segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Passagem de Bastão

Imagem extraída de www.facebook.com/Arsenal



Assisti ao embate entre Arsenal e Liverpool, realizado ontem no Emirates Stadium e válido pela 10ª rodada da Premier League. O jogo confrontou a "ascensão" dos Gunners contra o "fim de ciclo" dos Reds, argumentos que muitos dos comentaristas vêm utilizando durante as últimas semanas para justificar o momento dos dois times.

O Arsenal, que pôde descansar seus titulares durante a semana na Europa League, entrou com a equipe praticamente completa -apenas o lateral Zinchenko se ausentou- em 4-3-3/4-1-4-1. Os londrinos tentariam tirar proveito da ofensividade do Liverpool e jogar nos contra-ataques.

O Liverpool entrou em campo bastante desfalcado -Robbo, Keïta e Arthur não puderam jogar. Klopp optou por um 4-2-3-1/4-4-2 com Diogo Jota ora atuando como meia, ora como segundo atacante. Os Reds utilizaram o estilo que os consagraram com muita velocidade, imposição física e o "perde-pressiona".

Os visitantes propuseram o jogo adiantando as linhas e buscando principalmente o lado esquerdo do ataque com Luis Díaz. Salah, que era muito vigiado por Tomiyasu, praticamente não jogou durante todo o primeiro tempo. Darwin Núñez foi o "falso nove" com muita movimentação próxima à área de Ramsdale e tentando abrir espaço para os companheiros.

Os mandantes respondiam trocando passes e buscando também o lado esquerdo do ataque com Gabriel Martinelli. O brasileiro, com muita velocidade e dribles, abriu o placar logo no começo do jogo e continuou incomodando o Liverpool por aquele setor.

O Liverpool, aproveitando que a zaga rival estava mais preocupada com Salah, passou a movimentar Díaz e Jota pelo lado direito, conseguindo assim bagunçar a defesa rival e buscar o empate com Núñez. A alegria, porém, durou pouco e o colombiano pediu substituição logo em seguida -Firmino entrou em seu lugar.

O Arsenal conseguiu desempatar novamente ao final da primeira etapa com mais uma jogada de Martinelli pelo lado esquerdo do ataque e que terminou com gol de Saka pela direita.



Liverpool, em 4-2-3-1/4-4-2, tenta atacar principalmente pela
esquerda com Díaz. Posteriormente, Núñez e Jota, se movimentando
e trocando posições com o colombiano, conseguem vazar Ramsdale.
Arsenal, em 4-1-4-1/4-3-3, contra-ataca trocando passes e buscando
Martinelli também pela esquerda (imagem obtida via this11.com). 



O Arsenal, mesmo com a vantagem, continuou buscando por mais gols. Jürgen Klopp reforçou o lado direito da defesa trocando Alexander-Arnold, Matip e Salah por Gomez, Konaté e Fabinho; respectivamente. O objetivo era tirar o espaço de Martinelli, que estava incomodando bastante por lá. Firmino, em contra-ataque, conseguiu empatar novamente para os visitantes.

Os Gunners, porém, não esmoreceram e seguiram pressionando até que o árbitro viu pênalti de Thiago Alcântara em Gabriel Jesus (eu discordei do lance). Saka bateu e desempatou novamente para os mandantes. Martinelli, agora apoiado por Xhaka pela esquerda, continuou causando problemas ao Liverpool.

Arsenal valoriza a posse da bola e tenta gastar o tempo enquanto o Liverpool, acuado, tenta se impor fisicamente mas acaba cometendo muitas faltas durante o processo.

O Liverpool tentou uma pressão final com Eliott no lugar de Jota. O Arsenal, porém, consegue segurar o ímpeto rival colocando Tierney e Vieira nos lugares de Ødegaard e Saka. Os mandantes recuam as linhas e passam a se livrar da bola durante os minutos finais.



Klopp reforça o lado direito da defesa com Fabinho, Gomez e
Konaté. O Liverpool consegue empatar em contra-ataque de
Firmino, mas o Arsenal aumenta a pressão e consegue um pênalti
(duvidoso) convertido por Saka (imagem obtida via this11.com).



Arsenal vence jogando um futebol bonito além de mostrar a eficiência de uma zaga leve, que consegue se impor na base da técnica ao invés da força ou da brutalidade. Cabe, porém, mencionar que discordei do pênalti de Thiago em cima de Jesus.

Liverpool mostra que o ciclo desta fantástica geração já está realmente chegando ao final. Os trintões, mesmo sendo mais fortes que os rivais do Arsenal, já não conseguiram se impor tão bem como durante anos anteriores e cometeram muitas faltas nas divididas.

O jogo, simbolicamente, foi uma "passagem de bastão" do Liverpool ao Arsenal. O estilo mais físico e acelerado de Klopp já não consegue mais fazer a diferença demonstrada durante os anos anteriores, o que é agravado pelos desfalques e pelo envelhecimento do elenco. Ao mesmo tempo, os Gunners começam a pedir passagem com um estilo mais leve. Não é possível prever se conseguirão algum troféu mas os londrinos já mostram que o caminho pode ser a volta de um jogo menos brutal e mais técnico.



Imagem extraída de www.facebook.com/Arsenal




domingo, 9 de outubro de 2022

Jogo Imaginário

Eu tive uma experiência bizarra relacionada ao futebol no interior desse edifício
(imagem extraída de www.facebook.com/profile.php?id=100054231981440)!



Dezembro de 2002. Fui ao bairro do Tatuapé, Zona Leste da cidade de São Paulo, para prestar o vestibular da UNESP. Também era o dia da final do Campeonato Brasileiro (a competição era decidida em turno único e mata-mata na época) a ser realizada entre Corinthians e Santos.

Eu nem me importava muito com futebol na época mas confesso que sentia uma pequena vontade de assistir à partida entre o favorito Corinthians -que contava com alguns remanescentes do time que venceu o Mundial de 2000- e o surpreendente Santos -que se classificou na "bacia das almas" graças aos então garotos Robinho e Diego Ribas. Minha prioridade, porém, era uma vaga em uma universidade pública.

A Zona Leste, acreditava eu, deveria ser o reduto dos corinthianos. Conclui que se houvesse fogos nas redondezas, provavelmente seriam torcedores do Timão comemorando algum gol sobre o Peixe. Eu poderia, portanto, "estimar" o placar do jogo com base na agitação nas ruas.

Cheguei bem cedo ao local da prova -o prédio da Universidade Cidade de São Paulo na Rua Cesário Galeno- e encontrei diversos colegas de cursinho. Alguns deles, inclusive, eram concorrentes pela mesma carreira do que eu mas levava a rivalidade na esportiva. Conversei um pouco com eles e desejei boa sorte a todos na esperança de que fôssemos colegas de faculdade no ano seguinte. E entrei no edifício para fazer a prova.



Enquanto eu fazia a prova, acontecia uma verdadeira batalha do
lado de fora (imagem extraída de www.facebook.com/santosfc).



Começa a prova e a toda a sala entra em um silêncio fúnebre. Se não me engano, não era permitido o uso de relógio durante o exame e perdi toda a noção do tempo. Eu, aliás, nem me lembrava que o jogo começaria às 16h.

O primeiro rojão não tardou a ser disparado. "Deve ser gol do Corinthians", pensei enquanto passava as minhas respostas para o cartão de leitura. Logo, um verdadeiro foguetório teve início. Eu acreditava que o Timão estava confirmando o seu favoritismo e goleando o Peixe.

Saí da prova quase às 18h -eu sempre aproveitava o tempo disponível o máximo possível. Encontrei a minha mãe e perguntei pelo resultado do jogo enquanto rumava à estação de metrô. Para o meu espanto, o surpreendente Santos havia batido o favorito Corinthians pelo placar de 3x2. Então, o que era todo aquele foguetório na Zona Leste que, teoricamente, seria reduto dos corinthianos?

As consequências da partida podiam ser notadas no metrô. Encontrei diversos corinthianos desolados e com cara de poucos amigos. Eu estava ansioso para saber detalhes da partida mas fiquei em silêncio para não arrumar uma briga dentro do coletivo. Tive que chegar em casa e esperar pelo noticiário esportivo para ver o que havia acontecido.

Ficaram várias lembranças divertidas daquele vestibular da UNESP. Até hoje agradeço aos professores do meu cursinho, o Anglo Osasco, pelas aulas e também por nos manter relaxados mesmo diante de um momento de tamanha tensão. Tanto que eu conversava animadamente com os colegas (e concorrentes) antes das provas sem pensar muito no desafio que viria.

Ficou também a lembrança daquela partida bizarra que não vi uma imagem sequer e tentei "estimar" seu resultado com base nos rojões lançados. Nunca pensei que haveria "anti-corinthianos" em pleno Tatuapé!



Eu poderia imaginar qualquer coisa de dentro do prédio, exceto
esta cena (imagem extraída de www.facebook.com/santosfc)!




sábado, 8 de outubro de 2022

Ainda Há Espaço para o Futebol-Arte?

Imagem extraída de www.facebook.com/EuropaLeague



Há algum tempo deixei de ser um fã fervoroso do chamado futebol-arte. Compreendi, ao longo dos anos, que jogar bonito não é exatamente o mais importante no esporte afinal os times precisam de resultados para sobreviverem e nem todas as equipes possuem atletas apropriados para atuarem como o Barcelona de Guardiola. Mas, ainda assim, não deixo de exaltar os seus praticantes.

Mikel Arteta, o atual treinador do Arsenal, foi jogador de Arsène Wenger e auxiliar técnico de Pep Guardiola, dois técnicos que apreciam um futebol leve, com bola no chão e muitas trocas de passes. O ex-volante, portanto, foi bastante influenciado por dois praticantes do futebol-arte.

O Arsenal há anos não tem feito jus à sua grandeza com muitas campanhas medíocres e critérios duvidosos na montagem do elenco. A equipe londrina não se adaptou às mudanças na Premier League e tem irritado seus torcedores ano após ano salvo por pequenos espasmos.

Os Gunners, porém, começaram muito bem a temporada com boas campanhas na Premier League (lideram a competição com 21 pontos, sete vitórias e uma derrota) e estão com 100% de aproveitamento na Europa League. E tudo isto apresentando um futebol leve e agradável.



Imagem extraída de www.facebook.com/Arsenal



Assisti à vitória dos Gunners sobre o Bodø/Glimt, válida pela 3ª rodada da Europa League -a 2ª partida do Arsenal fora adiada em virtude do falecimento da Rainha do Reino Unido. A equipe norueguesa, apesar de jogar um bom futebol, não era páreo para os londrinos (Arteta até mandou a campo uma equipe mista) e, portanto, optei por não fazer uma análise tática.

Observa-se as influências de Guardiola e de Wenger no jogo do Arsenal: troca de passes, futebol leve e muita posse da bola. A execução, porém, lembra muito mais os atuais times holandeses com dinamismo, intensidade e trocas de posições.

Observa-se, porém, os mesmos problemas vistos em outros times que adotam tal estilo. O Arsenal ficou em apuros quando o Bodø/Glimt passou a adiantar as linhas para pressionar a saída de bola e também a se valer da imposição física. Arteta precisou lançar mão de seus titulares (Saka, Jesus, Ødegaard, ...) durante o segundo tempo para não sofrer o empate.

É difícil propor alternativas no atual cenário do futebol onde o jogo mais físico tem feito a diferença. Times da Alemanha e da própria Inglaterra demonstraram com sucesso a importância da velocidade e da força dos atletas. Táticas como a marcação alta, recomposição e o "perde pressiona" são muito mais efetivas quando se dispõe de futebolistas grandes e fortes.

O Arsenal, porém, mostra que ainda há alguma réstia de esperança para os amantes do futebol-arte neste início de temporada. O futebol leve vem empolgando e os resultados estão surgindo. Resta saber se os Gunners conseguirão se sustentar até o final da temporada -o retrospecto dos londrinos não tem sido bom, como em 2013-14 e 2015-16 quando o cenário foi muito parecido com a sessão atual.



Imagem extraída de www.facebook.com/Arsenal




terça-feira, 4 de outubro de 2022

O Árbitro Decide

Imagem extraída de www.facebook.com/Inter



A Internazionale derrotou o Barcelona por 1x0 com gol de Çalhanoğlu no Giuseppe Meazza em partida válida pela 3ª rodada da fase de grupos da Champions League. A arbitragem, porém, acabou sendo a protagonista do confronto com diversas decisões polêmicas, principalmente contras os visitantes que reclamaram bastante da atuação dos juízes.

A Internazionale, desfalcada de Lukaku e Brozović, foi a campo em 3-5-2/5-3-2 com três meias velozes (Çalhanoğlu, Mkhitaryan e Barella) e dois "falsos noves" (Correa e Lautaro). A estratégia seria utilizar a movimentação para recompor a defesa e também articular contra-golpes visto que o Barcelona provavelmente tentaria propor o jogo.

Os visitantes utilizaram seu velho 4-3-3 com linhas adiantadas e muitas trocas de passe, como é a tradição do Barcelona. Mesmo os laterais e os zagueiros tinham plena liberdade para subir ao ataque e apoiar os homens de frente.

O Barcelona tentou atacar principalmente pelos lados com Dembélé pela direita e Alonso pela esquerda tentando acionar o grandão Lewandowski, mas o polonês era sempre muito bem vigiado pela zaga nerazzurra.

A Inter contra-atacava principalmente com a velocidade de Çalhanoğlu que era onipresente pelo campo e ainda arriscava alguns chutes de fora da área. Outra alternativa eram os passes longos para Correa e Lautaro mas os dois argentinos quase sempre eram flagrados em posição de impedimento.

Os donos da casa, com menos posse de bola, criaram as chances mais claras de gol aproveitando os espaços deixados pelo Barcelona. Tucu Correa quase abriu o placar mas foi flagrado em um impedimento milimétrico detectado pelo VAR. Quase ao término do 1º tempo, Çalhanoğlu acertou um petardo de fora da área e anotou o único gol da partida.



Barcelona, em 4-3-3, utiliza Dembelé e Alonso tentando
acionar Lewandowski pelas pontas, mas o polonês não consegue
superar a zaga nerazzurra. Inter, em 3-5-2/5-3-2, contra-ataca
com a velocidade e raça de Çalhanoğlu. Os mandantes ainda
tentam bolas longas para Correa e Lautaro, mas a dupla quase
sempre é flagrada em impedimento (imagem obtida via this11.com).



O Barcelona não abriu mão de sua estratégia e seguiu pressionando, trocando passes próximo à área de Onana e até arriscando algumas bolas altas para o grandão Lewandowski, mas os mandantes conseguem negar os espaços aos catalães.

A Inter segue segura o jogo e, esporadicamente, tenta alguns contra-golpes principalmente com Lautaro. Os italianos cometem muitas faltas e até fazem cera, o que acaba inervando os visitantes durante vários momentos.

A arbitragem anula um gol de Pedri após mão na bola de Ansu Fati, lance bastante discutido pelos comentaristas mas eu concordei com a decisão do juiz. O Barcelona, porém, reclama de pelo menos dois pênaltis não assinalados: houve um cometido por Dumfries que o VAR anulou (para mim, houve toque de mão) e outro onde Lewandowski foi derrubado.



Barcelona vai para o "tudo ou nada" mas não consegue transpor
a defesa rival, além de sofrer com a arbitragem discutível.
Inter se segura no 5-3-2 e tenta contra-atacar principalmente com
 Lautaro, mas a recomposição catalã tira os espaços do argentino
(imagem obtida via this11.com).



Inter vence graças à raça e velocidade de Çalhanoğlu. O turco lutou muito em campo e mereceu fazer o seu gol. Os mandantes souberam tirar proveito dos espaços às costas da defesa catalã e ainda utilizaram bem o jogo mental, com faltas e cera para tirar a concentração adversária. Correa e Lautaro, porém, precisam melhorar o posicionamento em campo, afinal praticamente não conseguiram jogar por quase sempre estarem em impedimento.

Barcelona perde por variar pouco as jogadas (praticamente só houve troca de passes e cruzamentos na direção de Lewandowski) e também pela arbitragem confusa, verdade seja dita. Apenas Dembélé soube improvisar em campo com seus dribles. Os catalães, com o resultado, se complicam na tabela e agora estão fora da zona de classificação para as oitavas-de-final.

A arbitragem, aliás, contribuiu com o resultado, com muitas decisões confusas e contradição para os critérios de mão na bola. O Barcelona realmente poderia ter jogado melhor mas o juiz e o VAR também poderiam ter feito melhor em campo.



Imagem extraída de www.facebook.com/Inter




segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Moderno X Arcaico

Imagem extraída de www.facebook.com/copasudamericana



O Independiente del Valle é bicampeão da Copa Sulamericana. A equipe do Equador colhe os frutos de um trabalho muito bem planejado e executado. O São Paulo, que havia sacrificado tudo em prol da competição, teve de se contentar com o vice e agora terá de lutar por uma vaga na Libertadores 2023 via Campeonato Brasileiro, onde está a dez pontos atrás do 6º colocado.

O clube equatoriano ganhou notoriedade internacional há pouco tempo mas quem acompanha a instituição através do noticiário esportivo não se surpreendeu com o seu triunfo sobre o São Paulo. O Independiente del Valle é um time relativamente jovem -foi fundado em 1958 como "Club Deportivo Independiente" e foi adquirido por um empresário em 2006 e rebatizado com o nome atual. 

O novo proprietário passou a investir pesadamente no clube, principalmente nas categorias de base. Jogadores de renome na Europa como o meia Moisés Caicedo (do Brighton) e o defensor Piero Hincapié (hoje no Bayer Leverkusen) foram revelados pelos Negriazules. Sem ter como segurar suas joias ante o assédio de times mais endinheirados, os equatorianos reinvestem boa parte do lucro na formação de novos atletas, obtendo assim um modelo financeiro relativamente sustentável.

O Independiente del Valle também possui uma mentalidade de trabalho muito bem definida e seus dirigentes apostam na continuidade de tal filosofia. Tanto que os seus treinadores possuem ampla estabilidade no cargo e a contratação de novos técnicos sempre leva em conta o alinhamento das ideias do comandante com as da instituição.



Imagem extraída de www.facebook.com/independientedelvalle



Tudo o que o Independiente del Valle construiu contrasta com a estrutura arcaica do São Paulo. Outrora considerado um "modelo de gestão", o Tricolor parou na década de 2000 (quando faturou sua última Libertadores e os três Campeonatos Brasileiros) e acabou ultrapassado pelos rivais. Os seus dirigentes e alguns de seus torcedores, porém, ignoram o fato e continuam se apegando ao passado glorioso ao invés de admitirem que o clube necessita de uma modernização.

O São Paulo, mesmo com uma dívida recorde de quase R$ 1 bilhão, ainda possui uma folha salarial muito maior que a do Independiente del Valle, como bem observou um internauta do Twitter. Mesmo assim, o Tricolor foi batido pelo Negriazul. Uma demonstração de que não basta apenas ter dinheiro, é necessário saber como utilizar tais recursos.

O clube do Morumbi, aliás, vem se tornando uma verdadeira máquina de queimar dinheiro. O São Paulo tem contratado treinadores e jogadores quase sem nenhum critério para depois dispensá-los ao menor sinal de crise, o que aumenta ainda mais o endividamento. Não obstante, os dirigentes rapidamente cedem aos protestos da torcida ou à pressão dos conselheiros que dão sustentação aos mandatários, ao invés de agirem com racionalidade.

O Tricolor agora corre o risco de se afundar ainda mais visto que os dirigentes estavam contando com o título da Sulamericana e a consequente classificação para a Libertadores 2023 para aliviar as finanças. Paralelo a isto, o presidente Julio Casares deseja mudar novamente o estatuto do clube para que possa se reeleger (algo que já causou problemas ao clube durante a era Juvenal Juvêncio) enquanto alguns cartolas têm resistido ao projeto de transformar o São Paulo em um clube-empresa.

O Independiente del Valle, portanto, deu uma lição no São Paulo dentro e fora de campo. O clube equatoriano venceu os paulistas na bola e ainda demonstrou que de nada adianta um time possuir tradição se as entranhas estiverem podres.

O São Paulo deveria aprender com o Independiente del Valle em todos os sentidos ao invés de iniciar uma "caça às bruxas" após o vice na Sulamericana. Há plenas condições para isto incluindo infraestrutura, categorias de base e treinadores capazes. Falta, porém, humildade para admitir que o clube está ultrapassado e que o Tricolor precisa adotar novos modelos administrativos. Enquanto isto não for feito, resultados como os de sábado ainda serão frequentes.

 

Imagem extraída de www.facebook.com/copasudamericana



LEIA MAIS:



André Rocha: "Bicampeão Del Valle aponta um bom caminho, inclusive para o São Paulo": t.co/B4uavPQLsg

Painel Tático: "Miguel Ángel Ramírez e a importância de olhar processos antes de pessoas": ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2022/05/31/miguel-angel-ramirez-e-a-importancia-de-olhar-processos-antes-de-pessoas.ghtml

Trivela: "O ótimo trabalho do Independiente del Valle impulsiona não só o clube, mas também a seleção do Equador": trivela.com.br/america-do-sul/sul-americana/o-otimo-trabalho-do-independiente-del-valle-impulsiona-nao-so-o-clube-mas-tambem-a-selecao-do-equador




domingo, 2 de outubro de 2022

Perdido na Faculdade

Aí você chega para a matrícula da sua faculdade, vê
essa multidão e se pergunta: "o que eu faço agora"?



O dia da matrícula na faculdade deveria ser inesquecível para mim afinal passei dois longos anos estudando em um cursinho para ingressar em alguma universidade pública. Era hora de colher os frutos de um trabalho tão árduo, afinal de contas. Porém, houve uma quantidade tão grande de acontecimentos durante aquela data que eu simplesmente me esqueci de 90% das informações que eu recebi.

Cheguei pontualmente às 14h na Faculdade de Ciências Farmacêuticas para me matricular. Lembro que eu era um dos primeiros da fila mas já havia uma grande multidão no local incluindo alunos veteranos, pais de alunos, alguns curiosos e diversos ingressantes que estavam tão perdidos quanto eu.

Fui à secretaria da faculdade onde realizei a matrícula propriamente dita. Feito isto, fui apresentado a diversas entidades relacionadas à instituição. Foram tantas que mal me lembrava de seus nomes, de suas funções e das pessoas responsáveis por elas. Como disse a minha amiga Fernanda, "saí de lá sem saber a diferença entre Centro Acadêmico e Atlética". 

As entidades hoje possuem tendas decoradas e a internet ajuda na explanação das informações, mas durante o dia da minha matrícula, fui apresentado a elas em cabines improvisadas (montadas com mesas estudantis e papelão) que estavam anexas à secretaria. Só me recordo que recebi um monte de panfletos (que eu mal consegui ler) e que deixei meu e-mail para contato umas quatro ou cinco vezes.






Acho que só descobri a diferença entre as entidades durante a primeira semana de aula -que não ministrou conteúdo formal, apenas houve uma recepção aos ingressantes. Eram elas: Centro Acadêmico (representação discente), Atlética (organiza festas e eventos esportivos), Farma Júnior (uma empresa de consultoria organizada pelos próprios alunos) e a Farmácia Acadêmica (ou "Farmacinha", uma drogaria também mantida pelos próprios universitários).

Não faria diferença para mim visto que eu não estava interessado em participar de nenhuma das entidades inicialmente, afinal eu pretendia ir à faculdade apenas para estudar e colar grau o quanto antes. Como escrevi em outros textos anteriores, eu considerava tudo aquilo uma "perda de tempo" e a confusão no dia da matrícula serviu para aumentar meu desinteresse.

Compreendi a importância de tais entidades apenas depois que eu me formei e ingressei na pós-graduação. Conversando com alguns alunos da faculdade, eu percebi que poderia ter feito da minha graduação algo muito mais marcante através daquelas organizações, além de adquirir outras habilidades que poderiam contribuir com o meu desenvolvimento, sejam estas sociais ou profissionais.

Fico feliz em saber que durante os dias atuais é muito mais fácil compreender o que são as entidades que representam a faculdade e também os seus objetivos. Eu tive um primeiro contato totalmente "esquecível" com todas elas visto que eu mal me lembrava de seus nomes e de suas finalidades após a minha matrícula!



Eu entrei nessa porta aí e saí de lá mais perdido que cego em tiroteio!




sábado, 1 de outubro de 2022

O Demolidor de Gigantes

Imagem extraída de www.facebook.com/dinamo



Talvez você nunca tenha ouvido falar de Mislav Oršić, meia croata que atualmente defende o Dinamo Zagreb. Confesso que eu também jamais havia ouvido falar a respeito do atleta até 2021, quando o jogador passou a realizar diversas façanhas em campo.

Oršić tinha tudo para ser mais um desconhecido no futebol. A sua carreira fora tímida na Europa (teve passagens apagadas pela Itália e Eslovênia, além de seu país natal) e o meia só teve alguma notoriedade na Ásia, defendendo clubes na China e Coreia do Sul. Retornou ao Velho Continente em 2018 para defender o Dinamo Zagreb.

O Dinamo Zagreb é o maior clube da Croácia com 63 títulos na Prva HNL, a liga local. Os Plavi praticamente monopolizam o futebol do país com pouquíssimos rivais que façam frente à equipe da capital croata, mas seu desempenho internacional é modestíssimo e uma mera participação na Champions League já é um grande prêmio aos seus torcedores.

A grande virada na carreira de Oršić se deu em 2021 durante as oitavas-de-final de Europa League. O Dinamo Zagreb precisava reverter uma desvantagem de 2x0 contra o Tottenham. O jogador anotou um hat-trick que decretou a classificação dos croatas e a consequente eliminação dos Spurs, que eram francos favoritos a avançar.



Imagem extraída de www.facebook.com/cff.hns



Oršić, ainda em 2021, aprontaria mais uma. Suas performances no Dinamo não passaram desapercebidas pelo treinador Zlatko Dalić, que convocou o meia para a Eurocopa daquele ano. O armador entrou aos 22 minutos do segundo tempo nas oitavas-de-final e arrancou um empate improvável sobre a Espanha (o placar estava 3x1 para a Furia) com um gol e uma assistência para Mario Pašalić. Só não conseguiu evitar a eliminação porque Dani Olmo conseguiu aproveitar os espaços deixados por Gvardiol durante a prorrogação.

O camisa 99 também já aprontou no começo desta temporada. Oršić anotou o único gol na vitória sobre o Chelsea em partida válida pela fase de grupos da Champions League e causou a demissão do treinador Thomas Tuchel dos Blues.

Uma pena que Oršić tenha sido descoberto tardiamente. O meia já está com 29 anos (completa 30 no dia 29 de dezembro) e dificilmente ele conseguirá um clube melhor que o Dinamo Zagreb para realizar façanhas ainda maiores. O jogador, em decorrência disto, raramente é titular em sua seleção, visto que Zlatko Dalić geralmente opta por atletas que atuem em ligas mais competitivas como Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália.

Vale, ainda assim, ficar de olho em Mislav Oršić, tanto no Dinamo Zagreb quanto na Seleção Croata. O jogador já realizou muitas façanhas e possui muito potencial para novas surpresas. O Tottenham, o Chelsea e a Seleção Espanhola são provas cabais de que não se pode subestimar o "desconhecido" meio-campista...



Nem mesmo Oršić parece ter acreditado no gol que ele anotou
 sobre o Chelsea (imagem extraída de www.facebook.com/cff.hns )!