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domingo, 7 de dezembro de 2014

Reciclagem de Jogador

Imagem extraída do Facebook oficial do Santos- https://www.facebook.com/santosfc/



Leandro Damião no Cruzeiro e Emerson Sheik no Atlético Mineiro. Caso as duas especulações se confirmem, os dois clubes mineiros darão continuidade à fórmula que os consagrou nestes dois últimos anos ao oferecer oportunidades a atletas consagrados mas que andam em baixa em seus respectivos clubes.

Damião estava badalado no Internacional -clube que o revelou- até 2012, quando teve passagens pela Seleção e era frequentemente especulado no Tottenham. Mas de 2013 pra cá, sofreu com muitas lesões, caiu de rendimento e foi parar no Santos onde custou muito e rendeu pouco.

Emerson teve passagens vitoriosas por Flamengo (2009), Fluminense (2010) e Corinthians (2011 a 2013). Ele, inclusive, foi fundamental para a "temporada perfeita" do Timão, com a conquista da Libertadores e do Mundial Interclubes de 2012. Porém, seu rendimento caiu vertiginosamente no segundo semestre de 2013. Acabou cedido ao Botafogo onde alternou bons e maus momentos. Dispensado do Glorioso após desentendimentos com os dirigentes, Sheik está sem jogar e apenas aguarda até janeiro, quando deve se reapresentar ao Coringão. Se ele será reintegrado ao elenco, dependerá de quem for o próximo treinador.

Raposa e Galo estruturaram seus grandes elencos contratando jogadores de sucesso, mas que estavam em má fase em seus respectivos clubes. Quem não se lembra quando o Atlético trouxe Richarlyson em 2011 (que estava em má fase no São Paulo) e Ronaldinho Gaúcho em 2012 (lembrado mais pelas polêmicas do que pelo futebol no Flamengo)? O arquirrival Cruzeiro foi ainda mais longe e "reaproveitou" ainda mais jogadores em baixa, como Dagoberto (em baixa no São Paulo e depois no Inter), Borges (em decadência no Santos), Júlio Baptista (pouco aproveitado no Málaga) e Marcelo Moreno (encostado no Grêmio).

Penso que não há clubes mais apropriados para que Damião e Emerson possam se reerguer. Os clubes têm a filosofia adequada para que a dupla recupere seu futebol e, quem sabe, possa reviver seus dias de glória. Ademais, Raposa e Galo disputarão a Libertadores e os dois jogadores têm experiência na competição. Damião foi campeão em 2010 pelo Inter e Emerson ergueu uma taça em 2012 pelo Timão.

Ainda não é certeza que Damião e Emerson mudarão de clubes na próxima temporada, mas que isso teria grandes chances de dar certo, com certeza teria, baseando-se nos sucessos anteriores de Raposa e Galo.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/BotafogoOficial/

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Nem Tudo o que Acontece no Campo Fica no Campo

Imagem extraída de https://www.facebook.com/BotafogoOficial

Comentários sobre a oitava rodada do Brasileirão apenas amanhã, após o último jogo ser realizado. Mas uma partida da rodada já deixou uma grande polêmica no ar.

O atacante Emerson (foto) do Botafogo acusou o zagueiro Lúcio do Palmeiras de tê-lo chamado de homossexual de maneira pejorativa durante a vitória de 2x0 do Fogão sobre o Verdão em Presidente Prudente. O defensor alviverde negou a acusação e retrucou, relembrando uma suspeita do atacante de estar envolvido no crime de contrabando.

A provocação supostamente feita por Lúcio durante a partida seria referente ao beijo que Emerson deu em um amigo durante o ano passado.

Independente das acusações serem ou não verdadeiras, é discutível até que ponto as provocações em campo podem chegar. Ambas são acusações muito graves, podendo transcender a esfera desportiva e chegar à jurídica.

"Ah, mas é coisa do jogo"!

"Ah, o que acontece em campo fica no campo"!

Não é bem assim, e cada jogador está acusando o outro de cometer um crime. Ou será que preconceito e contrabando não são crimes?

Esse tipo de atitude é preocupante, pode prejudicar os próprios jogadores e, na pior das hipóteses, até os clubes.

Os dois jogadores envolvidos, por sinal, já são bem grandinhos, têm mais de trinta anos nas costas e sabem muito bem o que pode e o que não pode ser feito durante o jogo.

Que os treinadores conversem seriamente com seus atletas a respeito do episódio lamentável envolvendo Emerson e Lúcio. Provocação tem limite e o futebol não está acima das leis de um país.


Leia mais:

domingo, 20 de abril de 2014

O Jogador É quem Vai À Luta

Imagem extraída de https://www.facebook.com/BotafogoOficial

Nunca fui fã do atacante Emerson Sheik (foto), mas não deixo de reconhecer seus méritos.

A transferência de Emerson do Corinthians para o Botafogo se concretizou nesta semana após semana de especulações. Fontes afirmam que o atacante estava sem clima no Timão, mas divergem quanto às causas. Brigas com o treinador Mano Menezes, indisciplina, queda de rendimento e a história do selinho são apontados como os motivos para a saída do atleta. Polêmicas sempre acompanharam a carreira de Emerson.

Penso, contudo, se o Corinthians pesou a importância do jogador na história do clube quando optou por cedê-lo ao Botafogo. Que eu me lembre, foi o jogador quem fez os dois gols que concederam ao Timão o primeiro título da Libertadores em sua história, algo que ídolos como Neto, Marcelinho Carioca ou Tévez não conseguiram fazer -não menciono aqui lendas como Rivelino, Casagrande ou Sócrates porque eles pertencem a outro patamar. Se o Sheik não estivesse no Coringão em 2012, talvez o time alvinegro ainda fosse o único grande clube paulista a não possuir um título na competição sul-americana.

Talvez o jogador tenha mesmo pisado na bola com o clube que pagava seus salários, mas será que não era questão de ter um pouco de paciência com o atleta? O meu São Paulo não teve paciência com Jadson, Cícero, Lúcio e Arouca e agora eles estão brilhando em outros outros clubes. Será que não bastava dar um tempo até que o jogador recuperasse o seu futebol e voltasse a ser o atleta que tanto ajudou o Timão no passado? O que ele fez era tão grave assim para justificar o seu afastamento?

É sempre bom lembrar que o jogador é quem conquista os títulos. É o atleta quem vai a campo, faz os gols, marca, corre e até se machuca pelos times. É graças ao suor e ao sacrifício deles que os clubes têm títulos e, me decorrência disto, fazem sucesso e conseguem os lucros. O jogador é a alma e o motor das entidades.

Vou além: a carreira de jogador é efêmera e só dura enquanto o atleta tem físico para atuar. Quando não conseguem mais correr em campo, os jogadores não valem mais nada e muitos clubes não hesitam em dar um pé na bunda dos atletas. Quantos jogadores fizeram atos heroicos por seus respectivos clubes e, mesmo assim, não foram valorizados ou respeitados como mereciam? Não sei se este foi o caso de Emerson, mas acho que ele merecia mais crédito pelos seus feitos no Corinthians.

Não digo que Emerson merecia uma estátua no Parque São Jorge pelos seus dois gols contra o Boca Juniors em 2012, mas que o Corinthians jamais se esqueça: foi graças a Sheik e ao seu futebol que o Timão tem o primeiro torneio continental em sua história.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O Beijo da Discórdia

Imagem extraída do Facebook oficial do Corinthians-
http://www.facebook.com/corinthians


A foto que o jogador do Corinthians, Emerson Sheik, postou em seu Instagram foi motivo de revolta para torcedores. Alguns deles, inclusive, compareceram no CT do Timão protestar contra a atitude do atleta e exigir que ele se "retrate" pelo seu gesto.

O atleta declarou em programa na Rede Bandeirantes que "o mundo do futebol é muito machista" e classificou a atitude dos torcedores como "preconceito babaca".

O jogador, em momento algum, declarou que é homossexual e seu gesto, segundo alguns veículos da imprensa, seria um protesto contra a homofobia.

Agora, eu pergunto: por causa de um beijo que o jogador deu em seu amigo, os torcedores vão deixar de idolatrar o atleta, que foi o autor do gol do título da Libertadores 2012? O gesto de Sheik é tão grave a ponto de invalidar tudo o que ele fez pelo clube?

Um jogador de futebol pode ser uma pessoa pública mas, acima de tudo, ele também é um ser humano e, como tal, tem sua própria vida pessoal. Sheik tem todo o direito de fazer o que bem entende em sua vida particular desde que não fira a constituição do país onde vive. E dar um beijo em uma pessoa do mesmo sexo não configura crime em momento algum pelas leis brasileiras.

Foi lamentável a atitude dos torcedores que foram ao CT do Parque São Jorge protestar ontem pela manhã. Atitude preconceituosa e ingrata. Ou será que os torcedores em questão se esqueceram que devem um título da Libertadores ao atleta? Li a notícia sobre o beijo do atleta em alguns sites e fiquei impressionado com os comentários dos internautas: NINGUÉM apoiou o gesto do jogador. Vi apenas deboche e insultos nos comentários.

Homofobia é uma forma de preconceito e dezenas de homossexuais perdem suas vidas todos os anos ao serem agredidos por radicais intolerantes. Acho que não precisamos de mais violência no Brasil, precisamos?

Se os torcedores em questão acreditam que "o Corinthians não é lugar de homem beijar homem", estejam à vontade. Sheik, apesar da idade, ainda tem muito mercado aqui no Brasil e no Oriente Médio (onde ele é ídolo) e, portanto, ele não ficaria nem uma semana desempregado. Se ele for embora devido às ameaças, azar do Timão, que perderia um atleta considerado importante por causa do que o próprio jogador considerou um "preconceito babaca".

Não deixem de conferir o excelente post que o jornalista e professor da PUC, Leonardo Sakamoto, publicou em seu blog comentando o caso de Emerson Sheik.