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sábado, 16 de janeiro de 2021

O Reserva Perfeito

 

Imagem extraída de www.facebook.com/XS1991



O banco de reservas é extremamente necessário para os times que lutam pelos títulos, afinal a temporada é extensa, a quantidade de jogos é grande (sobretudo às equipes que conseguem avançar aos mata-matas das competições) e os jogadores acabam se desgastando com tantas partidas levando a problemas que vão desde um simples cansaço até os mais graves como fraturas e lesões. É necessário, portanto, contar com opções de nível para cobrir eventuais desfalques.

A carreira do jogador de futebol, porém, é efêmera sobretudo nos dias atuais quando a parte física é ainda mais valorizada. Um atleta de 30 anos já é considerado "velho" e o futebolista, portanto, tem pressa para se firmar em algum time, deslanchar e fazer seu pé-de-meia o quanto antes.

Nenhum jogador, portanto, gosta de ficar no banco. Todo atleta sabe que está perdendo um tempo precioso sendo uma mera opção no elenco. Há até casos de futebolistas que optam por atuarem em equipes menores para receberem mais minutos em campo a serem meros reservas em times grandes.

Há, porém, bons jogadores que parecem aceitar tranquilamente a condição de reservas e sem expressar qualquer descontentamento ou ressentimento. Dentre estes muitos atletas, está Xherdan Shaqiri, meia-atacante do Liverpool.



Imagem extraída de www.facebook.com/XS1991



Shaqiri nasceu em Gnjilane, Iugoslávia (atual Gjilan, Kosovo) mas imigrou para a Suíça ainda criança. O jogador, pelas regras da FIFA, poderia atuar por Albânia (por possuir etnia albanesa), Kosovo (onde nasceu) e Suíça (onde se profissionalizou). O atleta sempre demonstrou interesse em defender sua terra natal mas os Rossocrociati se recusaram a prescindir de seu talento e seguraram o meia-atacante.

Shaqiri é um jogador completo e muito versátil. Pode atuar aberto pelos dois lados do ataque ou centralizado na armação. É rápido, forte, sabe driblar e recompõe muito bem. O futebolista também teve alguns problemas em sua carreira como algumas lesões e algumas polêmicas sendo a maioria delas relacionadas ao seu nacionalismo pelo Kosovo. O atleta já faturou dois títulos da Champions League, o de 2013 pelo Bayern München e o de 2019 pelo Liverpool... Mas o suíço não foi titular em nenhum deles.

O jogador chegou ao Bayern em 2012 quando tinha apenas 21 anos como uma promessa e também como opção a Franck Ribéry para a ponta esquerda, seu lado preferido. Shaqiri, que já era titular pela seleção de seu país, foi um mero reserva no clube bávaro, mas ele não parecia se importar e sempre pareceu à vontade na Alemanha. Anos depois, após passagens por Internazionale e Stoke City, o suíço assinou com o Liverpool mas estava ciente de que ocuparia o banco novamente visto que os dois ponteiros, Salah e Mané, eram absolutos em suas respectivas posições, mas o meia-atacante, novamente, não aparentou nenhum descontentamento com a condição. Ele, inclusive, seguiu sendo convocado pela Suíça e sua titularidade por lá era quase sempre assegurada.

Ter um jogador diferenciado como Ronaldo e Messi é muito bom, mas melhor ainda é poder contar com um atleta como Shaqiri, que não reclama do banco, tem talento ou recursos técnicos para resolver e que está sempre pronto para encobrir eventuais desfalques no onze inicial. Porém, como a carreira do futebolista é curta, encontrar alguém como o suíço é ainda mais difícil do que um craque como o português ou o argentino.



Imagem extraída de www.facebook.com/XS1991




quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Feliz Ano Novo, Barça!

Imagem extraída de https://www.facebook.com/uefachampionsleague



A temporada 2015-16 já começou em alguns países da Europa, o que não era o caso da Espanha. O Barcelona (campeão da Champions League 2014-15) e o Sevilla (campeão da Europa League 2014-15), contudo, voltaram mais cedo das férias para a disputa da Supercopa da UEFA (ou UEFA Super Cup) realizada em Tblisi, capital da Geórgia. O ex-integrante da União Soviética preparou uma grande festa para receber os espanhóis e seu elegante futebol a despeito da partida ter sido realizada às 22:45h do horário local.

Ambos os times entraram bastante modificados em relação à temporada anterior. Os catalães tiveram os desfalques de Jordi Alba (Mathieu atuou improvisado na lateral esquerda) e Neymar (Rafinha Alcântara substituiu o conterrâneo). Os andaluzes não puderam contar com Aleix Vidal, Mbia, Bacca (que deixaram o clube durante a última janela de transferências), Rico, Carriço e Kolodziejczak (doentes). Coke, Krohn-Dehli, Gameiro, Beto, Rami e Krychowiak (recuado para a zaga) foram os substitutos.

O Barça, como sempre, tomou a iniciativa e a posse da bola. O Sevilla armou duas linhas de quatro para tirar os espaços dos rivais e tentar criar chances em contra-ataques. Os andaluzes, como sempre fazem os rivais do Barcelona, buscaram as laterais em busca do gol.

O surpreendente gol de Banega, anotado logo aos três minutos em cobrança de falta, foi uma clara demonstração que o Sevilla não viria apenas para se defender.

O Barcelona não tardou a dar a resposta. A equipe catalã, mesmo estando atrás no placar, manteve a calma e impôs o seu ritmo em campo. E conseguiu duas cobranças de falta próximas à área de Beto, devidamente convertidas por Messi.

O Sevilla sentiu o placar e se deixou encurralar. E levou mais gol no final do primeiro tempo, após jogada de Suárez pela direita e que terminou em gol de Rafinha pela esquerda.

O primeiro tempo terminava em 3x1 para o Barcelona. Um placar um tanto óbvio dadas as discrepâncias técnicas e financeiras entre as duas equipes.



Barcelona no 4-1-4-1 contra Sevilla no 4-2-3-1: o time catalão
utiliza Messi e Rafinha abertos pelas pontas e adianta a zaga
para manter a bola no campo de ataque. Andaluzes recuam com
duas linhas de quatro, articulam contra-ataques com Vitolo e
Reyes, e ainda usa Iborra e Gameiro para pressionar a saída
de bola rival (obtido via this11.com).



Suárez não tardou a ampliar a vantagem blaugrana no começo do segundo tempo para 4x1. A diferença de três gols parecia ser suficiente par assegurar mais um troféu ao clube catalão. Reyes até descontou minutos depois, mas isto não parecia ser um risco.

O treinador Luis Enrique provavelmente também pensou o mesmo e trocou seus jogadores de ataque por atletas defensivos. O winger Rafinha deu lugar ao lateral Marc Bartra e o meia Iniesta saiu para a entrada do zagueiro Sergi Roberto.

O treinador Unai Emery, do Sevilla, deu uma arejada no fôlego da equipe com a entrada de Konoplyanka no lugar de Reyes. Os andaluzes aproveitaram o recuo catalão para adiantar a marcação e passaram a pressionar a saída de bola rival.

O Barcelona não conseguia mais criar chances de gol e viu os Nervionenses chegarem com mais perigo ao gol de Ter Stegen.

Mathieu puxou a camisa de Vitolo dentro da área e o juiz marcou pênalti. O compatriota Gameiro converteu. 4x3. O alerta amarelo estava aceso no Barça.

Immobile (no lugar de Gameiro) e Mariano (no lugar de Iborra) foram a campo. Com fôlego de sobra, a dupla aproveitou que Mathieu estava amarelado e passou a criar chances de gol por lá. E conseguiram com o estrante Konoplyanka. O ucraniano empatou para os Rojiblancos e levou a disputa para a prorrogação.

Luis Enrique havia pagado o preço por recuar sua equipe tão cedo.



Sevilla pressiona a saída de bola no 4-4-2 mantendo Immobile
e Konoplyanka próximos ao gol de Ter Stegen, além de criar
chances com Mariano e Vitolo pelos flancos. Barcelona se
encolhe em uma espécie de 4-4-2 "losango" e fica sem espaço
para jogar (imagem obtida via this11.com).



Se Luis Enrique errou ao colocar dois defensores no segundo tempo, ele se redimiu ao entrar com Pedro no lugar de Mascherano durante a prorrogação. O winger espanhol, que havia perdido espaço com Suárez e Neymar, colocou fogo no jogo com sua boa movimentação e velocidade.

Os atletas do Sevilla, que haviam crescido no segundo tempo, sentiram o desgaste físico durante a prorrogação.

O Barcelona acompanhou a entrada de Pedro e passou a jogar mais em velocidade. Os catalães não conseguiam mais trocar passes. Os andaluzes estavam completamente recuados e tiraram todo o espaço para o Barça jogar, além de cometerem muitas faltas. Restava ao time blaugrana tentar jogadas individuais ou bolas paradas.

Uma falta cometida próxima à área de Beto era tudo o que o Barcelona precisava. Messi cobrou, o arqueiro português rebateu. O argentino chutou de novo e o luso deu outro rebote. Pedro, que estava livre na direita, aproveitou que o goleiro estava batido e deu números finais à partida. 5x4.



O Barcelona, em 4-3-3, voltou a pressionar no tempo extra com
jogadas em velocidade. O Sevilla, exausto, limitou-se a marcar e
cometer faltas. Immobile e Konoplyanka, os únicos que ainda
tinham pernas, pressionavam a saída de bola e tentavam
criar alguma coisa (imagem obtida via this11.com).



O Barcelona inicia seu ano futebolístico com o pé direito ao conquistar o troféu da Supercopa da UEFA. Os jogadores do Sevilla, mesmo derrotados, tiveram seus esforços reconhecidos e saíram de campo aplaudidos. E Iniesta ergue seu primeiro troféu como capitão do Barça.

Um excelente início de temporada para o clube catalão.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/uefachampionsleague



SHAQIRI NO STOKE

Fui informado no último domingo pelo leitor Rafael Ferraro que Shaqiri havia acertado com o Stoke City, mas apenas ontem a contratação foi oficializada e divulgada nas redes sociais do clube. Boa sorte ao suíço-kosovar em terras inglesas e que o atleta consiga se firmar no time.


domingo, 9 de agosto de 2015

Shaqiri Seria um Bom Substituto para Arda

Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan
Shaqiri- https://www.facebook.com/XS1991/



Vai temporada, vem temporada e os clubes de maior poder aquisitivo sempre tiram os melhores jogadores dos times de menor poderio financeiro. E não há muito o que fazer nestes casos, afinal é sempre muito difícil competir com as ofertas salariais dos milionários e os clubes precisam equilibrar as finanças de alguma forma.

O Atlético de Madrid perdeu o winger Arda Turan na última janela de transferências para o rival Barcelona. Não sei dizer exatamente por que o clube catalão contratou um jogador de 28 anos para ser reserva de Neymar (que está com 22), mas a transferência está concretizada. O turco ainda não tem data para estrear pelo Barça devido a uma punição que impede o clube blaugrana de utilizar atletas contratados.

Arda era um dos jogadores mais importantes no Atlético de Madrid. O turco até utilizava a camisa 10 do clube rojiblanco. Suas características ofensivas e defensivas eram muito bem aproveitadas no 4-4-2 imposto por Diego Simeone: Arda formou uma grande dupla com os laterais Filipe Luís e Guilherme Siqueira pelo lado esquerdo do campo, com os laterais e o turco atacando ou defendendo por aquele lado em perfeita sincronia. Arda também tem muita presença de área e anotou muitos gols durante sua passagem pelo Atleti. Ele também chegou a jogar pelo lado direito durante a ausência de Koke (Griezmann fez a ala esquerda nestes jogos), mas não se saiu muito bem na função.



Atlético de Madrid durante a temporada 2013-14: Arda se
movimenta pela esquerda indo à linha de fundo para servir os
atacantes ou então entrando na área com jogadas individuais.
O turco também volta para ajudar na defesa pelo lado esquerdo.
Tudo isso auxiliado pelo lateral Filipe Luís (obtido via this11.com).



O Atlético, em princípio, não buscará um substituto para o turco. Acredito que Griezmann fará a ponta esquerda no lugar de Arda enquanto a dupla de atacantes será formada por Fernando Torres e o recém-contratado Jackson Martínez.

Eu, no entanto, vejo um substituto perfeito para Arda bem ao alcance do Atlético: o suíço Xherdan Shaqiri, ex-Bayern e que defende a Internazionale de Milano atualmente.

Shaqiri é o principal atleta da Seleção Suíça. Ele deixou o clube bávaro no começo do ano em busca de titularidade -ele era o reserva de Ribéry no Bayern.

O suíço (que, na verdade, nasceu no Kosovo) é caro, mas poderia vir facilmente ao Atlético. Tudo porque o clube madrilenho vendeu o zagueiro Miranda à Inter mas o pagamento não teria sido efetivado e o defensor brasileiro poderia voltar para o Vicente Calderón.

Minha ideia é que os Colchoneros "troquem" Miranda por Shaqiri. E eu acredito que o clube espanhol teria muito a ganhar, afinal o suíço compartilha de muitas características em comum com Arda, pelo fato de jogar pela esquerda, fazer boas jogadas individuais (incluindo dribles e lances em velocidade), apoiar e marcar com a mesma eficiência. O "baixinho" ainda pode jogar no lado direito ou mesmo pelo meio quando necessário. Uma última vantagem é que o suíço tem apenas 23 anos (faz 24 em outubro) e poderia render algum lucro ao clube espanhol em uma possível futura transação.

O atleta, por sua vez, teria grandes chances de ficar com a titularidade -Griezmann voltaria a atuar próximo à área como segundo atacante enquanto Jackson ou Torres seriam a referência de área- e ainda ganharia a desejada visibilidade ao jogar a Champions League -lembrando que o Atlético de Madrid está classificado para a competição continental enquanto a Internazionale passou longe da vaga para a Liga dos Campeões.



Três possíveis funções que Shaqiri poderia desempenhar
 no Atlético: ponta-esquerda, armação ou ponta-direita
(imagem obtida via this11.com).



Resta saber se o Atlético e o treinador Simeone aceitariam de bom grado a vinda de Shaqiri ao invés de dinheiro pela cessão de Miranda, afinal a reportagem deu a entender que o clube deseja obter lucro com a venda do zagueiro brasileiro, e não um outro jogador em troca.

Eu, no entanto, insisto que tanto o clube espanhol quanto o "baixinho" suíço teriam muito a ganhar com esta possível transação.



Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan Shaqiri- https://www.facebook.com/XS1991/



COMEÇOU DEVAGAR

O Campeonato Inglês -também conhecido como "Premier League"- começou neste final de semana. E, pelo jeito, os grandes clubes ainda estão de ressaca das férias. O Manchester United jogou mal no Old Trafford diante do Tottenham e precisou da ajuda do lateral Walker, que fez um gol contra em favor dos Red Devils. O Chelsea não passou de um empate no Stamford Bridge diante do Swansea City e só não sofreu a derrota graças ao goleiro Asmir Begović -o titular Courtois foi expulso na partida e prejudicou sua equipe. E o Arsenal perdeu em pleno Emirates Stadium para o West Ham United. Foi só a primeira rodada e ainda muita água vai rolar, vale sempre lembrar: muito mais importante que vencer os jogos difíceis é não desperdiçar pontos contra os rivais mais fáceis, pois estes pontos podem fazer falta na reta final.



PSG HEROICO

A Ligue 1 também teve seu início neste final de semana. E o Paris Saint-Germain conseguiu uma vitória heroica graças ao gol do winger Lucas Moura. O time parisiense visitou o Lille sem o atacante Ibrahimović, teve o volante Rabiot expulso ainda no primeiro tempo e precisou segurar a pressão dos Dogues. Não simpatizo muito com o time da capital francesa, mas tenho que admitir que a equipe comandada pelo treinador Laurent Blanc foi heroica no Pierre-Mauroy.



TCHAU, BIELSA

Ainda na Ligue 1, o treinador Marcelo Bielsa pediu demissão neste final de semana após ter perdido em casa para o Caen. Eram fortes os rumores de que o treinador argentino estaria negociando com um clube do México, mas o técnico alegou "instabilidade provocada por mudanças nos termos do contrato assinado". Vale lembrar que o clube marselhês se desfez de muitos jogadores importantes na última janela de transferências (Payet, Gignac, André Ayew, ...) e isto pode ter interferido no desempenho da equipe.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Caça às Bruxas

Imagem extraída de https://www.facebook.com/uefachampionsleague



Vocês repararam que a justiça dos brasileiros está muito mais preocupada em buscar culpados pelas ocorrências ao invés de apontar soluções para os problemas? Todos os dias leio notícias a respeito de todo tipo de problema no país mas parecemos muito mais preocupados em satisfazer nosso anseio de encontrar um responsável pelo caso e, claro, puní-lo ao invés de buscar uma solução concreta para a situação.

No futebol as coisas não são muito diferentes e uma derrota de um time, seja qual for, sempre precisa ter algum culpado. Não importa se o adversário jogou melhor ou se a equipe se esforçou. Um revés, na opinião de nós brasileiros, sempre se deve a alguma falha e o responsável por ela deve ser encontrado e punido exemplarmente. Muitos de nós parecem confundir "justiça" com "vingança".

O brasileiro considerou o lateral Roberto Carlos (foto acima) o "responsável" pela eliminação do Brasil na Copa de 2006 diate da França. Em 2010, o "culpado" pelo revés diante da Holanda foi o volante Felipe Melo (foto abaixo). E por aí vai. Os jogadores até podem ter tido sua parcela de culpa (eu não considero que Roberto Carlos teve culpa na eliminação de 2006), mas uma análise mais criteriosa das partidas mencionadas mostraria que os adversários estavam melhores ou que o Brasil jogou mal diante dos rivais. O nosso "senso de justiça", no entanto, sempre fala mais alto e temos de buscar um "responsável" pela falha seja qual for.

Roberto Carlos e Felipe Melo nunca mais foram convocados para a Seleção após as eliminações e a dupla provavelmente seria linchada pelos torcedores mais violentos se houvesse a oportunidade. O problema da Seleção em ambos os jogos era a falta de qualidade no meio-de-campo (e continua sendo), mas poucos se preocuparam em resolver a situação e a maioria preferiu "caçar as bruxas" ao invés de propor alguma solução. Pagamos até hoje o preço por isso. A derrota por 7x1 para a Alemanha foi consequência da falta de criatividade de nossos meias.

O brasileiro não pode agir motivado pelo ódio ou pela fúria para resolução de um problema. Não adianta agirmos como um bando de revoltados, sair procurando culpados e pedir suas cabeças. Não se resolve um problema dessa forma. É preciso ser racional ao invés de passional nesse tipo de situação. Muitas injustiças já foram cometidas quando o julgamento foi feito no calor do momento. Quem não se lembra do goleiro Júlio César, herói do Brasileirão 2011 pelo Corinthians e crucificado por uma eliminação no Paulista diante da Ponte Preta?

Quando o brasileiro compreender que temos de priorizar a busca por soluções ao invés de culpados para resolução um problema, podem ter a certeza que o nosso país irá melhorar como um todo, inclusive no futebol.



Imagem extraída do Facebook oficial do Galatasaray-
https://www.facebook.com/Galatasaray



DÁ GOSTO VER O BOCA JOGAR

Assisti apenas a alguns trechos da goleada por 5x0 do Boca Juniors sobre o Zamora, mas foi o suficiente para me animar. O time xeneize joga um futebol agradável e ofensivo, algo que já vinha acontecendo desde o ano passado. Dos times argentinos, sempre tive maior simpatia pelo River Plate, mas tiro o meu chapéu para o arquirrival Boca que promoveu uma verdadeira renovação no elenco e, com isso, modernizou seu estilo de jogo.  Não é fácil abrir mão de medalhões como Riquelme, Ledesma ou Clemente Rodríguez, mas a equipe do treinador Rodolfo Arruabarrena está fazendo bonito na Libertadores 2015, tanto pela campanha quanto pelo futebol jogado.



SHAQIRI E KROOS FARÃO FALTA

O Bayern München trucidou o Shaktar Donetsk na quarta-feira com uma goleada de 7x0, mas pode perder os craques Ribéry e Robben para as próximas partidas. Ambos deixaram o jogo lesionados. A dupla Toni Kroos e Xherdan Shaqiri viria a calhar nesse momento, com o volante jogando como armador (Müller atuaria pela direita na vaga de Robben) e com o suíço-kosovar jogando na vaga de Ribéry. Será que foi mesmo uma grande ideia do clube bávaro vender Kroos e Shaqiri nesta temporada?



SENTINDO O PESO DA COROA

Muito mais difícil que conquistar um título é defendê-lo na temporada seguinte. O Real Madrid, atual campeão da Champions League, que o diga. A equipe merengue se classificou às quartas-de-final mas perdeu por 4x3 para o Schalke 04 em pleno Santiago Bernabéu. Os tabloides mais sensacionalistas falam em crise no Real, mas eu interpreto a derrota de outra forma: um time campeão precisa disputar mais jogos e fazer mais viagens que os demais. Além disso, a Copa do Mundo diminuiu as férias dos jogadores o que dificultou a recuperação de alguns -praticamente todo o atual elenco do Real jogou o mundial de 2014. Dessa forma, a equipe madrilenha sentiu muito mais o desgaste do que os rivais. É o preço que se paga pelas grandes temporadas.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Cicatrizes de uma Tragédia

Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan Shaqiri- http://www.facebook.com/XS1991

Sim, a mesma imagem do meia Xherdan Shaqiri quando comentei a respeito da Seleção Suíça na segunda-feira. Hoje, contudo, resgatei a imagem com outra finalidade.

Assisti apenas ao segundo tempo do tedioso jogo entre Brasil e Suíça que terminou 1x0 para os donos da casa. O resultado pouco importou para mim, afinal o jogo foi muito violento, truncado e os dois times, apesar de terem atletas habilidosos -como Neymar e o próprio Shaqiri- mais bateram do que criaram. Nenhum deles merecia vencer.

O que me chamou a atenção, contudo, foi o nome de alguns jogadores que representaram a Seleção Suíça, como Dzemaili, Xhaka, Behrami, Gavranovic e Seferovic, todos eles originários de países do Leste Europeu, como Bósnia-Hezergovina e Kosovo. Quase todos os atletas em questão são imigrantes ou descendem de imigrantes daquela região, outrora conhecida como Iugoslávia.

O fim da União Soviética enfraqueceu o governo de muitos países criados sob influência da potência comunista, como a ex-Checoslováquia e a ex-Iugoslávia. Ao mesmo tempo, o fim da URSS fortaleceu movimentos nacionalistas nesses países que revindicaram a autonomia desses Estados levando a processos de separação, muitas vezes sangrentos. Foi o caso da Iugoslávia que originou Sérvia, Croácia, Bósnia-Hezergovina, Macedônia, Eslovênia, Montenegro e Kosovo.

As guerras que levaram à fragmentação da Iugoslávia forçaram muitas famílias a fugirem de seu países natais e buscarem abrigo em outras nações como a Alemanha (que recebeu muitos refugiados bósnios) e a Suíça (que recebeu cidadãos kosovares). Até hoje lembro-me dos noticiários a respeito de bombardeios e de fugitivos daquela região no começo dos anos 90.

Passado o período mais turbulento da separação, alguns dos imigrantes -ou seus filhos- optaram por ficar nos países que os acolheram e defender as cores de seus novos lares, como o meia Marko Marin, que tem origem bósnia mas hoje veste as cores da Mannschaft.

O caso dos kosovares e seus descendentes, contudo, é mais complicado uma vez que a independência do país ainda não é consenso entre todas as nações. Da mesma forma, o credenciamento de uma Seleção Kosovar ainda não foi possível pela UEFA ou pela FIFA. Dessa forma, os atletas de ascendência kosovar não tiveram alternativa senão defenderem as cores dos países que os acolheram ou, então, atuarem pela Albânia, local de onde muitos kosovares descendem, como foi o caso do zagueiro Lorik Cana que hoje capitaneia a Seleção Albanesa.

Shaqiri, Xhaka e Behrami são três atletas de origem kosovar que poderiam "abandonar" a Suíça e vestirem o uniforme de Kosovo. Shaqiri e Xhaka, inclusive, se mostraram favoráveis em defender as cores de seu país natal. Repararam na bandeira azul e amarela que Shaqiri exibe orgulhoso ao lado da flâmula suíça na ilustração? O meia do Bayern faz questão de exaltar as suas origens e aparenta ser o mais proativo na criação de uma Seleção Kosovar. Já existe a preocupação dos torcedores suíços em perderem seus craques.

Independente da decisão dos três atletas, os jogadores sabem que o sucesso que eles têm feito no futebol é uma grande vitória para a nação kosovar, um país marcado pelas tragédias de um violento processo de independência. A alegria e a competitividade proporcionadas pelo futebol foram uma maneira de cicatrizar as feridas da guerra, bem como demonstrar a força e o poder de superação de uma nação que está deixando a tristeza no passado e lutando pela glória no futuro.

Não deixe de conferir o post a respeito da questão kosovar no parceiro Batom e Futebol, de onde colhi algumas informações para a elaboração desta resenha.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O que a Suíça Pode Acrescentar ao Brasil?

Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan 
Shaqiri- http://www.facebook.com/XS1991

O primeiro amistoso do Brasil após a conquista da Copa das Confederações 2013 será contra a Suíça na casa dos adversários.

Os suíços não têm uma grande tradição no futebol e, à primeira vista, não podem ser considerados como um adversário à nossa Seleção. A presença dos adversários em copas do mundo e em eurocopas também não é frequente. Nossos rivais, inclusive, não estiveram presentes na Euro 2012.

Questiona-se: um adversário assim pode ter algo a acrescentar ao Brasil? Ou seria apenas um adversário fácil para dar confiança ao time?

Dois fatores podem tornar o amistoso interessante. O primeiro é que os adversários, há mais ou menos um ano atrás, deram uma surra na Alemanha, em amistoso preparatório para a Euro 2012. O placar foi de 5x3 para o time de camisa vermelha.

O segundo são os destaques individuais do país, principalmente os meias Xherdan Shaqiri (do Bayern München) e Gökhan Inler (do Napoli). Shaqiri é reserva de Franck Ribéry, mas já mostrou muito talento e maturidade (ele tem apenas 21 anos) em campo ao substituir o titular. Inler, por sua vez, é um dos articuladores do Napoli, sendo um dos grandes responsáveis pelo bom desempenho do time nos últimos anos juntamente com Lavezzi e Cavani (que já deixaram a equipe). A Seleção Suíça tem, ainda, muitos atletas que atuam no futebol alemão, como Granit Xhaka (Borussia Mönchengladbach), Tranquillo Barnetta (Schalke 04) e Diego Benaglio (Wolfsburg). Esses atletas podem oferecer desafio à nossa Canarinho.



Imagem extraída do Facebook oficial de Gökhan Inler- http://www.facebook.com/Goekhan.Inler

Confesso que não acredito que a Suíça seja o adversário que o Brasil precisa enfrentar para justificar a reputação que tem no futebol. Gostaria muito que a Canarinho fizesse uma revanche contra a Argentina de Messi ou que enfrentasse os "campeões da Champions League" (a Seleção Alemã, que tem como base o Bayern e o meu Borussia Dortmund). Mas com a presença de bons destaques individuais e com um histórico de surpresas, os adversários suíços poderão tirar um coelho da cartola e dar um calor no Brasil.