O Grupo B da Copa América 2015 é composto por Argentina, Uruguai, Paraguai e Jamaica, ou seja: três seleções que já foram campeãs irão brigar pelas vagas disponíveis para as quartas-de-final. Felizmente, os dois melhores terceiros colocados terão o direito de avançar, portanto será crucial que as equipes não desperdicem pontos contra a Jamaica, que virá apenas a passeio.
Os jogos desta chave prometem ser bastante disputados e equilibrados. É bastante provável que tenhamos partidas muito pegadas, com muito mais raça do que técnica e até mesmo muitas faltas. A rivalidade entre as três seleções sul-americanas deve elevar a temperatura das disputas.
Felizmente, a presença alguns bons jogadores como Messi, Cavani, Di María e Lodeiro deve compensar o excesso de brutalidade das partidas com lances bonitos, dribles e passes bem executados.
ARGENTINA- PELO FIM DO JEJUM
Messi, Tévez, Di María, Agüero, Higuaín, ... Fica difícil imaginar como um time com tantos atletas de talento nunca conquistou um título pela seleção principal de seu país. Alguns ainda tiveram a oportunidade de erguerem troféus pela Seleção Olímpica ou pelas categorias de base, mas a
Albiceleste vive um jejum de títulos que se arrasta desde 1993, quando conquistou a própria Copa América. A Argentina bateu na trave no último mundial quando foi vice-campeã. A
Albiceleste chegou a ter o controle do jogo e, por muito pouco, não consegue alguns gols no começo da partida.
A conquista do título, obviamente, é questão de honra para esta geração. A maioria dos atletas que disputaram a última Copa do Mundo foi mantida, mas foram convocados mais meias criativos (Banega e Pastore) para que Messi tenha de buscar a bola menos vezes. Tévez, que não foi convocado injustamente para o mundial, também retorna. O bom zagueiro Nicolás Otamendi também marca presença para aumentar a segurança da fraca zaga
albiceleste.
A Argentina, contudo, possui dois problemas na busca pelo troféu. O primeiro, obviamente, é a defesa que ainda não demonstra muita solidez, principalmente pela lateral esquerda. O segundo é o treinador Gerardo Martino, que não deixou saudades no Barcelona e ainda não me convenceu no comando da
Albiceleste.
Se os argentinos conseguirem superar seus pontos fracos, o jejum de títulos terá um fim em 2015.
DESTAQUE E CAPITÃO- Lionel Messi (atacante): a Pulga dispensa apresentações. É o melhor jogador dos últimos anos, sendo eleito melhor jogador do mundo quatro vezes -e deve conquistar sua quinta Bola de Ouro neste ano. Pode desempenhar qualquer função no ataque -meia-armador, "falso nove", centroavante, segundo atacante ou atuar nas duas pontas. É craque, mas nunca conseguiu fazer pela Argentina a diferença que faz pelo Barcelona.
TÉCNICO: Gerardo Martino
CONVOCADOS:
Goleiros: Sergio Romero (Sampdoria), Nahuel Guzmán (Tigres) e Mariano Andújar (Napoli)
Defensores: Ezequiel Garay (Zenit), Facundo Roncaglia (Genoa), Pablo Zabaleta (Manchester City), Milton Casco (Newell's), Martín Demichelis (Manchester City), Marcos Rojo (Manchester United) e Nicolás Otamendi (Valencia)
Meio-Campistas: Fernando Gago (Boca Juniors), Lucas Biglia (Lazio), Ángel Di María (Manchester United), Roberto Pereyra (Juventus), Javier Mascherano (Barcelona), Éver Banega (Sevilla) e Javier Pastore (PSG)
Atacantes: Gonzalo Higuaín (Napoli), Lionel Messi (Barcelona), Sergio Agüero (Manchester City), Carlos Tévez (Juventus), Erik Lamela (Tottenham) e Ezequiel Lavezzi (PSG)
TÍTULOS NA COMPETIÇÃO: 14
EXPECTATIVA: favorito ao título
PALPITE: vice-campeão
POSSÍVEL FORMAÇÃO: 4-4-2
URUGUAI- A MORDIDA QUE CUSTOU CARO
Você ficou impressionado com as grandes exibições de
Luisito Suárez durante a temporada 2014-15 pelo Barcelona? Esqueça. O atacante ainda está suspenso pela seleção de seu país devido à mordida desferida em Chiellini e o Uruguai terá de disputar a Copa América sem seu principal craque. Além dele, os "velhinhos" Lugano e Forlán também não irão jogar a competição. Era necessário, afinal a
Celeste estava envelhecendo e os jogadores mais jovens mereciam chances para que uma renovação no elenco acontecesse.
Ainda assim, boa parte do elenco que disputou a Copa do Mundo 2014 e o treinador Óscar Tabárez foram mantidos. O estilo de jogo, portanto, não deve sofrer muitas alterações com relação ao ano passado.
O Uruguai tem alguns bons jogadores à disposição, mas seu estilo de jogo é muito mais baseado em raça do que técnica. Algo que faz parte da cultura futebolísitca do país.
Resta saber como a Celeste irá atuar sem seu craque. Em 2011, quando o Uruguai conquistou seu último título na competição, Suárez fez toda a diferença em campo. Será que Cavani, Lodeiro e Godín conseguirão compensar a ausência do ídolo?
DESTAQUE E CAPITÃO- Diego Godín (zagueiro): Godín herdou a faixa de capitão do xará Diego Lugano ainda durante a última Copa do Mundo. Tem feito grandes exibições pelo Atlético de Madrid e pela própria Seleção Uruguaia nos últimos anos. É um zagueiro seguro pelo alto, por baixo e comete poucas faltas. É também um exímio cabeceador.
TÉCNICO: Óscar Tabárez
CONVOCADOS:
Goleiros: Fernando Muslera (Galatasaray), Rodrigo Muñoz (Libertad) e Martín Silva (Vasco)
Defensores: José María Giménez (Atlético de Madrid), Diego Godín (Atlético de Madrid), Jorge Fucile (Nacional-URU), Álvaro Pereira (Estudiantes), Gastón Silva (Torino), Maximiliano Pereira (Benfica), Mathías Corujo (Universidad de Chile) e Sebastián Coates (Sunderland)
Meio-Campistas: Carlos Sánchez (River Plate), Cristian Rodríguez (sem clube), Giorgian De Arrascaeta (Cruzeiro), Nicolás Lodeiro (Boca Juniors), Guzmán Pereira (Universidad de Chile), Egidio Arévalo Ríos (Tigres) e Álvaro González (Torino)
Atacantes: Abel Hernández (Hull City), Diego Rolan (Bordeaux), Cristhian Stuani (Espanyol), Edinson Cavani (PSG) e Jonathan Rodríguez (Benfica)
TÍTULOS NA COMPETIÇÃO: 15
EXPECTATIVA: favorito ao título
PALPITE: quartas-de-final
POSSÍVEL FORMAÇÃO: 4-3-3
PARAGUAI- APENAS EFICIENTE
O Paraguai foi vice-campeão da última Copa América jogando apenas em função do regulamento. A equipe
Guaraní classificou-se ao mata-mata com três empates e chegou à final decidindo os seus jogos nos pênaltis. Só não ficou com o troféu porque Luis Suárez estragou a festa dos paraguaios na final.
A julgar pelo estilo de jogo dos times paraguaios na Libertadores, é provável que a seleção do país atue da mesma forma, priorizando a defesa, a marcação e tentando jogar em função do regulamento. A maioria dos jogadores da seleção se vale muito mais de raça do que técnica.
Tecnicamente falando, o Paraguai está abaixo dos rivais Argentina e Uruguai, mas o time Guaraní provou durante a última Copa América que pode fazer frente aos adversários na base da raça e da eficiência. Os paraguaios têm boas chances de chegarem novamente ao mata-mata, mas será muito difícil repetir o bom desempenho de 2011 levando-se em conta a grande quantidade de boas equipes disputando a competição. O desempenho pífio do Paraguai durante as Eliminatórias da Copa 2014 é uma prova cabal de que a estratégia pode não dar certo desta vez.
DESTAQUE- Lucas Barrios (atacante): atualmente no Montpellier da França, Barrios já não é mais aquele jogador de sucesso no Borussia Dortmund (ele esteve presente nas campanhas de 2010-11 e 2011-12), mas ainda é um jogador de respeito. Ao lado do experiente Roque Santa Cruz, deve formar um ataque temível e dar muito trabalho aos goleiros adversários.
TÉCNICO: Ramón Díaz
CAPITÃO: Roque Santa Cruz (atacante)
CONVOCADOS:
Goleiros: Justo Villar (Colo Colo), Antony Silva (Independiente de Medellín) e Alfredo Aguilar (Guaraní)
Defensores: Iván Píris (Udinese), Marcos Cáceres (Newell's), Pablo Aguilar (América-MEX), Bruno Valdez (Cerro Porteño), Miguel Samudio (América-MEX), Paulo Da Silva (Toluca) e Fabián Balbuena (Libertad)
Meio-Campistas: Richard Ortíz (Toluca), Víctor Cáceres (Flamengo), Osmar Molinas (Libertad), Osvaldo Martínez (América-MEX), Néstor Ortigoza (San Lorenzo), Óscar Romero (Racing) e Eduardo Aranda (Olimpia)
Atacantes: Raúl Bobadilla (Augsburg), Lucas Barrios (Montpellier), Roque Santa Cruz (Cruz Azul), Derlis González (FC Basel), Edgar Benítez (Toluca) e Nelson Valdéz (Eintracht Frankfurt)
TÍTULOS NA COMPETIÇÃO: 2
EXPECTATIVA: chegar às semifinais
PALPITE: quartas-de-final
POSSÍVEL FORMAÇÃO: 4-3-3
JAMAICA- OUTRAS PRIORIDADES
A Jamaica, a exemplo do México, disputa a Copa América como seleção convidada. Os jamaicanos também estão de olho na
Gold Cup e devem vir ao Chile apenas a passeio. O fato de terem caído em um grupo muito difícil diminui ainda mais as pretensões da Seleção Jamaicana.
A equipe da América Central disputa a competição sul-americana com o intuito de divulgar o futebol do país em outro continente, além de trocar experiências ao enfrentar rivais famosos como Messi, Cavani, Santa Cruz, ...
Quem sabe a Copa América não sirva como experiência para que estes atletas possam aprimorar o futebol de seu país.
DESTAQUE- Wes Morgan (zagueiro): acabou de vir de boa temporada pelo Leicester City, ajudando a equipe inglesa a fugir do rebaixamento. Suas atuações lhe renderam muitos elogios e premiações individuais.
TÉCNICO: Winfried Schäfer
CAPITÃO: Rodolph Austin (volante)
CONVOCADOS:
Goleiros: Duwayne Kerr (Sarpsborg 08), Dwayne Miller (Syrianska) e Ryan Thompson (Pittsburgh Riverhounds)
Defensores: Daniel Gordon (Karlsruher), Michael Hector (Reading), Wes Morgan (Leicester City), Adrian Mariappa (Crystal Palace), Jermaine Taylor (Houston Dynamo) e Kemar Lawrence (NY Red Bulls)
Meio-Campistas: Lance Laing (FC Edmonton), Hughan Gray (Waterhouse FC), Joel McAnuff (Leyton Orient), Je-Vaughn Watson (FC Dallas), Joel Grant (Yeovil), Rodolph Austin (Leeds United) e Garath McCleary (Reading)
Atacantes: Deshorn Brown (Valarenga), Romeo Parkes (Isidro Metapan), Giles Barnes (Houston Dynamo), Darren Mattocks (Vancouver Whitecaps), Dino Williams (Mobay United), Allan Ottey (Mobay United) e Simon Dawkins (Derby County)
TÍTULOS NA COMPETIÇÃO: nenhum
EXPECTATIVA: vem a passeio
PALPITE: fica na fase de grupos
POSSÍVEL FORMAÇÃO: 4-2-3-1