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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Loucura no Uruguai

Imagem extraída de www.facebook.com/LeedsUnited



A Asociación Uruguaya de Fútbol (AUF) anunciou o argentino Marcelo El Loco Bielsa como o novo treinador de sua seleção. A federação, após meses de namoro com o técnico, oficializou a sua contratação na última segunda-feira (dia 15 de maio) através das redes sociais. O vínculo irá até 2025, quando acabam as eliminatórias para a Copa 2026, com possibilidade de renovação caso a Celeste se classifique ao Mundial.

Bielsa estava sem time desde fevereiro de 2022 quando deixou o Leeds United da Inglaterra. Será o terceiro trabalho do Loco em equipes nacionais. O argentino já dirigiu o selecionado de seu país natal (entre 1998 e 2004) e também o Chile (de 2007 até 2011), tendo deixado um grande legado em ambas apesar de não ter conquistado troféus -ele foi campeão olímpico pela Albiceleste em 2004, mas a medalha não conta como um título para a FIFA.

A escolha de Bielsa pela AUF não poderia ser mais acertada para o momento visto que o Uruguai necessita urgentemente de uma renovação em seu elenco. Pudera, afinal a geração de Suárez, Cavani e Godín já chegou ao seu limite e não conseguiu ir além da fase de grupos no último Mundial. O Loco, por sua vez, é um treinador que sempre prezou pelo uso das categorias de base nas equipes que dirigiu e seu trabalho não deverá diferente pelos Charrúas.

O argentino terá um ótimo material humano para iniciar o seu trabalho na Celeste, incluindo o zagueiro Ronald Araújo (Barcelona), o lateral Mathías Oliveira (Napoli), o meia Fede Valverde (Real Madrid) e o atacante Darwin Núñez (Liverpool). A maior dificuldade, porém, será fazer o time a aprender a jogar sem Suárez ou Cavani.



Imagem extraída de www.facebook.com/LeedsUnited



Não consigo esconder a empolgação com a indicação de Bielsa pela AUF. As equipes do argentino são conhecidas por jogar um futebol vistoso com trocas de passes, intensidade e ofensividade. Tudo isso sem deixar a raça de lado. O Loco costuma armar suas equipes com três zagueiros enquanto o Uruguai costuma adotar variações do 4-3-3, mas é possível chegar em um "consenso" utilizando um cabeça-de-área centralizado entre os dois defensores, algo que Arévalo Ríos realizava em outros ciclos.

Confesso que a escolha do argentino foi bastante surpreendente. A Celeste sempre foi conhecida por ser uma equipe mais defensiva e mais pesada em campo. Ademais, os dirigentes da AUF deixaram a rivalidade e o orgulho de lado ao escolherem o Loco para comandar a sua seleção -sim, afinal Argentina e Uruguai são rivais ferrenhos no futebol.

Bielsa terá seus primeiros testes em junho em amistosos contra Nicarágua e Cuba. O argentino terá muito trabalho, afinal é muito difícil abrir mão de uma geração de craques como Suárez e Cavani. O Loco, porém, sabe como renovar elencos e, mesmo sem títulos, sempre deixou um ótimo legado para seus sucessores nas equipes que dirigiu.



Imagem extraída de www.facebook.com/aufoficial




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

CBF, que tal Bielsa?

Imagem extraída de www.facebook.com/LeedsUnited



Marcelo Bielsa é considerado um dos maiores treinadores de todos os tempos apesar dos poucos títulos no currículo. O argentino influenciou dezenas de outros técnicos (Jorge Sampaoli, Tata Martino e Hernán Crespo entre eles) e é sempre reverenciado pelos seus pares. Até mesmo Pep Guardiola já demonstrou admiração pelo Loco.

O argentino pode não ter conquistado muitos troféus ao longo de sua carreira mas ele deixou um grande legado em quase todos os times que dirigiu incluindo o Newell's Old Boys, o Athletic Bilbao, o Leeds United, a Argentina e o Chile.  

Bielsa é um estudioso do futebol, ao ponto de ser obcecado por táticas e detalhes o que lhe rendeu o apelido de El Loco. O treinador estava sumido da mídia desde a sua demissão do Leeds em fevereiro de 2022 quando voltou a ficar em evidência neste ano ao receber um convite para assumir o Everton e salvar os Toffees do rebaixamento.

O argentino recusou o convite do Everton alegando que preferia assumir o time no começo da próxima temporada, enquanto os Toffees necessitavam de um "bombeiro" que conquistasse resultados a curto prazo e livrasse o time da zona de rebaixamento o quanto antes.

Eu estava lendo as notícias a respeito de Bielsa e comecei a pensar: por que não dar uma chance para o argentino dirigir a Seleção Brasileira? O treinador poderia ser a mudança que o Escrete Canarinho tanto necessita.



Imagem extraída de www.facebook.com/LeedsUnited



Bielsa é um treinador ofensivo, que gosta de intensidade, toques rápidos e jogadores versáteis. Ele não teria grandes dificuldades em encontrar material humano por aqui visto que muitos de nossos melhores atletas reúnem tais características e alguns já trabalharam com os "discípulos" do Loco como Sampaoli ou Crespo.

O argentino, ademais, é exigente com a infraestrutura dos times, principalmente com as categorias de base. Com o Loco, a Seleção teria um trabalho melhor integrado entre o time principal e as equipes sub-20 como já acontece com muitos clubes e seleções europeias. Teríamos, portanto, um melhor aproveitamento de nossos garotos e material humano para renovar o selecionado sempre que necessário.

O principal problema de Bielsa é o seu próprio temperamento: o argentino já chegou a abandonar equipes de maneira abrupta por desentendimentos com seus próprios dirigentes. Outro ponto a ser observado é que seus esquemas preferidos são o 3-4-3 e o 3-5-2 que estão longe de serem os favoritos de nós brasileiros (exceto pelos são-paulinos fãs de Muricy Ramalho e Paulo Autuori), embora o argentino possa utilizar algum cabeça-de-área como Casemiro ou Fabinho para alternar entre as funções de 1º volante e 3º zagueiro -o treinador já fez isso com Javi Martínez no Athletic Bilbao.

Bielsa, por fim, não possui muitos títulos no currículo como observado, o que vai contra a preferência dos dirigentes da CBF por treinadores com perfil vencedor. Por outro lado, o Loco poderia arrumar a casa e reestruturar a Seleção visando resultados a longo prazo. Mesmo que o argentino acabe demitido durante o processo, ele deixaria toda uma infraestrutura montada e organizada para que um eventual sucessor possa levar o Brasil de volta aos títulos, como aconteceu na Seleção Chilena.

Bielsa dificilmente será o escolhido para suceder Tite na Seleção. Nomes como Ancelotti, Mourinho ou Jorge Jesus ainda têm preferência entre os dirigentes na CBF pelas suas conquistas. Mas o Loco poderia, sem dúvida, revolucionar o futebol aqui no Brasil assim como fez pelos clubes e seleções que dirigiu.



Imagem extraída de www.facebook.com/LeedsUnited




domingo, 9 de agosto de 2015

Shaqiri Seria um Bom Substituto para Arda

Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan
Shaqiri- https://www.facebook.com/XS1991/



Vai temporada, vem temporada e os clubes de maior poder aquisitivo sempre tiram os melhores jogadores dos times de menor poderio financeiro. E não há muito o que fazer nestes casos, afinal é sempre muito difícil competir com as ofertas salariais dos milionários e os clubes precisam equilibrar as finanças de alguma forma.

O Atlético de Madrid perdeu o winger Arda Turan na última janela de transferências para o rival Barcelona. Não sei dizer exatamente por que o clube catalão contratou um jogador de 28 anos para ser reserva de Neymar (que está com 22), mas a transferência está concretizada. O turco ainda não tem data para estrear pelo Barça devido a uma punição que impede o clube blaugrana de utilizar atletas contratados.

Arda era um dos jogadores mais importantes no Atlético de Madrid. O turco até utilizava a camisa 10 do clube rojiblanco. Suas características ofensivas e defensivas eram muito bem aproveitadas no 4-4-2 imposto por Diego Simeone: Arda formou uma grande dupla com os laterais Filipe Luís e Guilherme Siqueira pelo lado esquerdo do campo, com os laterais e o turco atacando ou defendendo por aquele lado em perfeita sincronia. Arda também tem muita presença de área e anotou muitos gols durante sua passagem pelo Atleti. Ele também chegou a jogar pelo lado direito durante a ausência de Koke (Griezmann fez a ala esquerda nestes jogos), mas não se saiu muito bem na função.



Atlético de Madrid durante a temporada 2013-14: Arda se
movimenta pela esquerda indo à linha de fundo para servir os
atacantes ou então entrando na área com jogadas individuais.
O turco também volta para ajudar na defesa pelo lado esquerdo.
Tudo isso auxiliado pelo lateral Filipe Luís (obtido via this11.com).



O Atlético, em princípio, não buscará um substituto para o turco. Acredito que Griezmann fará a ponta esquerda no lugar de Arda enquanto a dupla de atacantes será formada por Fernando Torres e o recém-contratado Jackson Martínez.

Eu, no entanto, vejo um substituto perfeito para Arda bem ao alcance do Atlético: o suíço Xherdan Shaqiri, ex-Bayern e que defende a Internazionale de Milano atualmente.

Shaqiri é o principal atleta da Seleção Suíça. Ele deixou o clube bávaro no começo do ano em busca de titularidade -ele era o reserva de Ribéry no Bayern.

O suíço (que, na verdade, nasceu no Kosovo) é caro, mas poderia vir facilmente ao Atlético. Tudo porque o clube madrilenho vendeu o zagueiro Miranda à Inter mas o pagamento não teria sido efetivado e o defensor brasileiro poderia voltar para o Vicente Calderón.

Minha ideia é que os Colchoneros "troquem" Miranda por Shaqiri. E eu acredito que o clube espanhol teria muito a ganhar, afinal o suíço compartilha de muitas características em comum com Arda, pelo fato de jogar pela esquerda, fazer boas jogadas individuais (incluindo dribles e lances em velocidade), apoiar e marcar com a mesma eficiência. O "baixinho" ainda pode jogar no lado direito ou mesmo pelo meio quando necessário. Uma última vantagem é que o suíço tem apenas 23 anos (faz 24 em outubro) e poderia render algum lucro ao clube espanhol em uma possível futura transação.

O atleta, por sua vez, teria grandes chances de ficar com a titularidade -Griezmann voltaria a atuar próximo à área como segundo atacante enquanto Jackson ou Torres seriam a referência de área- e ainda ganharia a desejada visibilidade ao jogar a Champions League -lembrando que o Atlético de Madrid está classificado para a competição continental enquanto a Internazionale passou longe da vaga para a Liga dos Campeões.



Três possíveis funções que Shaqiri poderia desempenhar
 no Atlético: ponta-esquerda, armação ou ponta-direita
(imagem obtida via this11.com).



Resta saber se o Atlético e o treinador Simeone aceitariam de bom grado a vinda de Shaqiri ao invés de dinheiro pela cessão de Miranda, afinal a reportagem deu a entender que o clube deseja obter lucro com a venda do zagueiro brasileiro, e não um outro jogador em troca.

Eu, no entanto, insisto que tanto o clube espanhol quanto o "baixinho" suíço teriam muito a ganhar com esta possível transação.



Imagem extraída do Facebook oficial de Xherdan Shaqiri- https://www.facebook.com/XS1991/



COMEÇOU DEVAGAR

O Campeonato Inglês -também conhecido como "Premier League"- começou neste final de semana. E, pelo jeito, os grandes clubes ainda estão de ressaca das férias. O Manchester United jogou mal no Old Trafford diante do Tottenham e precisou da ajuda do lateral Walker, que fez um gol contra em favor dos Red Devils. O Chelsea não passou de um empate no Stamford Bridge diante do Swansea City e só não sofreu a derrota graças ao goleiro Asmir Begović -o titular Courtois foi expulso na partida e prejudicou sua equipe. E o Arsenal perdeu em pleno Emirates Stadium para o West Ham United. Foi só a primeira rodada e ainda muita água vai rolar, vale sempre lembrar: muito mais importante que vencer os jogos difíceis é não desperdiçar pontos contra os rivais mais fáceis, pois estes pontos podem fazer falta na reta final.



PSG HEROICO

A Ligue 1 também teve seu início neste final de semana. E o Paris Saint-Germain conseguiu uma vitória heroica graças ao gol do winger Lucas Moura. O time parisiense visitou o Lille sem o atacante Ibrahimović, teve o volante Rabiot expulso ainda no primeiro tempo e precisou segurar a pressão dos Dogues. Não simpatizo muito com o time da capital francesa, mas tenho que admitir que a equipe comandada pelo treinador Laurent Blanc foi heroica no Pierre-Mauroy.



TCHAU, BIELSA

Ainda na Ligue 1, o treinador Marcelo Bielsa pediu demissão neste final de semana após ter perdido em casa para o Caen. Eram fortes os rumores de que o treinador argentino estaria negociando com um clube do México, mas o técnico alegou "instabilidade provocada por mudanças nos termos do contrato assinado". Vale lembrar que o clube marselhês se desfez de muitos jogadores importantes na última janela de transferências (Payet, Gignac, André Ayew, ...) e isto pode ter interferido no desempenho da equipe.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

A Vitória de Bielsa

Imagem extraída do Facebook oficial do Olympique de Marseille- https://www.facebook.com/OM



Chile e Argentina farão a final da Copa América 2015 no próximo sábado. Cada um deles tem uma motivação própria para vencer. A Roja jamais ganhou um título desde a sua existência, enquanto a Albiceleste deseja pôr fim ao incomodo jejum de títulos que vem desde 1993.

As duas seleções possuem muitas semelhanças, incluindo o estilo de jogo que valoriza a posse de bola, a zaga não muito segura e os treinadores, ambos nascidos na Argentina.

Gerardo Martino, treinador da Albiceleste, e Jorge Sampaoli, comandante da Roja, são dois técnicos que gostam de futebol bem jogado e valorizam a posse da bola. Mas há um mentor em comum por trás destes dois treinadores: Marcelo "El Loco" Bielsa (foto acima). Martino foi atleta de Bielsa no Newell's Old Boys, enquanto Sampaoli sempre cita seu mentor durante as entrevistas.

Argentino, Bielsa está atualmente a frente do Olympique de Marseille. O treinador, conhecido pelas suas manias e por sua obsessão por esquemas táticos, já dirigiu as duas seleções que brigam pelo troféu de sábado: passou pela Albiceleste entre 1998 e 2004, e pela Roja entre 2007 e 2011. Ambas as seleções tinham muitos pontos em comum, incluindo o uso de três zagueiros, a movimentação intensa dos jogadores e o futebol ofensivo.



A Argentina na Copa 2002 (esquerda) e o Chile na Copa 2010 (direita): ambas as equipes dirigidas por Bielsa
adotavam formações semelhantes e executavam as jogadas de maneira similar (obtido via footballuser.com).



Bielsa, tristemente, jamais ganhou um título como treinador, inclusive durante as passagens pelas duas seleções. Seu trabalho, contudo, não foi em vão e ele deixou um grande legado nos dois países. Muitos treinadores do Chile e da Argentina rezam pela cartilha do Loco e adotam seu estilo nas equipes. Martino e Sampaoli não são exceções. Basta ver como a Albiceleste e a Roja atuam em campo: ambas as equipes valorizam a posse da bola, movimentam-se intensamente (tanto no ataque quanto na marcação) e priorizam a ofensividade. E mais: os dois times jogam com três zagueiros, laterais mais ofensivos do que defensivos e a marcação é feita cercando-se o condutor da bola. A "assinatura" de Bielsa está presente nas duas seleções finalistas desta Copa América 2015.



A Argentina de Martino (esquerda) e o Chile de Sampaoli (direita): semelhanças no esquema tático e na execução
do jogo. São visíveis as influências de Bielsa no estilo dos dois treinadores (obtido via footballuser.com). 



Chile e Argentina terão suas próprias motivações e méritos para vencerem o jogo a ser realizado no sábado. Os dois treinadores e seus comandados fizeram excelentes trabalhos e estão, merecidamente, na grande final desta Copa América.

Ambos os times nos presentearam com um belo futebol o que, sem dúvida, ajudarão a mudar a atual imagem do futebol sul-americano, muito mais baseado em raça e esforço do que talento e técnica. Basta ver os jogos da Libertadores, que têm faltas demais e futebol de menos. Quem sabe a Roja e a Albiceleste influenciem mais treinadores a praticar o chamado "jogo bonito".

O grande vencedor da Copa América, independente do time vitorioso, será um único homem: Marcelo "El Loco" Bielsa, o mentor intelectual dos dois treinadores e também o autor do estilo de jogo praticado pelas duas seleções finalistas.



Imagem extraída do Facebook oficial do Olympique de Marseille- https://www.facebook.com/OM


quarta-feira, 18 de março de 2015

Em Boca Fechada, Mosca Não Entra

Imagem extraída do Facebook oficial de Zlatan Ibrahimović- https://www.facebook.com/ZlatanIbrahimovic/



Repercutiram mal as declarações do atacante Zlatan Ibrahimović após a derrota de seu time, o Paris Saint-Germain, diante do Bordeaux no último domingo. O sueco, na ocasião, afirmou que sua equipe foi prejudicada pela arbitragem e disparou: "Nunca vi um árbitro tão ruim nesse país de m" ...

Ibra se desculpou no dia seguinte pelas declarações polêmicas através das redes sociais, mas o pedido de desculpas não sensibilizou as autoridades francesas, que criticaram a atitude do jogador e cogitaram investigar o atleta pelo incidente.

São comuns repórteres à beira dos gramados em busca de entrevistas dos atletas e treinadores após os jogos. Os profissionais da imprensa, conscientes disso ou não, acabam interpelando jogadores ainda contagiados pelo clima das partidas e acabam obtendo declarações impensadas dos esportistas. Envolvidos pela emoção ou decepção (dependendo do resultado do jogo), os atletas terminam por disparar impropérios. Acredito que este tenha sido o caso de Ibrahimović que, enfurecido pelo revés, desabafou utilizando as palavras erradas.

Ibra cometeu um erro muito grave. Ao considerar a França um "país de m...", ele insultou todo um povo e toda uma nação. O jogador desdenhou do país que o acolheu, da torcida que o idolatrou e do clube que paga o seu salário. O atleta deveria se colocar no lugar das pessoas atingidas por suas ofensas: como Ibrahimović se sentiria caso chamassem a Suécia (país onde o atacante nasceu) ou a Bósnia-Herzegovina (país de onde descende) de "país de m..."?

O ódio e a fúria cegam o ser humano. Perdemos a consciência quando estamos irritados e terminamos por cometer atos impensados. Insultar um agressor, de maneira alguma, ajuda uma vítima e ainda pode transformá-la em ré. Ibra talvez até tivesse razão quando afirmou que o PSG foi prejudicado pela arbitragem (não vi o jogo), mas escolheu mal as palavras e passou a ser considerado o vilão da história.

O sueco agora terá uma longa batalha na justiça pela frente. Terá de arcar com processos e punições geradas pelas suas declarações.



Imagem extraída do Facebook oficial de Zlatan Ibrahimović- https://www.facebook.com/ZlatanIbrahimovic/



VIOLÊNCIA NÃO

Embora o Atlético de Madrid não tenha jogado bem na partida de ontem, fiquei muito satisfeito com a sofrida classificação dos Rojiblancos diante do Bayer Leverkusen -vitória por 1x0 no tempo normal e triunfo por 3x2 nos pênaltis. Os alemães bateram pra valer e foram extremamente maldosos, tanto no jogo de ida quanto no de volta. Houve até uma cotovelada do Rolfes em Raúl García digna de expulsão (o jogador espanhol chegou a sangrar no gramado), mas o juiz deixou o jogo seguir a despeito dos apelos -com razão- do treinador Simeone. Pena que o Arsenal não teve a mesma sorte do Atleti e acabou ficando pelas oitavas novamente -venceu o Monaco por 2x0 com gols de Giroud e Ramsey, mas precisava de um terceiro tento para avançar.



CUIDADO, DÓRIA!

O zagueiro Dória pode até ter razão quando reclamou do treinador Marcelo Bielsa. No entanto, é bom o defensor se conscientizar dos seguintes detalhes: ele está emprestado ao São Paulo apenas até o fim da temporada 2014-15 e Bielsa, que está bem no Marseille, provavelmente ainda será o comandante do Olympique quando o empréstimo terminar. Lá na Europa o treinador te muito mais autoridade e estabilidade do que no Brasil, portanto é muito mais provável que o atleta se prejudique do que o técnico. É bom que Dória maneire nas críticas ou ele pode se queimar quando voltar ao Marseille.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cada um se Vira com o que Tem de Melhor

Imagem extraída do Facebook oficial de Diego Simeone- https://www.facebook.com/diegopablosimeoneoficial/



Quando éramos adolescentes, eu e meu irmão costumávamos jogar um joguinho de cartas colecionáveis. Quem tivesse as cartas mais fortes, quase sempre ganhava todas. Mas como não tínhamos um alto poder aquisitivo, era muito difícil competir com adversários e seus "superbaralhos". Meu irmão, porém, compensava montando baralhos criativos, criando boas combinações com as cartas que possuía e conseguia bons resultados com suas estampas aparentemente pouco poderosas. Ele conseguia ser competitivo apesar dos recursos limitados.

Analisando alguns times de futebol, percebi que muitos clubes dispõem de muitos recursos financeiros -Barcelona, Bayern, Manchester United, Real Madrid, City, Chelsea, ...- e podem adquirir praticamente qualquer jogador no mercado. Claro que há as exceções que não trocam suas equipes por nada neste mundo -Messi, Iniesta, Xavi, Lahm, Schweinsteiger, ...- mas qualquer outro atleta pode ser perfeitamente adquirido por estes clubes milionários. São como os jogadores de grande poder aquisitivo, capazes de comprar qualquer carta e montar os "superbaralhos".

Há também os clubes que não dispõem destes recursos financeiros e estes times precisam lançar mão do que têm à disposição -jogadores nas categorias de base ou buscar atletas em ligas mais acessíveis. São como o meu caso, que precisava lançar mão de cartas pouco poderosas.

Mesmo com recursos limitados, alguns treinadores conseguem raciocinar, utilizar seus jogadores aparentemente limitados, explorar bem seus pontos fortes e transformá-los em times competitivos. Foi o que li no livro Os Números do Jogo, onde um capítulo inteiro é dedicado ao Stoke City. O Stoke, sem contar com o poder aquisitivo de um United ou de um Chelsea, dispunha apenas de jogadores lentos e pouco habilidosos mas com força e tamanho de sobra. O treinador Tony Pulis, observando isto, passou a explorar o jogo aéreo e as cobranças de lateral em direção à área com o volante Rory Delap (já aposentado). Os Potters, a despeito do time limitado, conseguiram sobreviver ano após ano na Premier League graças à perspicácia de Pulis que soube utilizar bem o que tinha à disposição e transformou tudo isso em resultados. Era o que meu irmão fazia com suas cartas pouco poderosas, mas que se mostravam bastante eficientes quando combinadas corretamente e de maneira inteligente.

Equipes como o Atlético de Madrid e o Olympique de Marseille estão alguns níveis acima do Stoke City, mas ainda não conseguem competir financeiramente com os milionários.

O Atleti perdeu três peças importantes para o milionário Chelsea durante a última janela de transferência -o goleiro Courtois, o lateral Filipe Luís e o atacante Diego Costa. E já haviam perdido Falcao García, Forlán e Sergio Agüero em outras ocasiões. Mas os Colchoneros ainda têm Diego Pablo Simeone (foto acima), treinador que debelou a crise no clube em 2012, fez o Atlético voltar a ganhar títulos e levou os Rojiblancos à final da Champions em 2014. E o time, apesar das perdas, manteve sua qualidade e produtividade graças à inteligência de Simeone, que motivou seu time (algo que seus jogadores vivem declarando em entrevistas) e soube aproveitar bem suas características em campo. Atualmente, o Atlético está em terceiro na Liga BBVA com 38 pontos, empatado com o vice-líder Barcelona e apenas um atrás do líder Real Madrid.

Caso semelhante foi o de Marcelo El Loco Bielsa (foto abaixo), que já havia revolucionado o futebol no Chile e no País Basco. O argentino desembarcou no Marseille ao começo da temporada. O argentino sabia que o time não seria exatamente o melhor do mundo, mas soube tirar proveito do elenco que possuía. Seu estilo, combinando disposição em campo com toque de bola, funcionou no OM e o Olympique lidera a Ligue 1 com 41 pontos, dois à frente do vice Lyon e três à frente do terceiro lugar, o PSG. Tudo isso mesmo sem contar com os recursos financeiros do Monaco e do próprio PSG.

Lendo o livro e constatando como equipes de baixo orçamento conseguem fazer frente aos rivais milionários, vi como o técnico pode ser o diferencial. É claro que existem treinadores brilhantes como o Mestre Cruyff, Guardiola e Jupp Heynckes, que conseguem unir futebol bonito com eficiência. Mas também é fascinante como há técnicos que aparentam ter o toque de Midas e transformam elencos aparentemente limitados em ouro. Basta observar o que os jogadores têm a oferecer de melhor e tirar proveito disso.

Se um baralho com recursos limitadíssimos pode fazer frente a adversários com grande poder aquisitivo, por que, então, um time aparentemente modesto não poderia enfrentar um adversário milionário se em campo são onze contra onze? Basta seu treinador ter inteligência, analisar as características do elenco (fortalezas e fraquezas) e tirar proveito disso nos confrontos.



Imagem extraída do Facebook oficial do Olympique de Marseille- https://www.facebook.com/OM/

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Dois Gênios em Caminhos Opostos

Imagem extraída do Facebook oficial do Olympique de Marseille- https://www.facebook.com/OM/



Eu fiquei muito animado no começo da temporada europeia quando soube que o argentino Marcelo "El Loco" Bielsa (foto acima) e o holandês Louis Van Gaal (foto abaixo) estavam com empregos novos.

Bielsa e Van Gaal foram contratados pelo Olympique de Marseille e pelo Manchester United, respectivamente, após os fracassos das duas equipes na temporada 2013-14, quando ficaram de fora da Champions League. O Marseille pouco pôde fazer diante dos magnatas PSG e Monaco ou da leveza do Lille, enquanto o United, mesmo com as contratações milionárias de sempre, parece ter sentido a saída do treinador Sir Alex Ferguson e acabou na modesta sétima colocação.

Os dois clubes resolveram contratar treinadores que apostam no futebol ofensivo e bem jogado. Bielsa é um treinador conhecido por sua obsessão pelo futebol e sempre monta equipes que trocam muitos passes, enquanto Van Gaal, sempre criticado por sua rigidez, trouxe de volta a essência da Laranja Mecânica na última Copa do Mundo. Nem preciso escrever o quanto gosto do trabalho dos dois.

O trabalho dos dois treinadores, contudo, seguiu por caminhos totalmente opostos. Passados dois meses do início da temporada, Bielsa parece ter acertado o Olympique. O time de Marselha lidera a Ligue 1 com folga após oito rodadas -está com 19 pontos, quatro à frente do vice-líder Lille. Já Van Gaal ainda não conseguiu acertar totalmente os Red Devils mesmo com os reforços de peso (Falcao García, Di María, Blind, Marcos Rojo, ...) o que mostra que o problema do clube não era o treinador nem o elenco. O United está, de novo, na sétima posição após seis jogos e com a metade dos pontos do líder Chelsea, que possui 16.

Ainda há muito chão pela frente e muita água vai rolar até junho de 2015, quando a atual temporada europeia termina, mas alguma coisa precisa ser feita no Manchester United, afinal os problemas vêm desde a temporada passada, e, pelo que tenho observado, eles nada têm a ver com o elenco ou com o treinador. O time ensaia uma reação com a vitória na última rodada, mas ainda falta algo. Pelo Marseille, espero que a equipe não se acomode na liderança e continue trazendo alegrias a seu torcedor.

Bielsa e Van Gaal são grandes treinadores, possuem filosofias de jogo exemplares e priorizam o futebol bonito. Pelo bem do esporte bretão, espero que eles tenham muito sucesso nesta temporada.



Imagem extraída do Facebook oficial do Manchester United- https://www.facebook.com/manchesterunited/

terça-feira, 6 de maio de 2014

Loucura em Marselha

Imagem extraída do Facebook oficial do Athletic Bilbao- https://www.facebook.com/ATHLETICCLUB

Fiquei muito contente com a contratação de Marcelo "El Loco" Bielsa (foto) pelo Olympique de Marseille. O treinador argentino tem esse apelido justamente por suas manias e por sua obsessão por esquemas táticos, mas é inegável que o técnico é muito competente e que ele fez grandes trabalhos pela Seleção Chilena e pelo Athletic Bilbao. Eu mesmo sou fã do estilo de Loco.

Sem mais chances de disputar títulos ou uma vaga para a Champions League 2014-15, o Marseille começa a planejar a próxima temporada com a contratação do treinador argentino. É uma forma de tentar vencer os magnatas Monaco e PSG que estão polarizando a Ligue 1. A crise na Europa e a concorrência de rivais ingleses, alemães e espanhóis tem dificultado que os clubes franceses consigam manter suas estrelas e montar elencos competitivos. A esperança é competir com os elencos estrelados valendo-se da qualidade técnica do time.

O time do Marseille tem jogadores de renome e que são presenças constantes em suas respectivas seleções, como o atacante Cignac, o meia André Ayew, o ala Valbuena e o goleiro e capitão Steve Mandanda. mesmo assim, já faz algum tempo que os Phocéens não conquistam um título no Campeonato Francês -a última vez foi em 2010. Em competições internacionais, o Marseille tem apenas um único título na Champions League, em 1992-93. Aliás, o time marselhês foi a única equipe francesa a ser campeã na Champions até o momento.

Penso como Bielsa fará esse elenco jogar. O argentino costuma armar equipes no 3-4-3, prioriza o toque de bola e a marcação por pressão. Muitos atletas não apreciam o estilo perfeccionista do treinador, mas é inegável que ele tem uma grande competência para montar boas equipes, além de armar times que jogam um futebol bonito.

Desejo uma boa sorte ao Loco em Marselha e que ele faça muito sucesso em terras francesas!


Imagem extraída do Facebook oficial do Athletic Bilbao- https://www.facebook.com/ATHLETICCLUB

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Santos, Contrate o Bielsa

Segundo alguns sites, o Santos teria desistido de contratar Marcelo Bielsa. Consta que o argentino teria pedido um salário muito alto -cerca de R$ 11 milhões anuais- e o valor teria assustado os cartolas santistas.

Concordo que o valor teria de ser negociado, mas a pedida de "El Loco" não está muito longe do que alguns de nossos jogadores ganham anualmente. Se é possível pagar um salário dessa magnitude a um atleta, por que não oferecer o mesmo a um treinador?

A vinda de Bielsa para o Santos, a meu ver, seria um imenso ganho ao futebol do clube praiano e, posteriormente, ao do Brasil. O argentino valoriza muito o jogo coletivo e o toque de bola, duas coisas que nós, brasileiros, já usamos muito nos áureos tempos de Pelé e Zico, mas abandonamos em prol do futebol de resultados, que é considerado produtivo, mas vazio de conteúdo.

O estilo de "El Loco" cairia como uma luva para o elenco santista, cuja base costuma revelar muitos garotos talentosos. É o que o treinador fazia no Athletic Bilbao, equipe basca onde quase todo o elenco é de atletas formados nas próprias dependências do clube. Faz parte da cultura da região -o arquirrival regional, Real Sociedad, segue a mesma política de investir nos pratas da casa.

Muita gente vai questionar o porquê de termos um treinador estrangeiro no Brasil. Os treinadores daqui não são bons o suficiente? Não, os "professores" que temos à disposição só treinam marcação e bola parada. Como a maioria nunca jogou bem quando era jogador, não sabe ensinar nada aos garotos, senão brutalidade e deslealdade. E os poucos que jogavam, nunca recebem respaldo dos dirigentes.

E quanto às conquistas de Bielsa? O argentino tem poucos títulos no currículo, é verdade, mas quem  lê a "biografia" de "El Loco" percebe que a sua importância no futebol transcende os troféus. Bielsa revolucionou o futebol no Chile e continua influente por lá até hoje. Repararam como o Huachipato e a Universidad de Chile adotam formações de três zagueiros e atacam trocando passes? No Athletic, o argentino fez uma grande temporada 2011-12, com dois vices-campeonatos (um na Copa del Rey e outro na Europa League) logo em sua primeira temporada, o que é um grande feito para uma equipe considerada mediana.

Não acho nenhuma "loucura" dar uma chance a "El Loco". Ele tem boas ideias e faria o Peixe jogar um futebol bonito e coletivo. Ou então, contentem-se em trazer Celso Roth, Joel Santana, Mano Menezes, ou qualquer outro "professor" que esteja à disposição.

sábado, 11 de maio de 2013

Três Argentinos "Românticos"

Ah, o saudoso Mestre Telê Santana. Ele era chamado de "O Último Romântico" por andar na contramão do "futebol eficiente" que estava contaminado o planeta Terra, com preocupação excessiva com os aspectos defensivos em detrimento ao ataque e à criatividade. Mestre Telê era exigente, perfeccionista e não se contentava com a vitória: queria o futebol-arte em prática. Sua Seleção de 1982 entrou para a história do futebol mesmo sem ter conquistado títulos.

Infelizmente, o "futebol eficiente" vem ganhando cada vez mais adeptos. Não faz muito tempo que o meia argentino Maxi Rodríguez criticou duramente o futebol de seu próprio país por causa da falta de ousadia dos treinadores que, com medo de perderem seus empregos, se preocupavam mais em não perderem do que atacarem, resultando em equipes que truncam os jogos, comentem muitas faltas e criam poucas oportunidades de gol. Muito parecido com o que vem acontecendo aqui no Brasil, não? E não é só aqui e na Argentina que isso acontece: é só assistir aos terríveis jogos da Libertadores para concluirmos que quase toda a América do Sul está contaminada pelo "futebol eficiente", com a exceção do Atlético Mineiro e um pouquinho da Universidad de Chile, São Paulo, Santos e Boca Juniors. Quando eu escrevi "um pouquinho", é um pouquinho mesmo, uma vez que as quatro equipes citadas não estão aquela maravilha.

Felizmente, três treinadores argentinos "românticos" estão nadando contra a corrente do "futebol eficiente" e nos presenteando com times que fazem belas jogadas, tocam a bola e buscam a criação da oportunidade. São eles: Alejandro Sabella (treinador da Seleção Argentina), Jorge Sampaoli (treinador da Seleção Chilena), e José Pekerman (treinador da Seleção Colombiana).

Sobre o Sabella, não preciso me alongar muito porque já o citei em outras duas ocasiões. O atual treinador da Albiceleste promoveu uma senhora renovação na zaga que estava cada vez mais envelhecida e menos eficiente. Também efetuou a mudança mais importante: priorizou os aspectos criativos e ofensivos da Seleção Argentina para que Messi fosse pela seleção de seu país o mesmo jogador que faz a diferença no Barcelona. O resultado você pode ver na tabela das Eliminatórias para a Copa de 2014.

Jorge Sampaoli é o atual treinador da Seleção do Chile e ficou muito famoso naquele país pelas brilhantes campanhas que fizera pela Universidad de Chile em 2011 e 2012. Seguindo a mesma escola de seus antecessores -Marcelo "El Loco" Bielsa e Claudio Borghi, ambos argentinos-, Sampaoli faz sua equipe trocar passes, embora de uma maneira mais veloz e vertical que seus predecessores. O resultado é um jogo coletivo belíssimo e eficiente. A geração atual de atletas chilenos também é boa, com jogadores que sabem jogar com a bola no chão, como Alexis Sánchez, Mauricio Isla, Gary Medel, Eduardo Vargas e Arturo Vidal.

Por fim, José Pekerman vem fazendo pela Colômbia o sucesso que ele não teve com a Argentina em 2005 e 2006. Pekerman não faz muito diferente de seus compatriotas e também valoriza o toque de bola e a criação de oportunidades. E ele conta com uma geração excepcional de jogadores -Jackson Martínez, James Rodríguez, Pablo Armero, Fredy Guarín, Mcnelly Torres, Juan Cuadrado e, claro, Falcao García. O desempenho desta Seleção comprova que os colombianos não dependem da altitude para jogar bem.

E aqui no Brasil? Bem, nós estamos tendo que nos contentar com Felipão, Mano Menezes, Muricy, Tite, Celso Roth, Abel, ...

A maioria dos torcedores parece estar satisfeita com o nível de futebol atual pelos troféus que o "futebol eficiente" consegue, mas eu continuo na expectativa que algum "romântico" venha até o Brasil e traga de volta o respeito e a magia que nossa Seleção teve um dia. E até tenho sugestões para o "romântico": Guardiola, Klopp, Bielsa e Wenger. Qualquer um deles serviria, bastando que eles fizessem a Canarinho trocar passes e jogar no ataque.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O Efeito Bielsa

Os chilenos sempre gostaram de futebol. Mas até pouco tempo atrás, quando se falava em futebol do Chile, nós só nos lembrávamos de três nomes: Iván Zamorano, Marcelo Salas e Elias Figueroa -este último, bastante conhecido aqui no Brasil por ter jogado no Internacional de Porto Alegre nos anos 70. Isto durou até o final da década passada, quando um certo argentino foi chamado para dirigir a Seleção do Chile.

Marcelo Alberto Bielsa, conhecido pela alcunha de "El Loco Bielsa", foi mais do que um grande treinador da Roja de Todos: ele teve um grande impacto cultural no futebol chileno.

Bielsa teve passagens por alguns clubes argentinos e também pela Albiceleste, mas seu único título pela seleção argentina foi um ouro olímpico.

Obcecado por táticas, Bielsa é conhecido por ser um estudioso de estratégias de futebol.

Ele geralmente arma sua equipe com três zagueiros e distribui seus jogadores de modo a mantê-los próximos uns dos outros para facilitar a troca de passes. Suas escalações são sempre feitas em 3-3-3-1,   3-1-3-3 ou 3-3-1-3. Se fizermos uma brincadeira de "ligar os pontos" com os jogadores distribuídos no gramado, notamos que as formações adotadas por Bielsa permitem as chamadas "triangulações" entre jogadores, tática que também é adotada no Barcelona, mas com outra formação.

Bielsa nunca ganhou títulos pela Seleção Chilena, mas sua saída do Chile após a Copa do Mundo de 2010 foi muito lamentada pelos torcedores. E ele deixou um grande legado cultural no futebol daquele país.

Times como a Universidad de Chile e o Huachipato adotam estratégias semelhantes às do argentino. Assistiram aos jogos do Huachipato contra o Fluminense ou contra o Grêmio? Repararam que o Huachipato joga com a bola no chão e que eles nunca rifam a redonda?

Repararam como vêm atuando os jogadores chilenos na Europa? Eles sabem passar a bola com precisão e raramente saem dando chutões. Arturo Vidal, Mauricio Isla e Alexis Sanchéz são alguns desses exemplos.

O legado de Bielsa no Chile é uma lembrança constante de que o futebol não vive apenas de títulos e, também, uma lembrança constante de que ainda há espaço para o futebol coletivo e bem jogado.