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segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Privatização

Imagem extraída de twitter.com/EternoDiez



Juan Román Riquelme foi eleito presidente do Boca Juniors no dia 17 de dezembro após derrotar Andrés Ibarra que era apoiado pelo ex-presidente da Argentina, o neoliberal Mauricio Macri. Após ter sua vitória confirmada, o ex-meia utilizou palavras fortes contra seus adversários, que pretendiam transformar o clube em uma empresa ou sociedade anônima de futebol (SAF).

Riquelme, que venceu Ibarra por ampla vantagem, declarou na ocasião: "o torcedor precisa saber que estamos diante das eleições mais fáceis da história. Esses senhores, quando voltarem, vão privatizar o clube, vão dá-lo aos três amigos que têm por aqui, e não se vota nunca mais. Isso não pode acontecer. Há muito tempo disse que ganharíamos por 95%, mas me parece que vamos ganhar por um pouco mais. Estaremos aqui por muitos anos, essa gente não pode pisar no nosso clube nunca mais. Não são torcedores, querem usá-lo para outra coisa".

As palavras do ex-meia, questões políticas à parte, têm uma certa razão. Como escrevi aqui no blog em outros posts, quando um clube se transforma em uma SAF, passa a ter um proprietário que pode fazer o que bem entender com a instituição desde que, obviamente, não viole as leis do país onde está sediado e nem afronte as regras estabelecidas pelas federações de futebol. E o dono pode permanecer no poder durante o tempo que desejar, afinal o time passa a ser sua propriedade.

O modelo tradicional, por outro lado, possui um conselho gestor que (teoricamente) limita os poderes do presidente e todas as ações centrais do clube são determinadas por voto. Ademais, tal formato é um pouco mais acessível ao torcedor que pode protestar contra medidas que lhe desagradarem, algo que raramente ocorre em uma SAF. Basta observar o Manchester United e o Arsenal, cujos fãs sempre se mostraram contrários os acionistas majoritários dos seus respectivos times e sempre foram ignorados pelos cartolas.



Imagem extraída de twitter.com/EternoDiez



A SAF, por fim, não oferece garantias de competitividade para os times e o Brasil foi o grande exemplo disto uma vez que apenas um clube que adotou o modelo (Atlético-MG) terminou entre os quatro primeiros do Campeonato Brasileiro 2023 e cinco deles (América-MG, Bahia, Coritiba, Cruzeiro e Vasco) ainda lutaram para não caírem.

Riquelme, portanto, tinha alguma razão quando proferiu aquelas críticas a Ibarra e seus aliados. Sabia que a transformação em SAF poderia elitizar o clube afastando-o do torcedor comum e o proprietário  dificilmente deixaria o poder visto que o Boca Juniors é uma marca muito forte e com alto potencial de lucro. O destino da entidade xeneize poderia ser o mesmo de Arsenal e Manchester.

Román, por outro lado, sabe que venceu com o "voto do povo" e isso terá um preço. O Boca Juniors há anos deixou de ser aquele gigante temido em toda a América do Sul e hoje apresenta dificuldades em competir, tanto sob a ótica técnica quanto a financeira. Riquelme terá de buscar maneiras de recuperar a instituição sem "privatizá-la" ao mesmo tempo que enfrentará cobranças do torcedor comum que o elegeu.

Temos de exaltar a coragem de Riquelme em arriscar o seu status de ídolo do Boca Juniors e buscar por alternativas financeiramente sustentáveis sem afastar o torcedor comum do clube. O ex-meia, porém, receberá uma instituição clamando por modernização ao mesmo tempo em que será pesadamente cobrado por suas promessas. A conferir.



Imagem extraída de twitter.com/EternoDiez




sábado, 4 de novembro de 2023

Calando o Boca

Cano deixou o dele na grande final (imagem extraída de twitter.com/FluminenseFC).



O Fluminense, enfim, conquista seu primeiro título na Libertadores. Os dirigentes tricolores bancaram o treinador Fernando Diniz durante as oscilações e agora colhem os frutos. A taça, porém, veio após muito sofrimento diante de um Boca Juniors mais acostumado às grandes decisões e também com alguns erros cometidos pelo próprio time de Xerém.

O Boca Juniors (que foi o "mandante" para fins administrativos) foi a campo em 4-4-2 com o garoto Nicolás Valentini no lugar do capitão Marcos Rojo -expulso na partida contra o Palmeiras. O Fluminense, sem desfalques importantes, optou pelo esquema favorito de Diniz, o 4-2-3-1.

A estratégia do Fluminense foi óbvia: forçar as jogadas no lado esquerdo da defesa Xeneieze onde o garoto Valentini estava escalado. Para isto, Samuel Xavier, Martinelli e Arias triangularam bolas pela direita tricolor tentando acionar Cano. O Boca, inicialmente, lutou pelo empate sem esboçar reação, provavelmente confiando no goleiro Sergio Romero e seu faro para defender pênaltis.

O Tricolor, com o tempo, passou a utilizar também o seu lado esquerdo com Marcelo e Keno tentando alçar bolas para Cano. Os Xeneizes, tendo mais espaço, responderam com contra-golpes velozes com Cavani e Merentiel pelo centro mas sem muito sucesso. A tréplica do Nense veio com o time concentrando as jogadas pela direita (estratégia que Diniz havia tentado sem sucesso na Seleção Brasileira) e um cruzamento certeiro de Arias achou o camisa 14 que fuzilou Romero de fora da área. Fluminense 1x0.



Boca, em 4-4-2, se encolhe e responde com Cavani e Merentiel
pelo centro. Fluminense, em 4-2-3-1. mobiliza todo o time para
o lado direito visando forçar as jogadas sobre o garoto
Valentini (imagem obtida via this11.com).



Fluminense perde Felipe Melo lesionado logo no início da segunda etapa. Os Tricolores tentam decidir o jogo mas correm muitos riscos ao tentarem sair jogando com a defesa ou ao adiantar as linhas. O Boca, por sua vez, se vê obrigado a buscar para o jogo e tenta atacar principalmente pela direita com Advíncula.

O Flu fica durante alguns minutos com um jogador a menos -Samuel Xavier é retirado de campo para atendimento- e o Boca aproveita a vantagem numérica para adiantar suas linhas. Em uma jogada individual, Advíncula acerta um petardo pela direita sem chances para Fábio. 1x1.

Jorge Almirón troca Cavani e Barco por Benedetto e Langoni por questões físicas, alterando seu esquema para 4-3-3. Diniz responde triando Ganso, Marcelo e Martinelli por John Kennedy, Diogo Barbosa e Lima. As mudanças do treinador tricolor, porém, fazem com que o Flu perca o meio-de-campo e obriga os cariocas a tentarem o jogo mais direto, dificultando a criação de oportunidades.

A partida vai para a prorrogação e, quase no final do primeiro tempo extra, John Kennedy desempata em uma linda jogada individual, mas o camisa 9 se excede na comemoração e leva o segundo cartão amarelo. O Boca, porém, não tem tempo de aproveitar a vantagem: Fabra é expulso após agredir Nino (em lance revisado pelo VAR) durante uma confusão e a vantagem numérica dos Xeneizes vai por água abaixo. Os argentinos se desesperam e vão para cima enquanto os brasileiros conseguem segurar o placar na base dos chutões.



Boca vai pra cima com Advíncula mas é surpreendido pelo
garoto John Kennedy (imagem obtida via this11.com).



Fluminense conquista seu primeiro título na Libertadores mas com ressalvas: o Tricolor se arriscou demais após abrir vantagem quando deveria ser mais conservador em campo e Diniz foi mal nas substituições após sofrer o gol de empate visto que o Nense perdeu qualidade no passe sem Marcelo e Ganso.

Boca luta mas tem de se contentar com o vice. O time argentino até possui bons jogadores mas mostrou-se pouco a vontade quando teve de propor jogo. O treinador Jorge Almirón e seus comandados terão de aprender a jogar com a bola para não dependerem excessivamente da estratégia de empatar e contar com o goleiro Romero nos pênaltis. E a derrota poderia ter sido ainda maior para os Xeneizes visto que o árbitro Wilmar Roldán deixou de marcar uma cabeçada de Valentini em Ganso, falta passível de vermelho.

O Fluminense e Fernando Diniz, enfim, calam seus críticos e conquistam a América. O futebol "utópico" do treinador conquista dois troféus em 2023 e o técnico se sagra entre os grandes do continente Sul-Americano. Será que é possível alcançar voos mais altos? Difícil, mas o Tricolor provou que a convicção também pode decidir tantos campeonatos quanto a raça ou o talento.



Imagem extraída de twitter.com/LibertadoresBR




segunda-feira, 25 de maio de 2015

A Última Orquestra do Maestro

Imagem extraída do site oficial do Barcelona- http://www.fcbarcelona.cat/



Bom dia, queridos leitores e leitoras! Em decorrência de problemas pessoais do autor, este blog não sofreu atualizações durante a última semana. Peço imensas desculpas pela ausência e farei o possível para que este diário virtual continue a entreter o querido e a querida internauta durante muito tempo.


Neste último final de semana, o Barcelona comemorou o seu 23º título espanhol. O campeonato já estava assegurado desde o último domingo com o triunfo sobre o Atlético de Madrid, o que mantinha a diferença de quatro pontos sobre o vice-líder e arquirrival Real Madrid restando apenas uma rodada para o final de La Liga 2014-15. Desta forma, o Barça não mais poderia ser alcançado por nenhum adversário na tabela e poderia festejar o título de maneira antecipada. A partida de sábado contra o La Coruña (que terminou empatado em 2x2) foi uma mera formalidade, mas o resultado pouco importava no momento.

O jogo realizado no Camp Nou serviu para consagrar uma verdadeira lenda do futebol. O maestro Xavier Hernández i Creus, mais conhecido como Xavi, despediu-se da Liga BBVA. O meio-campista confirmou há algum tempo os rumores que especulavam sua saída do Barcelona após 17 anos atuando pelo time principal. Foi a última orquestra regida pelo maestro no Campeonato Espanhol.

Xavi esteve no Barcelona desde 1991 quando tinha 11 anos, atuando pelas categorias de base do time catalão. Desde pequeno, o franzino menino já demonstrava seu talento de orquestrar as jogadas. Ao invés de correr em campo como os outros garotos, preferia ficar parado fazendo com que a bola chegasse aos atacantes, característica que ele carregou até os dias de hoje.

O camisa 6, de fato, nunca foi um meia de movimentação, optando por ser o camisa 10 típico, um jogador que prefere cadenciar as jogadas e municiar os atacantes. Também possui características de marcação, atuando como volante ou meia central em alguns jogos na Seleção Espanhola. E sua bola parada é igualmente letal, sendo o cobrador de faltas e escanteios do time.



Imagem extraída do site oficial do Barcelona- http://www.fcbarcelona.cat/



Xavi formou com o eterno parceiro Andrés Iniesta um dos melhores meios-de-campo da história do futebol, senão o melhor. Ambos compartilham do mesmo talento na execução dos passes e na visão de jogo. Xavi, mais defensivo, dava liberdade para que o parceiro arriscasse algumas subidas para o ataque pelo lado esquerdo. Foi desta forma que ele ajudou Iniesta a anotar o gol do título espanhol na Copa de 2010.

Títulos, aliás, jamais faltaram a Xavi. Pelo Barcelona, foram oito campeonatos espanhóis, duas Copas Del Rey, três Champions Leagues e dois Mundiais Interclubes. Pela Seleção Espanhola, foram duas Eurocopas e a já mencionada Copa do Mundo de 2010.

O tempo, infelizmente, passa para todos. Xavi já vinha há algum tempo sofrendo com as limitações da idade. As lesões vinham se tornando cada vez mais frequentes e suas jogadas já não eram mais tão surpreendentes como há cinco anos atrás. Mesmo com todo o seu talento, o meia já não conseguia mais competir com adversários jovens e vigorosos. Era necessário passar o bastão a algum sucessor. E ele veio da Croácia após uma passagem bem sucedida pelo Sevilla na temporada 2013-14. Ivan Rakitić, contratado no início da temporada, recebeu a difícil missão de substituir um jogador tão diferenciado. Após alguns meses de irregularidade, o meia croata mostrou-se apto para a missão e demonstrou que a posição de Xavi estaria em boas mãos, ou melhor, em bons pés.



Imagem extraída do site oficial do Barcelona- http://www.fcbarcelona.cat/



O destino de Xavi será o Al-Sadd do Catar (ou "Qatar"). Acredita-se que o maestro seguirá os mesmos passos de Josep Guardiola, que também atuou no Oriente Médio e, posteriormente, tornou-se treinador do próprio Barcelona. Guardiola, inclusive, teria afirmado que Xavi possui muito talento para dirigir um time.

A missão de Xavi pelo Barcelona, contudo, ainda não está completa. O camisa 6 ainda terá compromissos pelo time catalão na Copa Del Rey (sábado dia 30 de maio no Camp Nou, diante do Athletic Bilbao) e na Champions League (sábado dia 6 de junho no Olympiastadion, diante da Juventus). Se for bem sucedido em ambas, conquistará a segunda Tríplice Coroa de sua carreira -a primeira foi em 2008-09.

Escrevo, como torcedor do Barcelona e fã de Xavi, que foi um imenso prazer assistir ao seu talento, ainda que pela televisão. Infelizmente, jamais pude ir até a Europa para vê-lo jogar ao vivo. Foi graças ao Barça e ao talento de Xavi que eu conheci o futebol bonito e bem jogado. Muitas das minhas opiniões neste blog foram influências diretas desta grande geração do Barcelona e também da Seleção Espanhola. Com o futebol cada vez mais físico e brutal, o "baixinho" Xavi se destacou e fez toda a diferença nos gramados, demonstrando que o esporte também se pratica com inteligência e elegância.

Sentirei muitas saudades de seus passes e de sua maestria, seja com a camisa do Barcelona, seja com o uniforme da Furia. Felizes serão os cataris, que terão o privilégio de assistir aos últimos toques de bola de Xavi antes de pendurar as chuteiras. Que ele possa fazer a diferença também no Oriente Médio!

Muito obrigado por tudo, Maestro! Muito obrigado mesmo, Craque!



Imagem extraída do site oficial do Barcelona- http://www.fcbarcelona.cat/



CALMA!

Já tem torcedor se descabelando pelo começo ruim das grandes equipes no Brasileirão 2015. Palmeiras, Cruzeiro, Vasco e Flamengo ainda não venceram nenhuma partida. São Paulo, Santos, Atlético-MG, Fluminense, Inter e Grêmio ainda estão oscilando bastante na tabela. Toda essa preocupação tem fundamento devido aos pontos desperdiçados que podem fazer falta lá no final, mas ainda estamos no começo do campeonato. Muita água vai rolar até dezembro, incluindo mudanças no elenco, trocas de treinadores, competições paralelas e lesões de atletas. A tendência é de que na reta final os grandes clubes (ou os de maior poder aquisitivo) se recuperem enquanto os coadjuvantes lutem para não cair. Porém, os times já deveriam estar em um ritmo bem melhor do que o demonstrado nas primeiras rodadas, afinal tiveram os estaduais para se prepararem.



CALOU O BOCA

A punição da CONMEBOL ao Boca Juniors divide opiniões entre os comentaristas: alguns acreditam que foi muito branda, enquanto outros afirmam que foi exemplar. A exclusão do clube xeneize, de qualquer forma, era o mínimo que a confederação deveria ter feito. Primeiro porque responsabiliza os clubes pelo mau comportamento de seus torcedores, algo que já deveria haver há muito tempo em toda a América do Sul, incluindo o Brasil. E, segundo, porque abre o precedente para que mais clubes sejam punidos em caso de novas atitudes violentas de torcedores, como lembrou o jornalista Cosme Rímoli. Apenas lamento que a Libertadores se viu privada do bom futebol praticado pelo Boca, mas a punição ao clube era algo necessário.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Uma Vergonha para o Futebol Argentino

Imagem extraída do Facebook oficial do River Plate- https://www.facebook.com/riverplateoficial



Arrependo-me de não ter assistido às partidas da Europa League, realizadas na tarde de hoje. Provavelmente o jogo entre Sevilla e Fiorentina ou Dnipro e Napoli renderiam assuntos muito mais agradáveis para se comentar do que este trágico Boca e River, que deveria se chamar "Meia-Boca" e "Horríver".

A partida não teve quase nada de futebol, apenas faltas e discussões ríspidas no gramado. O saldo no primeiro tempo era de quatro cartões amarelos para o Boca e um para o River.

Os donos da casa precisavam do resultado, pois haviam perdido por 1x0 no Monumental de Núñez. Mas ao invés de jogarem bola, os Xeneizes caíram na provocação dos adversários. E faltou pouco para alguém ser expulso ainda na primeira etapa.

O pior, no entanto, estava por vir. Jogadores do River nem voltaram para o segundo tempo. Haviam sido atacados por gás de pimenta no vestiário. Não se sabe quem foi o autor da agressão. Vários atletas estavam feridos ou passando mal.

Não obstante, torcedores arremessaram objetos no gramado e observou-se, ainda, um drone com uma flâmula provocando o River em alusão ao rebaixamento sofrido pelos Millonarios em 2012.

Quase uma hora se arrastou até que a arbitragem tomasse a sensata decisão de suspender a partida. A CONMEBOL, segundo o narrador Milton Leite, havia lavado as mãos e afirmado que a responsabilidade de se interromper o jogo era toda do árbitro.

Ainda não se sabe quais serão as consequências do incidente, mas espera-se que o Boca, como mandante do jogo, seja punido e responsabilizado pelos ocorridos.

O River deve ficar com a vaga e enfrentar o Cruzeiro nas quartas-de-final, uma vez que são remotas as possibilidades de um novo jogo ser marcado.

Independente do resultado, o futebol argentino saiu perdendo com o incidente. O país, que tem dois títulos em Copas do Mundo e 23 em Libertadores, não merecia ter esta nódoa em seu esporte. O continente sul-americano inteiro viu este vexame sofrido pela Argentina.

A irresponsabilidade de poucos fez o futebol de um país inteiro passar uma grande vergonha.



Leia mais:

Juca Kfouri- Los animales vuelven a atacar: http://blogdojuca.uol.com.br/2015/05/los-animales-vuelven-a-atacar/

ESPN- Árbitro suspende Boca x River após confusão com spray de pimenta no intervalo da partida: http://espn.uol.com.br/noticia/509758_arbitro-suspende-boca-x-river-apos-confusao-com-spray-de-pimenta-no-intervalo-da-partida



FÊNIX SEVILHANA

Mesmo tendo sofrido um grande desmanche após o fim da temporada 2013-14, o Sevilla está de volta a mais uma final de Europa League e pode conquistar o segundo título seguido -e quarto da história do clube. A equipe venceu bem a Fiorentina nas duas partidas da semifinal e mostrou, mais uma vez, sua grande capacidade de se reerguer após as perdas. E o futebol continua agradável, no melhor estilo da escola espanhola.



INTER NA FRENTE

Dos clubes brasileiros que restaram, simpatizo mais com o Cruzeiro e seu genial treinador Marcelo Oliveira. Mas o Inter está bem mais forte que o rival celeste por ter um elenco muito melhor. O bom zagueiro Juan continua, assim como o excelente meio-de-campo formado por Aránguiz, D'Alessandro e Alex. Somam-se ainda o habilidoso atacante Nilmar, o promissor Valdívia (cria da base que está em excelente fase) e o experiente centroavante Lisandro "Licha" López. O Colorado tem, ainda, uma chave bem mais tranquila a seu favor, enquanto a Raposa pode pegar Boca, River, Racing, ... No duelo pelo tri da Libertadores, os gaúchos estão à frente dos mineiros.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Caça às Bruxas

Imagem extraída de https://www.facebook.com/uefachampionsleague



Vocês repararam que a justiça dos brasileiros está muito mais preocupada em buscar culpados pelas ocorrências ao invés de apontar soluções para os problemas? Todos os dias leio notícias a respeito de todo tipo de problema no país mas parecemos muito mais preocupados em satisfazer nosso anseio de encontrar um responsável pelo caso e, claro, puní-lo ao invés de buscar uma solução concreta para a situação.

No futebol as coisas não são muito diferentes e uma derrota de um time, seja qual for, sempre precisa ter algum culpado. Não importa se o adversário jogou melhor ou se a equipe se esforçou. Um revés, na opinião de nós brasileiros, sempre se deve a alguma falha e o responsável por ela deve ser encontrado e punido exemplarmente. Muitos de nós parecem confundir "justiça" com "vingança".

O brasileiro considerou o lateral Roberto Carlos (foto acima) o "responsável" pela eliminação do Brasil na Copa de 2006 diate da França. Em 2010, o "culpado" pelo revés diante da Holanda foi o volante Felipe Melo (foto abaixo). E por aí vai. Os jogadores até podem ter tido sua parcela de culpa (eu não considero que Roberto Carlos teve culpa na eliminação de 2006), mas uma análise mais criteriosa das partidas mencionadas mostraria que os adversários estavam melhores ou que o Brasil jogou mal diante dos rivais. O nosso "senso de justiça", no entanto, sempre fala mais alto e temos de buscar um "responsável" pela falha seja qual for.

Roberto Carlos e Felipe Melo nunca mais foram convocados para a Seleção após as eliminações e a dupla provavelmente seria linchada pelos torcedores mais violentos se houvesse a oportunidade. O problema da Seleção em ambos os jogos era a falta de qualidade no meio-de-campo (e continua sendo), mas poucos se preocuparam em resolver a situação e a maioria preferiu "caçar as bruxas" ao invés de propor alguma solução. Pagamos até hoje o preço por isso. A derrota por 7x1 para a Alemanha foi consequência da falta de criatividade de nossos meias.

O brasileiro não pode agir motivado pelo ódio ou pela fúria para resolução de um problema. Não adianta agirmos como um bando de revoltados, sair procurando culpados e pedir suas cabeças. Não se resolve um problema dessa forma. É preciso ser racional ao invés de passional nesse tipo de situação. Muitas injustiças já foram cometidas quando o julgamento foi feito no calor do momento. Quem não se lembra do goleiro Júlio César, herói do Brasileirão 2011 pelo Corinthians e crucificado por uma eliminação no Paulista diante da Ponte Preta?

Quando o brasileiro compreender que temos de priorizar a busca por soluções ao invés de culpados para resolução um problema, podem ter a certeza que o nosso país irá melhorar como um todo, inclusive no futebol.



Imagem extraída do Facebook oficial do Galatasaray-
https://www.facebook.com/Galatasaray



DÁ GOSTO VER O BOCA JOGAR

Assisti apenas a alguns trechos da goleada por 5x0 do Boca Juniors sobre o Zamora, mas foi o suficiente para me animar. O time xeneize joga um futebol agradável e ofensivo, algo que já vinha acontecendo desde o ano passado. Dos times argentinos, sempre tive maior simpatia pelo River Plate, mas tiro o meu chapéu para o arquirrival Boca que promoveu uma verdadeira renovação no elenco e, com isso, modernizou seu estilo de jogo.  Não é fácil abrir mão de medalhões como Riquelme, Ledesma ou Clemente Rodríguez, mas a equipe do treinador Rodolfo Arruabarrena está fazendo bonito na Libertadores 2015, tanto pela campanha quanto pelo futebol jogado.



SHAQIRI E KROOS FARÃO FALTA

O Bayern München trucidou o Shaktar Donetsk na quarta-feira com uma goleada de 7x0, mas pode perder os craques Ribéry e Robben para as próximas partidas. Ambos deixaram o jogo lesionados. A dupla Toni Kroos e Xherdan Shaqiri viria a calhar nesse momento, com o volante jogando como armador (Müller atuaria pela direita na vaga de Robben) e com o suíço-kosovar jogando na vaga de Ribéry. Será que foi mesmo uma grande ideia do clube bávaro vender Kroos e Shaqiri nesta temporada?



SENTINDO O PESO DA COROA

Muito mais difícil que conquistar um título é defendê-lo na temporada seguinte. O Real Madrid, atual campeão da Champions League, que o diga. A equipe merengue se classificou às quartas-de-final mas perdeu por 4x3 para o Schalke 04 em pleno Santiago Bernabéu. Os tabloides mais sensacionalistas falam em crise no Real, mas eu interpreto a derrota de outra forma: um time campeão precisa disputar mais jogos e fazer mais viagens que os demais. Além disso, a Copa do Mundo diminuiu as férias dos jogadores o que dificultou a recuperação de alguns -praticamente todo o atual elenco do Real jogou o mundial de 2014. Dessa forma, a equipe madrilenha sentiu muito mais o desgaste do que os rivais. É o preço que se paga pelas grandes temporadas.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O Futebol Fica Mais Pobre Sem Riquelme

Imagem extraída de https://www.facebook.com/juanromanriquelme10/



Lamentei muito a aposentadoria do meia Juan Román Riquelme, anunciada no último domingo. O jogador de 36 anos estava atuando pelo Argentinos Juniors (clube por onde ele já havia tido uma passagem nas categorias de base) e decidiu se aposentar logo após ter ajudado o time a retornar à Primeira Divisão.

Riquelme teve passagens por muitos clubes, incluindo o Boca Juniors, o Barcelona, o Villarreal e o Argentinos Juniors. Pela Seleção Argentina, jogou de 1997 a 2008, mas disputou uma única Copa do Mundo, a de 2006 na Alemanha. Os títulos mais importantes de sua carreira foram três Libertadores (2000, 2001 e 2007 pelo Boca), um Mundial Interclubes (2000 pelo Boca), cinco títulos argentinos (1998, 1999, 2000, 2008 e 2011 pelo Boca) e uma medalha de outro olímpica (em 2008 pela Seleção Argentina).

O craque ficou conhecido pela qualidade ímpar de seus passes e pela sua exímia visão de jogo. Infelizmente, Riquelme também era conhecido pela personalidade forte e, frequentemente, se desentendia com os treinadores. Foi assim com Louis Van Gaal no Barcelona e com Diego Maradona na Seleção Argentina.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/juanromanriquelme10/



Riquelme é um tipo de jogador cada vez mais raro no futebol, como disse o compatriota Juampi Sorín. Faltam atletas da qualidade de Román, aqueles meias que organizam o jogo como poucos e podem ser chamados de maestros. O futebol está cada vez mais valorizando o aspecto físico em detrimento ao talento. Os meias capazes de pensar o jogo estão dando lugar aos brucutus que só correm ou dão trombada. E criação de oportunidades só em bola parada.

Nesse cenário, o futebol sempre lamenta toda vez que um artista do quilate de Riquelme, Alex Cabeção ou Zidane pendura as chuteiras. Isso significa menos um craque para alegrar o cada vez mais árido futebol moderno.

Eu ainda gostaria de ver Riquelme em campo por mais alguns meses, pelo menos até julho deste ano. Tinha esperanças de ver Román disputando a Libertadores mais uma vez -independente de qual clube ele estivesse defendendo- e, quem sabe, vê-lo em uma última Copa América, transmitindo um pouco de experiência aos garotos da Albiceleste e trocando alguns passes com o grande Messi. E olha que a Seleção Argentina ainda sente a ausência de um jogador como Riquelme.

Riquelme, meus profundos agradecimentos por tudo o que fez pelo futebol. O esporte sentirá muito a sua ausência. Faltam jogadores como você, que se destacam pela inteligência e talento ao invés dos músculos ou da estatura.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/juanromanriquelme10/



Leia mais:

ESPN- Riquelme anuncia aposentadoria: 'Decidi não jogar mais futebol': http://espn.uol.com.br/noticia/478733_riquelme-anuncia-aposentadoria-decidi-nao-jogar-mais-futebol




EU TENHO ORGULHO DO NOSSO HANDEBOL!


Imagem extraída de https://www.facebook.com/CbHbConfederacaoBrasileiraDeHandebol


Infelizmente, a Seleção Masculina de Handebol parou nas oitavas diante da fortíssima Croácia. A Seleção Masculina teve muita dificuldade para se classificar ao mata-mata (foram três derrotas e duas vitórias na fase de grupos) e acabou cruzando com a Hrvatska, que possui um título na competição e dois ouros olímpicos. O Brasil, no entanto, caiu de pé e deixa a competição de cabeça erguida. Nossa Seleção não vendeu barato suas partidas e, por muito pouco, não consegue passar pelos enxadrezados -perdeu por 26 x 25, apenas um gol de diferença. Parabéns ao treinador Jordi Ribera e aos jogadores pelo esforço e também por terem representado muito bem a nossa nação em Doha! Se o técnico e o elenco utilizarem bem a experiência adquirida no Catar, poderemos até sonhar com medalhas nos próximos anos.



A RAIZ DO PROBLEMA

Na edição de ontem do diário Lance, os dois articulistas -Eduardo Tironi e Flávio Garcia- demonstraram a mesma preocupação com a Copinha, bem como o aproveitamento das categorias de base pelos clubes. Coincidentemente, foi o mesmo assunto que abordei ontem aqui no blog. Fico feliz em saber que há mais pessoas que compartilham da mesma opinião e, principalmente, demonstram preocupação com o futuro de nossos meninos. E ainda acrescento: estamos perdendo talentos simplesmente porque não os aproveitamos e, ainda por cima, deixamos pessoas mal-intencionadas fazerem a cabeça de nossos garotos. Não a toa, várias promessas de nosso futebol nunca passam de promessas...


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Que Pena! Que Pênalti!

Imagem extraída do Facebook oficial do São Paulo- https://www.facebook.com/saopaulofc/



Torci para que o São Paulo e o Boca Juniors fizessem a final da Copa Sulamericana 2014, afinal o Tricolor e os Xeneizes possuem um estilo de jogo mais agradável do que o do Atlético Nacional e o do River Plate, embora os outros dois times também me agradem. Mas, o São Paulo e o Boca acabaram desperdiçando cobranças de pênaltis e perderam suas vagas em decorrência dos erros.

O São Paulo havia feito tudo certo na quarta-feira, tocando a bola e pressionando. O Atlético Nacional abriu mão do ataque e ficou só se defendendo. O Tricolor conseguiu marcar com Ganso, levou a decisão aos pênaltis e acabou perdendo duas cobranças com Kardec e Tolói.

O Boca, no dia seguinte, pressionou o River do primeiro ao último minuto na base do toque de bola. Marcelo Meli foi atingido por Ariel Rojas na área logo no primeiro minuto. O Juiz assinalou pênalti para o Boca, Emanuel Gigliotti cobrou, mas o goleiro Marcelo Barovero salvou. A oportunidade perdida fez falta e o River, na base do contra-ataque, conseguiu um gol com Pisculichi, o único da partida.

Colombianos e argentinos farão as finais em datas e locais a definir. Pela tradição, credenciaria o River como favorito ao título, mas os Millonarios estão em uma fase de renascimento enquanto o Atlético é um representante típico da atual escola colombiana, com futebol mais leve e com equilíbrio entre ataque e defesa.

Assim que as datas e os mandos forem definidos, faremos análises e palpites para as finais.



Imagem extraída do Facebook oficial do Boca Juniors- https://www.facebook.com/BocaJuniors/

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A Salvação de Jesús

Imagem extraída do Facebook oficial do Atlético Mineiro- https://www.facebook.com/atletico/



Jesús Dátolo (foto acima) não era um nome totalmente desconhecido antes de chegar ao Brasil. Ele chegou a atuar no final da década passada pelo Boca Juniors, quando o clube xeneize conquistou sua última Libertadores antes de passar por um jejum de títulos. Neste período, o meia argentino teve algumas passagens pela seleção de seu país e, inclusive, marcou um gol contra a nossa Seleção em 2009.

Ele teve passagens por alguns clubes da Europa como o Espanyol da Espanha e o Napoli da Itália, mas não se firmou por lá e "sumiu" no Velho Continente. Foi "resgatado" pelo Internacional de Porto Alegre em 2012 onde viveu alguns dias de glória. Dátolo até foi nomeado como melhor jogador do Gauchão 2012, mas a alegria do argentino não duraria muito no clube colorado e ele logo amargaria o banco de reservas novamente.

O argentino chegou ao Atlético Mineiro em 2013, inicialmente para repor a saída de Bernard. Ficou a maior parte do tempo no banco novamente durante o comando de Cuca e de Paulo Autuori. Ele até chegou a ser improvisado na lateral-esquerda durante a gestão de Autuori, mas ainda não era titular absoluto.

A grande virada na carreira de Dátolo se deu com o retorno do treinador Levir Culpi, em sua quarta passagem pelo Galo. O técnico paranaense colocou o meia argentino para fazer dupla com Luan (à direita na foto abaixo) no meio-de-campo. Luan atuaria com mais liberdade enquanto Dátolo seria uma espécie de meia central, alternando as funções na marcação e na armação.

A parceria deu certo e a atuação da dupla rendeu elogios de Levir após a boa atuação da dupla no jogo de ida contra o Cruzeiro. Cada um deles deixou um gol na vitória por 2x0 em cima do arquirrival e o gol do argentino se deu graças a uma jogada de Luan.

Independente de conseguir o título da Copa do Brasil, o retorno do Galo à Libertadores é iminente e Dátolo terá a grande oportunidade de desfilar seu talento na competição continental e, quem sabe, reviver suas glórias dos tempos de Boca Juniors.

E o que virá depois disso? Seleção? Dátolo já está com 30 anos e dificilmente chegaria em forma para 2018, mas a ausência de meias criativos na Argentina e a proximidade da Copa América poderiam lhe abrir as portas da Albiceleste novamente. Europa? O argentino, pela idade, dificilmente teria mercado por lá, mas as boas exibições no Atlético e um possível retorno à Seleção Argentina poderiam levá-lo de volta ao Velho Continente. Fazer história no Galo? Se mantiver a regularidade, as lesões não o tirarem de campo novamente e os títulos vierem, ele poderá deixar seu nome no clube.



Imagem extraída do Facebook oficial do Atlético Mineiro- https://www.facebook.com/atle

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A América do Sul em Boas Mãos

Imagem extraída do Facebook oficial do São Paulo- https://www.facebook.com/saopaulofc/



Terminaram ontem as quartas-de-final da Copa Sulamericana 2014. E fiquei bastante satisfeito com os clubes classificados, afinal restaram apenas os times que jogam um bom futebol.

Começando pelo meu São Paulo, que penou para segurar o resultado diante do Emelec em Guayaquil mas conseguiu a vaga. O desgaste das viagens em sequencia, a série interminável de jogos e a altitude equatoriana deixaram os atletas tricolores visivelmente cansados. O São Paulo não escapa de alguns puxões de orelha pelos vacilos que comete toda vez que joga no segundo tempo, e isso não foi só diante dos equatorianos, mas o Emelec é uma equipe tecnicamente limitada, que confunde "velocidade" com "correria" e ainda foi muito mal nas finalizações. O Tricolor, com um bom meio-de-campo e um estilo de jogo mais agradável, mereceu ir às semifinais.

No mesmo dia, o Atlético Nacional venceu o fraquinho César Vallejo. O clube de Medelín não joga o mesmo futebol agradável e de toque de bola exibido na Libertadores deste ano, mas é muito mais time que o clube peruano. E a escola colombiana de futebol está de parabéns por revelar tantos talentos nos últimos anos, jogadores que se destacam pela leveza e pelo controle da bola.




Imagem extraída do Facebook oficial do Boca Juniors- https://www.facebook.com/BocaJuniors/


Ontem, eu assisti ao massacre do Boca Juniors sobre o Cerro Porteño, em pleno Defensores Del Chaco.  O Boca não tem mais o craque Riquelme, mas o time mostrou muita qualidade no toque de bola e jogo coletivo nos três gols marcados no segundo tempo. Eu também ficaria satisfeito se o Cerro Porteño se classificasse, mas prevaleceu a imensa tradição dos xeneizes. A partida só não foi perfeita porque alguns torcedores do Cerro atiraram objetos no gramado após o massacre. Espero que a CONMEBOL aplique uma punição exemplar aos valentões.

Por fim, assisti ao embate entre River Plate e Estudiantes. O jogo foi equilibrado e muito baseado em contra-ataques, mas prevaleceu a boa fase dos Millonarios aliada à força do Monumental de Nuñez. E, acreditem, o jogo foi muito disputado, mas foi uma partida limpa, com pouca deslealdade. Clássico tem que ser assim, com muito futebol e nada de violência.

Independente de quem ganhar a Sulamericana 2014, ficarei satisfeito. Sei que a taça estará em boas mãos.



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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Idade Não É Documento

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O sucesso dos veteranos nos gramados não ocorre apenas no futebol brasileiro. Muitos argentinos trintões estão retornado à sua terra natal e vem se destacando no país. Maxi Rodríguez, Gabriel "El Gringo" Henize e Juan "La Brujita" Verón (este último estava aposentado, mas voltou à ativa neste ano) são alguns dos veteranos que estão se destacando no futebol argentino.

Paulo César Caju, em sua coluna no extinto Jornal da Tarde, explicou o sucesso dos veteranos da seguinte forma: como o nível técnico do futebol brasileiro é muito baixo, os veteranos utilizam a experiência e inteligência em campo e fazem a diferença ao pensar e organizar o jogo no meio-de-campo, algo que os brucutus e burocratas que impregnam o nosso futebol são incapazes de fazer. Maxi Rodríguez, em entrevista concedida no ano passado, afirmou que o futebol argentino passa por situação semelhante, uma vez que os treinadores têm medo de perderem seus empregos e, por isso, organizam as equipes muito mais para evitar uma derrota do que buscar uma vitória.

O nível técnico da maioria desses veteranos é algo impressionante. Os referidos atletas não correm muito e nem têm tanta força para dividirem uma bola. Os trintões, no entanto, possuem uma visão de jogo fantástica sendo capazes de enxergar um atleta livre a metros de distância, passam a bola com um controle magnífico, e possuem uma capacidade inacreditável de pensar e organizar uma jogada.

A pavorosa Libertadores 2013 que, felizmente, foi vencida pelo vertical Atlético Mineiro; também nos ofereceu o privilégio de desfrutarmos do futebol coletivo do Newell's Old Boys (time de Maxi Rodríguez e Heinze) e do promissor Boca Juniors do maestro Juan Román Riquelme.


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Riquelme, sem dúvida, continua sendo a grande atração do irregular time do Boca Juniors. A equipe Xeneize não joga mais aquele futebol que combinava beleza e eficiência de outrora apesar de contar com alguns jovens promissores, mas Román, mesmo convivendo com as lesões e as limitações impostas pela idade, ainda faz toda a diferença. Ele enxerga longe, trabalha a bola com precisão e organiza a equipe como um maestro regendo uma orquestra. O gol que ele fez contra o Corinthians neste ano foi executado de uma distância inacreditável. Acho que a grande maioria dos "maestros" daqui seriam incapazes de reproduzir a jogada do grande Riquelme. Acho que tamanha inteligência e visão de jogo ainda caberiam na Seleção Argentina: imaginem Higuaín, Messi e Agüero sendo regidos por um maestro da magnitude de Román. Seria a peça que falta para organizar o meio-de-campo -algo que Di María, Montillo, Banega e outros ainda não conseguiram, infelizmente.




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O experiente treinador Carlos Bianchi também é uma atração para os fãs de futebol. Ele foi um grande atacante com passagens brilhantes pela França, jogando no Stade de Reims e no PSG durante os anos 70 e sendo artilheiro da Ligue 1 por quatro temporadas consecutivas  (de 76 a 79). Como treinador, Bianchi faturou quatro Libertadores -uma pelo Vélez Sarsfield (1994) e três pelo Boca (2000, 2001 e 2003)- e dois Mundiais Interclubes pelo time Xeneize (2000 e 2003). Pergunto-me como um treinador tão vitorioso e com ideias tão boas como ele nunca teve o privilégio de dirigir a Seleção Argentina. Do alto de seus 64 anos, Bianchi presenteia o espectador com um bom futebol, mas com alguma dificuldade em fazer o time se impor em campo, o que explica as recentes campanhas irregulares do Boca.


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Riquelme é uma lembrança constante de que o futebol não é apenas músculo e correria. Román, com toda a sua cerebralidade e ajudado pelo comando de Bianchi, mostra que o futebol inteligente pode, sim, derrotar equipes fisicamente mais fortes apenas com a inteligência. Toques de bola, jogo coletivo, visão de jogo e muita habilidade foram as armas que fizeram os "baixinhos" do Barcelona e do Borussia Dortmund derrotarem muitos "gigantes" em campo. O mesmo se aplica a Riquelme, que não é muito alto, mas que possui vasta experiência em derrubar colossos.