sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Procura-se um Ídolo

Kylian Mbappé é sempre apontado por jornalistas como "futuro melhor do
mundo" (imagem extraída de www.facebook.com/kylianmbappeofficiel).



Cristiano Ronaldo e Messi, gostem ou não, já estão na reta final de suas respectivas carreiras. A dupla que sempre "oligopolizou" a Bola de Ouro já não consegue mais fazer a diferença nos gramados como durante as últimas duas décadas e é questão de tempo para que pendurem as chuteiras.

Há uma busca desesperada por jogadores que possam ocupar o vazio deixado pela dupla de atacantes mas é difícil encontrar atletas que possuam o mesmo apelo midiático. Jogadores como Modrić, De Bruyne e Lewandowski não geram o mesmo impacto de Messi ou Ronaldo por mais troféus que conquistem.  

O futebol precisa de ídolos por uma questão comercial afinal são eles quem cativam os fãs, ajudam a divulgar o esporte aos leigos -e, trazê-los para o mundo da bola- e também movimentam bilhões de dólares através de vários tipos de publicidade incluindo venda de produtos licenciados que serão consumidos pelos entusiastas.

A dificuldade de se encontrar alguma nova estrela, no entanto, é ainda maior no futebol atual visto que vivemos a era do jogo coletivo onde o trabalho em equipe faz muito mais a diferença do que individualidades. Foram-se os tempos quando todo o time ficava recuado e deixava o craque decidir sozinho as partidas.



Muitos acreditam que Haaland conquistará a Bola de Ouro
 futuramente (imagem extraída de www.facebook.com/mancity).



Tudo isso justifica os apelos sobre Mbappé, Haaland e qualquer outro jogador de potencial técnico e/ou midiático, afinal a indústria do futebol deseja a continuidade dos lucros após as aposentadorias de Ronaldo e Messi.

Alguns veículos de imprensa, da mesma forma, exageram nos elogios aos possíveis craques visando obter engajamento em cima de tais jogadores. Não à toa criam apelidos impactantes como "o Fenômeno", "o Imperador", "a Máquina" e por aí vai.

Eu não tenho dúvidas que Mbappé e Haaland sejam craques. Os dois realmente fazem muita diferença em campo e decidem para suas equipes quando o jogo está parelho. Mas há muitos exageros a respeito dos jogadores e tudo parece uma "forçada de barra" para que a dupla preencha o quanto antes o vazio deixado por Ronaldo e Messi.

Mbappé possui apenas 23 anos (completa 24 em dezembro) enquanto Haaland tem 22. Os dois ainda são jovens e têm toda uma carreira pela frente. O excesso de expectativa e de elogios, porém, criam uma grande pressão sobre o desempenho dos atletas. Talvez os dois sequer conquistem a Champions League, o campeonato que quase sempre é utilizado como critério para a Bola de Ouro.

O fato de serem jovens torna o excesso de elogios ainda mais perigosos. Os dois atletas podem acabar "mimados" e ambos podem até se desviar do profissionalismo. Aqui mesmo no Brasil não são raras as promessas que acabam se perdendo pelas expectativas exageradas ou pelas más influências.

Mbappé e Haaland são dois grandes atacantes e têm tudo para fazer sucesso. Ainda é cedo, porém, para afirmarmos que sejam os sucessores de Messi e Ronaldo. Isto só o tempo e o desempenho em campo irão responder. O desespero de alguns veículos para torná-los ídolos é uma atitude muito forçada e pode até ser nociva à carreira dos dois esportistas.



Mbappé já venceu a Copa do Mundo em 2018 mas isto não ainda foi suficiente para
ganhar a Bola de Ouro (imagem extraída de www.facebook.com/kylianmbappeofficiel).




quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Afinal, Ganso Merece a Seleção?

Imagem extraída de www.facebook.com/FluminenseFC



Não tenho acompanhado os jogos do Fluminense mas soube através da imprensa que o meia Paulo Henrique Ganso atravessa uma excelente fase no Tricolor. O jogador, que há alguns anos atrás era alvo de críticas pela sua lentidão e por ter se desentendido com o técnico Oswaldo de Oliveira, agora parece ter reencontrado o bom futebol sob a batuta do treinador Fernando Diniz.

O ótimo momento do jogador motivou torcedores e comunicadores a pedirem uma nova chance para Ganso na Seleção Brasileira. Há, inclusive, quem defenda sua convocação para a Copa do Mundo a ser realizada daqui a dois meses. A última vez que o armador vestiu a amarelinha foi em 2016 na Copa América Centenário mas o articulador não chegou a entrar em campo na ocasião.

Ganso é um craque. É um camisa 10 clássico com passes precisos e ótima leitura de jogo. O jogador, porém, sempre pecou pela pouca mobilidade e versatilidade em campo o que fez o meia ser preterido no Sevilla para o intenso Samir Nasri. Ademais, o atleta possui fama de "acomodado" pela sua postura nos gramados, o que lhe rendeu o desagradável apelido de "Gansono" pelos detratores.

O futebol atual exige muito do físico dos jogadores. Os defensores sobem para ajudar no ataque enquanto os atacantes recompõem a defesa quando o time está sem a bola. Atletas como Ganso, Özil e Xavi acabaram perdendo espaço em decorrência disto. Atualmente, o "modelo ideal" de meia-armador é Kevin de Bruyne que possui muita mobilidade em campo e a capacidade de se infiltrar na defesa rival, além de muita qualidade no passe.



Imagem extraída de www.facebook.com/FluminenseFC



Ganso teria outros dois problemas além da pouca mobilidade em campo: a idade (ele já está com 33 anos, um pouco acima do auge físico da maioria dos atletas) e também a falta de tempo para testes na Seleção (o Brasil fará apenas mais dois amistosos preparatórios antes do Mundial). O camisa 10, portanto, teria de apresentar um desempenho excepcional durante os próximos dois meses para convencer Tite a convocar o meia.

O meia, porém, poderia preencher um vazio em nossa Seleção que é justamente a falta de atletas criativos. No momento, temos apenas Lucas Paquetá e Philippe Coutinho com tais características. Éverton Ribeiro (que sempre figura nas convocações de Tite) é muito mais um ponteiro do que armador, enquanto Raphael Veiga (outro que comunicadores vivem pedindo) funciona mais como um segundo volante e está lesionado no momento.

Outro ponto a favor de Ganso seria a sua amizade com Neymar. Os dois foram efetivados juntos no Santos em 2009 e ambos sempre demonstraram muito entrosamento em campo. Seria, portanto, mais um recurso para ajudar nosso principal jogador durante o Mundial.

Ganso, por fim, poderia utilizar Modrić como exemplo. O croata está com 37 anos e já não possui mais força para se impor em campo. Mas o meia do Real Madrid segue como titular absoluto visto que seus passes e sua experiência ainda fazem muita diferença nos gramados.

Eu, portanto, teria muitas restrições com relação a um eventual retorno de Ganso à Seleção. O futebol atual tirou o espaço dos camisas 10 clássicos e o meia teria muitas dificuldades para se impor diante rivais mais velozes. Mas valeria a pena realizar um teste, afinal há anos o Brasil não vem convencendo em campo e alguma novidade poderia mudar o cenário.



Imagem extraída de www.facebook.com/FluminenseFC




quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Tiki-Taka X Tiki-Taka

Imagem extraída de www.facebook.com/ChampionsLeague



Eu sempre tive a curiosidade em assistir a um jogo onde os dois times gostem de ficar com a bola quando comecei a escrever este blog. Hoje, enfim, pude presenciar um duelo entre duas equipes que atuam com tal estilo, lembrando bastante o Tiki-Taka que técnicos como Del Bosque e o próprio Guardiola popularizaram durante o fim dos anos 2000. E devo dizer que foi até um pouco "chato"!

Guardiola escalou seu Manchester City em 4-3-3 variando para 3-4-3 com Stones agindo como 3º zagueiro, Cancelo e Mahrez nas alas e De Bruyne atacando pela esquerda. Os Citizens, porém, tentavam atacar trocando passes e utilizando pouco a velocidade de seus atletas. Apenas Mahrez e De Bruyne conseguiam improvisar. Haaland, sempre muito vigiado por Süle e Hummels, teve participação apagada durante o 1º tempo.

O Borussia Dortmund também apostou no toque de bola mas a execução dos alemães foi muito melhor que a dos rivais. Os Gelbschwarzen, mesmo pressionados, saíam jogando com a defesa e contra-atacavam pelas pontas trocando passes. Reus, Bellingham, Özcan e Reyna se movimentavam muito e tinham muito espaço para chegar até a área de Éderson. O goleiro Meyer também fez um ótimo primeiro tempo com boas defesas e boas saídas do gol.

O ritmo da partida, porém, foi muito lento e até tedioso. Os grandões do City não pareciam muito à vontade jogando com a bola no chão. Os atletas do Dortmund foram um pouco melhores mas não conseguiram vazar Éderson.



 
City, em 4-3-3 variando para 3-4-3, tenta tocar a bola mas não consegue
se infiltrar na zaga rival. Apenas Mahrez e De Bruyne, pela esquerda,
conseguem levar perigo em lances individuais. Dortmund, em 4-3-3,
contra-ataca pelas pontas, trocando muitos passes e com muita
movimentação próximo à área de Éderson (imagem obtida via this11.com).



O Dortmund abriu o placar com Bellingham em lance de bola parada mas recuou demais e permitiu a pressão do City. Edin Terzić trocou o atacante Modeste pelo zagueiro Schlotterbeck e abaixou a marcação, o que foi um convite para os rivais se aproximarem do gol de Meyer.

Guardiola, com o City atrás no placar, fez um pacotão de substituições e permitiu que seus jogadores atuassem da maneira que gostam: com velocidade, imposição física e com mais bolas levantadas na área.

A marcação baixa do Borussia permitiu que Stones arriscasse um chute certeiro de fora da área e empatasse a partida. O gol abalou os alemães e, minutos depois, um cruzamento de Cancelo encontrou Haaland que emendou um lindo voleio. City 2x1 Dortmund.

Edin Terzić colocou mais atacantes (Adeyemi e Moukoko) para tentar alguma reação mas o Dortmund já estava mentalmente derrotado. Havia muito desespero nas jogadas e os alemães até apelaram para a catimba em alguns momentos.



Dortmund abriu o placar mas recuou demais e ofereceu muito espaço
aos rivais. Melhor para o City que, com imposição física e bolas
aéreas, conseguiu virar o jogo (imagem obtida via this11.com).



City faz o dever de casa mas Guardiola foi muito mal durante o primeiro tempo. O catalão tentou emular o seu Barcelona mas não possuía jogadores adequados para o seu velho Tiki-Taka. Os Citizens só melhoraram durante o segundo tempo quando seus atletas tiveram liberdade para atuar como gostam. E ainda tiveram a colaboração de Edin Terzić que mandou seu time recuar demais.

Dortmund deixou escapar o que seria uma vitória épica. O toque de bola alemão funcionou muito melhor que o inglês e os Gelbschwarzen estavam mandando no jogo. Edin Terzić, porém, errou ao recuar demais a sua equipe e oferecer o espaço que o City precisava para reagir.

A partida entre Tiki-Taka contra Tiki-Taka foi muito interessante sob o ponto de vista artístico, afinal foi um futebol muito agradável de se assistir e com poucas faltas. Mas o jogo perdeu em movimentação e em emoção -eu quase dormi durante o 1º tempo!

Eu, provavelmente, teria outra opinião há dez anos atrás quando eu comecei a escrever este blog e era um defensor ferrenho do futebol-arte. Hoje, porém, tive uma prova cabal de que a execução não é tão interessante quanto a ideia...



Imagem extraída de www.facebook.com/mancity




terça-feira, 13 de setembro de 2022

Sem Nexo

Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Acompanhei pela internet alguns lances do clássico São Paulo X Corinthians, realizado durante o último domingo no Morumbi. O que mais me chamou a atenção na partida foram as escalações. Ambas as equipes terão jogos válidos pela Copa do Brasil durante o meio da semana e os treinadores tiveram decisões distintas. E ambas, a meu ver, fazendo nenhum sentido.

Rogério Ceni optou por poupar seus titulares visando o jogo contra o Flamengo a despeito de haver poucas chances de avançar -o Tricolor terá de reverter uma desvantagem de 3X1 no Maracanã. Vítor Pereira, por sua vez, mandou quase todos os seus principais jogadores -provavelmente queria derrotar o rival em sua casa e motivar seus atletas contra o Fluminense.

O empate acabou sendo um resultado justo pelo futebol apresentado. O Corinthians parece ter se acomodado após abrir o placar com Yuri Alberto e acabou cometendo um pênalti de Gil em cima de Éder -que converteu a cobrança. O São Paulo lutou até o fim mas faltou ritmo de jogo e, principalmente, entrosamento aos reservas tricolores.



Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Discordei das escalações de ambos os treinadores. Rogério, a meu ver, deveria enviar os titulares visto que as chances de vencer o Flamengo são remotas e o São Paulo está próximo da zona de rebaixamento no Brasileirão. O mais sensato seria abrir mão da Copa do Brasil e tentar buscar pontos no Campeonato Brasileiro visto que a posição do Tricolor na tabela está longe de ser confortável.

Vítor Pereira, por sua vez, deveria ter feito o contrário e priorizar a Copa do Brasil. É fato que o Corinthians é favorito diante do Fluminense na Neo Química Arena mas o Timão precisa vencer o jogo visto que apenas empatou a partida de ida e não há mais o critério de gol qualificado. O português certamente pensou no peso do clássico visto que derrotar um grande rival seria uma grande injeção de ânimo aos titulares mas, ainda assim, considerei a decisão pouco sensata.

O empate, pelo contexto da partida, acabou sendo um pouco melhor para o São Paulo que ganhou algumas posições na tabela mas muito longe de ser considerado um alívio. O Tricolor segue próximo à degola e longe da vaga para a Libertadores -lembrando que não há nenhuma garantia de que o time conseguirá vencer o Independiente del Valle na Sulamericana.

O Corinthians, por sua vez, caiu para a quinta posição e viu a pressão aumentar para o jogo de quinta-feira. E ainda perdeu a chance de dar um descanso para os titulares para uma partida ainda mais dura. Ao menos, o Timão não terá o desgaste da viagem visto que jogará em São Paulo novamente.

As escolhas dos dois treinadores até se justificam mas, sem dúvida, os dois técnicos deveriam ser um pouco mais realistas em suas avaliações e mudado suas respectivas escalações. As decisões dos comandantes terão impacto no futuro dos times -para o bem e para o mal. 



Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc




segunda-feira, 12 de setembro de 2022

A África no Catar

O Senegal, atual campeão da CAN, é a seleção africana que mais chega
badalada ao Mundial (imagem extraída de www.facebook.com/TheAFCON)



Cinco seleções irão representar a África na Copa do Mundo. Camarões, Gana, Marrocos, Senegal e Tunísia tentarão levar o troféu até o continente. Coincidentemente, irão ao Catar as três equipes africanas que tiveram o melhor desempenho em Mundiais: Camarões (em 1990), Senegal (em 2002) e Gana (2010); todas conseguindo chegar às quartas-de-final da competição durante os anos mencionados.

A África já revelou inúmeros craques de renome mundial. Eto'o, Drogba, Kuffour, Okocha, Weah, ... Poderíamos fazer uma lista enorme de atletas africanos bem sucedidos. A última edição da Copa Africana de Nações (CAN -realizada entre janeiro e fevereiro deste ano) também nos brindou com futebol de bom nível técnico e serviu para empolgar os fãs, esperançosos para que as seleções do continente consigam ir mais longe na edição 2022 do Mundial.

Muitas das seleções africanas, porém, eram boas no papel ou no videogame mas não funcionavam como equipes. Mesmo contando com grandes gerações de jogadores, nem sempre os atletas conseguiam fazer a diferença juntos em campo. Ademais, não foram raros os problemas internos nas equipes.



O Marrocos conta com uma boa geração de atletas e tem potencial
para surpreender (imagem extraída de www.facebook.com/TheAFCON)



Outro problema apresentado é bem conhecido por nós, sul-americanos: dependência do futebol europeu. Por melhores que estejam as ligas locais, hoje é praticamente obrigatório buscar os astros que estejam brilhando na Europa para que as seleções sejam competitivas. Nem todos os jogadores, porém, criam identificação com os países que representam ou com o estilo de futebol do continente visto que muitos deles são formados nos costumes do Velho Continente.

Há, inclusive, a possibilidade de jogadores nascidos na África representar algum país europeu, visto que eles acabam se identificando muito mais com a Europa. A França, por exemplo, hoje conta com três jogadores nascidos no continente africano: o goleiro Steve Mandanda, o zagueiro Samuel Umtiti e o volante Eduardo Camavinga.

Há jogadores que, por outro lado, deixam as suas raízes africanas falarem mais alto e optam por representar a África ao invés de alguma nação europeia. Kalidou Koulibaly, Whabi Khazri, Eric Choupo-Moting,  Munir El Haddadi e Iñaki Williams nasceram no Velho Continente mas optaram por defender algum país africano profissionalmente.



Camarões conta com muitos jogadores que estão fazendo sucesso
na Europa (imagem extraída de www.facebook.com/TheAFCON)



Um último problema é a classificação destas seleções no ranking da FIFA. Poucos times africanos conseguem triunfar diante de rivais europeus ou sul-americanos de peso. Em decorrência disto, acabam mal colocadas em tal tabela e quase sempre caem em chaves difíceis nos Mundiais, o que dificulta as pretensões de tais equipes.

O Marrocos, por exemplo, terá pela frente a forte Bélgica e a atual vice-campeã Croácia. Gana vai encarar o Uruguai e Portugal, dois rivais de respeito. E Camarões cruzou o caminho de Brasil, Sérvia e Suíça; três adversários com gerações bastante fortes. Tunísia e Senegal caíram em chaves um pouco mais acessíveis.

Isto explica porque é ainda mais difícil para as seleções africanas avançar às oitavas-de-final. Mesmo um segundo lugar na chave é uma tarefa muitas vezes hercúlea. Os treinadores sequer conseguem poupar seus titulares para os mata-matas visto que praticamente todas as partidas na fase de grupos são decisivas.



Com alguns poucos remanescentes da histórica geração de 2010, Gana tenta
renovar seu elenco (imagem extraída de www.facebook.com/TheAFCON)



As possibilidade de título para as seleções africanas, portanto, são remotas. Os problemas enfrentados por tais equipes justificam os desempenhos modestos em Mundiais e porque chegar às quartas-de-final já é um motivo para que estes times entrem para a história do futebol.

Os times africanos, por outro lado, podem jogar sem o peso do favoritismo e entrar em campo sem muito a perder, bem ao contrário das equipes consideradas favoritas. Como diz aquele ditado, "quanto mais alto, maior a queda".

Ainda será muito difícil vermos alguma seleção africana erguer o troféu dadas as dificuldades apresentadas neste texto. A boa safra de jogadores e o bom futebol exibido durante a CAN, no entanto, permite aos africanos sonhar em ao menos igualar as boas campanhas de 1990, 2002 ou 2010.



Das seleções africanas, a Tunísia é a que possui o elenco mais modesto mas
é a que menos terá a pressão por resultados e também a chave mais acessível
(imagem extraída de www.facebook.com/TheAFCON)




domingo, 11 de setembro de 2022

Fogo Amigo




Eu costumava jogar futebol com os colegas do Instituto de Ciências Biomédicas ao final do expediente  -ou ao menos tentava, visto que eu era tão ruim que eu mal conseguia chutar uma laranja. Os jogos, porém, permitiram que eu fizesse muitas amizades e eu conheci muitas pessoas legais em todo o Departamento de Fisiologia onde eu trabalhava.

Um dia duas pós-graduandas vieram ao laboratório onde eu trabalhava para realizar alguns experimentos. Comecei a puxar assunto com elas e, por acaso, começamos a falar de futebol. Uma delas me contou que era formada em educação física e se interessou em jogar bola conosco.

A aluna -ela fazia mestrado no laboratório vizinho ao meu- passou a frequentar as partidas promovidas pela minha equipe. Raramente ela recusava os convites para jogar e ainda levava mais alguns de seus colegas de pós-graduação para bater uma bola conosco.

A mestranda jogava muito bem, sabia proteger a bola como poucos e possuía um chute bastante potente, que eu conheceria da pior maneira possível como vocês verão adiante. Ela também tinha muitas histórias divertidas que contava durante os cafés promovidos pelo instituto.






Uma noite, acho que era 2010, nós estávamos jogando uma partida em times adversários. Eu fui para o gol e tive a péssima ideia de não tirar os óculos. A mestranda deu um chute do meio da quadra e tentei defender. A bola acertou o meu rosto em cheio. Meus óculos voaram e fui para o chão onde fiquei deitado por uns dez minutos.

Um colega me levou de carona de volta para o instituto. Eu estava meio grogue com a bolada e proferi um monte de palavras sem sentido no caminho. Só percebi o tamanho do estrago quando fui ao banheiro e vi o meu olho direito inchado no espelho.

Não levei a bolada por mal apesar do estrago. Até tirei sarro da situação no dia seguinte ao acidente! A mestranda disse que não se lembrava que ela havia chutado a bola e ainda me disse que foi ela que veio me socorrer após o incidente.

Fomos perdendo o contato aos poucos. Com o tempo, ela parou de frequentar o meu laboratório e nossas agendas de experimentos foram se tornando mais intensas, o que inviabilizou as partidas. Eu deixei o instituto em março de 2013 e voltei a trabalhar por lá formalmente em meados de fevereiro de 2014. Não me lembro de tê-la visto novamente desde então.

As redes sociais, felizmente, permitiram que mantivéssemos contato e, de vez enquanto, trocamos algumas mensagens ou interações. Eu, porém, nunca mais falei a respeito da bolada, assunto que eu só resolvi comentar especialmente para a crônica de hoje!







sábado, 10 de setembro de 2022

Portas Abertas

Imagem extraída de www.facebook.com/DuhailSC



Faz pouco mais de um ano que Hernán Crespo deixou o São Paulo. As eliminações nas copas (Libertadores e Copa do Brasil) e a proximidade da zona de rebaixamento no Brasileirão custaram o cargo do treinador argentino, que hoje comanda o Al Duhail no Catar.

A demissão de Crespo foi cercada por episódios controversos por parte do São Paulo. Os jornalistas Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi afirmaram dias antes da dispensa que dirigentes estariam promovendo uma "renovação silenciosa" no elenco o que teria causado descontentamento por parte dos jogadores. No mesmo dia que o argentino foi desligado, a frase do técnico ("donde no llegan las piernas va a llegar el corazón") foi apagada do vestiário do Morumbi e o Tricolor acertou com Rogério Ceni na sequência, indícios de que já havia alguma movimentação para a troca no comando.

A saída de Crespo dividiu a torcida na época. Muitos permaneceram ao lado do argentino visto que foi sob sua gestão que o São Paulo acabou com o jejum de títulos que durava desde 2013. Pesaram ainda as atitudes controversas dos dirigentes tricolores durante a demissão do ex-atacante, bem como a de alguns jogadores que foram acusados de fazer "motim" para derrubar o técnico.

O argentino, porém, parece ter deixado as portas abertas ao Tricolor a despeito da saída conturbada. Não são raras as postagens de Crespo apoiando o seu ex-clube nas redes sociais. Muitos torcedores correspondem ao carinho como podemos ver na imagem abaixo.



Mesmo após sua demissão, Crespo seguiu apoiando o São Paulo.
E foi correspondido pelo torcedor (reprodução twitter.com/Crespo)



São fatos que o São Paulo apresentou uma queda acentuada de desempenho durante o segundo semestre e que o título do Paulistão fora conquistado sob condições excepcionais -o Tricolor optou por não dar férias aos jogadores enquanto as demais equipes pouparam seus atletas durante aquele período ainda influenciado pela COVID-19.

A maneira como os dirigentes do São Paulo dispensaram Crespo, no entanto, foi mais uma demonstração do amadorismo que tomou o clube que, outrora, fora considerado "exemplo de gestão". A instituição promovera constantes trocas no comando ou no elenco para obter os mesmos resultados temporada após temporada. Ademais, ficou aquele sentimento de ingratidão ao treinador que tirou a equipe da fila de títulos.

Crespo, contudo, teve o merecido reconhecimento pelos seus feitos. Não apenas por parte de torcedores do São Paulo mas também por fãs brasileiros que homenageiam constantemente o argentino nas redes sociais. Se os dirigentes tricolores não foram justos com o ex-atacante, os internautas trataram de exaltar os méritos de Valdanito.

A passagem de Hernán Crespo pelo Brasil foi curta -foram pouco mais de seis meses no banco do São Paulo- mas foi suficiente para deixar fãs em nosso país. E o argentino, pelos seus posts nas redes sociais, tratou de corresponder a todo esse carinho apesar de sua saída conturbada do Morumbi.



Crespo acabou com o jejum de títulos do São Paulo em
2021 (imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc)