sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Modrić, o Incansável

Imagem extraída de www.facebook.com/ModricLuka10



Eu tenho sido muito crítico com jogadores cuja idade seja muito maior que 30 anos, afinal o futebol está cada vez mais exigente sob o ponto de vista físico e é essencial que os futebolistas estejam em forma para suportar tamanha intensidade. Tanto que mesmo atletas jovens como André Schürrle e Sami Khedira se aposentaram precocemente por não suportarem mais as exigências do esporte.

Luka Modrić, que completa 37 anos hoje, vai na contramão de tal tendência e ainda consegue jogar em bom nível técnico apesar da idade. A força física e a velocidade não são mais os mesmos de dez anos atrás quando chegou ao Real Madrid. O croata, no entanto, segue como um dos pilares do meio-de-campo merengue junto com Toni Kroos e a dupla de veteranos ainda faz toda a diferença.

Seu treinador, Carlo Ancelotti, exalta as qualidades do croata. Questionado sobre a idade de Modrić, o italiano comparou seu atleta a Paolo Maldini, que defendeu o Milan até os 41 anos. O técnico sempre lutou pela permanência de seu camisa 10 no Real Madrid e ainda avisa que o meio-campista se aposentará pelos Blancos, desejo que o articulador também já afirmou em entrevistas.

Modrić também segue como fundamental na seleção de seu país apesar da idade. O jogador não consegue mais se impor fisicamente mas basta oferecer o mínimo espaço para que seus passes precisos encontram os atacantes. Sua experiência em campo também oferece a liderança necessária durante este período de renovação até que os mais jovens estejam prontos para levar a Seleção Croata adiante.



Imagem extraída de www.facebook.com/ModricLuka10



Os resultados falam pelo croata. Mesmo após ter completado 30 anos em 2015, Modrić continuou empilhando conquistas individuais e coletivas. Desde aquela época, o meia já faturou mais quatro Champions Leagues, levou a sua seleção ao vice-campeonato mundial em 2018 e ainda acabou com o oligopólio Messi-Ronaldo ao conquistar a Bola de Ouro no mesmo ano.

É fato que a idade compromete o desempenho físico e que não falta muito tempo até que Modrić pendure as chuteiras. Mas é admirável ver o quanto o jogador se supera em campo apesar dos mais de 30 anos e o quanto ele ainda consegue fazer a diferença nos gramados com seu talento.

Impressiona também a longevidade do meia no Real Madrid, visto que o clube merengue costuma despachar seus ídolos mais veteranos sem piedade mesmo quando eles ainda têm potencial para continuar jogando em bom nível técnico. Raúl e Casillas, por exemplo, foram apresentados à porta de saída apesar de ainda terem lenha para queimar.

Modrić, portanto, chega aos 37 anos em forma e em condições de jogar em bom nível por mais algum tempo, com a bênção de seus treinadores e de seus dirigentes. E nós, fãs do futebol, ainda teremos mais alguns anos para apreciar o talento do meio-campista que já é o maior jogador da história de seu país -a meu ver, ele já superou Davor Šuker.

Feliz aniversário, Luka Modrić!



Imagem extraída de www.facebook.com/RealMadrid




quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Leveza

Imagem extraída de www.facebook.com/ChampionsLeague



Hoje eu deveria, teoricamente, entregar uma análise tática a respeito do jogo entre Barcelona e Viktoria Plzeň, a única partida da Champions League que eu tive acesso através dos canais que eu assino. A equipe do Leste Europeu se esforçou e até deu algum trabalho aos catalães mas o resultado de 5x1 ficou barato tamanha a superioridade dos mandantes.

Os checos acabaram sendo muito mais um sparring ao Barcelona do que um adversário. Mesmo com jogadores grandes e se valendo da imposição física, o Viktoria Plzeň foi facilmente dominado pelos mandantes.

O jogo, porém, ofereceu uma ótima amostra do trabalho de Xavi, treinador que começou há pouco tempo mas já demonstra talentos com a prancheta. O Barcelona, aliás, ainda se apega em demasia a seu passado glorioso na escolha de seus técnicos. Foi assim com Guardiola, Luis Enrique e Ronald Koeman. A opção pelo ex-meia não foi por acaso.

Ainda se observa a formação em 4-3-3, o toque de bola e o futebol leve que caracterizaram o trabalho de Guardiola, que foi o mentor de Xavi. A execução, porém, é bem diferente e com influências do esporte atual incluindo marcação alta, adoção do "perde-pressiona" e muita movimentação em campo. Diferente da equipe de seu mentor, os atletas correm bastante e não apenas a bola.

A força, porém, ainda parece ser um dos pontos fracos do time. Às exceções de Lewandowski, Kessié e Christensen; o Barcelona possuía poucas opções para dividir bolas ou se impor fisicamente. A equipe, com isso, sofre quando precisa jogar sem a bola. São efeitos colaterais de um time que aposta na leveza a exemplo do que já acontecia com o time de Guardiola.



Comparação entre os times de Xavi (esquerda) e Guardiola (direita): formações
semelhantes mas execução diferente nas jogadas (imagem obtida via this11.com) 



O grande desafio de Xavi agora será levar sua equipe leve aos troféus diante de adversários que se valem da força física e da velocidade. O confronto contra os grandões do Viktoria Plzeň foi um bom preparativo mas o treinador catalão terá um duro teste já na próxima terça-feira diante do Bayern München, equipe que consegue aliar jogadores grandes com talento.

Não é uma missão impossível visto que a Itália de Roberto Mancini venceu a última Eurocopa nos oferecendo um futebol leve e ofensivo mesmo diante de adversários grandões. Ou o Ajax de Erik ten Hag que, com um estilo muito parecido com o de Xavi, chegou à semifinal da Champions League durante a temporada 2018-19.

O próprio Guardiola havia encontrado uma resposta em seus tempos de Barcelona ao superar rivais defensivistas fazendo a bola correr ao invés dos jogadores. Caberá a Xavi fazer o mesmo e encontrar um meio de provar que a força física não é o único diferencial no futebol.



Imagem extraída de www.facebook.com/fcbarcelona




quarta-feira, 7 de setembro de 2022

As Tristes Escolhas de Allegri


Imagem extraída de www.facebook.com/Juventus



O Paris Saint-Germain estreou na Champions League com vitória mas teve uma grande ajuda do treinador rival, Massimiliano Allegri (foto acima), que tomou decisões no mínimo duvidosas para a partida de ontem. É verdade que a Juventus estava desfalcada de muitos jogadores mas o treinador italiano poderia ter escalado melhor sua equipe, bem como ter feito substituições mais sensatas.

O PSG foi a campo em 3-4-3 variando para 5-4-1 ou 5-3-2, dependendo do posicionamento dos laterais e dos dois atacantes mais abertos (Messi e Neymar). Os franceses foram para o ataque com marcação alta, muitas trocas de passe e muita movimentação. Os parisienses tiveram, ainda, a "ajuda" de Danilo e Kostić, como veremos adiante.

A Juventus utilizou um esquema semelhante, em 3-5-2 variando para 5-3-2. Allegri optou por improvisar o lateral direito  Danilo no lado esquerdo da zaga -escolha no mínimo duvidosa visto que o brasileiro sempre foi um jogador mais ofensivo desde os tempos de Santos. A ideia inicial seria contra-atacar com bolas longas acionando o grandão Milik.

A improvisação de Allegri foi amplamente explorada pelo PSG. Messi, Verrati e, principalmente, Hakimi criaram muitas jogadas em cima de Danilo. E tiveram a "colaboração" de Kostić que voltava pouco para marcar. Um dos gols franceses saiu justamente por aquele lado.

O PSG contava, ainda, com os talentos individuais de Neymar e, principalmente, Mbappé que bagunçaram a defesa italiana com muita movimentação. O atacante francês tinha pouco trabalho para chegar à meta de Perin e anotou dois gols no primeiro tempo. A Juventus praticamente não jogou na primeira etapa e seus jogadores ainda apelaram para as faltas.



PSG, em 3-4-3, adianta suas linhas e encurrala Juventus. Enquanto
Neymar e Mbappé bagunçam a defesa adversária no lado esquerdo,
Hakimi aproveita os espaços cedidos por Danilo para criar jogadas
pela direita (imagem obtida via this11.com)



Allegri consegue equilibrar o jogo no 2º tempo ao trocar o amarelado Miretti por McKennie. A Juventus passou a jogar em 4-4-2 com Cuadrado compondo a zaga e com mais liberdade para Kostić atacar. A Zebra diminuiu em cobrança de escanteio arrematada pelo norte-americano.

A Juventus passou a pressionar o PSG com Milik usando seu tamanho para abrir os espaços e com Kostić e, principalmente, McKennie se infiltrando pelas brechas. O PSG manteve a estratégia de contra-atacar com Hakimi em cima de Danilo.

Allegri, porém, errou de novo ao trocar Milik por Locatelli justamente no momento em que a Juventus estava pressionando -o polonês, que estava bem, saiu de campo visivelmente contrariado. Com isso, a Vecchia Signora renunciou ao ataque e ficou na esperança de algum contragolpe que não veio. O PSG, percebendo o recuo adversário, voltou a pressionar e só não ampliou o placar porque seus atacantes abusaram da individualidade.

O treinador italiano até tentou corrigir seus erros nos 15 minutos finais mas já era tarde para tentar alguma reação.



Juventus equilibra a partida em 4-4-2 principalmente com
McKennie pela direita e com Milik abrindo espaços para os
companheiros se infiltrarem. PSG se defende em 5-4-1 ou 5-3-2
com Neymar e Messi voltando para compor o meio-de-campo.
Hakimi é a principal válvula de escape forçando jogadas sobre
Danilo (imagem obtida via this11.com).



PSG vence com autoridade e demonstra que, por ora, as vaidades do elenco estão controladas visto que os seus jogadores foram solidários em campo. Faltou, porém, "matar o jogo" quando os parisienses tiveram chances -quando o placar estava 2X0, os atacantes abusaram um pouco da individualidade.

Juventus deixa o Parc des Princes derrotada muito por conta de Massimiliano Allegri. É fato que o treinador sofreu com os desfalques no elenco mas o italiano errou ao improvisar o ofensivo Danilo na zaga e ao recuar sua equipe no momento em que a Vecchia Signora estava melhor no jogo.

É muito importante defender no futebol e Allegri sempre foi um treinador retranqueiro. Mas recuar com o time atrás no placar é uma decisão totalmente insensata. Faltou ousadia e, principalmente, bom senso ao técnico italiano em uma partida onde era possível, ao menos, buscar o empate.



Imagem extraída de www.facebook.com/PSG




terça-feira, 6 de setembro de 2022

O (Ex-)Clube do Luxo

Imagem extraída de www.facebook.com/PSG



A cultura francesa sempre foi associada à exuberância e à elegância. Enquanto Portugal, Espanha e Itália saíram na frente durante as Grandes Navegações; a França encontrou um nicho que se tornaria uma marca registrada do país: comercializar artigos de luxo. Assim, o país europeu passou a lucrar durante o período graças a seus vinhos, joias, perfumes, roupas de grife, culinária e até aulas de etiqueta.

O proprietário do Paris Saint-Germain, Nasser Al Khelaifi, mencionou o luxo francês em um texto publicado no jornal Lance entre 2012 e 2013. O empresário relacionava Paris à elegância e almejava criar um time à altura da Cidade Luz. E isto viria na forma de um elenco impecável, com vários jogadores midiáticos (e caros) em todas as posições de seu onze inicial.

O empresário catariano é obcecado em conquistar a Champions League desde a aquisição do clube em 2012. E o acionista não mediu esforços na busca pelos melhores e mais caros jogadores do planeta para atingir tal objetivo. A maior demonstração de sua ambição -e também de seu poderio financeiro- se deu em 2017 quando o Paris Saint-Germain tirou Neymar do Barcelona.

Khelaifi, porém, deveria ter se questionado por que o Real Madrid enfrentou uma forte crise durante a segunda metade da década de 2000 e, também, por que o Chelsea têm feito contratações bem mais modestas em relação aos anos anteriores. A resposta: elencos com muitas estrelas têm muitos egos e, muitas vezes, os confrontos motivados pela vaidade são inevitáveis.



Imagem extraída de www.facebook.com/PSG



O primeiro indício se deu quando Neymar e Cavani se desentenderam quem seria o "cobrador oficial de pênaltis" do time em 2017. E o assunto veio à tona novamente durante a atual temporada, mas desta vez envolvendo Mbappé e o brasileiro. O atacante francês alegou durante entrevista que o assunto "já estava resolvido" embora muitos comunicadores insistam que ainda haja rusgas entre as duas estrelas.

O Paris Saint-Germain está mudando a sua mentalidade de trabalho. Várias estrelas como Draxler e Di María vêm dando lugar à jovens promessas como Vitinha e Ekitike, a exemplo do que vem ocorrendo no Chelsea. O mesmo acontece no comando: nada de treinadores estrelados como Zidane ou Pochettino. Ao invés deles, assume o disciplinador Christophe Galtier com a missão de controlar os egos dos jogadores.

O clube francês vem amadurecendo seu projeto após anos de tentativas e fracassos. Elencos muito luxuosos impressionam à primeira vista mas nem sempre entregam resultados. Ademais, vivemos a era do futebol coletivo onde um grupo coeso e unido faz muito mais a diferença do que talentos individuais.

Confesso que a única mudança que não concordei foi a escolha de Galtier no comando, que possui pouca experiência na Champions League mas que se notabilizou por levar elencos modestos ao top 3 da Ligue 1. Vale, porém, a aposta na filosofia do treinador que já teve sua prova de fogo neste começo de temporada ao controlar os egos de Mbappé e Neymar.

Não sabemos se as mudanças propostas pelo Paris Saint-Germain darão frutos mas os seus proprietários entenderam que o luxo nem sempre entrega resultados. A França pode ter encontrado seu nicho o comercializar exuberância durante as Grandes Navegações mas o clube parisiense não teve o mesmo êxito.



Imagem extraída de www.facebook.com/PSG




segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Dois Gigantes Adormecidos

Imagem extraída de www.facebook.com/manchesterunited



Resolvi assistir ao jogo Manchester United X Arsenal na tarde de ontem com o objetivo de escrever uma análise tática e também para avaliar como estavam os dois gigantes adormecidos, afinal esses times eram os melhores na Inglaterra durante a década de 2000 mas há anos os dois não fazem jus à grandeza que possuem.

Ambas as equipes foram a campo com propostas semelhantes com times mais leves e apostando no toque de bola. Um tanto previsível visto que Erik ten Hag (treinador do Manchester) é um legítimo representante do Totaalvoetbal enquanto Mikel Arteta (do Arsenal) é discípulo de Josep Guardiola, que também bebeu da mesma fonte.

O Manchester tomou as rédeas da partida adiantando suas linhas, trocando passes e encurralando o Arsenal. Antony foi o jogador mais acionado visto que Gabriel Martinelli e, principalmente, Zinchenko ofereciam muito espaço do lado esquerdo da defesa. Os Gunners respondiam pelas pontas ou com bolas longas buscando Gabriel Jesus.

Os visitantes, aos poucos, foram crescendo na partida e até vazaram De Gea, mas Ødegaard havia cometido falta em McTominay no início do lance e o gol foi anulado. Enquanto o Arsenal começava a adiantar suas linhas, Antony aproveitou aquele espaço deixado por Zinchenko para abrir o placar.



Os dois times em 4-2-3-1/4-3-3. Manchester adianta suas linhas e
tenta se infiltrar principalmente pela direita com Antony, aproveitando
as brechas deixadas por Zinchenko. Arsenal tenta responder pelas pontas
com Saka e Martinelli, ou com bolas longas para Jesus. Quando os
Gunners começavam a "gostar do jogo", o camisa 21 do United abriu
o placar justamente nas costas do ucraniano (imagem obtida via this11.com).



O Arsenal tentou responder na mesma moeda durante o 2º tempo, adiantando sua marcação e trocando passes próximo à área de De Gea. O Manchester United, com linhas muito distantes, deu muito espaço aos rivais e permitiu que Saka empatasse.

Os Gunners, porém. deixaram muitos espaços às costas da zaga e Rashford pôde jogar lá à vontade. O camisa 10 do United, em dois lançamentos longos, fez os dois gols que decretaram o resultado final. E o placar poderia até ser mais elástico se os donos da casa não perdessem tantas chances ou fossem flagrados em impedimento.

O Arsenal também criou mais algumas chances cristalinas aproveitando que as linhas rivais estavam espaçadas mas também pecou nas finalizações.



As linhas espaçadas do Manchester permitiram que o Arsenal trocasse
passes à vontade e que Saka empatasse para os visitantes. Os Gunners,
porém deixaram a zaga muito adiantada e Rashford aproveitou para
dar números finais à partida (imagem obtida via this11.com).



A partida foi muito agradável de se assistir sob o ponto de vista artístico, visto que ambos os treinadores são de escolas ofensivas e que gostam de ficar com a bola. Para quem gosta de futebol bem jogado, foi um deleite.

O jogo, por outro lado, mostrou por que Manchester e Arsenal há anos não fazem jus à grandeza que possuem. Ambos os times oscilaram muito em campo, cometendo muitos erros no ataque e, principalmente, na defesa. É preciso "matar a partida" quando há oportunidade e tomar cuidado para não ceder espaços aos contra-golpes rivais.

Ainda estamos no começo da temporada e há muito tempo para que Ten Hag e Arteta corrijam os problemas de suas respectivas equipes. Os elencos são jovens, estão renovados e há potencial para ambos evoluírem.

Resta saber se as duas equipes aprenderão com os erros de hoje no decorrer da temporada. Ou ambas permanecerão atrás de Chelsea, City e Liverpool na luta pelos troféus.



Imagem extraída de www.facebook.com/manchesterunited




domingo, 4 de setembro de 2022

Rolê no Pacaembu

Isto foi o máximo que consegui me aproximar de um estádio de futebol, mas até que
deu pra ver bastante coisa (imagem extraída de www.facebook.com/pacaembu.oficial)



Eu acompanho futebol com regularidade desde 2004 mas eu jamais assisti a um jogo no estádio. Imprensa e torcedores sempre alegam que acompanhar uma partida das arquibancadas é uma sensação diferente de ver através da televisão, mas jamais tive a curiosidade de experimentar, provavelmente por medo da violência.

O mais próximo que eu cheguei de um estádio de futebol foi durante o de 2005. Era uma segunda-feira e a minha aula de parasitologia no Instituto de Ciências Biomédicas terminou bem cedo -acho que eram 9:30 da manhã. Foi quando um grupo de amigos corinthianos resolveu ir até o Pacaembu -o Timão mandava seus jogos por lá durante aquela época- comprar os ingressos para a partida da quarta-feira seguinte (acho que era válida para a Copa do Brasil). E eles me convidaram para ir junto.

O Corinthians era o time da moda em 2005. O Timão havia acertado uma parceria com a empresa MSI e diversos jogadores de renome chegaram ao Parque São Jorge através do investidor. Carlos Alberto, Gustavo Nery, Roger Flores, Sebá, Mascherano, Nilmar e Tévez foram alguns dos atletas contratados durante a ocasião. E todos aqueles astros ajudavam a direcionar os holofotes para a equipe da capital paulista.

Não tenho certeza mas acho que fomos em cinco pessoas em um único carro, o Chevrolet Celta do meu amigo. O meu colega, aliás, já fez verdadeiros milagres com aquele veículo ao acomodar tantas pessoas lá dentro! O caminho até o estádio foi bastante tranquilo apesar de ser uma segunda-feira de manhã.



Eu tive uma visão bem parecida com esta da porta do estádio
(imagem extraída de www.facebook.com/pacaembu.oficial)



Paramos na Praça Charles Miller em frente ao estádio. As imagens da televisão e do jornal sempre mostravam uma região bastante movimentada, tomada por ambulantes e torcedores durante os dias de jogo. Mas o local estava praticamente vazio naquela segunda-feira -acho que só vi uma barraquinha de pastel montada no local.

Meus amigos foram até o guichê comprar os ingressos enquanto eu aproveitei para dar uma volta no lugar. Passei na frente da entrada do estádio e fiquei maravilhado com o que vi. Realmente era outra sensação ver um campo de perto. Tudo parecia bem maior quando visto de perto.

Uma pena que eu não possuía câmera ou smartphone na época. Eu provavelmente teria tirado várias fotos do estádio durante aquele dia e postado tudo nas redes sociais. E o ambiente estava propício, afinal estava tudo tranquilo e eu poderia usar meus aparelhos sem muito medo de ser abordado por algum meliante.

Foi tudo muito rápido visto que não havia filas no guichê. Meus amigos compraram os ingressos rapidamente e fomos almoçar antes de voltarmos para a USP para as aulas da tarde. Lembro que passamos no Black Dog no Itaim Bibi, uma lanchonete famosa pelos seus cachorros-quentes e que era a salvação dos baladeiros visto que o estabelecimento funcionava 24h por dia.

A minha "aventura" ao estádio certamente foi bem menos excitante do que durante uma partida de futebol mas devo admitir que foi uma experiência incrível. O pouco que eu pude ver de um campo foi suficiente para me deixar maravilhado. Os jornalistas e torcedores tinham razão: assistir a uma partida das arquibancadas é outra experiência.



A Praça Charles Miller estava assim quando fui ao estádio: bem
tranquila (imagem extraída de www.facebook.com/pacaembu.oficial)!




sábado, 3 de setembro de 2022

Voltas em Círculos

Imagem extraída de www.facebook.com/Gremio



Renato Gaúcho está de volta ao Grêmio pouco mais de um ano após ter sido demitido pelo mesmo clube. Será a quarta passagem do ex-atacante ao Tricolor Gaúcho e com a missão de levar a equipe de volta à Série A. O treinador substitui novamente Roger Machado que amargava uma sequência de quatro jogos sem vitória, assim como havia sido em 2016.

O roteiro da demissão de Roger e do regresso de Renato é o mesmo de muitos de nossos clubes brasileiros: contrata-se algum treinador jovem e de ideias arrojadas no começo da temporada com o objetivo de reformular o time e a filosofia de jogo. Com o tempo, a equipe torna-se manjada pelos adversários, os resultados mínguam, o dirigente é pressionado pelos conselheiros e/ou torcedores, o técnico é demitido, e a instituição recorre a algum medalhão ou a algum velho conhecido para "apagar o incêndio".

Foi assim com Rafael Dudamel e Turco Mohamed no Atlético Mineiro, Fernando Diniz no Athletico Paranaense, Miguel Ángel Ramirez e Cacique Medina no Internacional, Hernán Crespo no São Paulo e tantos outros. O próprio Roger Machado havia passado por situação semelhante no Fluminense em 2021.



Imagem extraída de www.facebook.com/Gremio



A realidade é de que nossos dirigentes já não têm muita paciência, e isto é ainda mais evidente quando se trata de treinadores jovens. A nossa cultura esportiva valoriza demais os resultados a curto prazo quando deveríamos realizar planejamentos mais duradouros. Os novatos geralmente oscilam demais justamente porque não têm experiência e nem "casca" para enfrentar o elenco durante as adversidades.

Os dirigentes, então, recorrem aos medalhões para acabar com a crise visto que tais treinadores possuem justamente o que os novatos não têm: experiência e estofo. Com o tempo, porém, os experientes se apegam em demasia aos seus elencos e também fica evidente que seus métodos estão "ultrapassados" quando confrontados justamente pelos mais colegas jovens. Ao término da temporada, os cartolas acabam recorrendo a algum outro iniciante e o ciclo se reinicia.

Os clubes, com isso, acabam dando voltas em círculo e nunca saem do mesmo lugar. Eventualmente, encontram algum treinador capaz de levar aos troféus entre uma troca ou outra, mas muito mais por sorte do que por planejamento ou por convicção ao trabalho do técnico.

Tal atitude dos clubes, mais do que ruim, prejudica o desenvolvimento do nosso futebol como um todo porque dificulta o surgimento de novos treinadores e, por consequência, de novas ideias no esporte. Com isso, permanecemos presos às ideias dos anos 90 e 2000 e, posteriormente, sempre questionamos "por que o Brasil está cada vez mais ultrapassado em relação à Europa nos gramados".

O resultado no futebol é muito importante, visto que derrotas significam prejuízos financeiros e quedas nos campeonatos. Mas enquanto os dirigentes não abandonarem a cultura de troca de treinadores a cada crise, continuaremos dando voltas em círculos. E o nosso esporte pagará o preço nos gramados.



Imagem extraída de www.facebook.com/Gremio