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segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Só Acredito Vendo

Imagem extraída de twitter.com/CBF_Futebol



Dorival Júnior foi apresentado pela CBF na última quinta-feira e o principal assunto da entrevista coletiva foi Neymar. O treinador elogiou o atacante a quem chamou de "muito importante, desde que recuperado, em condições e totalmente focado". O técnico ainda afirmou que a Seleção precisa aprender a jogar sem seu astro.

É fato que Neymar já não goza do mesmo prestígio de outros quadriênios quando defendia o Barcelona e o Paris Saint-Germain. Aos 31 anos (terá 34 durante o próximo Mundial), com um amplo histórico de lesões e com muitos problemas disciplinares (dentro e fora de campo); o jogador hoje está desvalorizado, não possui mercado entre os grandes clubes da Europa e não teve saída senão migrar para o emergente futebol saudita.

O lobby por Neymar na Seleção, contudo, ainda segue muito forte por parte de fãs, patrocinadores, imprensa e dirigentes (de dentro e de fora da CBF) que desejam a exposição do jogador com a camisa amarelinha. O próprio Dorival Júnior já sentiu a força do jogador em 2010 enquanto comandava o Santos e foi demitido após tentar puní-lo por indisciplina. Se Ney já era influente durante seus tempos de Vila Belmiro, hoje está ainda mais poderoso e melhor assessorado.



Reprodução www.instagram.com/cbf_futebol



Percebe-se, ainda, uma certa rejeição contra os jogadores que se candidatam à sucessão de Neymar. Muitos ainda não parecem confiar em Vini Jr., Rodrygo, Gabriel Jesus e outros atacantes que estão se destacando na Europa. Nenhum deles, ademais, possui o mesmo carisma e impacto midiático de Ney o que dificulta a aceitação de parte da torcida e da imprensa.

Dorival, portanto, dificilmente conseguirá armar uma equipe sem Neymar ainda que o jogador esteja entrando na fase final de sua carreira. A pressão pela convocação do atacante ainda será enorme mesmo que seu desempenho e seu histórico não tenham sido positivos durante os últimos anos.

O treinador terá os próximos seis meses para provar que a Seleção pode prescindir de seu principal jogador visto que Neymar só deve retornar aos gramados em meados de agosto. Um eventual desempenho ruim, porém, deve aumentar ainda mais o clamor pela convocação de Ney visto que o torcedor brasileiro sempre busca por um "salvador" durante os momentos ruins.



Reprodução www.instagram.com/cbf_futebol




sábado, 6 de janeiro de 2024

Bombeiro ou Solução?

Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Ednaldo Rodrigues foi reconduzido ao cargo de presidente da CBF através de liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro Gilmar Mendes justificou a decisão alegando que a Seleção Brasileira poderia ser prejudicada caso o afastamento do cartola fosse mantido. O mandatário, então, tratou de agir demitindo Fernando Diniz do Escrete Canarinho e declarando o interesse em Dorival Júnior, atualmente no São Paulo.

Dorival está em alta pelos títulos recentes que conquistou durante os últimos dois anos, a Libertadores em 2022 (pelo Flamengo) e a dobradinha na Copa do Brasil em 2022-2023 (pelo Rubro Negro e São Paulo, respectivamente). Ademais, o jornalista Cosme Rímoli afirma que isto seria uma manobra de Ednaldo para tentar se reaproximar dos dirigentes paulistas que têm feito oposição ao mandatário.

O treinador paulista demonstrou seus predicados durante seus trabalhos recentes ao "fazer o simples" e escalar os jogadores onde mais se sentem confortáveis em campo. Um ou outro improviso foi realizado como Everton Ribeiro mais centralizado e Alisson recuado como volante. Dorival, ademais, é conhecido por oferecer chances a garotos formados na base dos próprios clubes, algo que sempre foi sua marca registrada.

É necessário, porém, compreender o contexto do sucesso de Dorival no Flamengo e no São Paulo: em ambos ele recebeu elencos que estavam em pé de guerra com os seus respectivos treinadores (Paulo Sousa e Rogério Ceni) e os cartolas apostaram no perfil apaziguador do paulista para unir novamente os grupos.



Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



A Seleção Brasileira, no entanto, não está em crise devido a problemas no vestiário e sim porque o time não demonstra brio em campo. Ademais, não é do feitio de Dorival enfrentar as lideranças do elenco e, com isso, dificilmente teríamos uma necessária renovação no Escrete Canarinho. O treinador, cabe lembrar, desafiou Neymar em 2010 no Santos e pagou com seu emprego. Seria recomendado, portanto, um técnico mais rígido para chacoalhar a equipe neste momento.

Dorival, ademais, possui o perfil muito semelhante ao de Tite, a quem chamou de "melhor treinador do Brasil". Além de ser paternalista, o técnico paulista possui estratégias pouco arrojadas (embora eficientes), semelhante ao atual comandante do Flamengo. Talvez o excesso de ousadia de Diniz tenha pesado na escolha de Ednaldo.

Há, por fim, um grande empecilho: como Ednaldo foi reconduzido de maneira liminar, ainda há o risco do mandatário ser afastado novamente e Dorival poderia cair junto caso haja uma nova mudança na presidência da CBF. Jornalistas afirmam que o treinador está ciente da situação e se mostra cauteloso com o interesse do dirigente.

Dorival, portanto, viria à Seleção Brasileira para apagar o incêndio assim como fizera no São Paulo e no Flamengo. O treinador, porém, dificilmente apresentaria algo revolucionário para o Escrete Canarinho lutar pelo hexacampeonato e seria muito mais uma solução a curto prazo do que um projeto para 2026.



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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Riscos Desnecessários, Parte II

Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



O São Paulo já havia se livrado do rebaixamento no dia 8 de novembro após derrotar o Red Bull Bragantino na Vila Belmiro -o Morumbi estava alugado para um show. Ainda havia o risco matemático de queda mas a última rodada do Brasileirão 2023 comprovou, mais uma vez, a teoria dos estatísticos de que nenhum time cai com 46 pontos ou mais -o Bahia, atual 17º colocado, pode chegar a 44 no máximo.

Muitos jornalistas, então, especularam que o treinador Dorival Júnior passaria a realizar testes no time para dar oportunidades a jogadores que tiveram pouco espaço ao longo da temporada (Pato, Jhegson Méndez, Raí Ramos, ...) e também a mais garotos revelados em Cotia (Belém, Negrucci, Talles Wander, Willian Gomes, ...), algo que sempre marcou os trabalhos anteriores do técnico paulista. 

O treinador, para a surpresa de todos, manteve praticamente todo o time titular em campo para as rodadas finais a despeito de não haver mais nada em disputa para o Tricolor visto que o time não reunia mas chances de título no Brasileirão e o risco de rebaixamento ere inferior a 1% segundo os estatísticos. 

A atitude de Dorival se explica, em parte, pelos ocorridos durante sua passagem pelo Flamengo no ano anterior: após a conquista da Libertadores e da Copa do Brasil, o clube antecipou as férias dos titulares e o treinador disputou as últimas rodadas do Brasileirão apenas com reservas. Os resultados pífios obtidos nos últimos jogos do Rubro-Negro, porém, foram alvo de críticas pesadíssimas e serviram como "desculpa" para a demissão do técnico da Gávea.



Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Dorival, após o incidente na Gávea, provavelmente não quis oferecer abertura para uma nova demissão e seguiu com o time titular nas partidas restantes. As atitudes do treinador, porém, também foram alvo de críticas (justas, na opinião do blogueiro), afinal há muitos jogadores no banco tricolor pedindo passagem e as rodadas finais do Brasileirão seriam a oportunidade perfeita para testá-los. Ademais, o técnico conseguiu aumentar o número de lesões no elenco -Lucas Moura, que saiu machucado de campo duas vezes, foi o caso mais grave- ao expor os atletas a um risco desnecessário.

O treinador, diferente do que ocorreu no Flamengo quando era um mero "tampão", está prestigiado no São Paulo. Dorival já desembarcou no Morumbi respaldado pelos títulos que conquistara em 2022 e o inédito troféu da Copa do Brasil é o seu escudo. E, cabe mencionar, que o São Paulo não era favorito na competição. O técnico, portanto, corria um risco praticamente nulo de demissão -talvez se o Soberano fosse rebaixado no Brasileirão.

Dorival foi brilhante ao recuperar o psicológico do São Paulo e conquistar a inédita Copa do Brasil, mas errou ao não oferecer mais chances aos reservas e ainda expôs os titulares a riscos desnecessários. O técnico não deve ser demitido pelas atitudes, afinal o saldo de seu trabalho no Morumbi foi totalmente positivo, mas poderia ter conduzido melhor seu trabalho nesta reta final.



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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Nem Sempre Porrada Resolve

Imagem extraída de www.facebook.com/saopaulofc



Corinthians, Flamengo e São Paulo optaram por demitir seus respectivos treinadores já no primeiro semestre mas tiveram escolhas bastante distintas nos sucessores: o Tricolor optou pelo conciliador Dorival Júnior para acalmar o grupo enquanto os outros dois clubes preferiram técnicos mais enérgicos visando tirar seus elencos do "comodismo".

O Flamengo venceu mas ainda não convenceu em seus últimos jogos. Sampaoli não tem se mostrado muito diferente do antecessor Vítor Pereira na escolha dos métodos e ainda tem tido azar com as deficiências no elenco. O Corinthians, por sua vez, precisou trocar duas vezes de treinador o que serviu para tornar o ambiente ainda mais tenso e Vanderlei Luxemburgo ainda não obteve nenhuma vitória desde o seu retorno ao Parque São Jorge.

O São Paulo, diferente dos rivais, vem navegando em mares mais tranquilos e ainda não perdeu desde que Dorival assumiu -são seis vitórias, quatro empates e nenhuma derrota. O entendimento entre treinador e elenco é bom o que permite que o técnico possa realizar "rodízios" ou testes no grupo sem grandes prejuízos.

Não há uma regra quando se lida com seres humanos, tanto que o mesmo Vítor Pereira assumira o Corinthians em meio à temporada 2022 e obtivera bons resultados apesar de sua intransigência. Contudo, o ideal nas crises é sempre buscar por um treinador de perfil conciliador para tranquilizar o elenco.



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Os dirigentes do São Paulo cometeram muitos erros durante os últimos anos mas acertaram em cheio ao contratarem Dorival Júnior. Os resultados a curto prazo são satisfatórios e há perspectivas por melhoras, ao contrário dos concorrentes que optaram por técnicos mais exigentes e seguem convencendo pouco em campo.

Torcedores apreciam os treinadores mais autoritários e que tenham estofo para cobrar os atletas mas se esquecem que os jogadores são o único tipo de funcionário que podem facilmente derrubar um chefe visto que todo um elenco pode se unir e causar a demissão de um técnico. E isto está ainda mais fácil nos dias de hoje visto que os futebolistas estão mais poderosos e melhor assessorados.

Treinadores não devem apenas pensar nos resultados mas também precisam gerir o grupo afinal precisam da colaboração dos jogadores para obterem as vitórias. Sempre há atletas mimados, "paneleiros" ou acomodados mas nos conflitos a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco que é justamente o técnico.

O sucesso de Dorival Júnior no São Paulo e a instabilidade nos concorrentes é a demonstração de que a conciliação ainda é o melhor método para se administrar uma crise. Nada impede que Luxa ou Sampaoli consigam acertar seus time a longo prazo ou que o Tricolor volte a decepcionar, visto que não há uma regra exata para se lidar com seres humanos. Ficou evidente, porém, que nem sempre "dar porrada" no elenco é a melhor solução para os problemas em campo.



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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Feijão com Arroz

Imagem extraída de www.facebook.com/FlamengoOficial



Não me recordo quem escreveu isso mas algum jornalista afirmou em seu blog que Dorival Júnior havia resolvido os problemas do Flamengo e levado o Rubro-Negro aos títulos de 2022 realizando algo simples: colocando os seus jogadores para atuarem da maneira que mais gostam. Sim, afinal uma das muitas reclamações atribuídas ao antecessor Paulo Sousa era de que o português "inventava demais" em campo e que isto estava prejudicando o desempenho dos atletas.

Os livros A Arte da Guerra de Sun Tzu e O Livro dos Cinco Anéis de Miyamoto Musashi contém passagens afirmando que uma das melhores maneiras de derrotar um adversário é surpreender o rival. Treinadores europeus -muitos deles influenciados pela escola holandesa de futebol- gostam de jogadores versáteis capazes de desempenhar mais de uma função em campo e, com isso, tornar suas equipes imprevisíveis. Isto ficou evidente com o quarteto ofensivo do Manchester United trocando de posição o tempo todo visando confundir a marcação do Barcelona.

Nem todos os jogadores, porém, conseguem assimilar tal mentalidade. Gabigol, por exemplo, não se adaptou à Internazionale e se desentendeu com o treinador Frank de Boer porque sentia dificuldades em atuar em mais de uma posição em campo. Ademais, o atacante estava acostumado com o restante do time jogando em sua função, algo inimaginável na Europa sobretudo para um jovem recém-chegado.

Os treinadores europeus, cabe lembrar, possuem muito mais autoridade e menos proximidade dos jogadores em relação ao futebol brasileiro. Guardiola, por exemplo, não teve piedade em dispensar atletas que não se encaixavam em seu estilo de jogo independente do talento ou da história no clube. O catalão, desta forma, mandou embora Ronaldinho Gaúcho do Barcelona e Bastian Schweinsteiger do Bayern München.



Imagem extraída de www.facebook.com/FlamengoOficial



Paulo Sousa, com parcos quinze dias de pré-temporada, não conseguiria implantar uma mentalidade tão "revolucionária" em tão pouco tempo. Com isso, os resultados não vieram e a demissão do português era mais do que esperada. E foi nesse cenário que Dorival Júnior deixou o Ceará (onde fazia um bom trabalho) para assinar com o Flamengo.

Dorival, com um estilo paternalista e respeitando as vontades de seu elenco, teve o sucesso que o antecessor Paulo Sousa não havia alcançado. E isso apesar do Flamengo ter perdido Arão, Lázaro e Gustavo Henrique para o futebol europeu na metade do ano.

O treinador paulista, porém, acabou injustamente dispensado ao final da temporada apesar dos títulos conquistados. Foi um erro enorme dos dirigentes e que teve influência no desempenho do Flamengo neste início de ano. Provavelmente os cartolas desejavam algum técnico "de grife" para comandar o time no Mundial e que também pudesse surpreender os rivais com alguma ousadia na escalação, algo que Dorival dificilmente poderia oferecer por seu estilo simples.

A ousadia e a imprevisibilidade são elementos que contribuem para a vitória afinal muitas equipes vencedoras acabam derrotadas posteriormente porque se acomodam e se tornam manjadas para os rivais. Dorival, porém, nos provou que o futebol ainda tem espaço para o feijão com arroz, sem grandes invenções em campo.



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segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Dorival: Gênio ou Submisso?

Imagem extraída de www.facebook.com/FlamengoOficial



Dorival Júnior conseguiu recolocar o Flamengo nos trilhos. O Rubro-Negro vinha jogando um futebol decepcionante e se aproximava da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro quando a equipe reagiu na tabela com a chegada do treinador. Ademais, o time da Gávea obteve resultados convincentes nos mata-matas e é finalista em ambas as copas (Libertadores e Copa do Brasil), podendo igualar o feito do Palmeiras em 2021.

O torcedor flamenguista, com base nos fatos aqui apresentados, está plenamente satisfeito com o trabalho do treinador, certo? Dorival definitivamente merece ser comparado ao lendário Jorge Jesus pelos seus feitos, correto?

Mais ou menos.

Alguns torcedores e jornalistas relataram que o trabalho do antecessor, Paulo Sousa, não teria decolado porque o treinador e o time não estavam em sintonia. O português teria desagradado aos líderes do elenco após barrar alguns dos medalhões que não estariam mais rendendo em campo.

Dorival, por sua vez, melhorou o clima no vestiário ao readmitir os veteranos barrados, à exceção do goleiro Diego Alves. Têm sido frequentes as críticas ao atual treinador por suas atitudes, principalmente quando jogadores menos quistos (Rodinei e Diego Ribas, especialmente) ainda recebem oportunidades ou quando o técnico insiste com os experientes enquanto torcedores clamam por renovação no elenco.



Imagem extraída de www.facebook.com/FlamengoOficial



As críticas direcionadas ao treinador são "diluídas" com a boa fase do Flamengo, mas sempre vêm a tona a cada tropeço rubro-negro. Os comunicadores são implacáveis nas derrotas ou empates: a culpa é da "submissão" de Dorival à "panela".

Dorival não está exatamente pressionado no cargo mas o treinador sabe que sua terceira passagem pelo Flamengo só será memorável com os títulos. Em caso de perda dos troféus, o treinador certamente "morrerá abraçado" com os jogadores que tanto insistiu manter em campo.

Todos os treinadores desejam vencer, mas, desejam se manter no cargo acima de tudo, afinal cada demissão é uma mancha no currículo e nem sempre alguma indenização milionária compensa. Dorival necessita dos resultados para seguir no comando e ele precisa do seu elenco para isto.

O treinador, portanto, deseja conquistar os troféus mais do que nunca para ser eternizado pelos seus feitos. Caso contrário, Dorival será lembrado pelos críticos como "o técnico que submeteu aos seus atletas" e certamente será apresentado à porta de saída junto com os jogadores contestados.



Imagem extraída de www.facebook.com/FlamengoOficial




segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Que Tal Klopp na Seleção Brasleira?

Imagem extraída do Facebook oficial do Borussia Dortmund- https://www.facebook.com/BVB



A entrevista de Daniel Alves ao canal pago ESPN causou furor quando o lateral do Barcelona revelou que o treinador Josep Guardiola estaria interessado em treinar a Seleção Brasileira. O treinador catalão, hoje no Bayern München, estaria disposto a abrir mão de seu "ano sabático" em 2012 e teria até mesmo um esquema tático pronto.

Guardiola revolucionou o futebol graças ao seu Tiki-Taka (que nada mais é do que um upgrade do Totaal Voetbal de Rinus Michels e de Johan Cruyff) e fez o Barcelona ganhar praticamente tudo o que disputou. Suas ideias também foram aproveitadas pela Seleção Espanhola, o que levou a Furia a conquistar a Eurocopa em 2008 e 2012, e também a Copa do Mundo de 2010.

O treinador catalão talvez até aceitasse trocar o Bayern pelo desafio de comandar a Seleção Brasileira, algo que nenhum treinador estrangeiro teve a honra (ou a loucura) de fazer até o momento.

Eu, no entanto, penso em uma opção mais barata e igualmente inteligente: o alemão Jürgen Klopp, que está desempregado no momento e, portanto, não haveria necessidade de se pagar uma multa rescisória para contratá-lo.

Klopp, assim como Guardiola, é um treinador que aprecia futebol bem jogando, com a bola no chão e com troca de passes. Ele dirigiu o Borussia Dortmund entre 2008 e 2014 apostando em um jogo leve e coletivo, lembrando o próprio estilo do Barcelona.

Mais do que isso, Klopp também conhece o futebol alemão como ninguém, justamente aquele que nos causou a mais dolorosa derrota de nossa história futebolística. O Borussia de Klopp possuía a leveza típica da Espanha combinada à velocidade e à eficiência alemã. Seus defensores, apesar de não serem muito fortes, sabiam como negar espaços aos rivais grandões. E os meio-campistas, na base da correria ou do toque de bola, faziam a redonda chegar facilmente ao atacante Lewandowski, o único grandão da equipe -isso quando o grandalhão polonês não vinha buscar a bola sozinho no campo de defesa



Borussia Dortmund 4-2-3-1 football formation
O Borussia Dortmund na temporada 2012-13 escalada em
4-2-3-1: a equipe combina troca de passes com a eficiência
alemã fazendo bom uso do tamanho e da agilidade de
seus atletas (imagem obtida via footballuser.com).



O 4-2-3-1 de Klopp seria facilmente adaptável à Seleção Brasileira, com algumas mudanças: jogadores mais físicos dariam espaço a atletas mais técnicos e com melhor qualidade no passe. Os volantes teriam de sair mais para o jogo ao invés de apenas marcar. Os wingers teriam de voltar mais vezes para cobrir os laterais quando a equipe joga sem a bola: os laterais do Brasil nunca primaram pela qualidade na marcação, algo que também ocorre no Borussia, mas Reus e Błaszczykowski voltavam para ajudar Schmelzer e Piszczek na marcação.



Brazil 4-2-3-1 football formation
Um esboço de como seria uma possível Seleção sob a
batuta de Klopp: time em 4-2-3-1, com dois volantes com
qualidades ofensivas (Elias e Hernanes são os atletas que
melhor representam o modelo adotado por Klopp), dois
wingers e um centroavante (optei por Pato por falta de
opções -obtida via footballuser.com).



O principal problema com Klopp seria o idioma, afinal o técnico só fala alemão e trabalhou com pouquíssimos jogadores brasileiros. A presença de atletas que já atuaram no país -Rafinha, Dante, Luiz Gustavo e Firmino- poderia ajudar o treinador. Talvez, também fosse interessante a escolha de algum atleta ou ex-atleta brasileiro que tenha atuado por anos na Alemanha (Lúcio, Juan Silveira, Zé Roberto, Élber, ...) para trabalhar como auxiliar de Klopp e ajudar a "traduzir" as ordens do técnico.

Ele também jamais dirigiu uma seleção, mas Dunga foi escolhido em 2006 sem jamais ter comandado uma equipe sequer e obteve algum êxito em sua primeira passagem com dois títulos. Valeria a aposta.

Por enquanto, é uma utopia ver um treinador estrangeiro à frente da Seleção Brasileira, mas como nosso futebol anda decadente e há cada vez mais pressão por mudanças, o nome de Jürgen Klopp pode muito bem ser ventilado no Escrete Canarinho em algum momento.

Façam suas apostas.



Imagem extraída do Facebook oficial do Borussia Dortmund- https://www.facebook.com/BVB




LUCAS PRATTO

Oportunista, raçudo e talentoso. Assim vejo o centroavante argentino Lucas Pratto, que está cada vez mais à vontade no Atlético Mineiro e fazendo muitos gols. O treinador Levir Culpi até brincou e cantou o nome do hermano na Seleção Brasileira. Claro que é só brincadeira, mas como há muitas opções de qualidade na Seleção Argentina (Messi, Agüero, Tévez, ...) e estamos em uma verdadeira seca de bons centroavantes, acho que vale considerar tal opção. Como dizem por aí, "toda brincadeira tem um pouco de verdade".



CALMA!

Alguns colunistas estão fazendo verdadeiros alardes em cima da derrota que o Palmeiras sofreu em casa diante do Atlético Paranaense. Claro que o Verdão poderia ter feito muito mais, dada a quantidade de opções que possui e a qualidade de seus jogadores. Eu, no entanto, penso que ainda não há motivo para pânico e basta uma boa conversa no vestiário para se resolver o problema. E, claro, não podemos deixar de apontar os méritos do Furacão, que conquistou três pontos importantes na busca por uma vaga na Libertadores- título, por enquanto, é utopia.



DORIVAL JÚNIOR

Após tantos equívocos cometidos nos últimos anos, os dirigentes santistas deram uma dentro e trouxeram de volta o treinador Dorival Júnior. Dorival (ainda) não é o melhor treinador do Brasil, mas ele é tudo o que o Peixe precisa, devido à sua mentalidade ofensiva e sua facilidade de lidar com garotos da base. Ele soube ousar diante do Flamengo, tranquilizar seus atletas em um momento complicado e fazer o time praiano voltar do Rio de Janeiro com um ponto importante. Detalhe: o Santos terminou o primeiro tempo perdendo por 2x0.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Dorival em Cinco Atos

Imagem extraída do Facebook oficial do Palmeiras- https://www.facebook.com/sePalmeiras/



Até hoje me lembro quando Dorival Júnior (foto) surpreendeu no Paulistão 2007. Ele recebeu um São Caetano que havia acabado de cair para a Série B do Brasileirão no ano anterior e fez o Azulão chegar às finais do Campeonato Paulista.

Três anos depois, Dorival faria seu trabalho mais memorável, pelo Santos, quando montou aquele timaço formado por garotos da base santista (Neymar e Ganso entre eles), resgatou o futebol bonito no Brasil como há muito não se via e formou a equipe que faturou Paulistão e Libertadores no ano seguinte.

Hoje no Verdão, Dorival resgatou o Palmeiras, que chegou a segurar a lanterna do Brasileirão durante algumas rodadas. A crise que assolava o time parece ter se tornado passado e o risco de rebaixamento é cada vez menor.

O que, afinal, Dorival fez de tão especial ao Palmeiras? Eis aqui a receita do sucesso do treinador.


1- CONFIANÇA: Dorival trabalhou o aspecto psicológico do elenco, que passou a ousar mais, valorizar a posse de bola e atacar mais. As vitórias surgiram como consequência dessa mentalidade e serviram para aumentar ainda mais a confiança do time.

2- CATEGORIAS DE BASE: os garotos formados no próprio Palmeiras tiveram mais chances com Dorival. Isso não é novidade por parte do treinador, que havia feito o mesmo no Santos em 2010.

3- VALDÍVIA: o Mago teve uma atenção especial de Dorival. O treinador devolveu a faixa de capitão ao chileno e o atleta correspondeu em campo o voto de confiança do técnico. Valdívia voltou a driblar, criar e encantar o torcedor. E, claro, o camisa 10 tem sido fundamental nas partidas. Seu desempenho chamou a atenção de Jorge Sampaoli e seu retorno à Seleção Chilena é cogitado.

4- IDENTIFICAÇÃO: Dorival é sobrinho do lendário volante Dudu, ídolo do Palmeiras em seus tempos de "Academia de Futebol". O próprio treinador deixou claro em entrevistas o quanto é identificado com o Verdão graças ao tio famoso. O treinador, sem dúvida, transmitiu esse tipo de valor ao elenco, o que fez com que os atletas voltassem a honrar a camisa do time.

5- FERNANDO PRASS: Deola e Fábio não conseguiam transmitir a mesma segurança que Prass transmitia. O camisa 25 faz grandes defesas desde o seu retorno e essa confiança respingou no time, que pode subir mais para o ataque sabendo que o gol estava seguro novamente.


Para ficar melhor, espero ver o Palmeiras jogando bonito em 2015. O time possui meias que sabem jogar bola (Valdívia, Bruno César e Mendieta), um volante que sabe sair para o jogo (Wesley), dois zagueiros seguros (Lúcio e Tobio) e um bom ponta-esquerdo (Mouche). Os atletas argentinos deixados pelo antecessor Gareca são jovens e podem evoluir se também receberem votos de confiança de Dorival.

Com a confiança da diretoria (que já prometeu "três medalhões") e do torcedor, Dorival navega em águas mais tranquilas e, espero, terá a liberdade para ousar ainda mais e fazer o Palmeiras voltar a ser referência em futebol bonito.



Imagem extraída do Facebook oficial do Palmeiras- https://www.facebook.com/sePalmeiras/