sexta-feira, 5 de julho de 2024

Castigo Divino?

Dani Olmo foi o grande herói da Espanha com um gol e uma
assistência (imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



A Alemanha entrou muito mais "pilhada" do que o normal na partida de hoje, em especial o meia Toni Kroos que "caçou" Pedri até o jogador do Barcelona não aguentar mais e pedir substituição com apenas oito minutos de jogo. Dani Olmo entrou no lugar do camisa 20 e castigou a Mannschaft quase como uma "vingança" pela lesão do colega.

Luis de la Fuente repetiu a Espanha 4-2-3-1 de partidas anteriores enquanto Julian Nagelsmann escalou a Alemanha em 4-2-3-1/3-4-3 com Raum e Can nos lugares de Mittelstäd e Andrich, além de resgatar Tah que cumprira suspensão contra a Dinamarca.

Tanto a Furia quanto a Nationalelf tiveram a mesma ideia: sabiam que os laterais-direitos (Kimmich e Carvajal) eram muito ofensivos e recompunham mal. Então, trataram de forçar as jogadas pela esquerda com Nico Williams e David Raum.

A Alemanha tentou intimidar os jovens espanhóis com muitas faltas, principalmente Kroos que "caçou" Pedri até que o jogador do Barcelona saiu por lesão. Dani Olmo entrou no lugar do camisa 20 e Luis de la Fuente mudou o esquema para 4-1-4-1 com Ruiz mais solto na esquerda.

A Furia atacou mais às costas de Kimmich com Williams mas a Mannschaft negou espaços com linhas altas e respondeu com Raum e Musiala forçando as jogadas sobre Carvajal. O primeiro tempo foi bastante equilibrado e terminou em um justo 0x0.



Espanha, em 4-1-4-1 (já sem Pedri) circula a bola e ataca
principalmente com Williams às costas de Kimmich. Alemanha,
em 3-4-3, adianta as linhas para dificultar a saída de bola
espanhola e responde com Musiala e Raum forçando sobre
Carvajal (imagem obtida via this11.com).



Nagelsmann troca Sané e Can por Wirtz e Andrich, enquanto De la Fuente substitui o amarelado Le Normand por Nacho. A Furia, aproveitando que Raum estava advertido, passou a forçar as jogadas também pelo lado direito com Yamal e o camisa 19 cruzou na medida para Dani Olmo abrir o placar.

A Mannschaft sente o gol e vai para cima com Füllkrug e Müller nos lugares de Gündoğan e Tah. A ansiedade, porém, faz com que os alemães desperdicem oportunidades, inclusive em lances com Unai Simón vendido. A Furia, porém, se cansa e abaixa as linhas, chamando a Alemanha para a própria área e Wirtz, em um chute de longe, leva a partida para a prorrogação.

O juiz não dá um pênalti de Cucurella que colocou a mão na bola dentro da área. A Espanha desloca Olmo para a esquerda para forçar as jogadas às costas de Kimmich e o camisa 10 aciona Merino que dá números finais à partida. Carvajal ainda oferece emoções durante os últimos minutos ao tomar o segundo amarelo após falta em Musiala.



Alemanha aproveita cansaço da Espanha e empata com Wirtz,
mas Dani Olmo serve Merino aproveitando os espaços
de Kimmich (imagem obtida via this11.com).



Espanha vai às semifinais com méritos mas cabe mencionar que teve uma "ajudinha" do árbitro Anthony Taylor que não deu pênalti claro para a Alemanha e ainda não parou o jogo para atendimento de Kroos, mas interrompeu a partida quando Nacho caiu minutos depois.

Mannschaft se despede da Euro 2024 fazendo uma boa campanha mas ainda apresentando muitos vícios dos tempos de Löw e Flick. A Nationalelf ainda carece de objetividade e intensidade, ingredientes que faltaram durante as últimas eliminações. E ainda pagou caro pela violência em Pedri, visto que o substituto Dani Olmo deu um "castigo" à atitude da Alemanha.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




quinta-feira, 4 de julho de 2024

Euro 2024: Palpites para as Quartas-de-Final

Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024



Acabaram-se definitivamente os adversários "fáceis" e agora apenas os realmente fortes sobreviverão. Das 24 seleções que iniciaram a competição, apenas oito restaram e os times terão de dar o melhor de si mais do que nunca.

Teremos verdadeiros clássicos nos gramados alemães e a expectativa é por jogos bastante disputados com a rivalidade à flor da pele, incluindo duas reedições de finais da Eurocopa. Cabe lembrar, contudo, que os times provavelmente agirão com mais cautela em comparação às fases anteriores visto que os adversários agora são mais difíceis e o mata-mata não admite erros.

Faremos, como sempre, uma breve análise dos confrontos e daremos palpites para os jogos.



ESPANHA X ALEMANHA:

Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024



Reedição da final da Euro 2008. As duas seleções, obviamente, chegarão bastante diferentes de 16 anos atrás visto que trata-se de novas gerações de jogadores. A Mannschaft tem o mando de casa a seu favor mas a Furia parece mais pronta a seguir em frente. E a Espanha já deu amostras disto ao terminar com 100% de aproveitamento em uma chave tão difícil.

Data e Horário: sexta-feira dia 5 de julho, às 13:00h (horário de Brasília)

Palpite: Espanha



PORTUGAL X FRANÇA:

Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024



Reedição da final de 2016 com muitos remanescentes daquelas gerações ainda presentes. As Quinas vêm apresentando um futebol melhor e mais convincente em campo mas os Bleus possuem um elenco mais acostumado às grandes decisões e o treinador Didier Deschamps sabe jogar melhor com o regulamento.

Data e Horário: sexta-feira dia 5 de julho, às 16:00h (horário de Brasília)

Palpite: França



INGLATERRA X SUÍÇA:

Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024



O English Team possui o elenco melhor mas o treinador Gareth Southgate parece mais preocupado em acomodar as suas estrelas no onze inicial do que jogar futebol. A Nati, por outro lado, vem apresentando um desempenho mais convincente em campo, tanto que teve atuação superior no empate contra a Alemanha e deixou a favorita Itália para trás.

Data e Horário: sábado dia 6 de julho, às 13:00h (horário de Brasília)

Palpite: Suíça



HOLANDA X TURQUIA:

Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024



Dois elencos bastante renovados e com muitos atletas promissores. Difícil cravar algum palpite aqui visto que os dois times vêm jogando bem mas ainda apresentam certa instabilidade, possivelmente devido à inexperiência de seus elencos. A Oranje, apesar de ter apresentado um desempenho inferior ao dos Yıldızlılar em fases anteriores, tem mais chances de avançar por ter atletas um pouco mais vividos e também pelo peso da camisa.

Data e Horário: sábado dia 6 de julho, às 16:00h (horário de Brasília)

Palpite: Holanda




quarta-feira, 3 de julho de 2024

Euro 2024: Balanço das Oitavas-de-Final

Diogo Costa foi eleito o Craque da Rodada pelo blog
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Encerraram-se ontem as oitavas-de-final da Euro 2024. O mata-mata, cabe sempre lembrar, não perdoa erros e, portanto, as equipes foram bem mais cautelosas em comparação à fase de grupos. Mesmo assim, tivemos alguns times dando espetáculo em campo como a Espanha diante da Geórgia e a Holanda diante da Romênia.

A única surpresa da rodada certamente foi a eliminação da bicampeã Itália diante da "coadjuvante" Suíça. As equipes consideradas "azaronas", aliás, deram bastante trabalho aos favoritos a despeito de suas limitações o que reforça a necessidade de cautela em campo. A Eslováquia quase eliminou a Inglaterra no tempo normal enquanto a Eslovênia conseguiu segurar Portugal até os pênaltis.

Os meias e atacantes foram bem durante a rodada mas foram os jogadores de defesa que mais se destacaram nestas oitavas, em especial os volantes. Xhaka, Freuler, Rice, Ruiz, Rodri e Tchouaméni brilharam em campo e foram fundamentais para a classificação de suas respectivas equipes -a Seleção da Rodada ficou pequena para tantos destaques. E, claro, não podemos deixar de mencionar um certo goleiro que pegou três pênaltis em noite inspiradíssima.



Melhor Partida- Áustria 1x2 Turquia: foi o jogo mais equilibrado, disputado e emocionante das oitavas. A intensidade da partida foi tamanha que até perdi o sono depois de assistir ao confronto.

Pior Partida- Inglaterra 2x1 Eslováquia: a partida foi boa apenas durante o primeiro tempo. No segundo, a Eslováquia cansou e a Inglaterra atuou com uma burocracia incompatível com o contexto do jogo.

Melhor Time- Espanha: um espetáculo em campo. Quatro gols diante da apenas esforçada Geórgia foi pouco.

Pior Time- Itália: mesmo com jogadores de qualidade do meio-de-campo para frente, atuou com uma covardia inaceitável diante da Suíça.



Seleção da Rodada:



Seleção das Oitavas-de-Final escalada em
3-4-3 (imagem obtida via this11.com).



Goleiro- Diogo Costa (Portugal): realizou grandes defesas durante o tempo normal, pegou dois chutes de Šeško à queima-roupa e defendeu três pênaltis.

Zagueiro- Antonio Rüdiger (Alemanha): jogou por ele e por Kimmich que não voltava para recompor. Anulou Mæhle e garantiu um clean sheet para Neuer.

Zagueiro- Manuel Akanji (Suíça): botou Scamacca no bolso.

Zagueiro- Merih Demiral (Turquia): além de ajudar na defesa, fez os dois gols da Turquia.

Winger- Barış Alper Yılmaz (Turquia): deslocado para a ponta direita, o atacante Yılmaz cavou os dois escanteios que resultaram nos gols de Demiral e ainda deu trabalho à defesa austríaca.

Volante- Remo Freuler (Suíça): fez um gol e travou Barella.

Volante- Fabián Ruiz (Espanha): um gol, uma assistência e muitos chutes perigosos de fora da área.

Winger- Ruben Vargas (Suíça): fez gol, deu assistência para Freuler, ajudou nas tramas pela esquerda e também recompôs quando necessário.

Atacante- Donyell Malen (Holanda): fez dois gols e "matou" o jogo para a Holanda.

Atacante- Ivan Toney (Inglaterra): não fez gols mas bagunçou a defesa eslovaca para Bellingham e Kane virarem para a Inglaterra.

Atacante- Cody Gakpo (Holanda): um gol, uma assistência para Malen e foi o jogador que mais deu trabalho para a Romênia.

Treinador- Vicenzo Montella (Turquia): surpreendeu ao escalar seu time em 3-5-2 e deu um nó tático na Áustria. Demonstrou que tem pleno domínio sobre o elenco ao fazer seus jogadores atuarem fora das posições habituais e sem o capitão Çalhanoğlu.



CRAQUE DA RODADA- Diogo Costa (Portugal): se Portugal está nas quartas-de-final, foi muito graças a seu goleiro. Além das defesas, Diogo iniciou a reação das Quinas ao pegar o chute de Šeško na prorrogação minutos depois de Ronaldo ter desperdiçado um pênalti.



FLOP DA RODADA- Joachim Andersen (Dinamarca): não jogou mal mas esteve envolvido em dois erros que custaram a eliminação da Dinamarca. Foi flagrado em impedimento no lance que seria o gol dos Rød-Hvide quando o placar ainda estava 0x0 e depois botou a mão na bola dentro da área.




Nó Tático

Demiral (camisa 3) fez os dois gols para a Turquia
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Vicenzo Montella estava em baixa na Itália mas parece ter se reencontrado na Turquia. O ex-atacante assumiu os Yıldızlılar na metade de 2023 e vem obtendo resultados convincentes, ajudado pela atual safra de jovens e promissores atletas. O treinador estava desfalcado de seu capitão Hakan Çalhanoğlu contra a ótima Áustria de Ralf Ragnick mas isto não chegou a ser um problema: o italiano mudou o esquema e deu um nó tático no alemão.

Ragnick, também com alguns desfalques, escalou a Áustria em 4-2-3-1 assim como fizera durante a fase de grupos. Montella formou a Turquia em um 4-2-3-1 "teórico" mas mudou o posicionamento de todos os seus jogadores com o time funcionado em um 3-5-2.

Os Yıldızlılar posicionaram o meia Arda Güller como referência na área e deslocaram o atacante Yılmaz pela direita. O camisa 21 deixou Mwene e Lienhart completamente perdidos em campo. Quando a dupla se deu conta do que estava acontecendo, já estavam perdendo por 1x0 com gol do zagueiro Demiral em cobrança de escanteio. 

Os Burschen tentaram responder na imposição física e também utilizando a movimentação de Sabitzer e Arnautović mas foram encaixados pela linha de cinco dos Yıldızlılar. A Turquia seguiu mais perigosa com seus contra-ataques pela direita e foi para o intervalo em vantagem.



Áustria, em 4-2-3-1, não consegue transpor a linha de cinco dos
turcos. Turquia, em 3-5-2, responde principalmente pela direita
com Yılmaz (imagem obtida via this11.com).



Ralf Ragnick troca Mwene e Schmid por Prass e Gregoritsch mudando o esquema para 4-4-2/4-2-4 com o propósito de vencer a linha de cinco dos turcos além de fechar os espaços para Yılmaz mas não adiantou muito: o atacante conseguiu um novo escanteio por aquele lado e Demiral, em mais um cabeceio, ampliou para 2x0.

Toda aquela intensidade dos Yıldızlılar durante a primeira etapa, porém, cobrou o seu preço na segunda e os turcos se cansaram por volta dos 70 minutos, o que foi um convite para os grandões austríacos se aproximarem. Montella promoveu mudanças para reforçar a defesa mas poderia ter mantido Güler e Yıldız que ainda estavam bem na partida.

Os Burschen conseguem diminuir com Gregoritsch em cobrança de escanteio e vão para cima dos turcos durante os minutos finais -até o goleiro Pentz vai para a área nas bolas paradas visando evitar a eliminação. Os Yıldızlılar, já sem fôlego para buscarem algum contra-ataque, sofrem até o final e conseguem a classificação.

A Áustria se despede da Euro 2024 realizando uma grande campanha mas esbarrando na estratégia de Montella. Os Burschen souberam aliar a força física de seus atletas com a ofensividade. Uma pena que seus principais jogadores, Sabitzer e Arnautović, já sejam trintões e dificilmente permanecerão na seleção a longo prazo.

Turquia consagra sua jovem e promissora geração de atletas. Os Yıldızlılar, com muita raça e leveza, estão encantando na Euro 2024. E o treinador Vicenzo Montella vai renascendo após tantos trabalhos contestáveis. A vitória sobre a Áustria teve a mão do técnico italiano.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




terça-feira, 2 de julho de 2024

Pulando o Muro

Gakpo fez um gol e assistiu Malen em outro
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



A azarona Romênia tentou repetir contra a favorita Holanda a estratégia que havia dado certo durante a fase de grupos: usar linhas altas para trancar os rivais. A Oranje, porém, encontrou uma solução muito prática para superar os Tricolorii: usar bolas altas ou longas às costas da defesa.

Edward Iordănescu repetiu o 4-1-4-1 da fase de grupos mas com Mogoș no lugar de Bancu, suspenso. Ronald Koeman, por sua vez, foi de 4-2-3-1 com Dumfries de volta à lateral-direita e Bergwijn na vaga de Malen.

A Tricolorii tentou pressionar a defesa holandesa com linhas altas mas a Oranje tirou proveito da estratégia romena e passou a usar bolas altas na direção de seus três atacantes. Gakpo, recebeu pela esquerda e acertou um petardo de fora da área, sem chances para Niță. Como azar pouco é bobagem, a Romênia perdeu Mogoș por lesão e foi obrigada a queimar uma substituição já na primeira etapa.



Romênia, em 4-1-4-1, tenta imobilizar os holandeses com suas
duas linhas de quatro e avançam com os quatro meio-campistas
para pressionar a defesa rival. Holanda, em 4-2-3-1, responde
com bolas longas às costas da zaga (obtido via this11.com).



A Oranje recua e explora o desespero romeno com contra-ataques mas os holandeses perdem muitos gols feitos -a maioria por mérito do goleiro Niță. A Tricolorii tenta responder subindo a marcação mas esbarra na recomposição rival. A Holanda, enfim, vence o arqueiro adversário em cobrança de escanteio com Gakpo, em jogada de pura raça, serve Malen para fazer o segundo. E deu tempo para o atacante do Borussia Dortmund anotar o terceiro em contra-golpe.

Romênia, mesmo com a goleada, se despede fazendo grande campanha e mostra que o futebol do país tem potencial para reviver seus dias de glória visto que o elenco ainda é predominantemente jovem. Holanda vence com inteligência ao explorar as fraquezas da tática romena. Justamente a Oranje =, que sempre gostou de jogar com a bola no chão, demonstrou que bom senso em campo muitas vezes é mais importante que a convicção.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




segunda-feira, 1 de julho de 2024

São Diogo

Diogo Costa pegou três pênaltis e classificou Portugal às quartas-
de-final (imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024). 



Diogo Costa, mesmo com a pouca idade (apenas 24 anos) ganhou a titularidade do experiente Rui Patrício, de 36. O arqueiro da Roma possui dois títulos pelas Quinas ao seu favor (Euro 2016 e Nations League 2019). O jovem portista, porém, justificou plenamente a confiança do treinador Roberto Martínez contra a Eslovênia e foi o grande responsável pela classificação de Portugal às quartas-de-final.

Roberto Martínez, que havia descansado o elenco contra a Geórgia, resgata os titulares e escalou Portugal no mesmo 4-2-3-1 adotado contra a Turquia. Matjaž Kek, mesmo desfalcado de alguns atletas, mandou sua Eslovênia a campo em 4-4-2.

As Quinas buscaram o jogo pelos lados sempre buscando Ronaldo na área mas esbarraram no ferrolho esloveno ou no goleiro Jan Oblak. A Eslovênia, por sua vez, respondeu principalmente pela direita com o meia Stojanović ou com bolas longas para Šporar ou Šeško.

Os portugueses, então, buscaram alternativas como chutes de fora da área ou forçar bolas paradas próximas ao gol de Oblak mas não conseguiram vazar o arqueiro mesmo assim. Os balcânicos chegaram a dar alguns sustos nos ibéricos em contra-ataques no final da primeira etapa mas os times foram para o intervalo em um justo 0x0.



Portugal, em 4-2-3-1, avança pelas pontas tentando acionar
Ronaldo mas para no ferrolho balcânico. Eslovênia, em 4-4-2,
usa o meia Stojanović como desafogo pela direita ou responde
com bolas longas em direção aos atacantes (obtido via this11.com).



As Quinas aumentam a intensidade durante o segundo tempo com lances individuais, bolas longas e inversões de jogada mas nada de vazar o goleiro Oblak. Nem mesmo as cobranças de falta ou de escanteio para vencer o arqueiro do Atlético de Madrid. A Eslovênia chega a assustar com contra-golpe de Šeško que ganhou de Pepe mas chutou em cima de Diogo Costa.

A partida vai para a prorrogação. Portugal insiste no ataque enquanto a Eslovênia, aparentemente satisfeita com o empate, controla o jogo com faltas. Drkušić derruba Diogo Jota na área e Ronaldo vai para a cobrança mas Oblak defende -o capitão se abala é visto quase aos prantos após perder o pênalti. Minutos depois, Šeško ganha novamente de Pepe em contra-ataque mas finaliza novamente em Diogo Costa. E o jogo vai para os pênaltis.

Diogo Costa consegue pegar as cobranças de Iličić, Balkovec e Verbič. Ronaldo, Bruno Fernandes e Bernardo Silva convertem, classificando as Quinas para as quartas-de-final. Matjaž Kek e a Eslovênia, apesar da eliminação dramática, entram novamente para a história ao chegarem às oitavas da Euro pela primeira vez e podem deixar a competição de cabeça erguida.

Portugal deve muito a classificação ao seu jovem arqueiro. Diogo Costa realizou poucas mas importantes defesas durante o tempo normal e pegou três pênaltis. É candidatíssimo a "Craque da Rodada" pelo blog e possivelmente o Porto receberá muitas propostas pelo goleiro após esta fantástica exibição.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




Jogo de Xadrez

Kolo Muani fez o único gol da partida (imagem
extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Sun Tzu escreveu em sua obra A Arte da Guerra: "quando se fortalece a vanguarda, a retaguarda fica enfraquecida e vice-versa". França e Bélgica, tendo em mente a força de seus rivais, realizaram uma partida muito mais de estratégia do que de futebol, sempre com muita cautela para não se exporem demais aos habilidosos atacantes adversários. Muitos jornalistas, em decorrência disto, costumam comparar confrontos como os de hoje com jogos de xadrez.

Didier Deschamps escalou a França em 4-3-3 sem Dembélé e com três volantes (Tchouaméni, Kanté e Rabiot). Domenico Tedesco, por sua vez, surpreendeu e enviou a Bélgica com diversas mudanças: 4-4-2 com Carrasco na ponta direita; De Bruyne e Onana como meias centrais; e Openda e Lukaku com liberdade no ataque.

Os Bleus buscaram o ataque pelas pontas mas pouco conseguiram se infiltrar nas duas linhas de quatro belgas. Os Diables Rouges, por sua vez, preencheram todo a intermediária com seu 4-4-2 e responderam usando seus quatro meio-campistas, principalmente Carrasco aproveitando as subidas de Theo e Mbappé.

O primeiro tempo foi muito mais de cautela e "estudo" com ambas as equipes tomando o máximo de cuidado para não se exporem demais. A França tentou uma pressão durante os cinco minutos finais com alguns chutes de fora da área mas não conseguiu transpor a defesa belga.



França, em 4-3-3, tenta a infiltração pelas ponta mas não consegue
furar a defesa belga. Bélgica, em 4-4-2, ocupa toda a intermediária
e responde com seus meio-campistas tentando acionar os dois
atacantes (imagem obtida via this11.com).



Os dois times retornam sem mudanças e seguem no "jogo de xadrez". Tedesco troca o atacante Openda pelo volante Mangala mudando o esquema para 4-2-3-1 e a Bélgica assume de vez o propósito de atuar no contra-ataque. Deschamps, por sua vez, tira o apagado Thuram para a entrada de Kolo Muani.

Os Diables Rouges, durante os 15 minutos finais, tentam surpreender os Bleus com linhas altas e usando Lukaku para "trombar" com a zaga francesa. A França, porém, consegue se defender e, enfim, encontra espaço para contra-ataques. Em uma rápida troca de passes, Kanté serve Kolo Muani para fazer o único gol do jogo -o tento foi dado contra para a Bélgica pelo chute ter desviado em Vertonghen. Tedesco apela para De Ketelaere e Lukebaio mas a ansiedade já havia consumido seus jogadores.

França leva a melhor no "jogo de xadrez". Ainda que a partida tenha sido muito truncada e até monótona, não se pode tecer muitas críticas aos treinadores, afinal ambos conheciam o potencial de seus adversários e sabiam que o menor erro poderia custar caro. E o erro da Bélgica ao se expor acabou custando a eliminação dos Diables Rouges.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024