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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ídolos: as Pessoas que me Inspiram a Escrever este Blog

Imagem extraída de http://www.facebook.com/CruyffFoundation

Quem são os ídolos? São pessoas que nos inspiram, seja pelos seus feitos, pelas suas conquistas, pelas suas histórias. Ídolos são as pessoas que admiramos, em quem nos espelhamos e com as quais nos identificamos. Um ídolo pode ser alguma pessoa que ajudou (ou ajuda) você em algum momento difícil, uma espécie de super-herói da vida real que você passa a adorar com um misto de gratidão e admiração pela nobreza de seu gesto.

Eu tenho muitos ídolos e gostaria de dedicar o post de hoje a eles que, de alguma forma, me inspiram a escrever este blog.

A minha primeira grande inspiração é o grande Paulo César Caju, ex-jogador e ex-articulista do extinto Jornal da Tarde. Sua coluna semanal, que era publicada todas as terças-feiras, sempre defendia o caráter artístico do futebol ao mesmo tempo que criticava a postura brutal dos jogadores que são idolatrados hoje. Um dos motivos que me levou a escrever este blog foi justamente o de tentar ocupar o vazio deixado pela coluna de Caju. Tenho esperanças que algum veículo da imprensa o contrate e dê espaço para que o nosso tricampeão volte a divulgar suas ideias.

Também me inspira o Mestre Johan Cruyff (foto), criador do Tiki-Taka, o estilo de jogo que valoriza a posse de bola e a troca de passes e que também serve de base para o estilo de jogo do meu Barcelona e da Seleção Espanhola. Há quem considere o Mestre Cruyff um "chato", mas quase tudo o que ele diz em suas entrevistas são a realidade do futebol mundial, que vem se deteriorando em prol do resultado final. Também admiro o Mestre Cruyff pela maneira como ele lidava com a fanfarronice do baixinho Romário no Barcelona: a relação honesta que um tinha para com o outro foi fundamental para que o eterno camisa 11 fosse um dos maiores nomes do futebol mundial.

Ainda entre os treinadores, eu me inspiro no saudoso Mestre Telê Santana, técnico da genial Seleção Brasileira de 1982 (que, injustamente, foi eliminada pela Itália de Paolo Rossi) e do meu São Paulo em sua fase áurea (1992 e 1993). Telê, assim como o Mestre Cruyff, tinha uma visão romântica do esporte e era obcecado pelo futebol bonito. Até hoje eu me lembro daquele jogo São Paulo X Barcelona, quando os dois mestres se encontraram e colocaram em campo ideias tão semelhantes.

A inteligência de Tostão em sua coluna publicada no jornal Folha de São Paulo também me influencia muito. Ele era um atleta genial dentro e fora dos gramados, e continua sendo em seus textos profundos publicados às quartas-feiras e aos domingos. Eu respeito tanto o tricampeão que eu até mudei minha opinião sobre a derrota do Santos para o Barcelona pelo simples fato de Tostão ter feito críticas ao time de Neílton e Giva.

Não posso deixar de mencionar, também, o genial Alex Cabeção, craque com a bola e também com as palavras. Suas entrevistas fantásticas e seu esclarecimento me fazem lembrar o saudoso Doutor Sócrates, outro grande jogador que não se conformava com as injustiças e tinha um engajamento político intenso. Nesta semana, o Alex deu uma lição de cidadania e respeito a um repórter que tentou entrevistá-lo durante a execução do Hino Nacional.

Por fim, gostaria de dedicar algumas linhas a uma pessoa muito especial, a quem eu considero como uma irmã. Lembro-me até hoje quando eu estava passando por uma fase difícil em meu trabalho e tive vontade de desistir de tudo nesta vida. E ela, quando ainda não tínhamos muita proximidade, me escreveu e me confortou em um momento tão crítico em minha vida. Minha irmã é uma lembrança constante de que ainda há bondade e amizade neste mundo. Desde aquele dia, dedico todo o meu sucesso e felicidade alcançados à minha irmã porque ela teve grande importância em um momento tão difícil em minha vida. Uma verdadeira super heroína para mim!

Todos os ídolos aqui mencionados são a minha grande inspiração para a composição destes textos que eu aqui compartilho com você, querido leitor e leitora! Dedico a cada um deles o sucesso que este blog vem alcançando!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Há Vinte Anos Atrás...

Imagem extraída do Facebook oficial de Raí- http://www.facebook.com/rai10oficial

Faz pouco mais de sete anos e meio que o meu Tricolor foi ao Japão pela última vez. Na ocasião, o São Paulo, comandado pelo próprio Paulo Autuori, enfrentou o Liverpool com uma equipe mais preocupada com os aspectos defensivos do que ofensivos. Como torcedor, pareço estar cuspindo no prato onde como, mas nós, tricolores, temos que admitir: nada como aquele timaço dirigido pelo Mestre Telê em 1992, há pouco mais vinte anos atrás.

O Mestre era um treinador obcecado pelo futebol bonito. Para ele, não bastava apenas vencer uma partida: Telê queria ver os seus times atacando o tempo todo. E o time precisava apresentar dribles, toque de bola, jogadas bonitas, ... Me lembra muito o jeito de pensar de outro grande mestre, Johan Cruyff.

Antes do São Paulo, o Flamengo de Zico e Júnior (em 1981) e o Grêmio de Renato Gaúcho (1983) estiveram no Japão. Era uma época quando ainda fazíamos jus ao rótulo de "país do futebol", com alguns bons meias e atacantes. O Soberano dirigido pelo mestre não era uma exceção.

Telê não se deixou abater pelas eliminações nas copas do mundo de 1982 e de 1986 e continuou firme em sua filosofia. O sucesso que o Mestre não teve na Seleção Brasileira com a geração de Sócrates, Zico e Falcão, ele alcançou no São Paulo com Raí, Müller, Cafú, Palhinha, Leonardo, entre outros. O estilo de jogo não era muito diferente, com muita ofensividade e jogo coletivo. Foi uma grande partida contra o Barcelona do Mestre Cruyff. A dobradinha sobre o Milan em 1993 colocaria o Tricolor definitivamente no mapa do futebol mundial.

É uma pena, no entanto, que o tempo tenha passado e o São Paulo tenha deixado de lado a filosofia do Mestre Telê (que faleceu em 2006). Na campanha do tri-mundial, o São Paulo entrou em campo com três zagueiros (Lugano, Fabão e Edcarlos) e dois volantes (Mineiro e Josué). No jogo de amanhã contra o Kashima Antlers, válido pela Copa Suruga Bank, a tendência é que Paulo Autuori entre com um esquema de três volantes e crie oportunidades apenas nos contra-ataques ou bolas paradas.

Independente do Tricolor triunfar ou não amanhã sobre os Antlers, dificilmente veremos aquele jogo encantador com toque de bola, dribles e futebol arte de vinte anos atrás. Uma pena.

domingo, 5 de maio de 2013

Nem Sempre Tal Mestre, Tal Discípulo...

Perdoem-me aqui os santistas, mas eu preciso relembrar aqui um episódio um tanto doloroso envolvendo seu time de coração.

A final do Mundial Interclubes de 2011 marcou o encontro entre Barcelona e Santos, comandados por Josep Guardiola e Muricy Ramalho, respectivamente. Este fato não teria tanta relevância se não fosse o fato de que Guardiola e Muricy são os discípulos respectivos de Johan Cruyff e Telê Santana, os maiores treinadores que eu já vi, juntamente com Jürgen Klopp.

Cruyff e Telê haviam se enfrentado há 19 anos antes do confronto de seus pupilos. Ambos compartilhavam da mesma filosofia -futebol limpo e bem jogado- e ambos haviam passado por grandes frustrações pelas seleções de seus respectivos países -Cruyff era o principal jogador da lendária Holanda de 1974 e Telê era o treinador da memorável Seleção Brasileira de 1982, dois times que encantaram o mundo pelo futebol bem jogado, mas que não conseguiram títulos.

Guardiola era volante do Barcelona que ganhou a Champions League 1991-92 e também fora um dos principais jogadores do time de Cruyff. O meio-campista ainda atuaria por mais alguns anos pelo Barça, jogaria algumas temporadas no futebol do Oriente Médio -sob a batuta do nosso bicampeão Pepe- e voltaria ao clube blaugrana como treinador após pendurar as chuteiras. O ex-volante, em seu retorno ao clube catalão, aprimorou o "Tiki-Taka" do Mestre Cruyff (que, por sua vez, é baseado no Total Voetball do saudoso Rinus Michels) e nos presenteou com o mais belo futebol visto nos últimos anos.

Muricy, por sua vez, trabalhou com Telê no São Paulo como auxiliar e chegou a comandar o Tricolor durante um tempo na ausência do Mestre ainda durante os anos 90. Muricy também fora atleta do Soberano nos anos 70, ao lado de Serginho Chulapa. Muricy dirigiu Náutico, São Caetano, Internacional, São Paulo, Palmeiras, Fluminense e, finalmente, Santos. Entretanto, Muricy adotou um estilo de futebol totalmente oposto ao idealizado pelo Mestre Telê. O resultado foi um jogo pragmático e estritamente defensivo.

No encontro entre os "discípulos", o resultado não poderia ser outro: o Peixe nem viu a cor da bola, enquanto o Barça nem precisou se esforçar muito para fazer quatro gols no time praiano. Mais triste ainda é saber que Muricy não aprendeu nada com a surra que levou dos catalães: reclamou que o "Barcelona é um absurdo por não ter nenhum atacante de ofício", afirmou que "aqui no Brasil é bem mais difícil dirigir um time" e continuou apostando no futebol de marcação e contra-ataques, além de depender excessivamente de Neymar.

No encontro entre os "discípulos", ficou muito claro que o aluno que seguiu direitinho os ensinamentos do "mestre" ganhou. Pelo jeito, faltou a Muricy ter seguido a cartilha do Mestre Telê. E ele nem vai seguir.

domingo, 14 de abril de 2013

O Legado do Mestre

Eu sempre critico os "professores" da atualidade por contribuírem muito pouco com a qualidade do futebol: muitas faltas, excesso de preocupação com a defesa, muita burocracia, poucas chances criadas, valorização do físico em detrimento à técnica e dependência da bola parada.

Havia um técnico, no entanto, que era o contrário disso tudo, obcecado pelo futebol bonito e ofensivo. Falo do grande Telê Santana.

Nascido em Itabirito, Minas Gerais, Telê se destacou como jogador pelo Fluminense. Como treinador, ele ganhou projeção ao levar o Atlético Mineiro ao seu primeiro (e único) Campeonato Brasileiro em 1971.

Telê era um treinador perfeccionista, não queria que seus times apenas vencessem. Ele queria que suas equipes jogassem um futebol bonito, com dribles, trocas de passes e sem faltas. Ele era fã declarado da Seleção Holandesa de 1974 e exaltava a eficiência e ofensividade da Oranje.

O mineiro, merecidamente, foi convidado para dirigir a Seleção Brasileira para a Copa de 1982. Não ganhou, mas deixou um grande legado de jogo coletivo e ofensivo na memória dos amantes do futebol. Zico, Sócrates, Serginho, Oscar, Júnior, Falcão, entre outros desfilaram em campo mostrando o futebol mais bonito de nossa seleção desde a Era Pelé. Há vídeos disponíveis na internet, para os curiosos.

Telê só veio encontrar sua "redenção" pelo São Paulo, já nos anos 90. Em 1992, o Tricolor encontrou justamente com o Barcelona de Laudrup, Stoichkov e Guardiola. E, por ironia do destino, o treinador do Barça era justamente Johan Cruyff, um dos jogadores daquela Holanda de 74 que o Mestre Telê tanto admirava. E o holandês compartilhava com o mineiro a mesma obsessão pelo futebol coletivo e bem jogado. Na época torci para o São Paulo, mas hoje, revendo os vídeos do jogo, qualquer que fosse o resultado seria justo para dois treinadores com filosofias tão parecidas.

É sempre triste pensar que as ideias do mestre ficaram apenas no passado. Nos dias de hoje, com pouquíssimas exceções, não há atletas nem treinadores preocupados em trocar passes, jogar limpo, driblar, criar oportunidades ou atuar para o grupo. Tudo o que vemos são mais de cem passes errados por jogo, erros de posicionamento, jogadores recuados "respeitando" o adversário e truculência excessiva. Nós praticamente cuspimos no prato em que comemos.

Telê era um homem único e ele faz falta até hoje para o futebol brasileiro.