua jovem e promissora geração de atletas. Os Yıldızlılar, com muita raça e leveza, estão encantando na Euro 2024. E o treinador Vicenzo Montella vai renascendo após tantos trabalhos contestáveis. A vitória sobre a Áustria teve a mão do técnico italiano.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




terça-feira, 25 de junho de 2024

O Intruso

Sabitzer decretou a improvável vitória sobre a Holanda
(imagem extraída de twitter.com/EURO2024).



Fato 1: a Holanda é uma das seleções mais tradicionais do mundo com um título em Eurocopas e com uma das melhores escolas de futebol. Fato 2: a Áustria jamais foi além das oitavas-de-final na mesma competição e sequer era considerada favorita. Mesmo assim, os "azarões" Burschen não se intimidaram diante da Oranje e, com coragem e intensidade, conseguiram terminar na liderança do Grupo D.

Ronald Koeman escalou a Holanda em 4-3-3 com diversas surpresas: Dumfries deu lugar a Geetruida, Xavi Simons foi sacado e o meio-de-campo foi formado por um trio de volantes. Ralf Ragnick, por sua vez, foi de 4-2-3-1.

Os Burschen surpreenderam a Oranje com uma postura corajosa: muita imposição física nas divididas, linhas altas para dificultar a construção de jogadas pelo chão e o "perde-pressiona" caso a Holanda recuperasse a bola. Não obstante, Sabitzer e Arnautović empurraram a zaga adversária para abrir espaços. Os holandeses, sem terem como sair jogado, responderam apenas com lançamentos para Memphis ou com faltas próximas à área de Pentz.

A estratégia dos austríacos durante o primeiro tempo foi de construir jogadas pelo lado direito, inverter bolas para Prass ou Wimmer e pegar a zaga holandesa desprevenida -ocupada com Sabitzer e Arnautović. Foi assim que os Burschen forçaram um gol conta de Malen. A superioridade da Áustria foi tamanha que Koeman queimou uma alteração (Veerman por Simons) já na etapa inicial.



Áustria, em 4-2-3-1, usa linhas altas para trancar a Oranje e
inverte bolas da direita para a esquerda visando pegar a zaga
rival desprevenida. Holanda, encolhida em 4-3-3, tem apenas
bolas longas ou cobranças de falta para criar oportunidades de
gol (imagem obtida via this11.com).



A Holanda, aproveitando o cansaço da Áustria, consegue equilibrar a disputa acelerando pelos lados e empata com Gakpo. A Oranje, porém, tem pouco tempo para comemorar visto que, minutos depois, Schimid coloca os Burschen em vantagem novamente após bela troca de passes pela esquerda.

Koeman troca Aké e Reijnders por Van der Ven e Wijnaldum. O treinador, porém, também é obrigado a substituir Malen por lesão e Wegohorst entra, mudando o esquema para 4-4-2. A Oranje consegue novo empate com Memphis após bola enfiada pelo meio mas Sabitzer, após nova troca de passes pela esquerda, decreta a vitória aos Burschen.



Holanda equilibra a disputa acelerando as jogadas pelos lados
mas a Áustria dá a resposta triangulando bolas pela esquerda
(imagem obtida via this11.com).



Áustria vai para as oitavas-de-final pela segunda vez em sua história e se dá ao direito de sonhar com voos mais altos na Euro 2024 ao confrontar um adversário teoricamente mais fácil. Holanda também conquista sua vaga mas amarga a terceira colocação e terá de encarar um rival mais complexo na próxima fase. Mais um indício de que a reformulação da Oranje ainda necessita de ajustes.

Ralf Ragnick e seus comandados fazem história na Euro 2024. Com um futebol que alia força física com ofensividade, os Burschen são uma das grandes surpresas na fase de grupos e, com o triunfo sobre a Holanda, mostra que os rivais considerados "favoritos" terão de tomar mais cuidado com a Áustria daqui para frente.



Imagem extraída de twitter.com/EURO2024




sexta-feira, 21 de junho de 2024

Por que Não Mexe Com Alguém do Seu Tamanho?

Arnautović fez de tudo em campo: ajudou a marcar,
brigou, fez gol e deu até corta-luz (imagem
extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Muitos times costumam utilizar o tamanho de seus jogadores como arma em campo, seja para dividir bolas, seja para disputas aéreas. A estratégia, porém, raramente funciona contra um adversário que também conte com atletas fortes e/ou grandões. E se o rival ainda tiver melhores recursos técnicos, pior ainda. Foi o que aconteceu com os gigantes poloneses que foram surpreendidos pelos grandalhões austríacos.

Michał Probierz escalou sua equipe em 3-5-2 com a estratégia de ganhar as divididas na imposição física e buscar contra-golpes pelas pontas. Ralf Ragnick, por sua vez, foi de 4-1-4-1 variando para 3-4-3 com Grillitsch ou Mwene voltando para compor a zaga.

Os Burschen foram para cima dos Biało-Czerwoni com linhas altas e muitas tabelas próximas ao gol de Szczęsny. Como os poloneses não conseguiam levar vantagem nas divididas, permaneceram boa parte do primeiro tempo encurralados. A Áustria utilizou, ainda, Arnautović para incomodar a defesa rival e tentar abrir espaços. As poucas respostas da Polônia se deram pelas pontas com Frankowski e Zalewski pelas pontas tentando acionar Piątek e Buska.

Os austríacos abriram o contador com cabeceio de Trauner em cobrança de escanteio mas os Biało-Czerwoni logo responderam também em cobrança de escanteio após um bate e rebate na área de Pentz com o oportunismo de Piątek.



Áustria, em 4-1-4-1/3-4-3, adianta as linhas e usa  Arnautović
para abrir espaços na defesa polonesa. Polônia, em 3-4-3,
responde pelas pontas tentando acionar seus dois atacantes
(imagem obtida via this11.com). 



Michał Probierz coloca Lewandowski em campo apesar do centroavante não estar em sua melhor forma física. Ralf Ragnick, por sua vez, é obrigado a trocar Trauner por Danso após lesão de seu zagueiro titular logo no início da segunda etapa.

A Polônia se empolga com a presença de seu craque e adianta as linhas além de fazer os laterais voltarem mais para bloquear os cruzamentos austríacos. A estratégia, porém, deixou a defesa mais exposta e a Áustria se aproveitou disto.

Baumgartner, após cruzamento na área, desempata para os Burschen -o lance ainda teve um corta-luz de Arnautović que enganou a zaga polonesa. Quase no final da partida, Szczęsny derruba Sabitzer na área e o camisa 7 dá números finais à partida.

Áustria conquista três pontos importantíssimos e terá confronto direto com a Holanda pela vaga nas oitavas. Polônia, por sua vez, praticamente deu adeus à Euro 2024 visto que precisa vencer a França, adversário bem menos acessível, e terá de torcer por uma combinação de resultados para avançar.

Os Biało-Czerwoni bem que tentaram vencer os Burschen na imposição física mas não contavam que os rivais também tivessem jogadores fortões, o que inutilizou a estratégia de Michał Probierz. Da próxima vez, é melhor pensar em algum "plano B". Um bom exemplo é a Dinamarca que também possui atletas grandalhões mas também sabe jogar com a bola no chão.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




terça-feira, 18 de junho de 2024

Jogo de Trombada

Mbappé, com "ajuda" de Wöber, fez o único
gol da partida, mas acabou levando a pior
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



O futebol é um esporte onde há contato físico e, infelizmente, são comuns as lesões devido aos choques entre os jogadores. Áustria e França protagonizaram um jogo bastante "pegado" com muitos atletas se machucando ao longo do confronto. Kylian Mbappé acabou sendo o grande protagonista da partida, seja pelo único gol marcado (a bola desviou em Wöber e o tento foi dado contra para o zagueiro), seja por ter fraturado o nariz após trombar violentamente em Danso.

Ralf Ragnick escalou a Áustria em 4-2-3-1 com a proposta de segurar os rivais na imposição física e oferecendo muita liberdade para o capitão Sabitzer se movimentar em campo. Didier Deschamps, por sua vez, enviou a França em 4-3-3 com o time utilizando os lados para atacar.

Os Bleus, com jogadores mais talentosos, tomaram a iniciativa atacando pelos lados, principalmente pela esquerda com Theo Hernández e Mbappé. A presença do volante Kanté, recuperado de lesão, ofereceu mais liberdade para os franceses avançarem sem terem de se preocupar tanto com a recomposição.

Os Burschen responderam com linhas compactas e utilizando a imposição física de seus fortes jogadores para deter os franceses. Os contra-golpes também ocorreram pelas laterais. O capitão Sabitzer movimentou-se bastante em campo oferecendo apoio aos pontas, armando as jogadas pelo centro, recompondo para ajudar a defesa e até atuando como um segundo atacante ao lado de Gregoritsch. Os austríacos, porém, pecaram no excesso de faltas e o lado esquerdo da defesa (Mwene e Wöber) já estava amarelado no primeiro tempo.

A França tirou proveito dos cartões adversários e passou a forçar jogadas pelo lado direito com Dembélé, Griezmann e Koundé. Até Mbappé passou a jogar mais por lá e o camisa 10 acertou um petardo que desviou em Wöber e enganou o goleiro Pentz.



França, em 4-3-3, ataca pelas pontas valendo-se de seus talentos
individuais. Áustria, em 4-2-3-1, responde também pelos lados
e utilizando a movimentação de Sabitzer (obtido via this11.com)



Ragnick coloca o atacante Arnautović, com mais presença de área, para desorganizar a defesa francesa e o confronto trona-se mais aberto, com os dois times partindo para a "trocação" em campo, mas ambos desperdiçam muitas chances claras.

A Áustria segue com a estratégia de segurar os franceses na imposição física, o que torna a partida mais "pegada" e até violenta. Griezmann chega a cortar o supercílio após choque com Wöber já no início do segundo tempo. Quase no final do jogo, Mbappé deixa o campo sangrando após colisão com Danso com suspeita de fratura no nariz.

A França vence a batalha mas deixa o campo com algumas casualidades. A pior delas foi certamente a lesão de Mbappé que corre o risco de passar por cirurgia e desfalcar os Bleus durante o resto da Eurocopa -até a publicação deste post, não houve atualização sobre o estado de saúde do atacante. O futebol é um esporte onde há contato físico e, como tal, possui seus riscos como demonstrado durante nesta partida. 



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




sábado, 26 de junho de 2021

Até a Última Gota

Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2020



Foi uma partida de tirar o fôlego, com dois times mais do que dispostos a lutar pelo resultado. Nada de ficar recuado esperando pelo erro rival: a Itália e a Áustria queriam jogo, foram para o ataque, adiantaram linhas e buscaram o gol o tempo todo. Emocionante.

A Azzurra repetiu o 4-3-3 das duas primeiras partidas mas Roberto Mancini sacou Locatelli (que foi bem na fase de grupos) para a entrada de Verratti (que agradou no jogo diante do País de Gales). A Itália permaneceu ofensiva mas sentiu falta das infiltrações do camisa 5 e não foi tão contundente.

Os Burschen foram a campo em um 4-1-4-1 e repetiram a estratégia de adiantar linhas como foi feito diante da Ucrânia. O lado esquerdo com Alaba, Sabitzer e Baumgartner tentando acionar Arnautović foi a principal jogada austríaca.

O jogo foi bastante equilibrado e ambos os times se revezaram no ataque. Quando a Itália tinha a bola, a Azzurra se dispunha em um 1-4-2-3 com o zagueiro Acerbi fazendo companhia a Jorginho na proteção à zaga. A Áustria, por sua vez, se posicionava em 3-4-3 com o volante Grillitsch voltando para compor a defesa e os laterais avançando para o meio-de-campo.



Itália ataca em 1-4-2-3 (esquerda) com Acerbi atuando como um segundo volante ao lado de Jorginho.
A Azzurra repete a pressão com os pontas e laterais chegando à linha de fundo mas o meio-de-campo
infiltrou menos com a troca de Locatelli por Verratti. A Áustria (direita) ataca em 3-4-3 com o volante
Grillitsch voltando para compor a zaga e liberando os laterais. Burschen pressionam a saída de bola
e usam principalmente o lado esquerdo com Alaba, Sabitzer e Baumgartner acionando Arnautović
(imagens obtidas via this11.com).



O equilíbrio permaneceu ao longo do segundo tempo. Arnautović chegou a colocar uma bola na rede mas foi flagrado em impedimento pelo VAR. Roberto Mancini troca Barella e Verratti por Pessina e Locatelli, respectivamente, mas os meias não conseguem se infiltrar na sólida zaga austríaca. Quase ao final da segunda etapa, Belotti e Chiesa entram nos lugares de Immobile e Berardi. A Áustria jogou todos os noventa minutos praticamente sem mudanças -no final do tempo normal, Schöpf entrou no lugar de Baumgartner.

Apenas na prorrogação os gols saíram. No início do primeiro tempo extra. finalmente a Itália consegue se infiltrar na zaga austríaca (provavelmente devido ao cansaço dos Burschen) e Chiesa consegue vazar Bachmann. Minutos depois, Pessina, em lance de bola parada, aumenta para a Azzurra. 2x0.

Restou ao treinador Franco Foda tirar os jogadores cansados e colocar seu time no ataque. Na metade do segundo tempo extra, Kalajdžić consegue diminuir o prejuízo na bola parada. A Áustria lutou até o final mas sentiu falta do raçudo Arnautović.



As mudanças da Itália surtem efeito na prorrogação, com Chiesa
e Pessina anotando seus gols pela direita. A Áustria, porém, não
desiste e segue forçando jogadas pela esquerda
(imagens obtidas via this11.com).



Itália se classifica com méritos mas as mudanças propostas por Roberto Mancini não surtiram o efeito esperado. Locatelli deve ganhar mais oportunidades após a partida de hoje. Áustria faz grande campanha, afinal era considerada "azarona" no grupo C mas conseguiu sobreviver até as oitavas-de-final. Acabou eliminada por ter menos opções no banco em relação à Azzurra.

Este foi um dos melhores e mais emocionantes jogos desta Eurocopa. Nenhum dos times quis jogar nos erros e ambos buscaram o ataque o tempo todo. O futebol não é só ofensividade, afinal também é importante saber se defender bem, mas uma partida como a de hoje é um deleite para os fãs do esporte.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2020

 


segunda-feira, 21 de junho de 2021

Afogados

Imagem extraída de twitter.com/oefb1904



Optei por assistir ao embate entre Ucrânia e Áustria, visto que a Holanda já estava classificada e a Macedônia do Norte dificilmente teria chances diante da Oranje. Ucranianos e austríacos, ambos empatados com três pontos, precisavam da vitória para conseguirem a classificação sem depender da sorte.

A Ucrânia tentou jogar com a bola no chão desde a defesa, mas isto só facilitou o trabalho da Áustria que asfixiou a Zbirna adiantando linhas e fazendo marcação alta. O resultado foi que a seleção do Leste Europeu não conseguiu jogar durante todo o primeiro tempo e levou sufoco dos austríacos.

Alaba, agora capitão, assumiu o protagonismo da equipe e fez um pouco de tudo no campo: marcou, atacou, atraiu a marcação e foi dele a jogada que culminou no gol de Baumgartner. O autor do único tento da partida, aliás, precisou sair ainda no primeiro tempo após choque de cabeça.



Áustria, em 4-3-3, dificulta a saída de bola ucraniana e ainda
leva perigo principalmente com Alaba pela esquerda. Ucrânia,
em 4-2-3-1/4-3-3, passa todo o primeiro tempo sem conseguir
jogar (imagem obtida via this11.com).



A Ucrânia consegue adiantar suas linhas e levar mais perigo no segundo tempo aproveitando o cansaço austríaco, mas os Burschen conseguem tirar os espaços dos ucranianos mesmo com uma marcação mais baixa.

O treinador Shevchenko mexe no ataque em busca do empate enquanto Franco Foda se limita a segurar o jogo. A Ucrânia, tensa pela necessidade do resultado, erra muitos passes e se precipita nas jogadas. A Áustria ainda consegue dar alguns sustos em Bushchan com Alaba pela esquerda e Sabitzer pela direita, mas parecia satisfeita com o placar.



Ucrânia, em 3-5-2, tenta uma pressão final, principalmente com
Yarmolenko e Marlos tentando acionar Yaremchuk pela direita.
Áustria, em 4-4-2, segura o ímpeto ucraniano e tenta contra-
atacar com Sabitzer e Alaba (imagem obtida via this11.com).



Áustria surpreende com uma proposta ofensiva e chega às oitavas-de-final pela primeira vez na Eurocopa. Ucrânia agora terá de torcer para que os outros terceiros colocados não façam campanhas superiores. Cabe aqui um questionamento ao treinador Shevchenko que utilizou seu melhor jogador, Zinchenko, como volante ao invés de deixá-lo aberto pela esquerda onde rende mais. Guardiola, na final da última Champions, também foi criticado pela mesma mudança.

Não há muita expectativa para os austríacos na Euro 2021 mas o futebol apresentado hoje foi literalmente de tirar o fôlego, sufocando a Ucrânia desde a defesa e impedindo a seleção do Leste Europeu de jogar. O estilo é bastante cansativo para os jogadores tamanha a intensidade, mas se os Burschen conseguirem manter o ritmo, dá para sonhar com voos mais altos.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2020




quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Vivendo e Aprendendo

Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/



O Brasil tira duas importantes lições do confronto contra a esforçada Áustria. A primeira, obviamente, é a de jamais subestimar adversários de pouca expressão. E a segunda é a necessidade de se investir mais no jogo coletivo, pois os austríacos, apesar de limitados, conseguiram tirar os espaços dos principais jogadores do Brasil -em especial, Neymar- e mataram a criatividade de nossa Seleção.

A Áustria nem de longe é um time brilhante, sendo tecnicamente inferior à Turquia. Seu jogo consiste muito mais em correria do que futebol bonito, e os europeus souberam muito bem como marcar os brasileiros para roubar-lhes a bola e tentar contra-ataques.



Com um meio-de-campo muito mais voltado para a marcação do
que a criação, o Brasil praticamente não conseguiu atacar no
primeiro tempo, seus atacantes foram presas fáceis das duas
linhas de quatro austríacas e o atacante Okotie deu alguns
sustos em Diego Alves (obtido via this11.com). 



À exceção da entrada de Thiago Silva, que substituiu o lesionado Miranda ainda no primeiro tempo, o Brasil voltou a campo sem mudanças para a segunda etapa -posteriormente, entram Firmino e Douglas nos lugares de Luiz Adriano e Willian, respectivamente. A Áustria sofre um gol do Brasil -anotado por David Luiz- mas não se intimida diante da tradição brasileira e continua indo para cima. Em uma destas investidas, consegue um pênalti cometido por Oscar e Dragović converte para os donos da casa.



A presença de Firmino melhora a criatividade no meio-de-campo
brasileiro enquanto Oscar permanece muito recuado. As linhas
defensivas da Áustria continuam eficiente e o Brasil só chega
ao gol na bola parada. Os contra-golpes austríacos continuam
perigosos e em um deles Weimann é derrubado na área por
Oscar (obtido via this11.com).



Apenas nos últimos dez minutos, o Brasil fez o que deveria ter feito desde o início: colocar o time no ataque e apostar no jogo coletivo. Foi assim que, após troca de passes, Firmino acertou um petardo de fora da área e deu números finais ao jogo. A Áustria não se entregava e continuava pressionando, mas não houve tempo para o empate.

Alguns dos problemas apresentados durante o comando de Felipão voltaram a surgir na partida de hoje, incluindo a falta de jogo coletivo do Brasil e o distanciamento do meio-de-campo e do ataque. Como pode um meia tão habilidoso como o Oscar jogar tão distante do centroavante? E por que a Seleção só jogou bem nos dez minutos finais? Por que não pressionar desde o início, marcar um gol logo no começo da partida e jogar um balde de água fria no ímpeto rival?

A Áustria, limitada e com poucos recursos técnicos, tentou se valer do mando de jogo e foi para o tudo ou nada, além de realizar uma marcação apropriada contra o Brasil, anulando Neymar. O jogo feio dos austríacos foi compensado pela atitude correta em campo, afinal eles não tinham nada a perder contra um rival da grandeza do Brasil.

Será que Dunga e a Seleção Brasileira aprenderam algo de bom no confronto de ontem?



Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Novatos e Novidades

Imagem extraída do Facebook oficial do Hoffenhein- https://www.facebook.com/achtzehn99/



Dunga anunciou ontem a lista dos 23 convocados que disputarão os amistosos contra a Turquia em Istambul no dia 12 de novembro e contra a Áustria em Viena no dia 18 de novembro.

Sobre os adversários, não há muito o que comentar. A Turquia não possui mais aquela equipe de sucesso da década passada, quando conquistaram o terceiro lugar na Copa do Mundo de 2002 e chegaram às semifinais da Euro 2008. Seus atletas mais conhecidos são o volante Nuri Şahin (do Borussia Dortmund), os wingers Arda Turan (Atlético de Madrid) e Hamit Altıntop (ex-Bayern, atualmente no Galatasaray) e o meia Emre Belözoğlu, atual capitão e remanescente daquela geração da década de 2000. A Áustria, por sua vez, há muito tempo não disputa um mundial (o último foi em 1998 na França) e jogou apenas uma Eurocopa, a de 2008. Seu atleta mais conhecido é o lateral-esquerdo David Alaba, do Bayern. Os próximos dois amistosos, portanto, não devem oferecer grandes desafios à nossa Seleção.

O treinador Dunga promoveu mudanças em relação à última convocação. Os atletas que atuam no Brasil não foram chamados para alívio dos clubes. Já escrevi e repito: bastava que a CBF e a CONMEBOL adequassem seus calendários às chamadas "datas FIFA" para que o problema fosse resolvido. O jogador quer ter a honra de defender as cores de seu país e o treinador tem o direito de convocar quem quiser. Isso só cria um atrito desnecessário entre as partes envolvidas.

Os atletas convocados foram:


Goleiros:
Diego Alves (Valencia)
Rafael Cabral (Napoli)
Neto (Fiorentina)


Zagueiros:
Thiago Silva (Paris Saint-Germain)
David Luiz (Paris Saint-Germain)
Miranda (Atlético de Madrid)
Marquinhos (Paris Saint-Germain)


Laterais:
Danilo (Porto)
Filipe Luís (Chelsea)
Alex Sandro (Porto)
Mário Fernandes (CSKA)


Volantes:
Luiz Gustavo (Wolfsburg)
Fernandinho (Manchester City)
Rômulo (Spartak)
Casemiro (Porto)


Meias:
Oscar (Chelsea)
Philippe Coutinho (Liverpool)
Douglas Costa (Shakhtar Donetsk)
Roberto Firmino (Hoffenheim)


Atacantes e Wingers:
Neymar (Barcelona)
Luiz Adriano (Shakhtar Donetsk) 
Lucas Moura (Paris Saint-Germain)
Willian (Chelsea)


As únicas convocações que não concordei foram as de Luiz Gustavo (muito faltoso) e a de Rômulo (era presença constante na "Era Mano Menezes", mas pouco correspondia às expectativas).

As partidas da Champions realizadas nesta semana parecem ter influenciado o treinador, o que justificaria as convocações de Luiz Adriano e Douglas, ambos com atuações elogiadas na goleada sobre o BATE Borisov. Dunga também ofereceu chances para dois goleiros jovens (Rafael e Neto, com 24 e 25 anos, respectivamente) provavelmente visando uma renovação para a posição, lembrando que Jefferson, Cavalieri e Victor estão com mais de 30 anos.

A convocação mais surpreendente foi a do meia Roberto Firmino (foto acima). Ele é pouco conhecido aqui no Brasil e atua no Hoffenhein da Alemanha desde os 18 anos, após uma curta passagem pelo Figueirense. Também surpreendeu a convocação do volante Casemiro, ex-São Paulo. Ele fez parte das seleções de base, mas esta é a primeira vez que figura na equipe principal. Ele era um bom volante e foi injustamente criticado no Tricolor.

A julgar pelas convocações, Dunga deve alterar a formação do time de 4-2-3-1 para 4-4-2 ou 4-2-2-2, embora alguns dos meias convocados possam atuar pelos flancos.

Boa sorte à Seleção e que o bom futebol prevaleça.