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sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

O Novo Normal

Imagem extraída de twitter.com/FortalezaEC



O Fortaleza realizou uma grande campanha na Sulamericana em 2023 a despeito de não possuir o orçamento de um Palmeiras ou de um Flamengo. Infelizmente, um bom desempenho em mata-matas não possui valor prático a menos que o time conquiste o troféu. Pior: o Leão do Pici poupou seu elenco no Campeonato Brasileiro visando a copa e ficou sem rumo nos pontos corridos após ser eliminado, não tendo mais chances de classificação à Libertadores e ainda correndo risco matemático de rebaixamento. Casos semelhantes ocorreram também com o Corinthians e com o Internacional. Mesmo o São Paulo, que venceu a Copa do Brasil, também passou sufoco no restante da temporada em um contexto parecido.

O "novo normal" do calendário brasileiro existe desde 2017 quando as duas competições internacionais (Libertadores e Sulamericana) passaram a ser realizadas ao longo do ano (antes cada uma durava apenas um semestre), ao mesmo tempo que a Copa do Brasil foi expandida e times classificados à Glória Eterna também passaram a participar do torneio nacional.

Muitos dos clubes, porém, não parecem ter se adequado às mudanças no calendário e seguiram concentrando seus esforços nos mata-matas em detrimento ao Brasileirão. Alguns desses times até pagaram o preço por isto, como o Atlético Goianiense em 2022 que terminou rebaixado após apostar tudo na Sulamericana e na Copa do Brasil -chegou às semifinais em ambas.



Imagem extraída de twitter.com/FortalezaEC



Está mais do que na hora dos clubes se adequarem à sua nova realidade e se planejarem para disputar todas as competições do calendário. Poupar jogadores no Campeonato Brasileiro visando as copas era uma manobra viável até a década anterior mas hoje as chances de recuperação são muito menores com as mudanças no calendário. É necessário, portanto, dar ritmo aos reservas ao longo da temporada e até recorrer ao "rodízio" que os torcedores tanto detestam.

Os times também devem se lembrar que o luto da eliminação dura apenas uma semana mas uma campanha ruim no Brasileirão leva ao rebaixamento que demora pelo menos um ano inteiro para cicatrizar -isso se a equipe conseguir subir. É cultura do futebol brasileiro priorizar os mata-matas em detrimento aos pontos corridos mas o prejuízo gerado por um descenso é muito maior do que uma desclassificação.

Fortaleza, Corinthians e Inter realizaram campanhas valorosas em 2023 mas poucos irão reconhecer os esforços das equipes sem o troféu. Não obstante, as equipes passaram sufoco na reta final do Brasileirão por terem poupado jogadores e ainda viram seus esforços em vão sem os títulos.



Imagem extraída de twitter.com/FortalezaEC




sábado, 2 de dezembro de 2023

Nau à Deriva

Imagem extraída de www.facebook.com/vascodagama



América Mineiro e Coritiba já haviam caído. O Goiás foi rebaixado na última quinta-feira e resta apenas uma vaga no Z-4 do Campeonato Brasileiro 2023. Corinthians, Cruzeiro, Santos, Vasco e Bahia lutam para evitar o trágico descenso nos dois jogos restantes. O Timão e a Raposa têm apenas chances matemáticas de queda -teriam de perder as próximas duas partidas e ainda dependeriam de uma combinação de resultados para irem à Série B. Isso significa que a disputa deve ficar mesmo entre as três equipes restantes.

O Bahia, matematicamente, é o time corre mais riscos visto que não depende apenas de si para permanecer na Série A -precisa vencer pelo menos um dos jogos e torcer para que algum dos dois concorrentes tropece. O Vasco, porém, terá a tabela mais complicada a cumprir visto que visitará o Grêmio (que luta por vaga no G-4 e ainda sonha com o título) amanhã e depois receberá o Red Bull Bragantino (que deseja fugir dos playoffs da Libertadores).

O Tricolor e o Peixe, por sua vez, terão partidas mais tranquilas na tabela. Os baianos visitam o já rebaixado América Mineiro e depois recebem o Atlético Mineiro, que pode vir mais "relaxado" caso o Palmeiras confirme o título hoje. Os santistas, por sua vez, enfrentam o Athletico Paranaense (na Ligga Arena) e o Fortaleza (na Vila Belmiro) que, apesar de serem adversários fortes, não aspiram por mais nada no Brasileirão.



Imagem extraída de www.facebook.com/vascodagama



É possível que o Gigante da Colina tenha confirmado seu descenso na última terça-feira após perder em casa para o Corinthians. O Timão era um rival direto na luta contra o Z-4 e se mostrava um adversário bem mais acessível que os dois próximos. O Cruzmaltino começou até bem o confronto contra o Timão e teve o apoio de sua torcida mas acabou sucumbindo aos paulistas na segunda etapa.

O Cruzmaltino, porém possui uma vantagem em relação aos seus dois concorrentes: o Vasco conta com um elenco muito melhor que os adversários e também com um treinador mais vivido, o argentino Ramón Díaz. E o Gigante da Colina já conseguiu arrancar alguns resultados surpreendentes incluindo vitórias sobre os grandes rivais Fluminense e Botafogo.

Resta ao Vasco jogar a vida contra os dois últimos adversários. As dificuldades serão muitas mas o futebol é fascinante justamente porque é imprevisível. Por mais que as chances estejam contra o Cruzmaltino, o time reúne condições para terminar o ano em um final feliz -ou menos triste dependendo do ponto de vista.



Imagem extraída de www.facebook.com/vascodagama




segunda-feira, 10 de julho de 2023

Começou a Debandada

Imagem extraída de twitter.com/SaoPauloFC



São Paulo e Flamengo pouparam jogadores durante o último final de semana visando a decisão na Copa do Brasil. Ambos os times, porém, obtiveram bons resultados ao arrancarem empates contra rivais difíceis e na casa de seus adversários a despeito da maioria dos titulares não estarem em campo.

Priorizar os mata-matas é algo cultural no futebol brasileiro, como lembrou o jornalista André Rocha. Não é de hoje que nossos times optam por sacrificar o Campeonato Brasileiro em prol das copas. O prêmio oferecido pela competição eliminatória (R$ 70 milhões na Copa do Brasil contra R$ 60 milhões no Brasileirão) e o número de jogos disputados (12 x 38) são mais motivos para isto.

Os clubes, porém, se esquecem que competições eliminatórias possuem margem de erro menor e um pequeno momento de desconcentração pode acarretar na desclassificação do time, enquanto nos pontos corridos ainda há como correr atrás do prejuízo. Ademais, uma campanha ruim na Copa do Brasil culmina na eliminação enquanto uma jornada pífia no Brasileirão resulta no rebaixamento.



Imagem extraída de twitter.com/Flamengo



O Brasileirão, cabe lembrar, oferece de seis a nove vagas (dependendo dos times que vencerem as competições paralelas) para a Libertadores do ano seguinte enquanto a Copa do Brasil garante apenas ao vencedor a participação no torneio continental. O mata-mata, portanto, não é necessariamente o caminho mais curto para o campeonato internacional.

São Paulo e Flamengo tiveram suas razões para priorizar a Copa do Brasil no meio desta semana mas não há garantia de que irão avançar de fase e, tampouco, de que irão conquistar o título na competição. O sacrifício de ambos, portanto, pode ser em vão. Ademais, as equipes podem estar deixando para trás pontos preciosos e que podem fazer falta mais adiante no Brasileirão.

Faz parte de nossa cultura futebolística priorizar as copas em detrimento aos pontos corridos mas o risco de tal atitude é muito maior do que aparenta. O Atlético Goianiense foi a maior prova disto, como eu mencionei em um post anterior



Imagem extraída de twitter.com/SaoPauloFC




sábado, 15 de abril de 2023

Começa o Brasileirão 2023

Imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras



Inicia-se hoje a edição 2023 do Campeonato Brasileiro. Como de praxe, serão vinte equipes participantes se enfrentando no formato de pontos corridos em turno e returno, totalizando 38 rodadas e 380 partidas. Os times lutam por objetivos distintos na competição: há os que desejam o troféu, os que anseiam por uma vaga na Libertadores ou Sulamericana e aqueles que brigarão para permanecer na elite do futebol nacional.

Eu vejo o Palmeiras (foto acima), o atual campeão, como o grande favorito novamente visto que o Verdão é o clube melhor estruturado e administrado do Brasil, além de contar com um ótimo treinador e um bom elenco. Não obstante, o Porco é forte candidato ao troféu também por demérito dos rivais, incluindo alguns que gozam de excelente saúde financeira mas que ainda são geridos de maneira amadora.

Atlético Mineiro e Flamengo têm o direito de sonhar com a taça por contarem com bons elencos e por estarem em situação financeira favorável, mas suas administrações têm deixado muito a desejar durante os últimos meses e nem mesmo as conquistas recentes parecem suficientes para animar seus torcedores.

O Grêmio poderia se encaixar entre os favoritos ao troféu por contar com um ótimo elenco, uma boa infraestrutura e também pelo fato do clube estar financeiramente saudável. Pesa contra o Imortal o retrospecto recente (em 2021 a instituição estava nas mesmas condições e o time acabou rebaixado a despeito disto) e a desconfiança pelo fato do Tricolor ter acabado de voltar da Série B.

Athletico Paranaense, Fortaleza e Red Bull Bragantino correm por fora. São clubes bem administrados mas que não estão na mesma situação financeira dos rivais acima. Seus elencos, ademais, têm menos opções e seus times não têm apresentado poder de decisão em grandes jogos. Uma vaga na Libertadores, portanto, é o objetivo mais palpável.



Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Corinthians, Fluminense, Internacional e São Paulo (foto acima) seriam considerados "favoritos" há alguns anos atrás pela qualidade de seus elencos. Estes clubes, porém, ainda sofrem de alguns problemas internos que os impedem de lutar efetivamente pelo troféu. Apresentam espasmos em campo diante de grandes rivais mas não possuem regularidade para brigar no alto da tabela. Devem se contentar com vaga na Pré-Libertadores ou Sulamericana.

Bahia e Vasco são os dois "novos ricos" do futebol brasileiro após se transformarem em empresas e serem adquiridos por magnatas. A temporada para os dois clubes, porém, será muito mais de transição do que afirmação visto que as instituições ainda têm uma casa para arrumar, as equipes ainda estarão aprendendo a lidar com a nova realidade e ainda não se sabe como seus proprietários lidarão com a instabilidade inicial dos times. A Sulamericana é um objetivo mais palpável neste cenário.

Botafogo e Cruzeiro adoraram o modelo de clube-empresa há mais tempo que Bahia e Vasco. A "herança maldita" das administrações anteriores, porém, ainda impede os clubes de lutarem efetivamente pelo troféu ou por vaga na Libertadores. Alguns jornalistas até veem o Glorioso e a Raposa em risco de queda. Uma vaga na Sulamericana estaria de bom tamanho para ambos. 

América Mineiro, Coritiba, Cuiabá, Goiás e Santos (foto abaixo) correm o risco de serem rebaixados. São clubes que apresentam poucos recursos financeiros e elenco para competirem. Alguns deles, não obstante, se encontram em situação bastante complicada sob o ponto de vista administrativo. Devem fazer boas partidas inicialmente mas provavelmente ocuparão as últimas posições da tabela a longo prazo. 

Vale lembrar que esta análise foi realizada levando-se em conta o momento atual dos clubes. O esporte envolve o fator humano e isto pode interferir no desempenho das equipes: trocas de treinadores, brigas no elenco, lesões, competições paralelas, vendas/aquisições de jogadores, mudanças na administração, ... Não por acaso, os narradores dizem que "o futebol é uma caixinha de surpresas".



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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Você É Livre para Fazer as suas Escolhas, mas...

Imagem extraída de www.facebook.com/ACGOficial



Pensei, inicialmente, em utilizar o São Paulo como exemplo para o texto de hoje mas optei pelo Atlético Goianiense, um caso bem mais extremo do quanto priorizar as copas/mata-matas em detrimento ao Campeonato Brasileiro pode ser arriscado. O Dragão, apesar dos riscos, quis bancar a aposta e pagou caro por isto.

Nossos clubes sempre priorizaram os mata-matas em detrimento aos pontos corridos. Como disse Mano Menezes em 2007, "a Copa do Brasil é o caminho mais curto para a Libertadores" visto que a quantidade de jogos era menor -apenas doze partidas disputadas nas eliminatórias contra 38 nos pontos corridos. Ademais, são títulos teoricamente mais palpáveis pelo mesmo motivo e ainda pode-se tirar proveito da pressão exercida pelo torcedor. 

Ignorar o Campeonato Brasileiro, porém, traz consequências graves com o time desperdiçando pontos que podem ser preciosos na reta final da competição. Ademais, uma campanha ruim no mata-mata culmina na eliminação do time, enquanto uma jornada fraca nos pontos corridos pode resultar no rebaixamento do clube.

Um agravante foi a mudança no formato das competições. Até 2016, as copas duravam apenas um semestre -Libertadores e Copa do Brasil eram disputadas de janeiro a julho, enquanto a Sulamericana era jogada de julho a novembro. Não havia, portanto, grandes prejuízos em se priorizar os mata-matas. Agora as eliminatórias ocorrem ao longo do ano todo e os clube precisam se planejar melhor antes de abrir mão do Brasileirão, algo que a maioria dos nossos times não faz.



Imagem extraída de www.facebook.com/ACGOficial



O Atlético Goianiense, com chances pequenas de título no Brasileirão, concentrou seus esforços na Copa do Brasil e na Sulamericana. Com isso, o Dragão deixou de pontuar mesmo diante de adversários considerados "fáceis" e foi afundando na tabela. Com as eliminações, restou ao time tentar se salvar do rebaixamento mas havia pela frente uma sequência de jogos difíceis, com rivais muito a frente dos goianos. Não obstante, há o fator anímico, afinal é muito mais difícil motivar o grupo com time na zona de descenso e com a necessidade de se obter resultados a curto prazo.

O Dragão, ironicamente, fez boas campanhas nas copas -chegou às semifinais da Sulamericana (caiu para o São Paulo) e às quartas-de-final da Copa do Brasil (foi eliminado para o Corinthians). E o Atlético vendeu caro as eliminações, conseguindo se impor diante dos rivais apesar das discrepâncias financeiras. Todo o esforço dos goianos, porém, foi em vão com as desclassificações.

O Atlético ainda tem chances de permanecer na Série A mas não depende apenas de si: precisa derrotar o América Mineiro (que luta por vaga na Libertadores) no Independência, torcer por uma derrota do Cuiabá e ainda superar o Dourado nos critérios de desempate.

O drama do Atlético Goianiense serve de alerta para todos os times. As copas são, de fato, um caminho muito mais curto para os títulos e também para a Libertadores pela quantidade de jogos disputados. Desprezar o Brasileirão, porém, traz consequências muito mais graves do que os mata-matas, algo que insistimos em ignorar.



Imagem extraída de www.facebook.com/ACGOficial




terça-feira, 13 de setembro de 2022

Sem Nexo

Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Acompanhei pela internet alguns lances do clássico São Paulo X Corinthians, realizado durante o último domingo no Morumbi. O que mais me chamou a atenção na partida foram as escalações. Ambas as equipes terão jogos válidos pela Copa do Brasil durante o meio da semana e os treinadores tiveram decisões distintas. E ambas, a meu ver, fazendo nenhum sentido.

Rogério Ceni optou por poupar seus titulares visando o jogo contra o Flamengo a despeito de haver poucas chances de avançar -o Tricolor terá de reverter uma desvantagem de 3X1 no Maracanã. Vítor Pereira, por sua vez, mandou quase todos os seus principais jogadores -provavelmente queria derrotar o rival em sua casa e motivar seus atletas contra o Fluminense.

O empate acabou sendo um resultado justo pelo futebol apresentado. O Corinthians parece ter se acomodado após abrir o placar com Yuri Alberto e acabou cometendo um pênalti de Gil em cima de Éder -que converteu a cobrança. O São Paulo lutou até o fim mas faltou ritmo de jogo e, principalmente, entrosamento aos reservas tricolores.



Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Discordei das escalações de ambos os treinadores. Rogério, a meu ver, deveria enviar os titulares visto que as chances de vencer o Flamengo são remotas e o São Paulo está próximo da zona de rebaixamento no Brasileirão. O mais sensato seria abrir mão da Copa do Brasil e tentar buscar pontos no Campeonato Brasileiro visto que a posição do Tricolor na tabela está longe de ser confortável.

Vítor Pereira, por sua vez, deveria ter feito o contrário e priorizar a Copa do Brasil. É fato que o Corinthians é favorito diante do Fluminense na Neo Química Arena mas o Timão precisa vencer o jogo visto que apenas empatou a partida de ida e não há mais o critério de gol qualificado. O português certamente pensou no peso do clássico visto que derrotar um grande rival seria uma grande injeção de ânimo aos titulares mas, ainda assim, considerei a decisão pouco sensata.

O empate, pelo contexto da partida, acabou sendo um pouco melhor para o São Paulo que ganhou algumas posições na tabela mas muito longe de ser considerado um alívio. O Tricolor segue próximo à degola e longe da vaga para a Libertadores -lembrando que não há nenhuma garantia de que o time conseguirá vencer o Independiente del Valle na Sulamericana.

O Corinthians, por sua vez, caiu para a quinta posição e viu a pressão aumentar para o jogo de quinta-feira. E ainda perdeu a chance de dar um descanso para os titulares para uma partida ainda mais dura. Ao menos, o Timão não terá o desgaste da viagem visto que jogará em São Paulo novamente.

As escolhas dos dois treinadores até se justificam mas, sem dúvida, os dois técnicos deveriam ser um pouco mais realistas em suas avaliações e mudado suas respectivas escalações. As decisões dos comandantes terão impacto no futuro dos times -para o bem e para o mal. 



Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc




segunda-feira, 29 de agosto de 2022

O Preço da Queda

O time misto do Flamengo penou mas conseguiu a vitória sobre o Botafogo no
Engenhão (imagem extraída de www.facebook.com/FlamengoOficial



Os times brasileiros sempre priorizaram as competições de mata-mata em detrimento aos pontos corridos. Mano Menezes disse em 2008 que "a Copa do Brasil é o caminho mais curto para a Libertadores" visto que há menos jogos em comparação ao Campeonato Brasileiro.

Quase todos times que estavam envolvidos em competições paralelas foram a campo com equipes mistas ou reservas neste final de semana. Tudo isto visando a Libertadores ou a Sulamericana que serão disputadas na metade desta semana.

Tal atitude não é novidade em nosso futebol mas poucos parecem se lembrar que uma campanha ruim em um campeonato de pontos corridos desencadeia um prejuízo muito maior do que aquele causado por um desempenho pífio em um mata-mata. Sim, afinal a queda em um torneio eliminatório resulta em uma eliminação, como o próprio nome sugere. Uma temporada ruim no Campeonato Brasileiro, em compensação, culminaria no rebaixamento da equipe.

O prejuízo gerado pela queda nos pontos corridos, portanto, seria muito maior do que aquele gerado em um mata-mata. O "luto" por uma eliminação duraria apenas alguns dias, o suficiente para o time se recuperar do revés. O "luto" gerado pela queda em um Brasileirão, em compensação, duraria pelo menos um ano visto que a equipe teria passar pelo menos uma temporada lutando em uma divisão inferior até ter o direito de disputar a Série A novamente. 



O São Paulo caiu em casa diante do Fortaleza
(imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc)



"Mas um eventual título no mata-mata não poderia compensar a campanha pífia nos pontos corridos"? O Palmeiras passou por tal situação em 2012 -venceu a Copa do Brasil durante aquele ano mas terminou rebaixado no Campeonato Brasileiro. O torcedor certamente sentiu uma série de emoções contraditórias durante aquela temporada.

Goiás (em 2010) e Ponte Preta (em 2013) não tiveram a mesma sorte do Verdão. O Esmeraldino e a Macaca, com elencos bastante curtos, investiram tudo na Sulamericana apesar de suas equipes estarem na zona de rebaixamento do Brasileirão. Ambos acabaram derrotados na final do torneio continental e ainda tiveram de jogar a Série B no ano seguinte.

Não há, portanto, a garantia de que seu time conquistará um título em um mata-mata, formato onde erros não são perdoados e a força mental faz muito mais diferença do que a técnica ou o talento. Ademais, mesmo que seu clube conquiste o troféu, pode não ser suficiente para compensar uma campanha ruim nos pontos corridos.

Pode ser muito doloroso abrir mão do mata-mata e ter de aguentar as piadas dos rivais em caso de uma eventual eliminação. Mas as feridas causadas por um eventual rebaixamento demoram muito mais para serem cicatrizadas.



O Atlético Goianiense perdeu o clássico para o Goiás
(imagem extraída de twitter.com/ACGOficial)




sexta-feira, 28 de maio de 2021

Palpites para o Campeonato Brasileiro 2021

Imagem extraída de www.facebook.com/brasileirao



Começa amanha o Campeonato Brasileiro 2021. Eu, originalmente, publicaria este texto amanhã mas dedicarei todo o sábado à final da Champions League e, em virtude disto, optei por antecipar a publicação para hoje.

Os vinte times lutarão em 38 longas rodadas por objetivos distintos: há os que brigarão pelo troféu, os que têm a vaga para a Libertadores em mente, os que desejam a Sulamericana e os que a mera permanência na Série A já seria um grande prêmio.

Não será fácil conseguir algo na competição, afinal os times milionários elevaram bastante o nível da competição e o velho truque de "jogar pelo regulamento" não tem sido mais suficiente para garantir os resultados no campeonato.

Farei breves análises das equipes e darei palpites para a posição em que os times terminarão na tabela. Será que seu clube preferido vai se dar bem em 2021?



1-GRÊMIO: o Grêmio fez uma campanha apenas razoável em 2020 e ainda foi eliminado nos playoffs da Libertadores. Há, no entanto, males que vêm para o bem e o Imortal poderá concentrar suas forças quase que totalmente no Brasileirão. O elenco é bom, suficiente para dividir as atenções com as outras duas competições (Sulamericana e Copa do Brasil) e ainda há os reforços de peso -Rafinha e Douglas Costa.

Destaque: Diego Souza (meia/atacante)

Técnico: Tiago Nunes

Posição em 2020:

Expectativa: briga pelo título

Palpite: 1º lugar



2- PALMEIRAS: o Verdão brigaria fácil pelo título graças ao elenco robusto, mas clube e treinador declararam abertamente que irão priorizar a Libertadores, o que significa que o Palmeiras deverá abrir mão do Brasileirão em algumas rodadas. Ademais, o time ainda não anunciou reforços e o esquema de Abel Ferreira já está se tornando manjado pelos rivais.

Destaque: Gustavo Gómez (zagueiro)

Técnico: Abel Ferreira

Posição em 2020: 7º

Expectativa: briga pelo título

Palpite: 2º lugar



3- ATLÉTICO MINEIRO: o Galo já contava com um elenco forte e está ainda mais vistoso com as vindas do treinador Cuca e também de Hulk e Nacho. Resta saber como o clube irá lidar com as questões internas visto que, mesmo com o grupo estrelado, houve reclamações de salários atrasados em 2020, além do excesso de expectativa que atrapalhou o time nos momentos mais decisivos.

Destaque: Hulk (atacante)

Técnico: Cuca

Posição em 2020: 3º

Expectativa: briga pelo título

Palpite: 3º lugar



4- FLAMENGO: o principal desafio do Flamengo é lidar com a expectativa criada após a boa campanha de 2019. O clube vem sofrendo muitas cobranças (internas e externas) e isto tem atrapalhado o desempenho da equipe. Ademais, o treinador Rogério Ceni vem tomando muitas decisões contestáveis durante as partidas.

Destaque: Giorgian De Arrascaeta (meia)

Técnico: Rogério Ceni

Posição em 2020: 1º

Expectativa: briga pelo título

Palpite: 4º lugar



5- SÃO PAULO: o Tricolor chega empolgado com o fim do jejum de títulos e com o futebol empolgante de Hernán Crespo. O grupo, porém, é apenas "suficiente" para a temporada apesar dos reforços, o clube está bastante endividado e há o risco dos jogadores se lesionarem pela ausência de férias.

Destaque: Martín Benítez (meia)

Técnico: Hernán Crespo

Posição em 2020: 4º

Expectativa: Libertadores

Palpite: 5º lugar



6- INTERNACIONAL: o Colorado quase chegou lá em 2020 mas acabou derrapando nas rodadas finais. Para a temporada atual, o grupo é praticamente o mesmo do ano passado e conta com o badalado treinador Miguel Ángel Ramírez, mas o desempenho inicial ainda não empolgou.

Destaque: Taison (meia/atacante)

Técnico: Miguel Ángel Ramírez

Posição em 2020: 2º

Expectativa: Libertadores

Palpite: 6º lugar



7- FLUMINENSE: o Flu tem feito jus ao apelido "Time de Guerreiros", afinal apresentou um desempenho muito acima do esperado no Campeonato Carioca e também na fase de grupo da Libertadores apesar dos poucos recursos. O elenco curto e as dívidas podem pesar durante o Brasileirão, sobretudo quando a temporada chegar ao seu clímax, mas é permitido sonhar com uma nova vaga para a competição continental.

Destaque: Fred (atacante)

Técnico: Roger Machado

Posição em 2020: 5º

Expectativa: Libertadores

Palpite: 7º lugar



8- CORINTHIANS: o Timão começou a temporada com muitos problemas incluindo as dívidas, a campanha irregular na Copa do Brasil, a desclassificação na Sulamericana e a falta de perspectivas por reforços. O elenco seria suficiente para brigar, ao menos, por uma vaga na Libertadores mas o futebol não vem empolgando e ainda é um mistério como o time irá evoluir sob a batuta do recém-contratado treinador Sylvinho.

Destaque: Luan (meia/atacante)

Técnico: Sylvinho

Posição em 2020: 12º

Expectativa: Libertadores

Palpite: 8º lugar



9- RED BULL BRAGANTINO: a Massa Bruta fez uma campanha muito acima do esperado em 2020 e o time de Bragança parece pronto para voos mais altos. O elenco ainda não aparenta ter poder de decisão para os troféus mas é possível sonhar com uma vaga na Libertadores.

Destaque: Claudinho (meia)

Técnico: Maurício Barbieri

Posição em 2020: 10º

Expectativa: Libertadores

Palpite: 9º lugar



10- ATHLETICO PARANAENSE: o Furacão chega sem a força de 2018 ou 2019 mas ainda promete  dar trabalho aos concorrentes. A equipe possui um elenco apenas razoável mas suficiente para brigar, ao menos, por uma vaga na Libertadores.

Destaque: Santos (goleiro)

Técnico: António Oliveira

Posição em 2020: 9º

Expectativa: Libertadores

Palpite: 10º lugar



11- CEARÁ: o Vozão manteve boa parte de seu elenco, incluindo o meia-atacante Vina e o treinador Guto Ferreira. Repetir a campanha de 2020 estará de bom tamanho para o Ceará, que até pode sonhar com Libertadores mas, sob um ponto de vista mais realista, deve brigar por Sulamericana novamente. 

Destaque: Vina (meia/atacante)

Técnico: Guto Ferreira

Posição em 2020: 11º

Expectativa: Sulamericana

Palpite: 11º lugar



12- BAHIA: o Bahia foi considerado um "exemplo de gestão" por jornalistas há pouco tempo atrás mas a execução do projeto acabou não correspondendo às expectativas. Será difícil repetir as temporadas 2018 e 2019 quando o Tricolor chegou a brigar por Libertadores e o meio da tabela deve estar de bom tamanho para o clube.

Destaque: Gilberto (atacante)

Técnico: Dado Cavalcanti

Posição em 2020: 14º

Expectativa: Sulamericana

Palpite: 12º lugar



13- SPORT: o Leão brigou para não cair em 2020. A expectativa para 2021 é um pouco melhor com a vinda de alguns reforços de renome como Tréllez, Neilton e André. Não dá para sonhar muito alto, mas uma vaga na Sulamericana é um objetivo palpável

Destaque: Thiago Neves (meia)

Técnico: Umberto Louser

Posição em 2020: 15º

Expectativa: Sulamericana

Palpite: 13º lugar



14- SANTOS: o Peixe deu mostras de que a temporada deve ser complicada em 2021. O clube precisou vender suas estrelas (Soteldo, Pituca e Lucas Veríssimo), as dívidas estão muito altas, a crise política abalou a instituição e o elenco é limitado. Os reflexos se deram em campo com o time eliminado na fase de grupos da Libertadores e brigando contra o rebaixamento no Paulistão. O Santos só não deve brigar contra o descenso porque há concorrentes em pior situação.

Destaque: Marinho (atacante)

Técnico: Fernando Diniz

Posição em 2020: 8º

Expectativa: Sulamericana

Palpite: 14º lugar



15- FORTALEZA: o Leão do Pici sofreu um duro golpe ainda em 2020 com a saída do treinador Rogério Ceni. O clube, que até sonhou com Libertadores, acabou brigando para não cair na segunda metade do campeonato. As expectativas para 2021 não são muito melhores para os cearenses.

Destaque: Wellington Paulista (atacante)

Técnico: Juan Pablo Vojvoda

Posição em 2020: 16º

Expectativa: Fugir do Rebaixamento

Palpite: 15º lugar



16- ATLÉTICO GOIANIENSE: repetir a surpreendente campanha de 2020 está fora de questão. O Dragão perdeu muitos jogadores importantes como o goleiro Jean e o meia Chico, o que torna a missão do Atlético ainda mais difícil. Ficar na Série A para 2022 estará de ótimo tamanho para os goianos.

Destaque: Marlon Freitas (meia)

Técnico: Eduardo Barroca

Posição em 2020: 13º

Expectativa: Fugir do Rebaixamento

Palpite: 16º lugar



17- AMÉRICA MINEIRO: o Coelho retorna à Série A após dois anos de ausência e o objetivo principal é permanecer na elite do futebol. O América conta com um elenco razoável e já deu mostras de que pode surpreender mas terá de se desdobrar em campo diante de rivais com mais recursos.

Destaque: Ademir (meia)

Técnico: Lisca Doido

Posição em 2020: 2º da Série B (promovido)

Expectativa: Fugir do Rebaixamento

Palpite: 17º lugar



18- CHAPECOENSE: de volta à elite após um ano na Série B, a Chape precisa evitar um novo descenso. O elenco, que já foi sensação durante outros anos, está longe de ser competitivo como o de temporadas anteriores e o clube terá de se esforçar para evitar uma nova queda. E, para piorar, o time começa a competição sem treinador efetivo.

Destaque: Geuvânio (atacante)

Técnico: Felipe Endres (interino)

Posição em 2020: 1º da Série B (promovido)

Expectativa: Fugir do Rebaixamento

Palpite: 18º lugar



19- JUVENTUDE: a Ju retorna à Série A após quatorze anos de ausência. As expectativas não são muito boas para o clube dada as limitações financeiras e técnicas. Os gaúchos apostam em Chico, que foi destaque em 2020 pelo Atlético Goianienese.

Destaque: Chico (meia)

Técnico: Marquinhos Santos

Posição em 2020: 3º da Série B (promovido)

Expectativa: Fugir do Rebaixamento

Palpite: 19º lugar



20- CUIABÁ: o Dourado estreia na elite do futebol e o objetivo é permanecer. O clube mato-grossense contratou um pacotão de reforços oriundo do Corinthians -Clayson, Walter e Jonathan Cafú. A expectativa, porém, é pouco animadora para os estreantes.

Destaque: Walter (goleiro)

Técnico: Alberto Valentim

Posição em 2020: 4º da Série B (promovido)

Expectativa: Fugir do Rebaixamento

Palpite: 20º lugar




segunda-feira, 1 de março de 2021

A Minha Seleção do Campeonato Brasileiro 2020

Imagem extraída de www.facebook.com/CBF



Hoje o blog Farma Football está completando oito anos de existência e faremos, mais tarde, um post especial para comemorarmos. E, se der tudo certo, teremos novidades, tanto para este diário, quanto para a Farmácia dos Games!

Pensei, em princípio, fazer um post criticando alguns de nossos clubes que insistem em disputar os inúteis estaduais com seus titulares quando deveriam oferecer férias a seus jogadores após uma temporada extenuante.

Optei, porém, por trazer algo mais alegre para um dia tão especial como hoje e decidi resgatar outra tradição do blog que é eleger o meu "Onze Ideal" do  Brasileirão 2020 que, obviamente, será bem diferente daquele eleito pela Globo, pela ESPN, pelo Lance e por outros veículos de imprensa.

Não foi fácil escolher os onze atletas visto que o nível da competição foi muito ruim e as equipes oscilaram muito, bem como os jogadores. Tudo devido à sequencia de jogos extenuante. Ainda assim, tivemos algumas boa atuações que merecem destaque.

Estou adotando a formação em 4-3-3, a minha preferida, enquanto os outros veículos elegem o seu onze ideal em 4-4-2. Questão de gosto pessoal. Vamos, então, à minha seleção do Campeonato Brasileiro 2020!



GOLEIRO: TIAGO VOLPI (São Paulo)



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Estava entre Volpi e Weverton (do Palmeiras). Discordando dos outros veículos de imprensa, optei pelo arqueiro são-paulino levando em conta o desempenho de sua equipe no Brasileirão (4º para o Tricolor contra 7º do Verdão), os pênaltis defendidos e o fato do goleiro ter salvado seu time em muitas ocasiões. Mas o catarinense também merece ser lembrado por algumas falhas grotescas cometidas ao longo do campeonato.



LATERAL-DIREITO: MAURICIO ISLA (Flamengo)



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Aqui eu não tive muitas dúvidas para escolher, afinal Isla foi muito bem no Brasileirão e a torcida não sentiu saudades de Rafinha graças ao chileno. O jogador não é muito seguro na defesa mas é um verdadeiro monstro no ataque.



ZAGUEIRO: GUSTAVO GÓMEZ (Palmeiras)



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Gómez levou com sobras em minha eleição. O zagueiro foi bastante regular no Brasileirão, teve muitas atuações seguras, anotou alguns gols e foi um verdadeiro líder em campo, merecendo a faixa de capitão na ausência de Felipe Melo. Não levei isto em consideração nos critérios, mas o paraguaio também merece ser elogiado por suas atuações nas demais competições disputadas pelo Palmeiras.



ZAGUEIRO: JUNIOR ALONSO (Atlético Mineiro)



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Temos uma dupla paraguaia na zaga! Aqui acabei embarcando na opinião dos jornalistas visto que não encontrei nenhum outro defensor de destaque além de Gómez. Junior Alonso, que foi um dos muitos reforços contratados a pedido de Sampaoli, não impediu que a instável defesa do Galo fosse vazada mas o defensor fez a sua parte quando exigido.



LATERAL-ESQUERDO: MATÍAS VIÑA



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Pensei, inicialmente, em eleger o atleticano Guilherme Arana, concordando com os jornalistas. Mas o uruguaio foi muito melhor e mais completo na opinião do blogueiro por atacar e defender com a mesma eficiência. E que eficiência! Com a escolha de Viña, tivemos uma linha de defesa estrangeira!



VOLANTE: GERSON (Flamengo)



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Aqui eu estava entre Gerson ou os colorados Rodrigo Dourado e Edenílson. Optei pelo flamenguista por ser mais talentoso e por ter sido fundamental para a conquista do título.



MEIA: GIORGIAN DE ARRASCAETA (Flamengo)



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Arrasca levou com sobras neste quesito pela sua regularidade, pelo seu talento e pela sua contribuição com o título. O uruguaio manteve o bom desempenho da temporada 2019 e demonstra que ainda é muito útil para a equipe.



MEIA: THIAGO GALHARDO (Internacional)



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Estava entre Claudinho (Red Bull Bragantino) e Galhardo. O meia colorado acabou sendo eleito levando-se em conta o desempenho de sua equipe, os muitos gols anotados e também o fato do jogador ter voltado bem mesmo após a lesão e a quase venda para um time do Oriente Médio. A volta por cima do atleta pesou muito para o blogueiro. E sua convocação para a Seleção Brasileira também foi considerada.



ATACANTE: PEDRO (Flamengo)



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Pedro foi o jogador que eu mais senti falta nas eleições dos veículos de imprensa. O atacante foi a melhor contratação da temporada, fez muitos gols, foi decisivo, jogou mais do que seus colegas de posição e virou ídolo da torcida mesmo sendo identificado com o rival Fluminense. E ainda chegou à Seleção Brasileira.



ATACANTE: LUCIANO (São Paulo)



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A única contratação do São Paulo na temporada foi certeira: o atacante Luciano foi um dos poucos que se salvou em uma equipe totalmente instável, e seus gols foram importantes para a classificação do Tricolor para a Libertadores. E ele foi um dos artilheiros da competição junto com Claudinho, ambos com 18 tentos anotados.



ATACANTE: YEFFERSON SOTELDO (Santos)



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Dúvida cruel: deveria colocar Marinho ou Soteldo para completar o ataque? A maioria dos colegas optou pelo alagoano, mas eu escolhi o venezuelano que jogou muita bola em 2020, atuou em várias posições no ataque (meia e atacante) e encantou os fãs com seu estilo que combina velocidade, talento e raça.



TREINADOR: CUCA (Santos)



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Estava entre Abel Braga e Cuca. O paranaense acabou levando pelo tempo (ele esteve no comando do Peixe durante toda a duração do campeonato), precisou lidar com uma série de problemas (salários atrasados, elenco curto, falta de contratações, ...) e, mesmo assim, o time vingou. O treinador foi o grande diferencial para o Santos sem dúvida alguma.



REVELAÇÃO: PATRICK DE PAULA (Palmeiras)



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Vocês não imaginam o trabalho que deu escolher um jogador para este quesito! Tive de correr nome a nome dos jovens jogadores até encontrar algum que tivesse estreado na Série A em 2020! O volante Patrick de Paula foi um dos poucos talentos que se encaixava no quesito. O meio-campista chegou a estar em baixa no começo da temporada e quase foi negociado, mas foi salvo por Abel Ferreira e hoje se mostra pronto para herdar a vaga de Felipe Melo quando o veterano pendurar as chuteiras.



CRAQUE DO BRASILEIRÃO: GIORGIAN DE ARRASCAETA (Flamengo)



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De Arrascaeta leva mais um voto do blogueiro. Pesaram na decisão os mesmos argumentos que eu mencionei anteriormente: o título, a regularidade e a grande contribuição do jogador para a conquista.



A minha seleção do Brasileirão 2020 escalada
em 4-3-3 (imagem obtida via www.footballuser.com)




sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

O Título que Ninguém Queria

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Parabéns, antes de mais nada, ao Flamengo e aos flamenguistas pela conquista do oitavo título no Campeonato Brasileiro. O troféu, aliás, veio em uma rodada que foi a imagem desta competição, com os dois candidatos ao caneco, Fla e Inter, sofrendo até os últimos minutos de suas respectivas partidas. Nem parecia que precisavam vencer para obter o desejado prêmio.

O Flamengo dependia apenas de si para ficar com o título, mas não demonstrou competência ou força mental para superar o ferrolho do São Paulo. Os Rubro-Negros se mostravam tensos, desesperados, precipitados enquanto o Tricolor negava espaços e parecia controlar a partida. A imagem dos flamenguistas esperando ansiosos pelo desfecho do jogo do Internacional foi bizarra.

O Internacional não aproveitou o vacilo do Flamengo e perdeu o título por pura incompetência em atacar. Era óbvio que Vagner Mancini iria armar um ferrolho para segurar os Colorados. O próprio Abel Braga já havia revelado o seu "ponto fraco" em entrevistas: "o problema é quando você tem a bola". E assim o Timão segurou os gaúchos no Beira Rio. Houve ainda a polêmica dos gols anulados mas os mandantes poderiam ter feito mais em campo.



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Nenhum time do Brasileirão, aliás, merecia o troféu. Flamengo, Internacional, Atlético Mineiro, São Paulo, ... Nenhum deles demonstrou futebol ou atitude necessários para serem campeões, apenas brilhos fugazes que serviram para iludir o torcedor durante algumas rodadas.

Podemos creditar a irregularidade dos times a muitos fatores: o cansaço pela temporada extensa, a falta de torcida nos estádios, a pressão desnecessária criada pelos próprios clubes, salários atrasados, ... Todos argumentos válidos, mas as instituições, por mais endividadas que estejam, têm condições para blindar o elenco, oferecer suporte psicológico ou mesmo tentar motivar o grupo com os chamados "bichos". É obrigação de qualquer entidade buscar soluções criativas para resolver os problemas.

O desfecho do Brasileirão 2020 foi totalmente condizente com o desenrolar do campeonato. Nunca se viu uma competição tão atípica e com tantas reviravoltas como esta. Tanto que o torneio que se chama "Campeonato Brasileiro 2020" terminou em 2021.

O Brasileirão 2020, aliás, pode não ter se encerrado ontem: há a polêmica partida entre Vasco e Internacional -aquela em que o VAR não ofereceu uma resposta conclusiva pela câmera estar mal posicionada. A queixa dos Cruz-Maltinos está sendo apreciada pelo STJD e existe a possibilidade do jogo ser impugnado.

Seria um desfecho apropriado para um Brasileirão "maluco".



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CENI

Rogério Ceni teve méritos na conquista mas o ex-goleiro ainda se mostra muito inexperiente para comandar uma equipe com a grandeza do Flamengo. O paranaense tomou muitas decisões contestáveis como insistir em dois zagueiros (Gustavo Henrique e Léo Pereira) em péssima fase, peitar o atacante Gabigol desnecessariamente ou se preocupar apenas com o ataque. O treinador é talentoso e tem potencial para evoluir, mas ainda não o vejo totalmente preparado para voos mais altos.



ABEL

Outrora "ultrapassado", Abel Braga termina o Brasileirão em alta mesmo sem o título. O experiente treinador, que se mostrava fora da realidade (provavelmente ainda abalado pela perda do filho), deu a volta por cima e mostrou que ainda tem lenha para queimar. O carioca deixa o Beira Rio fortalecido e com a certeza que ele não tardará a encontrar outro clube. Mas seus times precisam aprender a jogar com a bola urgentemente, afinal futebol não é só se defender.



ESTADUAIS

Os times que disputaram a Série A entrarão em campo já no próximo domingo para a disputa dos inúteis estaduais. Os clubes deveriam conceder férias aos seus jogadores e disputar os campeonatos regionais apenas com reservas ou times Sub-20, mas preferem ser cúmplices na manutenção destas competições que atrasam o nosso futebol.




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Plot Twist

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O Campeonato Brasileiro de 2020 deveria entrar para a história devido ao alto número de reviravoltas. Poderia até render um romance tamanha a quantidade de fatos bizarros ocorridos ao longo do desenrolar da competição: o atraso em virtude da pandemia, as lambanças envolvendo o VAR e, principalmente, as constantes mudanças na parte de cima da tabela.

Tudo começa com o Flamengo, atual campeão brasileiro e franco favorito ao título. Pouco antes da competição se iniciar, o treinador Jorge Jesus deixa o clube para acertar com o Benfica e Dome desembarca na Gávea para substituí-lo. O catalão, apesar do desempenho, recebe a antipatia da torcida devido à irregularidade da equipe e aos seus métodos pouco ortodoxos. Chega, então, Rogério Ceni. O Mengo é eliminado de todas as competições, despenca na tabela e vê o título mais longe.

O Atlético Mineiro, que já havia demitido Rafael Dudamel e contratado Jorge Sampaoli, começa a competição empolgando com um futebol intenso e vibrante. Mas o Galo tropeça e a perda de pontos começa a pesar no desempenho. O treinador argentino externa seu descontentamento com o elenco, pede mais reforços e expõe os salários atrasados do grupo. A bronca do comandante, porém, não diminui a irregularidade do time e os mineiros terminam o ano longe do troféu.

Surge o Internacional de Eduardo Coudet. A equipe curta e de mais suor do que talento chega à liderança aos trancos e barrancos e se mantem viva nos mata-matas. O argentino, porém, aceita uma proposta do Celta de Vigo e deixa o Colorado. Abel Braga assume, o desempenho da equipe despenca, ocorre a eliminação da Copa do Brasil, há a queda na Libertadores e os dirigentes gaúchos encaminham acerto com o treinador Miguel Ángel Ramírez.



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Surge o São Paulo. O criticado Fernando Diniz consegue acertar o time após as eliminações da Libertadores e da Sulamericana. A equipe consegue grandes resultados, joga um futebol empolgante e demonstra a importância da longevidade dos treinadores. Mas o mineiro perde a mão do elenco ao insultar seus próprios jogadores e a equipe começa a capengar. O técnico é demitido e o Tricolor fica fora da briga pelos títulos.

O Inter reassume a liderança. Abel Braga, que era visto como "ultrapassado", faz o grupo reagir com um futebol mais baseado na eficiência do que talento ou técnica. O Colorado vê o título cada vez mais perto... Até que Rodinei é expulso após pisar no calcanhar de Filipe Luís. Os gaúchos perdem a liderança na penúltima rodada e agora dependem de sorte para ficar com o troféu.

O Flamengo, que já havia jogado a toalha na disputa pelo título, assume a liderança. Rogério Ceni, que estava prestes a ser demitido, e seus jogadores, que já eram pesadamente contestados; agora estão empolgados e com uma mão no troféu. É fato que a vitória sobre o Inter foi muito mais por sorte -a expulsão de Rodinei- do que pelo futebol praticado, mas isto não tira os méritos do Rubro-Negro.

Resta apenas uma rodada, a ser realizada na próxima quinta-feira. O Flamengo depende apenas de si para ficar com o troféu, mas eu não cravo nenhum resultado. O bizarro Campeonato Brasileiro de 2020 demonstrou que nada é impossível no futebol. Não será surpresa se alguma outra reviravolta ocorrer até lá, sobretudo após todos os fatos aqui apresentados.



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