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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Fica, Griezmann

Imagem extraída de www.facebook.com/AntoGriezmann



Dinheiro, maior possibilidade de títulos, mais chances de projeção, ... Muitos argumentos justificam a atitude de jogadores quando decidem mudar de clube. E, convenhamos, não há nada de errado nisto sob o ponto de vista profissional visto que a carreira de um atleta é efêmera e ele deve aproveitar as oportunidades enquanto seu corpo lhe permite atuar em alto nível. Algumas destas movimentações, porém, mostram-se totalmente infelizes por maiores que sejam os valores envolvidos. O atacante Antoine Griezmann que o diga.

Griezmann é ídolo no Atlético de Madrid, clube que defende desde 2022 e por onde teve uma passagem entre 2014 e 2019. O francês, porém, teve o seu nome ventilado no rival Barcelona após a conquista da Copa 2018. O jogador até renovou com os Colchoneros durante aquele ano para abafar as especulações mas acabou acertando com os Blaugranas em 2019. A transferência do atacante, porém, foi uma manobra totalmente infeliz visto que o atleta não rendeu em seu novo time e ainda acabou queimado com a torcida rojiblanca. Após tantas exibições ruins na Catalunha, restou-lhe voltar para Madri e tentar salvar sua carreira.

O francês teve de jogar muito para fazer as pazes com a torcida colchonera que o rejeitava após ter se transferido para um rival direto mas o jogador conseguiu limpar seu nome na capital espanhola. Griezmann, desde então, é a própria personificação da alegria com a camisa rojiblanca atuando da maneira que gosta e também abraçado pelo time.



Imagem extraída de www.facebook.com/AntoGriezmann



A ótima fase de Griezmann no Atleti somada às suas boas exibições na Seleção Francesa fez com que seu nome voltasse a ser ventilado em outras equipes -Chelsea e Manchester United estariam interessados no jogador, além de clubes dos Estados Unidos e da Arábia Saudita.

Griezmann, porém, teria declarado que permanecerá em Madri desta vez. E será um grande acerto do jogador caso ele confirme a sua decisão. O francês tentou voos mais altos no Barcelona mas sua transferência para a Catalunha se mostrou um grande erro no fim as contas. Após uma jornada frustrada com a camisa blaugrana, o atacante certamente pensará muito antes de deixar o Atleti e trair novamente a confiança do torcedor que o abraçou -e que também o perdoou após o camisa 7 voltar ao Estadio Metropolitano.

Dinheiro e títulos são importantes na trajetória de um jogador mas nem sempre justificam as decisões de um atleta. Griezmann foi a demonstração de que a zona de conforto é, muitas vezes, muito melhor do que se arriscar em território desconhecido ainda que haja mais chances de lutar por objetivos maiores. O francês realmente aumentaria suas chances de faturar a Champions League e a Bola de Ouro na Catalunha, mas tudo o que conseguiu foi uma mancha em sua carreira.



Imagem extraída de www.facebook.com/AntoGriezmann




domingo, 18 de setembro de 2022

A Batalha de Madri

Imagem extraída de twitter.com/LaLiga



Estou publicando um texto extra para compensar a ausência de sábado. E optei por fazer uma análise do clássico entre os dois times de Madri, Atlético X Real. A partida sequer havia começado e já havia provocações do lado de fora do estádio, a maioria cânticos racistas direcionados ao atacante Vini Jr. que fora alvo de insultos preconceituosos durante a última semana.

Simeone, com desfalques na zaga, optou por um 3-5-2 variando para 4-3-3 ou 4-4-2 dependendo dos posicionamentos de Llorente e Griezmann. O Atlético tomou a iniciativa e tentou prensar o Real com linhas altas e trocando passes próximo à área de Courtois.

Ancelotti, sem Karim Benzema, utilizou Rodrygo como "falso nove". Sua estratégia foi jogar no contra-ataque com os pontas (Vini Jr. pela esquerda e Valverde pela direita) ou, então, com bolas longas tentando acionar o camisa 21. O volante Tchouaméni também foi peça fundamental pelos Merengues desempenhando diversas funções em campo -ora se juntando à zaga, ora atuando como um meia-atacante.

O jogo começou bastante brigado com muitos lances ríspidos e faltas no meio-de-campo, principalmente por parte do Real visando principalmente o garoto João Félix. Mais parecia uma partida de Libertadores do que um dérbi europeu.

O Atlético, passados os atritos iniciais, ocupou o campo de ataque mas Griezmann e João Félix desperdiçaram muitas chances claras de gol. Melhor para o Real que buscava o contra-ataque principalmente pela esquerda com Vini Jr. e Mendy. Foi por aquele lado que as jogadas de ambos os gols merengues saíram.



Atlético ataca em 4-3-3 (com Llorente na lateral-direita e Griezmann
circulando próximo à área de Courtois) trocando passes mas pecando
nas finalizações. Real, também em 4-3-3, contra-ataca pelas pontas
(principalmente pela esquerda com Vini Jr.) ou com bolas longas
buscando Rodrygo (imagem obtida via this11.com).



O Atlético continuou no ataque em busca do empate. Simeone, sem outra opção, colocou mais meias e atacantes em campo para correr atrás do prejuízo. Real recua e opta por tentar controlar o jogo. Os Merengues, porém, tentam desestabilizar os Colchoneros com algumas faltas.

O zagueiro Mario Hermoso consegue diminuir o placar em lance de bola parada após Courtois afastar mal uma bola. O defensor, que seria o herói do Atlético, acabou se tornando o vilão ao perder a cabeça após lance com Carvajal e depois ser expulso.

Rojiblancos tentaram o empate mesmo com um a menos mas o Real, com um time melhor e em superioridade numérica, conseguem segurar o placar,



Real em 4-1-4-1 segura o Atlético em 4-4-2. Colchoneros
conseguem diminuir em lance de bola parada mas
a expulsão de Hermoso enterra a reação dos mandantes
(imagem obtida via this11.com).



Real vence e segue na liderança do Campeonato Espanhol com 100% de aproveitamento. Atlético perde em casa e segue fora do G-4. Os desfalques colchoneros parecem ter sido muito mais sentidos que os dos Merengues.

O Real não foi um time "limpinho" em campo -cometeu muitas faltas e apelou para a catimba durante vários momentos- mas sua vitória deixa um gosto de justiça diante dos insultos racistas proferidos por parte da torcida colchonera.

A "Batalha de Madri" não foi exatamente um jogo bonito de se assistir. Foram muitos lances feios dentro e fora de campo mas que explicitam a rivalidade entre as duas esquipes da capital espanhola. Pensei até em chamar o texto de "Copa Libertadores da Europa" inicialmente. Venceu a "guerra" justamente quem teve mais nervos no lugar durante os momentos mais críticos da partida.



Imagem extraída de www.facebook.com/LaLiga




terça-feira, 25 de maio de 2021

Saúde

O Atlético de Madrid foi campeão espanhol na temporada 2020-21
(imagem extraída de www.facebook.com/AtleticodeMadrid)



Recebi com extrema satisfação as notícias de que Atlético de Madrid, Lille e Sporting Lisboa venceram suas respectivas ligas nacionais. Nada contra as equipes de maior poder aquisitivo mas é muito saudável para as competições que haja alternância entre os vencedores. Vale também citar o título da Internazionale que pertence a um magnata chinês mas conseguiu quebrar a hegemonia da poderosa Juventus.

O Sporting garantiu seu troféu com dois jogos de antecedência. O Atlético e o Lille, por sua vez, foram perseguidos pelos rivais milionários até a última rodada, chegaram a cometer alguns tropeços na reta final mas conquistaram suas respectivas taças na partida derradeira.

Os triunfos das mencionadas equipes foram ótimos para o futebol sob diversos pontos de vista: a competitividade das ligas é mantida, os clubes milionários são obrigados a sair da zona de conforto, as equipes com menor poder aquisitivo ganham fôlego e o interesse do público pelos campeonatos é renovado visto que os torneios tornam-se menos previsíveis.



O Lille sagrou-se campeão francês na temporada
2020-21 (imagem extraída de www.facebook.com/Losc)



O dinheiro é muito importante para o futebol, afinal é desta forma que os clubes conseguem adquirir e manter os grandes atletas que fazem a diferença no gramado. Os clubes milionários, porém, desequilibraram muitas ligas, afinal possuem verdadeiros esquadrões estrelados que seus concorrentes jamais poderão ter.

É admirável quando um clube considerado coadjuvante consegue triunfar, sobretudo no cenário apresentado. Mesmo sem contar com um Messi ou um Ronaldo, estes times conseguiram montar elencos competitivos, jogaram com os recursos que tinham em mãos e conseguiram fazer frente aos rivais mais abastados.

Alguns deste elencos, infelizmente, não durarão até a próxima temporada. Os jogadores estão valorizados com os títulos e certamente sofrerão o assédio de clubes com maior poder aquisitivo. Os treinadores também devem receber boas propostas para sair. Triste mas o futebol também é fundamentado no lucro e na competição. Ademais, isto é um reconhecimento pelo bom trabalho dos atletas e técnicos.

Os clubes, por enquanto, têm todo o direito de comemorar e saborear suas respectivas conquistas. Foi muito difícil duelar com adversários de maior poder aquisitivo mas o Atlético, o Lille e o Sporting provaram que não é apenas o dinheiro que vence os campeonatos e que é possível, sim, montar equipes competitivas apesar das discrepâncias financeiras e valendo-se dos recursos disponíveis, além da raça e da união de seus elencos.



O Sporting faturou o Campeonato Português na temporada 2020-21
(imagem extraída de www.facebook.com/SportingClubePortugal)




sábado, 20 de março de 2021

Coragem

Imagem extraída de www.facebook.com/AtleticodeMadrid



O ex-atacante Leivinha havia feito críticas ao Atlético de Madrid comandado por Diego Simeone durante entrevista em 2016 publicada pelo site da emissora ESPN. O brasileiro, que defendeu os Colchoneros entre 1975 e 1979, havia declarado que o time "não tem muita graça e nem muita técnica", embora reconhecesse que a equipe é "competitiva e inspira confiança".

Não sou mais um defensor ferrenho do futebol-arte mas fica difícil discordar de Leivinha ao analisarmos o desempenho do Atlético nas últimas duas edições da Champions League. Nas recentes eliminações, o Rojiblanco atuou totalmente recuado, como se estivesse com medo de seus adversários e parecia totalmente satisfeito em levar as partidas para uma prorrogação ou disputa de pênaltis. E os rivais não eram muito superiores que os Colchoneros, como o emergente Red Bull Leipzig (em 2020) e o instável Chelsea (2021).

A mentalidade adotada por Simeone é típica de treinadores que dirigem times na Copa Libertadores da América, onde técnicos que jogam com o regulamento costumam ter mais êxito do que os que propõem o jogo. Muito provavelmente o Cholo incorporou vícios do futebol sul-americano ao seu estilo.

Simeone, justiça seja feita, foi o grande responsável por elevar o patamar do Atlético de Madrid. O Cholo assumiu um time em crise na virada de 2011 para 2012. Sob o comando do argentino, os Colchoneros deixaram de ser coadjuvantes e passaram a brigar nas cabeças com o Barcelona e o Real Madrid. O ex-volante já conquistou um campeonato espanhol, duas Europa Leagues e uma Copa del Rey. Isso sem mencionar que o Atleti conseguiu chegar em duas finais de Champions League durante a década passada, 2014 e 2016.



Imagem extraída de www.facebook.com/AtleticodeMadrid



É preciso considerar, no entanto, que Simeone já está há quase dez anos à frente do Atlético de Madrid. O treinador já começa a apresentar sinais de desgaste, indicando que sua fórmula já não é mais tão efetiva quanto na década passada.

Podemos mencionar no caso específico da Champions League que vivemos uma situação excepcional desde a temporada passada. As partidas não têm público, algo que poderia fazer a diferença, e muitos times estão sendo obrigados a mandar seus jogos fora de seus domínios em virtude de restrições quanto à COVID-19. Não se observou, no entanto, alguma evolução entre 2020 e 2021, com o Atlético sendo eliminado da mesma maneira.

Simeone ainda pode retomar o fôlego com um eventual título em La Liga. O Atlético lidera com 63 pontos, sendo quatro de vantagem sobre o vice-líder Barcelona e faltando onze rodadas para o fim da competição. Isto, porém, não exime o treinador da necessidade de buscar outras maneiras de se jogar para que o time possa sonhar com voos mais altos.

O Atlético já não é mais um coadjuvante. O time possui muitos jogadores de qualidade (Oblak, Trippier, Giménez, Suárez, Koke, João Félix, Lemar, ...), tem condições de brigar de igual para igual com outras potências europeias e, não apenas pode, como também deve correr alguns riscos em prol de resultados melhores.

Não é errado jogar defensivamente e abrir mão da posse de bola, mas limitar-se a isso é condenável, sobretudo com os recursos que o Atlético possui. Simeone pode fazer sua equipe render mais mas, para isso, precisa sair de sua zona de conforto e ousar mais. Ou então, talvez seja melhor reconhecer que chegou ao limite e pedir o boné, para o bem do clube e do próprio treinador.

Leivinha concedeu aquela entrevista em 2016, ou seja, há cinco anos atrás e a leitura do ex-atacante tem se mostrado certeira, sobretudo com o desempenho do Atlético na Champions League. Simeone, portanto, deveria dar ouvidos aos conselhos do brasileiro se ainda planeja voos mais altos para seu time.



Imagem extraída de www.facebook.com/diegopablosimeoneoficial




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Se Arrependimento Matasse...

Imagem extraída de www.facebook.com/LuisSuarez9



"Não dá para comparar: Barcelona se livrar de Suárez foi muito mais estúpido que Real vender Ronaldo" -escreveu o jornalista Paulo Cobos em seu blog na ESPN.

O Barcelona, há algum tempo, necessitava de mudanças drásticas. A equipe, há anos, não conquista uma Champions League, o que pode ser considerado uma "crise" para um clube do porte do Barça. E aquela goleada sofrida diante do Bayern foi o argumento perfeito para que os dirigentes catalães dessem início a uma reformulação.

Os dirigentes, então agiram. Saiu o treinador Quique Setién e chegou o técnico Ronald Koeman. O presidente Josep Maria Bartomeu renunciou durante o processo após pressão de torcedores e até de autoridades catalãs. Vários jogadores também foram dispensados. As mudanças, porém, incluíram a saída do atacante Luis Suárez, justamente um dos poucos atletas que ainda estava rendendo no Barcelona.

Suárez une recursos técnicos, talento e muita raça em campo. Não podemos, porém, passar pano e deixar de lembrar de suas controvérsias -todas muito graves, por sinal- como ter mordido três adversários (Otman Bakkal, Branislav Ivanović e Giorgio Chiellini) e ter chamado o lateral Patrice Evra de "macaco". O jogador, porém, se controlou com a camisa blaugrana e nunca mais se envolveu em polêmicas.

A maior contribuição do uruguaio no Barcelona, porém, era a de ser um líder em campo. Ele era um dos poucos que não se deixava abater mesmo em situações adversas. Suárez foi um dos poucos, senão o único, que ainda tentou buscar uma reação e motivar os companheiros diante das goleadas sofridas. O atacante também não poupou palavras durante as entrevistas pós-jogo, cobrando postura e atitude da equipe diante das derrotas.



Imagem extraída de www.facebook.com/LuisSuarez9



Dispensado pelo Barcelona, Suárez se transferiu de graça para o Atlético de Madrid onde vem fazendo progressos. O uruguaio se encaixou muito bem na equipe de Diego Simeone, já é o artilheiro do Campeonato Espanhol com 14 gols e demonstrando que, mesmo aos 34 anos, ainda tem muita lenha para queimar.

O Barcelona, ainda em transição, faz campanha morna na temporada. Está na vice-liderança, dez pontos atrás do líder, o próprio Atlético de Madrid. E o time ainda vive a expectativa de perder seu principal jogador, Lionel Messi. O argentino, aliás, sempre deixou evidente que a saída de seu amigo Suárez serviu para aumentar ainda mais o descontentamento com o clube.

Suárez não resolveria todos os problemas do Barcelona mas o uruguaio era um dos menos culpados pela crise na equipe. Como eu escrevi anteriormente, ele era um dos únicos que demonstrava atitude em campo mesmo nos piores momentos. Sua presença certamente seria muito útil no Barça, tanto para liderar os novatos quanto para cobrá-los nas adversidades.

Eu visito com frequência as redes sociais do uruguaio e quase sempre há pedidos de torcedores blaugranas para que o atacante retorne ao Camp Nou, algo totalmente improvável durante o atual momento.

A renovação no Barcelona era necessária e já estava mais do que na hora do clube aprender a caminhar sem a "geração Guardiola". Mas dispensar Suárez, até o presente momento, tem se mostrado muito mais um erro do que um acerto, corroborando com o que Paulo Cobos escreveu.



Imagem extraída de www.facebook.com/LuisSuarez9




domingo, 9 de agosto de 2015

Shaqiri Seria um Bom Substituto para Arda

Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan
Shaqiri- https://www.facebook.com/XS1991/



Vai temporada, vem temporada e os clubes de maior poder aquisitivo sempre tiram os melhores jogadores dos times de menor poderio financeiro. E não há muito o que fazer nestes casos, afinal é sempre muito difícil competir com as ofertas salariais dos milionários e os clubes precisam equilibrar as finanças de alguma forma.

O Atlético de Madrid perdeu o winger Arda Turan na última janela de transferências para o rival Barcelona. Não sei dizer exatamente por que o clube catalão contratou um jogador de 28 anos para ser reserva de Neymar (que está com 22), mas a transferência está concretizada. O turco ainda não tem data para estrear pelo Barça devido a uma punição que impede o clube blaugrana de utilizar atletas contratados.

Arda era um dos jogadores mais importantes no Atlético de Madrid. O turco até utilizava a camisa 10 do clube rojiblanco. Suas características ofensivas e defensivas eram muito bem aproveitadas no 4-4-2 imposto por Diego Simeone: Arda formou uma grande dupla com os laterais Filipe Luís e Guilherme Siqueira pelo lado esquerdo do campo, com os laterais e o turco atacando ou defendendo por aquele lado em perfeita sincronia. Arda também tem muita presença de área e anotou muitos gols durante sua passagem pelo Atleti. Ele também chegou a jogar pelo lado direito durante a ausência de Koke (Griezmann fez a ala esquerda nestes jogos), mas não se saiu muito bem na função.



Atlético de Madrid durante a temporada 2013-14: Arda se
movimenta pela esquerda indo à linha de fundo para servir os
atacantes ou então entrando na área com jogadas individuais.
O turco também volta para ajudar na defesa pelo lado esquerdo.
Tudo isso auxiliado pelo lateral Filipe Luís (obtido via this11.com).



O Atlético, em princípio, não buscará um substituto para o turco. Acredito que Griezmann fará a ponta esquerda no lugar de Arda enquanto a dupla de atacantes será formada por Fernando Torres e o recém-contratado Jackson Martínez.

Eu, no entanto, vejo um substituto perfeito para Arda bem ao alcance do Atlético: o suíço Xherdan Shaqiri, ex-Bayern e que defende a Internazionale de Milano atualmente.

Shaqiri é o principal atleta da Seleção Suíça. Ele deixou o clube bávaro no começo do ano em busca de titularidade -ele era o reserva de Ribéry no Bayern.

O suíço (que, na verdade, nasceu no Kosovo) é caro, mas poderia vir facilmente ao Atlético. Tudo porque o clube madrilenho vendeu o zagueiro Miranda à Inter mas o pagamento não teria sido efetivado e o defensor brasileiro poderia voltar para o Vicente Calderón.

Minha ideia é que os Colchoneros "troquem" Miranda por Shaqiri. E eu acredito que o clube espanhol teria muito a ganhar, afinal o suíço compartilha de muitas características em comum com Arda, pelo fato de jogar pela esquerda, fazer boas jogadas individuais (incluindo dribles e lances em velocidade), apoiar e marcar com a mesma eficiência. O "baixinho" ainda pode jogar no lado direito ou mesmo pelo meio quando necessário. Uma última vantagem é que o suíço tem apenas 23 anos (faz 24 em outubro) e poderia render algum lucro ao clube espanhol em uma possível futura transação.

O atleta, por sua vez, teria grandes chances de ficar com a titularidade -Griezmann voltaria a atuar próximo à área como segundo atacante enquanto Jackson ou Torres seriam a referência de área- e ainda ganharia a desejada visibilidade ao jogar a Champions League -lembrando que o Atlético de Madrid está classificado para a competição continental enquanto a Internazionale passou longe da vaga para a Liga dos Campeões.



Três possíveis funções que Shaqiri poderia desempenhar
 no Atlético: ponta-esquerda, armação ou ponta-direita
(imagem obtida via this11.com).



Resta saber se o Atlético e o treinador Simeone aceitariam de bom grado a vinda de Shaqiri ao invés de dinheiro pela cessão de Miranda, afinal a reportagem deu a entender que o clube deseja obter lucro com a venda do zagueiro brasileiro, e não um outro jogador em troca.

Eu, no entanto, insisto que tanto o clube espanhol quanto o "baixinho" suíço teriam muito a ganhar com esta possível transação.



Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan Shaqiri- https://www.facebook.com/XS1991/



COMEÇOU DEVAGAR

O Campeonato Inglês -também conhecido como "Premier League"- começou neste final de semana. E, pelo jeito, os grandes clubes ainda estão de ressaca das férias. O Manchester United jogou mal no Old Trafford diante do Tottenham e precisou da ajuda do lateral Walker, que fez um gol contra em favor dos Red Devils. O Chelsea não passou de um empate no Stamford Bridge diante do Swansea City e só não sofreu a derrota graças ao goleiro Asmir Begović -o titular Courtois foi expulso na partida e prejudicou sua equipe. E o Arsenal perdeu em pleno Emirates Stadium para o West Ham United. Foi só a primeira rodada e ainda muita água vai rolar, vale sempre lembrar: muito mais importante que vencer os jogos difíceis é não desperdiçar pontos contra os rivais mais fáceis, pois estes pontos podem fazer falta na reta final.



PSG HEROICO

A Ligue 1 também teve seu início neste final de semana. E o Paris Saint-Germain conseguiu uma vitória heroica graças ao gol do winger Lucas Moura. O time parisiense visitou o Lille sem o atacante Ibrahimović, teve o volante Rabiot expulso ainda no primeiro tempo e precisou segurar a pressão dos Dogues. Não simpatizo muito com o time da capital francesa, mas tenho que admitir que a equipe comandada pelo treinador Laurent Blanc foi heroica no Pierre-Mauroy.



TCHAU, BIELSA

Ainda na Ligue 1, o treinador Marcelo Bielsa pediu demissão neste final de semana após ter perdido em casa para o Caen. Eram fortes os rumores de que o treinador argentino estaria negociando com um clube do México, mas o técnico alegou "instabilidade provocada por mudanças nos termos do contrato assinado". Vale lembrar que o clube marselhês se desfez de muitos jogadores importantes na última janela de transferências (Payet, Gignac, André Ayew, ...) e isto pode ter interferido no desempenho da equipe.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Pensando Bem...

Imagem extraída do Facebook oficial da Lazio- https://www.facebook.com/SSLazioOfficialPage/



Um jornal italiano afirmou que um clube de São Paulo teria feito uma "oferta faraônica" para trazer o alemão Miroslav Klose para o Brasil. Alguns sites daqui publicaram que o interessado seria o São Paulo.

Obviamente, eu dei muita risada da história. Primeiro porque o meu Tricolor, sem patrocinador e devendo direito de imagem a seus jogadores, não teria como arcar com salário de Klose, estimado em R$ 500 mil. Segundo porque o alemão é bom de bola, mas já está com 36 anos nas costas e vem sofrendo com as lesões. Ele fez uma excelente Copa, jogando muito melhor na posição de centroavante do que o improvisado Müller ou o novato Schürrle, mas aquilo foi muito mais um esforço final do que uma demonstração de qualidade técnica. Ele tinha plena consciência de que aquela seria sua última chance para escrever de vez o seu nome na história do futebol alemão.

Hoje, contudo, fiquei pensando na qualidade técnica de nosso futebol. Nossos jogadores estão se destacando muito mais pelos aspectos físicos do que pelo talento ou técnica. Como se isso não fosse o bastante, estamos criando pequenos gladiadores em nossas bases, brucutuzinhos que têm a mentalidade de odiar o rival e de jogar com a "faca entre os dentes", como afirmou o grande Paulo César Caju em seu blog. E o espírito esportivo fica onde? No esporte, nós temos adversários, e não inimigos.

Alguém viu as seleções Sub-17 e Sub-20 jogando no começo do ano? Ambas tinham força e tamanho demais, e talento e cérebro de menos. Faltaram jogadores de bola, técnica, alegria, ... Se com 20 anos um menino já distribui carrinhos a rodo, imaginem quando fizer 25. Vai se tornar um novo Felipe Melo, Mascherano, Gary Medel, ...



Imagem extraída do Facebook oficial da Lazio- https://www.facebook.com/SSLazioOfficialPage/



Klose, na contramão das tendências de nosso futebol, é um jogador que leva o fair play o pé da letra. Ele admitiu ter feito um gol de mão em uma partida contra o Napoli em 2012 e imediatamente informou o árbitro a respeito do ocorrido. A Lazio acabou perdendo a partida, mas a repercussão do gesto de Miroslav foi tão boa que ele foi premiado pela sua atitude. Se fosse aqui no Brasil, Klose seria insultado pela própria torcida e colegas.

O alemão também poderia repetir o que Seedorf fez pelo Botafogo entre 2012 e 2013. Sem ter como jogar em altíssimo nível na Europa, o volante holandês não demorou a se firmar no Fogão. Isso porque o nível técnico de nosso futebol está tão ruim que qualquer um que saiba jogar bola acaba se destacando, mesmo com idade avançada e com muitas lesões no currículo.

Analisando por este lado, seria muito bom ter Klose em nossos gramados. Quem sabe ele não ensina algo aos brasileiros. Temos muito a aprender com os alemães, algo que ficou evidente após aquele 7x1 no Mineirão durante o ano passado.

Eu duvido profundamente que Klose venha jogar no Brasil, ainda mais no São Paulo. Mas pagaria para ver isto.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/DFBTeam/



EM ABERTO

Como eu escrevi ontem, o Monaco melhorou muito seu desempenho na Ligue 1 e isto parece se refletir na Champions: os franceses seguraram a Juventus em pleno Juventus Stadium e deram trabalho aos donos da casa. Arturo Vidal, de pênalti, impediu que a Vecchia Signora fosse reprovada no dever de casa, mas o placar ainda está aberto e o Monaco pode ser a grande zebra da temporada.



CAÇA-CROATA

Imagem extraída de https://www.facebook.com/MandzukicMario17

A arbitragem do sérvio Milorad Mažić deixou muito a desejar no clássico entre Atlético e Real. Assisti à partida e o que sobrou de cotovelo no rosto do atacante Mario Mandžukić não foi brincadeira. Não é a primeira vez que o croata foi caçado em campo na competição -no jogo contra o Bayer, os rivais estavam fazendo "rodízio de faltas" no atacante. No jogo de ontem, a arbitragem ignorou os ferimentos de Mandžukić e ainda deu um cartão por reclamação ao atleta.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Em Boca Fechada, Mosca Não Entra

Imagem extraída do Facebook oficial de Zlatan Ibrahimović- https://www.facebook.com/ZlatanIbrahimovic/



Repercutiram mal as declarações do atacante Zlatan Ibrahimović após a derrota de seu time, o Paris Saint-Germain, diante do Bordeaux no último domingo. O sueco, na ocasião, afirmou que sua equipe foi prejudicada pela arbitragem e disparou: "Nunca vi um árbitro tão ruim nesse país de m" ...

Ibra se desculpou no dia seguinte pelas declarações polêmicas através das redes sociais, mas o pedido de desculpas não sensibilizou as autoridades francesas, que criticaram a atitude do jogador e cogitaram investigar o atleta pelo incidente.

São comuns repórteres à beira dos gramados em busca de entrevistas dos atletas e treinadores após os jogos. Os profissionais da imprensa, conscientes disso ou não, acabam interpelando jogadores ainda contagiados pelo clima das partidas e acabam obtendo declarações impensadas dos esportistas. Envolvidos pela emoção ou decepção (dependendo do resultado do jogo), os atletas terminam por disparar impropérios. Acredito que este tenha sido o caso de Ibrahimović que, enfurecido pelo revés, desabafou utilizando as palavras erradas.

Ibra cometeu um erro muito grave. Ao considerar a França um "país de m...", ele insultou todo um povo e toda uma nação. O jogador desdenhou do país que o acolheu, da torcida que o idolatrou e do clube que paga o seu salário. O atleta deveria se colocar no lugar das pessoas atingidas por suas ofensas: como Ibrahimović se sentiria caso chamassem a Suécia (país onde o atacante nasceu) ou a Bósnia-Herzegovina (país de onde descende) de "país de m..."?

O ódio e a fúria cegam o ser humano. Perdemos a consciência quando estamos irritados e terminamos por cometer atos impensados. Insultar um agressor, de maneira alguma, ajuda uma vítima e ainda pode transformá-la em ré. Ibra talvez até tivesse razão quando afirmou que o PSG foi prejudicado pela arbitragem (não vi o jogo), mas escolheu mal as palavras e passou a ser considerado o vilão da história.

O sueco agora terá uma longa batalha na justiça pela frente. Terá de arcar com processos e punições geradas pelas suas declarações.



Imagem extraída do Facebook oficial de Zlatan Ibrahimović- https://www.facebook.com/ZlatanIbrahimovic/



VIOLÊNCIA NÃO

Embora o Atlético de Madrid não tenha jogado bem na partida de ontem, fiquei muito satisfeito com a sofrida classificação dos Rojiblancos diante do Bayer Leverkusen -vitória por 1x0 no tempo normal e triunfo por 3x2 nos pênaltis. Os alemães bateram pra valer e foram extremamente maldosos, tanto no jogo de ida quanto no de volta. Houve até uma cotovelada do Rolfes em Raúl García digna de expulsão (o jogador espanhol chegou a sangrar no gramado), mas o juiz deixou o jogo seguir a despeito dos apelos -com razão- do treinador Simeone. Pena que o Arsenal não teve a mesma sorte do Atleti e acabou ficando pelas oitavas novamente -venceu o Monaco por 2x0 com gols de Giroud e Ramsey, mas precisava de um terceiro tento para avançar.



CUIDADO, DÓRIA!

O zagueiro Dória pode até ter razão quando reclamou do treinador Marcelo Bielsa. No entanto, é bom o defensor se conscientizar dos seguintes detalhes: ele está emprestado ao São Paulo apenas até o fim da temporada 2014-15 e Bielsa, que está bem no Marseille, provavelmente ainda será o comandante do Olympique quando o empréstimo terminar. Lá na Europa o treinador te muito mais autoridade e estabilidade do que no Brasil, portanto é muito mais provável que o atleta se prejudique do que o técnico. É bom que Dória maneire nas críticas ou ele pode se queimar quando voltar ao Marseille.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

As Crianças de Löw

Imagem extraída de https://www.facebook.com/DFBTeam/



Eu sempre tenho muita expectativa com relação às convocações do treinador da Seleção Alemã, Joachim Löw (foto acima). Ele sempre oferece espaço para que os jogadores mais jovens possam exibir seus talentos na Mannschaft e não tem pudores de fazer experiências em campo.

Fiz muitas críticas ao trabalho de Löw em 2014 apesar de apreciar muito seu time e seu estilo de jogo. Löw embarcou na ideia de Guardiola ao escalar Phillip Lahm no meio-de-campo e transformou o melhor lateral do mundo em um volante comum. Além disso, não entendi para que deslocar o bom zagueiro Höwedes para a lateral esquerda (ele cometeu algumas trapalhadas na Copa) e improvisar o grande armador Özil como winger. Nada é perfeito, não é mesmo?

O que eu mais aprecio no trabalho de Löw é o fato dele convocar jovens jogadores independente da grandeza da equipe. O treinador encontrou o zagueiro Shkodran Mustafi (foto abaixo) na modesta Sampdoria em 2014. E o colocou para jogar como titular na Copa. Nem o próprio Mustafi lavava muita fé na possibilidade de jogar pelo time principal da Mannschaft. Tanto que ele até estava cogitando em se naturalizar albanês para ter a chance de defender uma seleção. Detalhe: Mustafi jamais jogou profissionalmente na Alemanha. Ele foi revelado pelo Everton (time da Inglaterra), passou pela Sampdoria (da Itália) e atualmente está no Valencia (Espanha).



Imagem extraída do Facebook oficial de Shkodran Mustafi-
https://www.facebook.com/shkodran.mustafi.official.fan.page/



Löw convocou outros "jovens desconhecidos" para a Copa de 2014, incluindo Christoph Kramer, Mathias Gintter, Julian Draxle e Eric Durm. Todos estavam com idade inferior a 24 anos na época. Natural para quem levou Özil, Badstuber, Khedira, Kroos e Müller para jogar a Copa de 2010 quando estavam todos tinham aproximadamente 20 anos. Como nós vimos há cinco anos atrás, muitos foram titulares e fizeram bonito na África do Sul apesar da juventude.

O treinador continua fiel ao seu estilo e segue renovando a Seleção Alemã ao invés de se acomodar com uma base já estabelecida. Suas última experiências foram Sebastian Rudy, Karim Bellarabi, Antonio Rüdiger, Kevin Volland, Jonas Hector e Robin Knoche. Sempre leio notícias a respeito da Bundesliga, mas eu não tinha nenhum conhecimento a respeito deles há até pouco tempo atrás. Tudo feito visando o futuro da Mannschaft.

Em breve, o treinador divulgará novas listas de convocados para as Eliminatórias da Euro 2016. Fico esperando por mais surpresas. Quais "jovens desconhecidos" terão o direito de defender a Alemanha e galgar uma vaga na seleção em algum futuro próximo? Valmir Sulejmani? Emre Can? Mitchell Weiser? Jan Kirchhoff?

Para quem "descobriu" Mustafi em uma equipe considerada "secundária" na Itália, não será nenhuma surpresa se alguns desses nomes surgir para os amistosos de março.



Imagem extraída do Facebook oficial de Shkodran Mustafi-
https://www.facebook.com/shkodran.mustafi.official.fan.page/



DONO DA CASA E DA BOLA


São Paulo no 4-2-3-1 "torto", como dizia André Rocha da ESPN:
os uruguaios não tiraram proveito da marcação adiantada do
Tricolor e deram espaços para os jogadores são paulinos atacarem.
Ganso não deu nenhuma assistência, mas se movimentou bastante
em campo e até deu desarmes (obtido via this11.com).

Acompanhei o jogo do meu São Paulo contra o fraco Danubio e me diverti com o futebol praticado pelo Tricolor. O São Paulo envolveu os uruguaios com seu toque de bola no Morumbi e goleou os rivais, com destaque para Pato que anotou dois dos quatro tentos marcados. E poderia ter sido mais se o time da casa não tivesse sido tão afobado em alguns lances. O Tricolor voltou a jogar em sua formação "ideal" com Michel Bastos atuando como winger esquerdo, Pato centralizado e Luis Fabiano mais aberto na direita. Ponto negativo para o volante Denílson, que continua muito faltoso. Muricy precisa ficar de olho nele, ou o meio-campista pode deixar o São Paulo na mão com sua truculência.



SÓ O BARÇA SALVOU

Dos times que praticam o futebol de posse de bola, só o Barcelona venceu na rodada da Champions League. O Borussia Dortmund e o Arsenal sucumbiram diante dos retranqueiros Juventus e Monaco, respectivamente. Há o jogo de volta, mas é uma tristeza ver equipes de pouca ousadia prevalecendo sobre as que jogam no ataque. O futebol perde muito com isso.



FERRADURA ALEMÃ


O 4-2-3-1 do Bayer contra o 4-4-2 do Atlético: destaque para a
movimentação de Çalhanoğlu, que desarrumou a defesa espanhola
e foi premiado com o gol da partida. Sem Koke e com Arda Turan
improvisado na esquerda, O Atlético não foi muito efetivo no
ataque (imagem obtida via this11.com).

O Bayer Leverkusen tem bons jogadores do meio-de-campo para a frente -Kiessling, Drmić, Bellarabi, Heung-Min e Çalhanoğlu. Mas o restante do time foi uma tristeza. Os zagueiros estavam fazendo "rodízio de faltas" nos jogadores do Atlético de Madrid. O que bateram no Mandžukić não foi brincadeira. Várias faltas cometidas pelos alemães eram dignas de expulsão, mas o juiz aplicava apenas amarelos e isso foi enervando os Rojiblancos. Dois jogadores do Atlético, Saul e Guilherme Siqueira, deixaram o gramado ainda no primeiro tempo por lesão tamanha a deslealdade do Leverkusen.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Flanqueando

Imagem extraída do Facebook oficial do Barcelona- https://www.facebook.com/fcbarcelona/



O Barcelona perdeu em casa ontem para o Málaga em uma falha do lateral brasileiro Daniel Alves (ao centro da foto acima). Tal fato não chega a ser de todo inesperado, afinal tanto ele quanto Jordi Alba são laterais muito eficazes no ataque e no apoio, mas pouco efetivos na defesa.

O lateral mais ofensivo sempre foi uma característica do Brasil. Desde os tempos do saudoso Djalma Santos, nossos laterais são conhecidos por apoiarem bastante o ataque. Fora do Brasil, no entanto, são poucos os laterais que se destacam pela ofensividade, tanto que é comum improvisar zagueiros na posição em caso de desfalques. Mas isto vem mudando nos últimos anos com laterais cada vez mais fortes no ataque, como Lahm, Marcos Rojo, Daley Blind e tantos outros que sobem bastante para cruzar bolas.

Tal característica, contudo, tem contrapartidas e os adversários conseguem jogar nas costas dos laterais aproveitando as subidas destes. Mesmo aqui no Brasil, esse tipo de lateral vem recebendo críticas por deixar espaços para os contra-ataques adversários. Douglas (em seus tempos de São Paulo), Fagner (do Corinthians) e Mena (quando jogava no Santos) que o digam.

Os treinadores, felizmente, encontram maneiras de compensar a falta de defensividade dos laterais sem ter de mudar as características dos atletas. Observe o que já foi feito.


1- USO DE WINGERS: eu já expliquei várias vezes o que é um winger, certo? As equipes adotam esquemas como 4-4-2, 4-2-3-1 ou 4-1-4-1 onde os pontas oferecem cobertura para os laterais, tanto no ataque como na defesa. Os jogadores atuam em duplas vencendo os rivais pela superioridade numérica colocando dois jogadores para tirar espaços dos adversários na defesa ou, então, para sobrecarregar a marcação adversária pelos lados.



Atlético de Madrid no 4-4-2 em 2014-15 (esquerda) e Bayern München no 4-2-3-1 em 2012-13 (direita): laterais têm
liberdade para subir sem comprometer defensivamente as suas equipes, uma vez que os wingers oferecem  cobertura
defensiva para tirar os espaços dos rivais. As setas mostram a movimentação dos atletas em campo (obtido via
this11.com).



2- USAR TRÊS ZAGUEIROS: Louis Val Gaal tinha sérios problemas defensivos durante a Copa de 2014, com zagueiros pouco seguros e laterais estritamente ofensivos. A solução foi adiantar os laterais para o meio-de-campo e colocar mais um defensor. Isto não comprometeu a tradicional ofensividade holandesa, nem a qualidade do futebol jogado. E a Oranje ainda ganhou mais consistência defensiva.



Formação típica da Holanda com três zagueiros: os laterais têm
mais liberdade para subir sem deixar espaços para os contra-
ataques rivais. E, ainda, há wingers voltando para marcar
(imagem obtida via this11.com).



3- ADIANTAR OS LATERAIS: um amigo meu sempre diz que Marcelo e Dani Alves, os dois laterais da Seleção Brasileira na Copa 2014, "não são laterais, e sim meio-campistas". Assim sendo, pode-se entrar em campo com quatro laterais, dois com mais liberdade para subir e dois mais recuados. A última função pode ser feita com dois zagueiros atuando mais abertos, como fazem os times de fora do Brasil.



Em 2013, o então treinador Ney Franco encontrou esta solução
para compensar a ausência de Lucas e aproveitar as características
ofensivas de Douglas no São Paulo (obtido via this11.com).



4- FALSO ESQUEMA DE TRÊS ZAGUEIROS: alternativa da opção número 2. Volantes como Mascherano, Lorik Cana e Luiz Gustavo podem ser postados centralizados à frente da zaga. O Volante recua enquanto os laterais avançam, alterando o esquema para 3-4-3 ou 3-5-2, dependendo do número de atacantes.


Wolfsburg na atual temporada: Luiz Gustavo recua e oferece
liberdade para os laterais Jung e Ricardo Rodríguez
subirem para o ataque (obtido via this11.com).



Se o seu lateral está jogando mal, experimente mandar estas sugestões para o "professor". Talvez uma simples mudança no esquema tático seja tudo o que o lateral precise para brilhar em campo.



HAZARD=RISCO

Não é só no Brasil que os artistas da bola sofrem com a truculência dos rivais. O meia belga Eden Hazard encanta o torcedor do Chelsea com os seu dribles ao mesmo tempo que irrita os seus adversários. Para os jogadores que estão batendo em Hazard, tenho uma sugestão: mudem de esporte e deixem os artistas da bola trabalharem. Futebol é lugar para arte e lances bonitos, e não para violência.



AVISO AO GUERRERO

O Corinthians ainda não chegou a um acordo para uma renovação com o peruano Paolo Guerrero, mas já contratou dois atletas para a posição do camisa 9: o experiente Vágner Love (que vem para disputar posição) e o jovem colombiano Stiven Mendoza (que vem para ser reserva). Como o Timão dificilmente precisa de três jogadores para uma mesma posição, tudo leva a crer que o peruano não deve ficar para o segundo semestre.



O LYON PODE REERGUER A FRANÇA

Mesmo sem ter os recursos financeiros do PSG, o Lyon faz frente aos rivais parisienses e vai liderando a Ligue 1 2014-15 com relativa tranquilidade. Um dos segredos da equipe é o forte investimento nas categorias de base para compensar as dificuldades para se contratar e manter atletas de alto nível. Isto pode ser benéfico para a Seleção francesa, que poderá contar com as pratas reveladas pelos Gones. Se esses meninos repetirem o desempenho na Champions League e também com a camisa dos Bleus, talvez possamos ter surpresas vindas da França neste ciclo.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cada um se Vira com o que Tem de Melhor

Imagem extraída do Facebook oficial de Diego Simeone- https://www.facebook.com/diegopablosimeoneoficial/



Quando éramos adolescentes, eu e meu irmão costumávamos jogar um joguinho de cartas colecionáveis. Quem tivesse as cartas mais fortes, quase sempre ganhava todas. Mas como não tínhamos um alto poder aquisitivo, era muito difícil competir com adversários e seus "superbaralhos". Meu irmão, porém, compensava montando baralhos criativos, criando boas combinações com as cartas que possuía e conseguia bons resultados com suas estampas aparentemente pouco poderosas. Ele conseguia ser competitivo apesar dos recursos limitados.

Analisando alguns times de futebol, percebi que muitos clubes dispõem de muitos recursos financeiros -Barcelona, Bayern, Manchester United, Real Madrid, City, Chelsea, ...- e podem adquirir praticamente qualquer jogador no mercado. Claro que há as exceções que não trocam suas equipes por nada neste mundo -Messi, Iniesta, Xavi, Lahm, Schweinsteiger, ...- mas qualquer outro atleta pode ser perfeitamente adquirido por estes clubes milionários. São como os jogadores de grande poder aquisitivo, capazes de comprar qualquer carta e montar os "superbaralhos".

Há também os clubes que não dispõem destes recursos financeiros e estes times precisam lançar mão do que têm à disposição -jogadores nas categorias de base ou buscar atletas em ligas mais acessíveis. São como o meu caso, que precisava lançar mão de cartas pouco poderosas.

Mesmo com recursos limitados, alguns treinadores conseguem raciocinar, utilizar seus jogadores aparentemente limitados, explorar bem seus pontos fortes e transformá-los em times competitivos. Foi o que li no livro Os Números do Jogo, onde um capítulo inteiro é dedicado ao Stoke City. O Stoke, sem contar com o poder aquisitivo de um United ou de um Chelsea, dispunha apenas de jogadores lentos e pouco habilidosos mas com força e tamanho de sobra. O treinador Tony Pulis, observando isto, passou a explorar o jogo aéreo e as cobranças de lateral em direção à área com o volante Rory Delap (já aposentado). Os Potters, a despeito do time limitado, conseguiram sobreviver ano após ano na Premier League graças à perspicácia de Pulis que soube utilizar bem o que tinha à disposição e transformou tudo isso em resultados. Era o que meu irmão fazia com suas cartas pouco poderosas, mas que se mostravam bastante eficientes quando combinadas corretamente e de maneira inteligente.

Equipes como o Atlético de Madrid e o Olympique de Marseille estão alguns níveis acima do Stoke City, mas ainda não conseguem competir financeiramente com os milionários.

O Atleti perdeu três peças importantes para o milionário Chelsea durante a última janela de transferência -o goleiro Courtois, o lateral Filipe Luís e o atacante Diego Costa. E já haviam perdido Falcao García, Forlán e Sergio Agüero em outras ocasiões. Mas os Colchoneros ainda têm Diego Pablo Simeone (foto acima), treinador que debelou a crise no clube em 2012, fez o Atlético voltar a ganhar títulos e levou os Rojiblancos à final da Champions em 2014. E o time, apesar das perdas, manteve sua qualidade e produtividade graças à inteligência de Simeone, que motivou seu time (algo que seus jogadores vivem declarando em entrevistas) e soube aproveitar bem suas características em campo. Atualmente, o Atlético está em terceiro na Liga BBVA com 38 pontos, empatado com o vice-líder Barcelona e apenas um atrás do líder Real Madrid.

Caso semelhante foi o de Marcelo El Loco Bielsa (foto abaixo), que já havia revolucionado o futebol no Chile e no País Basco. O argentino desembarcou no Marseille ao começo da temporada. O argentino sabia que o time não seria exatamente o melhor do mundo, mas soube tirar proveito do elenco que possuía. Seu estilo, combinando disposição em campo com toque de bola, funcionou no OM e o Olympique lidera a Ligue 1 com 41 pontos, dois à frente do vice Lyon e três à frente do terceiro lugar, o PSG. Tudo isso mesmo sem contar com os recursos financeiros do Monaco e do próprio PSG.

Lendo o livro e constatando como equipes de baixo orçamento conseguem fazer frente aos rivais milionários, vi como o técnico pode ser o diferencial. É claro que existem treinadores brilhantes como o Mestre Cruyff, Guardiola e Jupp Heynckes, que conseguem unir futebol bonito com eficiência. Mas também é fascinante como há técnicos que aparentam ter o toque de Midas e transformam elencos aparentemente limitados em ouro. Basta observar o que os jogadores têm a oferecer de melhor e tirar proveito disso.

Se um baralho com recursos limitadíssimos pode fazer frente a adversários com grande poder aquisitivo, por que, então, um time aparentemente modesto não poderia enfrentar um adversário milionário se em campo são onze contra onze? Basta seu treinador ter inteligência, analisar as características do elenco (fortalezas e fraquezas) e tirar proveito disso nos confrontos.



Imagem extraída do Facebook oficial do Olympique de Marseille- https://www.facebook.com/OM/

domingo, 7 de setembro de 2014

Parabéns, Miranda!

Imagem extraída do Facebook oficial do Atlético de Madrid- https://www.facebook.com/AtleticodeMadrid/



Mais um grande jogador chega aos trinta anos!

Trata-se de João Miranda de Souza Filho, mais conhecido como Miranda.

Zagueiro de poucas faltas, qualidade no passe e bons cabeceios em lances de bolas paradas. Um jogador como esse não tardou a se consagrar nas equipes que defendeu, como o Coritba (clube que o revelou), o meu São Paulo (onde foi ídolo na segunda metade da década de 2000) e o Atlético de Madrid (onde vive o auge de sua carreira).

Miranda sempre foi um jogador muito discreto. Esse excesso de discrição, sem dúvida, dificultou que ele ganhasse destaque na mídia em alguns momentos e ele acabou, injustamente, ficando de fora de muitas convocações da Seleção Brasileira. Eu encho a boca para dizer que o zagueiro merecia ter ido às copas de 2010 e de 2014.

Para quem gosta de números, Miranda já ergueu muitos troféus em sua carreira, incluindo três Brasileirões pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008), um Campeonato Espanhol pelo Atlético de Madrid (2013-14), uma Copa Del Rey (2012-13), uma Europa League (2011-12) e uma Copa das Confederações pela Seleção Brasileira (2009).

Se Miranda nunca teve destaque pelo seu perfil "pouco midiático", o mesmo não se pode dizer de sua qualidade incontestável como defensor. A confiança que os treinadores depositam nele o fizeram titular absoluto nos clubes que defendeu. Com méritos.

Parabéns, Miranda! Muitas felicidades que você merece! Escrevo isto como admirador do futebol-arte e também como seu fã!



Imagem extraída do Facebook oficial do São Paulo- https://www.facebook.com/saopaulofc/

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Mandžuking

Imagem extraída do site oficial do Atlético de Madrid- http://www.clubatleticodemadrid.com/



Até hoje lembro-me quando Mario Mandžukić desembarcou no Bayern em 2012. Após ter feito sucesso na Euro 2012 ao ser um dos artilheiros da competição com três gols, Mandžo acabou com a freguesia do time bávaro diante do Borussia Dortumund ao anotar um dos gols na DFL-Supercup daquele ano.

Hoje, pouco mais de dois anos depois, Mandžukić consegue o improvável ao garantir o primeiro título da temporada para o Atlético de Madrid sobre o vizinho Real, que não poupou despesas para trazer James Rodríguez e Keylor Navas, ambos destaques da última Copa do Mundo. O Atleti, por outro lado, perdeu Diego Costa, Courtois, Felipe Luís e corre o risco de mais baixas, uma vez que fontes afirmam que Koke, Miranda e Godín podem deixar o clube.

Mandžukić foi o principal reforço rojiblanco para a temporada e tem a difícil missão de substituir o badalado Diego Costa, que se transferiu para o Chelsea. O croata já deixou bem claro em entrevistas que suas características em campo diferem bastante do hispano-brasileiro. Mas com um gol logo aos 2 minutos do primeiro tempo, Mandžo já deixou seu cartão de visita e ajudou seu time a conquistar o primeiro título da temporada, além de "vingar" o Atlético após a perda do título da Champions para o próprio Real.



Imagem extraída do site oficial do Atlético de Madrid- http://www.clubatleticodemadrid.com/



Cabem algumas licenças, como o fato do Real ter entrado com uma equipe considerada mista -Pepe, Marcelo e Ronaldo começaram no banco- mas os Merengues tinham elenco e futebol para baterem os rivais. James Rodríguez, Kroos, Xabi Alonso, Benzema, Bale e Modrić são jogadores de bola e tinham plenas condições de vencer o vizinho.

A equipe Rojiblanca, com um misto de técnica e raça, recuou após o primeiro gol, mas não deixou de buscar o segundo. Só não conseguiu ampliar o placar porque Casillas estava em um dia inspirado.

O Real até merecia a vitória pelo futebol jogado e pelo elenco que possui, mas o Atlético mereceu o título porque foi menos pragmático em campo. Soube ser eficiente em ambos os sentidos, tanto pelo regulamento quanto pela atitude ofensiva.

E, claro, contou com a estrela do croata conhecido por aproveitar muito bem as oportunidades oferecidas.



Imagem extraída do site oficial do Atlético de Madrid- http://www.clubatleticodemadrid.com/

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Enquanto Isso, na Europa...

Imagem extraída do Facebook oficial do Barcelona- https://www.facebook.com/fcbarcelona/


Enquanto a Copa do Mundo vai chegando ao seu final, os clubes europeus já estavam de olho nos destaques do mundial e trataram de se reforçar com os jogadores que apresentaram bom desempenho no campeonato.

A contratação mais impactante até o momento foi a transferência do polêmico atacante uruguaio Luis Suárez (foto acima), que deixou o Liverpool e assinou com o Barcelona. A informação já foi confirmada pelas partes envolvidas através das redes sociais. Resta saber quando o novo camisa 9 blaugrana poderá estrear pelo seu novo clube, uma vez que o atleta está proibido de jogar por causa da mordida desferida no zagueiro Chiellini durante a copa.


Imagem extraída do Facebook oficial do Arsenal- https://www.facebook.com/Arsenal


A vinda de Suárez possibilitou a saída do centroavante chileno Alexis Sánchez (foto acima) para o Arsenal. O agora ex-camisa 9 do Barça era especulado na Juventus para fazer companhia aos compatriotas Vidal e Isla, mas acabou indo para o time dirigido por Arsène Wenger.


Imagem extraída do Facebook oficial do Barcelona- https://www.facebook.com/fcbarcelona/


Outro reforço para o Barcelona foi o meia croata Ivan Rakitić (foto acima), campeão da Europa League 2013-14 pelo Sevilla e um dos destaques da Hrvatska no mundial. Antes mesmo da copa ter início, sua transferência já era dada como certa. Especula-se que ele deve ocupar o espaço deixado pelo veterano Xavi, que teria acertado com um clube do Oriente Médio.


Imagem extraída do site oficial do Atlético de Madrid- http://www.clubatleticodemadrid.com/


Mais um croata que está de casa nova é o centroavante Mario Mandžukić (foto acima), que trocou o Bayern München pelo Atlético de Madrid. Ele deve ocupar a vaga deixada por Diego Costa, que já teria acertado com o Chelsea. Mandzo deixou o Bayern após desentendimentos com o treinador Josep Guardiola. Confesso que achei injusta a sua saída, afinal ele foi, mais uma vez, o artilheiro do time bávaro na última temporada e o vice-artilheiro da Bundesliga 2013-14, ficando apenas atrás de Lewandowski. De qualquer forma, as transferências de Mandžukić e Rakitić, além da boa fase de Modrić, mostram que o futebol croata está em destaque novamente. Quem sabe, a Hrvatska não tenha um desempenho melhor em 2018 na Rússia.


Imagem extraída do Facebook oficial do Bayern München- https://www.facebook.com/FCBayern


Por falar em Lewandowski (à esquerda na foto acima), o grandão polonês foi apresentado pelo Bayern nesta semana. Ele já tinha pré-contrato assinado com o clube bávaro no começo do ano e vai ocupar o espaço deixado por Mario Mandžukić. Dos reforços aqui listados, ele foi o único que não estava na Copa do Mundo. Uma pena, pois não faltam bons jogadores na Polônia, incluindo o próprio Lewandowski, Kuba, Piszczek e Szczezny.

Além dos mencionados, Diego Costa (trocou Atlético de Madrid por Chelsea), Cesc Fàbregas (deixou o Barcelona e acertou com o Chelsea) e David Luiz (trocou o Chelsea pelo PSG) esquentaram o mercado de transferências durante a Copa do Mundo.

Pelo jeito, a Champions League 2014-15 será bastante divertida...