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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Perda Total

Imagem extraída de www.facebook.com/Cristiano



Há um movimento no pôquer chamado de all in onde o jogador aposta todo o seu montante disponível. Trata-se de uma jogada extremamente arriscada visto que o apostador perderá tudo em caso de derrota. Os praticantes realizam tal manobra quando sabem que possuem uma boa combinação em mãos ou simplesmente para tentar intimidar os adversários, o chamado blefe.

Cristiano Ronaldo apostou toda a sua reputação na Copa do Mundo 2022. Dias antes do Mundial, jogador externou todo o seu descontentamento com o Manchester United, clube onde foi ídolo, e acabou desligado da instituição. O atacante pretendia dar a volta por cima no Catar e provar que os Red Devils haviam errado ao deixar o atleta no banco de reservas.

O all in de Ronaldo, contudo, foi um fracasso com a Seleção Portuguesa eliminada nas quartas-de-final diante do Marrocos (com um jogador a mais após a expulsão de Cheddira) e com o atacante amargando a reserva após supostos desentendimentos com o treinador Fernando Santos. Não obstante, o português já não estava mais em sua forma física ideal e nem de longe lembrou o atleta espetacular que faturou cinco Bolas de Ouro.

Ronaldo retornou do Oriente Médio sem prestígio, sem troféu e sem clube. Terá de buscar um novo time para salvar o fim de sua carreira -nenhuma grande equipe europeia fez qualquer proposta e a tendência é de que o português assine com o Al Nassr da Arábia Saudita- e suas declarações polêmicas ainda podem lhe render um processo por parte do Manchester United.



Imagem extraída de www.facebook.com/Cristiano



Ronaldo não deu um tiro no escuro quando decidiu apostar tudo na Copa do Mundo. Ele sabia que as Quinas contavam com um elenco suficiente para brigar pelo troféu. Havia poucas deficiências no grupo (o único desfalque mais sentido foi o atacante Diogo Jota), uma boa mescla de jovens com veteranos e muitos atletas prestigiados nas principais ligas da Europa.

O atacante, porém, não contava com os problemas no vestiário que ocorreram ao longo da competição e, tampouco, com as suas próprias limitações físicas aos 37 anos de idade. Com isso, o jogador perdeu a posição para o jovem Gonçalo Ramos no jogo contra a Suíça. Deveria levar em conta que tudo o que envolve o fator humano está sujeito a falhas.

O jogador, não obstante, foi obrigado a aturar as eternas comparações com Lionel Messi, sempre alardeadas por alguns veículos da imprensa que afirmam haver uma "rivalidade" entre os dois. Com o tricampeonato da Argentina e o consequente título da Pulga, Ronaldo voltou do Catar com mais um desgosto na bagagem.

As atitudes de Ronaldo mostraram que ligar o "f***-se" e jogar tudo para o alto pode ter consequências graves. O atacante apostou tudo na Copa do Mundo e acabou ficando sem nada do que desejava. O all in do jogador terminou em um triste prejuízo.



Imagem extraída de www.facebook.com/Cristiano




domingo, 14 de junho de 2015

Lado a Lado

Imagem extraída de https://www.facebook.com/AFASeleccionArgentina



Era esperado que Argentina e Paraguai fizessem um duelo duro, com a Albiceleste tomando a iniciativa e a Albirroja se defendendo para tirar os espaços dos rivais. Diante das expectativas, um empate até era considerado um resultado possível, mas por 0x0, e não da maneira como ocorreu com os Guaranís reagindo após saírem atrás no placar.

Quem assistiu ao primeiro tempo, viu a Argentina trocando passes e engolindo a frágil marcação paraguaia. O time albirrojo jogou recuado e, mesmo assim, deu espaços para os argentinos atacarem, principalmente pelas laterais. Os ofensivos Marcos Cáceres e Samudio subiam muito para o ataque e davam espaços para Di María e Agüero cruzarem bolas à vontade.

O meio-de-campo argentino, que era pouco criativo na Copa do Mundo, ganhou qualidade com Pastore e Banega. A dupla fazia a ligação da zaga para o ataque e, com isso, Messi precisava voltar menos vezes para buscar a bola. O camisa 10 fez uma exibição muito melhor do que mundial, entrando na área com mais frequência e finalizando mais vezes. Messi, porém, não deixou de ser o "falso nove" e continuou articulando as jogadas, como no lance que culminou no gol de Agüero.

O melhor do mundo também deixou o seu na sequência, ao converter um pênalti. A Argentina já havia feito 2x0 no primeiro tempo e muitos já davam o jogo como "resolvido". Será que estava mesmo?



Argentina no 4-3-3 contra o Paraguai no 4-4-2: Di María e Agüero
não tiveram dificuldades para chegar à linha de fundo aproveitando
as subidas de Samudio e Cáceres. A zaga paraguaia ainda tentou
cercar Messi, mas as presenças de Pastore e Banega
sobrecarregaram a marcação e a Pulga jogou à vontade na
primeira etapa (imagem obtida via this11.com).



O treinador Ramón Díaz, porém, tomou uma atitude ousada: preservando o 4-4-2, substituiu os wingers Bobadilla e Ortiz pelos atacantes González e Benítez. A linha de quatro atacantes foi postada próximo à zaga argentina para pressionar a saída de bola rival. Otamendi e Garay ainda conseguiam aliviar para a Albiceleste, mas Rojo e, principalmente, Roncaglia não conseguiam negar espaços aos rivais. Samudio e Marcos Cáceres subiam ao ataque com frequência e dificultavam ainda mais o trabalho dos laterais argentinos.

Sem ter como recompor as jogadas, a Argentina precisou correr mais para criar chances de gol, mas Samudio e Marcos Cáceres, que eram verdadeiras avenidas no primeiro tempo, voltavam para recompor a defesa.

O treinador Gerardo Martino cometeu um erro ao trocar Agüero por Higuaín, que voltava menos para marcar. Com isso, Samudio teve ainda mais liberdade para subir ao ataque para azar do ofensivo Roncaglia. Tévez entrou no lugar de Pastore e Messi, com isso, voltava para o meio-de-campo. A Argentina criava chances de gol, mas os atletas precisavam correr tanto que chegavam cansados à área de Silva e não tinham forças para finalizar.

A persistência paraguaia foi recompensada com dois gols -um de Haedo Valdez e outro de Lucas Barrios- e os Guaranís chegaram a um improvável empate por 2x2.



Com uma linha de quatro atacantes, o Paraguai dificultou a
recomposição de bola argentina, além de sobrecarregar a
defesa rival. A troca de Agüero por Higuaín complicou as coisas
para Roncaglia, que ficou sozinho enfrentando Samudio e
Benítez (imagem obtida via this11.com).



O resultado acabou ficando de ótimo tamanho para o Paraguai, que comemorou o empate como se fosse uma vitória. Pior para os argentinos, que desperdiçam dois pontos preciosos após saírem na frente no placar e vêem a liderança do grupo ser ameaçada pelo Uruguai. Tornou-se obrigação vencer o rival celeste na próxima terça-feira, sob o risco de pegar um adversário complicado nas quartas-de-final.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/AFASeleccionArgentina



MURICYBOL 2.0?

Paralelo ao jogo do Uruguai, acompanhei o meu São Paulo em partida válida pela 7ª rodada do Brasileirão. O Tricolor foi visitar a Chapecoense e conseguiu sua primeira vitória fora de casa com um golaço do volante Souza. Mas o gol do meio-campista foi o único lance bonito dos paulistas, que se retrancaram após o tento marcado e cometeram um monte de faltas para segurar a Chape. O treinador Juan Carlos Osorio até colocou Pato para fazer dupla com Luís Fabiano e dar mais ofensividade à sua equipe, mas o São Paulo continuou jogando feio e tomando sufoco dos catarinenses. Mais me lembrou muito aqueles times que o Muricy montava em 2007 pelo próprio Tricolor.



ELE RESOLVE

Cristiano Ronaldo mostrou, mais uma vez, porque ele faz a diferença em campo. A Seleção Portuguesa começou perdendo para a Armênia, mas o craque lusitano fez os três gols da virada que garantiram mais três pontos nas Eliminatórias para a Euro 2016. Só não deu para fazer mais porque a Seleção das Quinas teve um jogador expulso e o time precisou recuar.



NAUFRÁGIO

Os campeonatos estaduais, realmente, não servem como parâmetro para se avaliar a qualidade de um time no Brasileirão. O Vasco faturou o Campeonato Carioca e dava sinais de que poderia fazer um 2015 muito melhor do que os últimos anos. Mas a equipe cruz-maltina perdeu em casa para um Cruzeiro ainda em construção, segue sem vencer na competição e permanece na zona de rebaixamento. Ainda há muito tempo para reagir, afinal restam longas 31 rodadas, mas alguma atitude precisa ser tomada, ou o Gigante da Colina vai amargar seu terceiro rebaixamento só nesta década.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Talento, Marketing e Troféus

Imagem extraída do Facebook oficial de Cristiano Ronaldo- https://www.facebook.com/Cristiano



Como esperado, Ronaldo conquistou a sua terceira Bola de Ouro, feito que ele já havia alcançado em 2008 e em 2013. Messi havia feito uma temporada abaixo do esperado para ofuscar o craque português enquanto Neuer é discreto demais para concorrer com o luso que é campeão no marketing pessoal.

Ronaldo mereceu o troféu pelo título na Champions League 2013-14 (embora, eu credite o título muito mais a Ángel Di María) e pelos muitos recordes batidos em 2014. O português, no entanto, pagou um preço muito alto por toda a sua dedicação ao Real Madrid e chegou à Copa do Mundo lesionado. O camisa 7 teve atuação bastante apagada aqui no Brasil e não conseguiu levar a Seleção das Quina sequer às oitavas a despeito de ter caído em uma chave fácil, com Alemanha, Gana e Estados Unidos.

Cristiano é um jogador que soube unir com sabedoria a exposição na mídia com o talento. O craque português faz anúncios para dezenas de empresas sem que isto comprometa o seu desempenho em campo.

Conta-se que o jogador está sempre se exercitando na academia e se dedicando intensamente aos treinos, o que lhe rendeu o apelido de "máquina". Em campo, o jogador mostra muito talento com a bola e faz muitos gols. Seu desempenho foi ainda melhor graças à vinda do treinador Carlo Ancelotti ao Real Madrid, que alterou o esquema para 4-4-2 permitindo que o português jogasse mais próximo à área. Com mais liberdade para atacar (antes ele jogava na ponta esquerda), o jogador fez ainda mais gols e brilhou ainda mais na temporada.

O marketing também ajudou Ronaldo a se destacar em um time com tantas estrelas. Não é fácil se destacar em uma equipe que conta com Gareth Bale, James Rodríguez, Luka Modrić, Iker Casillas, Sergio Ramos e tantos outros craques. O apelo que o atacante possui na mídia também o fez superar outros grandes jogadores de outras equipes que não possuem o mesmo carisma ou a mesma força no marketing. A grande maioria dos jogadores que eu indicaria à Bola de Ouro é discreta demais para amealhar votos, incluindo Müller, Robben e Di María.

Ronaldo é um craque mas, acima de tudo, sabe fazer bom uso das armas que possui dentro e fora das quatro linhas para obter suas muitas conquistas.



Imagem extraída do Facebook oficial do Real Madrid- https://www.facebook.com/RealMadrid

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os Melhores Jogadores de 2014 (Em Minha Opinião!)

Imagem extraída do Facebook oficial do Real Madrid- https://www.facebook.com/RealMadrid/



Entra ano, sai ano e apenas os atletas que possuem força na mídia -leia-se Lionel Messi e Cristiano Ronaldo- parecem ser capazes de concorrerem à Bola de Ouro da FIFA. Ah, claro. Sempre há um "intruso" na disputa, mas raramente o terceiro elemento -que será o goleiro alemão Manuel Neuer neste ano- tem força para ameaçar a dupla de atacantes.

Observo também que a Champions League parece ser o único argumento para a escolha de melhor do mundo. É fato que a competição européia é a melhor do mundo, com grandes times, jogadores e treinadores. Neste ano de 2014, no entanto, tivemos uma Copa do Mundo e ela deveria ter mais peso na escolha dos candidatos à Bola de Ouro.

Não que Messi e Ronaldo não sejam craques mas temos que pesar que a Pulga não fez exatamente uma grande temporada no Barça e jogou abaixo do esperado na Copa, embora tenha sido decisivo em alguns jogos. Cristiano, por sua vez, voou na Champions, mas teve exibições apagadas aqui no Brasil em decorrência do agravamento de sua lesão e também por não contar com grandes coadjuvantes na Seleção das Quinas, ao contrário do que acontece no Real Madrid.

Se eu tivesse de escolher os três finalistas à Bola de Ouro, eu indicaria o winger argentino Ángel Di María (foto acima -foi muito bem na Copa e teve participação fundamental na final da Champions), o meia alemão Thomas Müller (última foto abaixo -sempre faz grandes exibições pelo Bayern e pela Mannschaft mas nunca é lembrado nas premiações individuais) e o winger holandês Arjen Robben (foto abaixo -craque, versátil e, injustamente, também nunca é lembrado nas premiações individuais).



Imagem extraída do Facebook oficial do Bayern München- https://www.facebook.com/FCBayern/



Elaborei também a minha seleção dos melhores jogadores de 2014 em minha opinião. Obviamente, é tudo questão de gosto do autor, mas utilizei como critérios de maior peso o desempenho dos atletas na Copa do Mundo e também na Champions League. Desta forma, jogadores que foram bem em ambas as competições figuraram aqui na minha seleção.

Excepcionalmente, estou montando minha seleção no 4-4-2 -eu prefiro 4-3-3- para encaixar todos os atletas cujos desempenhos eu considerei bons em 2014.



A Seleção de 2014 escalada em 4-4-2
(imagem obtida via this11.com).



GOLEIRO- MANUEL NEUER (Bayern München/Alemanha): foi o goleiro mais regular do ano ao apresentar bons desempenhos, tanto em seu clube quanto em sua seleção. Além disso, andou se aventurando fora da área e mostrou que também sabe jogar com os pés.

LATERAL-DIREITO- PHILIPP LAHM (Bayern München/Alemanha): o capitão faz de tudo em campo -atua dos dois lados, marca, ataca e cria. Só não achei graça quando o melhor lateral do mundo foi improvisado no meio-de-campo sem necessidade e se transformou em um volante comum.

ZAGUEIRO- MATS HUMMELS (Borussia Dortmund/Alemanha): se não fossem as lesões, Hummels teria feito muito mais neste ano. Defensor leal, comete poucas faltas, tem qualidade na saída de bola e ainda sabe sair jogando. E ele faz seus golzinhos.

ZAGUEIRO- DIEGO GODÍN (Atlético de Madrid/Uruguai): Godín foi o melhor jogador do Atlético na Champions e não foi só pelos gols. Zagueiro seguro, bom nos desarmes pelo chão ou nas jogadas aéreas e comete poucas faltas. Ah, e ele também é bom nos cabeceios em bolas paradas.

LATERAL-ESQUERDO- MARCELO (Real Madrid/Brasil): OK, Marcelo ficou devendo um pouco na Copa, mas levando-se em conta todo o seu desempenho ao longo do ano, foi bem melhor que Daley Blind, Marcos Rojo ou Höwedes. É pouco eficaz na defesa, mas é um craque no ataque.

WINGER DIREITO- ARJEN ROBBEN (Bayern München/Holanda): Robben foi o jogador mais injustiçado de 2013, quando jogou muita bola na Champions mas acabou fora da disputa pela Bola de Ouro. Neste ano, ele voltou a fazer grandes exibições e, mesmo assim, recebeu pouco destaque nas premiações individuais.

MEIA- THOMAS MÜLLER (Bayern München/Alemanha): querida FIFA, vamos ser mais justos com Müller? Para mim, ele foi o melhor jogador da Copa de 2014, é o cérebro do Bayern (junto com Götze) e pode atuar em todas as posições no ataque.

MEIA- TONI KROOS (Real Madrid/Alemanha): faz o papel do meia central clássico, com qualidade na armação e também na marcação. Tostão o comparou a Xavi por tais características em campo. Possui grande qualidade no passe.

WINGER ESQUERDO- ÁNGEL DI MARÍA (Manchester United/Argentina): levando-se em conta os desempenhos do argentino na Copa do Mundo e na Champions, Di María foi o jogador mais regular do ano por ter sido decisivo em ambas as competições. O Real Madrid foi muito injusto ao não manter o talentoso argentino em seu elenco.

ATACANTE- LIONEL MESSI (Barcelona/Argentina): devido às lesões, Messi não fez uma boa temporada no Barcelona e ainda foi obrigado a jogar fora de sua posição favorita na Seleção Argentina para compensar a falta de criatividade no meio-de-campo. Ainda assim, a Pulga deu um jeito de fazer a diferença nos gramados em 2014.

ATACANTE- CRISTIANO RONALDO (Real Madrid/Portugal): Ronaldo é o único jogador que não foi bem na Copa a ser mencionado em minha lista. O português deve o sucesso na temporada a Carlo Ancelotti, afinal o treinador colocou o atacante mais próximo à área no 4-4-2 e o rendimento de Ronaldo pelo Real Madrid foi o melhor possível. Pena que as lesões o atrapalharam na Seleção das Quinas.

TÉCNICO- CARLO ANCELOTTI (Real Madrid): Joachim Löw foi bem mas pisou na bola ao escalar Lahm no meio-de-campo, Höwedes na lateral-esquerda e Özil no ataque. Ancelotti ressuscitou o 4-4-2 típico e fez deste esquema uma arma eficaz, tanto no ataque quanto na defesa. E o seu Real vem jogando um futebol magnífico, com muito toque de bola e criatividade. Por causa desses "detalhezinhos", o treinador italiano foi melhor que o alemão em 2014.

MELHOR DO ANO- ÁNGEL DI MARÍA: bem na Copa e bem na Champions. Merecia ter mais destaque pela soma dos dois desempenhos.



Imagem extraída do Facebook oficial de Thomas Müller- https://www.facebook.com/es.muellert.wieder/

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Será que Mereceram Mesmo?

Imagem extraída do Facebook oficial de Manuel Neuer- https://www.facebook.com/manuel.neuer/



Alguém aí pode me explicar os critérios que definiram os três finalistas para a Bola de Ouro em 2014?

Os escolhidos para a disputa do prêmio foram o goleiro alemão Manuel Neuer (foto acima -atleta do Bayern München), o atacante português Cristiano Ronaldo e o atacante argentino Lionel Messi.

Neuer é um excelente goleiro e fez boas campanhas neste ano, tanto pelo Bayern quanto pela Seleção Alemã, mas vejo atletas muito mais merecedores para concorrer à Bola de Ouro nos dois times defendidos por Neuer. Falo do winger holandês Arjen Robben (que fez uma Copa do Mundo fantástica e, injustamente, também ficou fora da disputa de 2013), do meia-atacante alemão Thomas Müller (que nunca é lembrado nas premiações individuais) e do zagueiro Mats Hummels (um monstro no Borussia Dortmund e na Mannschaft). Nada contra goleiros concorrerem à Bola de Ouro, mas penso que os colegas de Neuer são mais merecedores do troféu do que o arqueiro.



Imagem extraída do Facebook oficial de Cristiano Ronaldo- https://www.facebook.com/Cristiano/



Ronaldo (foto acima) merece concorrer por ter faturado a Champions League, mas ele fez uma Copa do Mundo bem abaixo das expectativas por estar lesionado. Além disso, o Real Madrid contou com dois wingers que mereciam, ao menos, alguma menção pela conquista da competição européia. Falo do galês Gareth Bale e, principalmente, o argentino Ángel Di María, com este último fazendo grandes exibições na Champions e na última Copa do Mundo. O craque luso sempre é considerado o protagonista do time merengue, mas os dois pontas foram fundamentais para o time madrilenho na conquista da Champions.



Imagem extraída do Facebook oficial de
Lionel Messi- https://www.facebook.com/LeoMessi/



Por fim, vamos à polêmica mais dolorosa. Quem me acompanha aqui no blog, sabe que sou fã incondicional de Lionel Messi (à direita na foto acima). Mas, sejamos francos, o argentino não conquistou nenhum título pelo Barcelona ou pela Seleção Argentina neste ano. Ele até foi bem na última Copa do Mundo, mas penso que Di María, Müller, Robben, James Rodríguez ou Hummels tiveram desempenho superior à Pulga no último mundial. Pelo clube Blaugrana, Messi passou parte da temporada brigando contra as lesões e seu desempenho foi um pouco abaixo das expectativas na última temporada. Para um fã do argentino, dói escrever tudo isto, mas reconheço que houveram atletas com desempenhos superiores ao de Messi na temporada.

E dos três atletas, quem vai ganhar o prêmio? Acredito que Ronaldo ficará com o troféu. Ele se destacou muito mais do que os outros dois, levando-se em conta que o Bayern, o Barcelona e a Seleção Alemã são times que priorizam em demasia o aspecto coletivo, dificultando que os talentos individuais tenham destaque.

Se eu tivesse que escolher um dos três candidatos, ficaria com Neuer mesmo. Ele conquistou mais títulos do que os dois concorrentes e a Bola de Ouro seria uma maneira para a Seleção Alemã encerrar o ano com chave de ouro pelo magnífico desempenho apresentado em 2014. Mas como a Bola de Ouro premia talentos individuais e não o coletivo, acredito que o arqueiro é o que menos possui chances de ficar com o prêmio.



Leia mais:

Globo Esporte- Cristiano Ronaldo e Messi disputarão Bola de Ouro com o alemão Neuer: http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2014/12/cristiano-ronaldo-e-messi-disputarao-bola-de-ouro-com-o-alemao-neuer.html

domingo, 1 de junho de 2014

Patriotismo Contra Profissionalismo

Imagem extraída do Facebook oficial de Cristiano Ronaldo- https://www.facebook.com/Cristiano

Ceta vez, publiquei aqui no blog um texto explicando como a Copa do Mundo poderia interferir no desempenho dos times e dos atletas na Champions League. Os jogadores sempre ficam divididos entre honrar seus salários pagos pelos clubes ou defenderem seus países ao disputarem a copa.

Alguns articulistas escreveram textos afirmando que muitos jogadores estariam visivelmente se poupando com medo de se lesionarem e serem cortados de suas respectivas seleções. Alguns atletas, segundo os comentaristas, estariam fingindo lesões para não terem de entrar em campo.

Este não foi o caso de Cristiano Ronaldo (foto), que estava lesionado mas pediu para jogar todas as partidas do Real Madrid neste final de temporada. O atacante queria, inclusive, entrar em campo na última rodada do Campeonato Espanhol 2013-14, mesmo não havendo mais nada em jogo para o time merengue.

A grande dedicação de Ronaldo lhe rendeu o apelido de "Máquina". Colegas do jogador teriam dito que o português está sempre treinando incansavelmente com o intuito de aprimorar o próprio desempenho e a forma física.

Toda esse profissionalismo, contudo, teve o seu preço. A lesão que Ronaldo sofreu ao final da temporada 2013-14 se agravou e, com isso, ele não disputou o amistoso de ontem contra a Grécia. O atacante ainda corre o risco de perder os primeiros jogos da copa.

A atitude de Ronaldo levanta a questão que abordei no começo desta resenha: o jogador deveria dar prioridade ao clube, que paga seus salários, ou à seleção, que representa seu país? O que é mais importante: o profissionalismo ou o patriotismo?

Ronaldo não foi o único lesionado e deu o sangue em campo nesta véspera de Copa do Mundo. O argentino Angél Di María também passou parte da temporada no departamento médico, está na lista de pré-convocados de Alejandro Sabella e, mesmo assim, jogou todas as recentes partidas do Real como se sua vida dependesse disto. Diego Costa também jogou a final da Champions League lesionado, correu o risco de ser cortado da lista de Vicente del Bosque e, mesmo assim, não quis deixar seu clube na mão.

A questão entre patriotismo e profissionalismo é muito complexa de ser respondida. Os próprios atletas que supostamente fizeram corpo-mole neste final de temporada podem ser vistos como heróis ou vilões dependendo da interpretação. E todas podem estar certas quando friamente analisadas.

Ronaldo fez sua escolha. Se ele estava certo ou errado em sua decisão, isso depende da interpretação.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Vilão Inexistente

Se o "culto" ao Barcelona aumentou aqui no Brasil nos últimos anos, o mesmo não pode ser dito sobre o grande rival do clube, o Real Madrid. As entrevistas polêmicas do treinador José Mourinho e a suposta rivalidade de Cristiano Ronaldo com Messi fizeram do clube merengue um contraponto aos Blaugranas.

A rivalidade entre Barça e Real vem desde os tempos da Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, muitas províncias espanholas se opuseram ao regime autoritário do ditador Francisco Franco e o futebol acabou envolvido nas questões políticas. O Real apoiou o governo ditatorial, enquanto o Barcelona tomou partido de sua província, a Catalunha, e fez oposição aos governistas. A ditadura se foi, mas as rixas oriundas dessas disputas ainda permanecem no coração dos torcedores.

Mais recentemente, as brigas entre Real e Barça se intensificaram devido às trocas de provocações entre os dois clubes. As "alfinetadas" de José Mourinho e a eterna discussão sobre "quem é o melhor do mundo" entre Messi e Cristiano Ronaldo fizeram a eterna rivalidade entre os dois clubes pegar fogo. Dirigentes da Real Federação de Futebol Espanhola chegaram a ficar preocupados que as animosidades entre os dois times pudessem interferir no desempenho da Seleção Espanhola. Felizmente, isso não aconteceu: a Espanha venceu a última Eurocopa com tranquilidade e a Furia vai bem nas classificatórias para a Copa de 2014.

Mas, afinal: há algum "herói" e algum "vilão" nessa história toda?

A rivalidade entre Real e Barça já expliquei no texto: tem background político, que foi intensificado pelas trocas de provocações, além da crescente onda de movimentos nacionalistas que existe na Espanha, incluindo movimentos separatistas na Catalunha. Quanto à "vilanização" de Mourinho, eu mencionei em outro post que sua maneira prepotente de se pronunciar pode ser meramente um disfarce para aliviar a pressão sobre os atletas. Além disso, sabe-se que sensacionalismo existem em qualquer lugar e a imprensa em geral adora fomentar discussões para pôr fogo nos duelos. Sobre a suposta prepotência de Ronaldo, não creio que ela exista. O português tem um estilo mais extravagante e mais ostensivo em relação ao seu "rival" Messi. Ele faz um pouco mais de questão aos holofotes que o argentino. E, cá entre nós, que jogadores daqui do Brasil não gostam de receberem atenção da mídia e aproveitar os frutos de suas (curtas) carreiras?

A rivalidade entre Real e Barça sempre existiu e sempre existirá. Apenas não se deve levá-la a ferro e fogo como alguns meios de comunicação parecem querer incitar. Que ela permaneça restrita apenas aos gramados.