sábado, 11 de outubro de 2014

O Vôlei Brasileiro te Entende, Leo

Imagem extraída do Facebook oficial de Lionel Messi- https://www.facebook.com/LeoMessi/



O sábado foi marcado pela manutenção de dois tabus: Messi continua sem faturar um troféu pela seleção principal de seu país (ele possui uma medalha olímpica e um título no sub-20) e a Seleção Feminina de Vôlei continua sem possuir um único mundial em seu currículo.

Começando pelo Superclássico das Américas, a Argentina tomou a iniciativa enquanto o Brasil ficou se defendendo e buscando espaços em contra-ataques. Em uma dessas investidas, a Albiceleste conseguiu um pênalti, mas Messi viu sua cobrança parar nas mãos de Jefferson. O Brasil cresceu enquanto a Argentina sentiu a chance desperdiçada. E viu o atleticano Diego Tardelli manter o jejum de títulos da Pulga pela seleção principal.



Imagem extraída do Facebook oficial de Neymar-
https://www.facebook.com/neymarjr/



Mais tarde, a Seleção Feminina de Vôlei entrou em quadra em partida válida pelas semifinais. Exceto pelo segundo set, quando o Brasil chegou a abrir 8/2 e resistiu até 27/29, nossa Seleção demonstrou apatia em quadra e foi facilmente dominada pelo time titular dos Estados Unidos -na outra ocasião, durante a segunda fase, enfrentamos a equipe reserva.

As norte-americanas derrotaram o Brasil por 3x0 sets, parciais de 25/18, 29/27 e 25/20. Jordana Larson (que havia derrotado Sesi e Molico no Mundial de Clubes deste ano) foi o destaque do jogo com 15 pontos. A partida foi marcada pela arbitragem polêmica, segundo o treinador Zé Roberto e o jornalista Juca Kfouri.



Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/



Às nossas meninas, resta lutar pelo bronze amanhã cedo e não deixar a peteca cair, pois ainda há muitos desafios pela frente, incluindo a Copa do Mundo no próximo ano e a luta pelo tricampeonato olímpico em 2016, que será em nossa casa. Esta geração ainda é uma das melhores de todos os tempos. O talento de nossas jogadoras e os títulos anteriores ainda estão aí para provar.

A Seleção de Futebol fica de parabéns pelo triunfo sobre o grande rival, mas o nosso futebol não pode depender apenas de suor e raça. Perdemos duas copas do mundo porque não tínhamos nada além de pegada para competir com os holandeses em 2010 e com os alemães em 2014. E ainda vimos equipes que jogam futebol bonito e coletivo faturarem os dois últimos mundiais.

Messi e a Seleção Feminina de Vôlei compartilham da sina de serem extremamente talentosos, mas continuarem sofrendo com tabus inexplicáveis apesar de todo o talento que possuem.



Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/

Agora É Pra Valer

Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/



A República Dominicana se empenhou, suou, catimbou, mas não conseguiu derrotar o já classificado Brasil. Zé Roberto mandou as titulares para a quadra e, apesar do placar apertado, não tiveram dificuldades em vencer as dominicanas por 3x0 sets e parciais de  25/19, 25/21 e 25/21. Sheilla (à direita na foto acima) e Fabiana (à esquerda) foram as maiores pontuadoras, com 13 e 12 pontos respectivamente.

O Brasil, com o resultado, manteve a invencibilidade e classificou-se na primeira posição, podendo enfrentar um adversário teoricamente mais fácil nas semifinais. Teoricamente.

As adversárias serão as já conhecidas norte-americanas, que o Brasil já enfrentou na segunda fase. Os Estados Unidos, no entanto, não vão entrar em quadra com a mesma mentalidade daquela partida, quando os dois times já estavam classificados e apenas a liderança estava em jogo. Desta vez, quem perder cai fora e as adversárias vão entrar com as titulares demonstrando toda a sua força em quadra. Tudo pela final.

O Brasil terá de jogar muito mais do que nas últimas partidas, quando sofreu "apagões" em quadra e permitiu que as rivais encostassem no placar em alguns momentos. Desta vez, haverá um adversário fortíssimo do outro lado, considerado favorito à taça. Um "apagão" contra as norte-americanas pode ser fatal.

Duas partidas separam nossa Seleção Feminina do título inédito. As gerações de 1994, 2006 e 2010 (as duas últimas possuem jogadoras remanescentes no elenco atual) chegaram muito perto do troféu, mas tiveram de se contentar com o vice.

O Brasil entra em quadra hoje às 12:30h (horário de Brasília) com transmissão pelo canal pago Sportv.

Boa sorte, Brasil!



Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/

As Eleições Estão Parecendo o Futebol Brasileiro

Será que mais alguém aí está saturado da corrida eleitoral brasileira, ou sou apenas eu?

Eu não assisto ao horário eleitoral e nem vejo os debates. Simplesmente, vejo as propostas dos candidatos nos sites ou nos perfis oficiais nas redes sociais e sigo em frente. Os candidatos sempre dedicam alguns poucos minutos de seu espaço na mídia para apresentarem propostas e o restante caem de pau no adversário.

O brasileiro sabe que existem denúncias circulando na mídia contra os candidatos e seus partidos, mas o que deveria ficar em primeiro plano são as propostas de governo, e não os ataques ao adversário. Mais parece a mentalidade dos "professores" que impregnam o Brasileirão, armando seus times muito mais para impedir o rival de jogar do que vencer por méritos próprios. Claro que se o referido candidato tem a ficha suja isso tem de vir a público, mas no momento oportuno. Não quero votar no candidato menos pior, quero eleger um que me represente.

Pior ainda são as pessoas que se valem do anonimato nas redes sociais, divulgam várias "informações" de procedência duvidosa (a maioria sequer possui fontes), falam em nome dos partidos ou dos candidatos e saem por aí transformando a internet em uma verdadeira baixaria. E o pobre eleitor, chocado ou revoltado com o que lê, acaba compartilhando e entrando nessas roubadas. Isso sem falar daqueles que o fazem por pura má-fé.

Os debates entre eleitores, então, acabam muitas vezes sustentados por ódio ou fanatismo. Fazer críticas ao partido ou elogiar o adversário vira motivo de briga. Mais parece aqueles torcedores que vão no estádio apenas para brigar.

Fair play deveria haver também na política. Gostaria que houvesse mais espaço para assuntos mais edificantes, e não para a destruição de um adversário. Até porque estamos falando de concorrentes, e não de inimigos, assim como o esporte.

Alguém aí está acompanhando o Mundial Feminino de Vôlei? As nossas meninas jogam em vários clubes diferentes aqui no Brasil -alguns são rivais ferrenhos, como o Molico Nestlé e o Unilever- mas as atletas deixam a rivalidade entre os times de lado e se unem na Seleção. Sabem por que? Porque elas sabem que rivalidade não é inimizade, e que o Brasil só tem a ganhar com todas unidas.

O nosso futebol está feio, ultrapassado e está valendo tudo para obter uma vitória ou resultado a curto prazo. A política não pode seguir pelo mesmo caminho. As propostas edificantes não podem ser substituídas pelos ataques aos adversários.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O Brasil Vai Ganhar, mas Não Vai Empolgar

Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/



Brasil e Argentina entrarão em campo amanhã cedo para a realização do Superclássico das Américas. A partida, excepcionalmente, será realizada em jogo único em solo chinês e contará com os jogadores que atuam na Europa -em 2011 e 2012, apenas atletas que atuavam nos dois países jogavam e a disputa era em duas partidas, uma em solo argentino e outra em solo brasileiro.

Dunga declarou que espera que o Brasil "jogue bonito" contra os eternos rivais, mas acredito que isso dificilmente acontecerá.

Motivo? O treinador e, principalmente, os dirigentes precisam do resultado como uma maneira de apagar de vez a perda do hexa e, com isso, acalmar os críticos que se tornaram muito mais ferozes ao nosso futebol após os 7x1 diante da Alemanha. Uma derrota ou mesmo um empate seriam suficientes para explodir de vez uma crise em nosso futebol. Ao contrário de outras eliminações em copas do mundo, esta última não foi muito bem digerida pelo torcedor e pela mídia, e com razão.

A Argentina possui um ótimo time e deve jogar no toque de bola, estilo adotado pelo treinador Tata Martino. Os hermanos, no entanto, possuem algumas desvantagens, como o tamanho de seus atletas e as atuações irregulares de Messi.

Vários volantes grandões foram convocados justamente visando explorar as fraquezas dos argentinos. Os brasileiros devem atuar muito no jogo aéreo ou nos contra-golpes velozes aproveitando os espaços deixados pelo ataque albiceleste e usando os carregadores de piano como ferramenta para isto.

Dunga, como treinador, perdeu apenas uma vez para a Argentina, durante os Jogos Olímpicos de 2008. E sempre utilizou as mesmas armas para superá-los na vitória, com o time marcando e contra-atacando muito.

Gostaria muito que o Brasil aproveitasse a oportunidade para reconstruir seu time, montar uma equipe renovada para 2018 e resgatasse sua tradição de jogar bonito, mas a pressão pelo resultado a curto prazo e a rivalidade acirrada contra a Argentina dificilmente permitirão que isto aconteça amanhã.

Espero estar errado.

Aqucimento

Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/



O Brasil passou sem grandes dificuldades pela China por 3x0 sets com parciais de 25/19, 25/16 e 25/15 na quarta-feira e depois assistiu de camarote o triunfo das chinesas sobre a República Dominicana por 3x2 sets.

A combinação de resultados classificou o Brasil automaticamente para as semifinais e nossas meninas podem até perder por 3x2 sets para terminarem na liderança encontrando um adversário teoricamente mais fácil na semifinal -e coloca "teoricamente" nisso, pois nosso próximo rival será escolhido entre as fortíssimas italianas, norte-americanas e russas.

Nossas meninas fizeram sua parte contra as chinesas, que estão atuando com um time bastante jovem. Fernanda Garay (foto acima), Jaqueline e Thaísa foram as maiores pontuadoras do jogo, com 15 tentos anotados cada.



Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/



Daqui a pouco, às 12:30h (horário de Brasília), o Brasil fará o "amistoso" contra a surpreendente República Dominicana. As dominicanas não possuem a tradição das vizinhas cubanas na modalidade, mas demonstraram muita determinação em quadra. Seu grande desempenho no Grand Prix e também no mundial deste ano mostram que o vôlei do país não deve ser subestimado em hipótese alguma. E as dominicanas devem vir com tudo, uma vez que precisam do resultado para avançarem à próxima fase.

Boa sorte, Brasil!



Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/



Leia mais:

Globo Esporte- Invicto, Brasil passa fácil pela China e segue firme em busca do ouro inédito: http://globoesporte.globo.com/volei/noticia/2014/10/invicto-brasil-passa-facil-pela-china-e-segue-firme-em-busca-do-ouro-inedito.html

Globo Esporte- Brasil vai às semis após vitória parcial das dominicanas; China vira e vence: http://globoesporte.globo.com/volei/noticia/2014/10/sem-jogar-brasil-garante-classificacao-para-semifinal-do-mundial-da-italia.html

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Futebol com Conteúdo

Imagem extraída de https://www.facebook.com/pages/Afonsinho/



Pouco tinha ouvido falar do ex-meia Afonsinho (foto). Soube dele apenas através de Paulo César Caju, que vivia fazendo menções a ele em seu antigo blog no Jornal da Tarde.

Ex-meio-campista do Botafogo e médico, Afonso Celso Garcia Reis ficou conhecido por sua luta pelo passe livre, quando entrou na justiça para ser dono dos próprios direitos federativos. Também ficou conhecido pelo seu grande engajamento político.

Afonsinho escreve para a revista Carta Capital desde 2012, quando assumiu a grande responsabilidade em substituir o finado Sócrates na coluna do ex-corinthiano. As semelhanças entre Afonsinho e Sócrates, aliás, são muitas: ambos dividiram a vida profissional entre a medicina e o futebol e ambos tiveram (o verbo vai para o presente no caso de Afonsinho) grande engajamento político. Talvez, fosse interessante compará-lo a Tostão, também médico, ex-jogador e colunista da Folha de São Paulo.

A coluna de Afonsinho possui uma pegada mais política, lembrando o texto de Juca Kfouri, que também faz o elo entre política e esporte. Há comentários a respeito do desempenho de times e jogadores, mas sem deixar de fazer o link entre o esporte e política, sociedade ou economia.

Afonsinho é um tipo de jogador em extinção no cenário nacional, com atletas muito mais preocupados em ganhar fama e dinheiro ao invés de utilizar o esporte para finalidades mais construtivas. Poucos jogadores como Alex Cabeção e Paulo André demonstram esse tipo de esclarecimento no cenário esportivo.

Vale dar uma lida na coluna de Afonsinho, afinal o futebol também é cultura, algo que este médico e ex-atleta possui de sobra e compartilha com o leitor através de seus textos.

O link para sua coluna na Carta Capital é http://www.cartacapital.com.br/colunistas/afonsinho. Não deixe de conferir!



Imagem extraída de https://www.facebook.com/pages/Afonsinho/



Leia mais:


Questão de Confiança

Imagem extraída do Facebook oficial do Palmeiras- https://www.facebook.com/sePalmeiras/



Andei cansado nestes últimos dias. As noites mal dormidas somadas ao estresse gerado pelas eleições têm secado a minha fonte de inspiração para escrever. Felizmente, amanhã terei um dia de folga e posso recolocar as coisas no lugar.

Acompanhei ontem a partida entre Palmeiras e Botafogo realizada no Maracanã. E o Verdão, mesmo com as limitações que possui, soltou-se mais em campo e foi ao ataque.

A boa vitória por 4x2 sobre a Chapecoense há uma semana devolveu a confiança que faltava ao elenco. E ainda contava com o retorno do goleiro e capitão Fernando Prass, que estava afastado desde abril. Prass assumiu o gol palmeirense em um momento marcado pela insegurança e pelas falha dos substitutos Fábio e Deola.

A partida não foi um espetáculo, muito longe disso. Duas equipes que jogavam na correria, erravam muitos passes, cometiam muitas faltas e demonstravam muitas deficiências nos fundamentos.

O Palmeiras, contudo, era visivelmente superior em campo, tanto pelo elenco, quanto pela execução das jogadas. O momento ruim do Fogão -que vinha de duas derrotas consecutivas, está com salários atrasados e apresenta desentendimentos entre cartolas e atletas- sem dúvida contribuiu com o triunfo do time paulista.

Valdívia, mais uma vez, demonstrou as suas qualidades em campo. Apresentou momentos de instabilidade como o cartão desnecessário que levou após empurras Júnior César sem bola, mas também apresentou momentos de lucidez e de esforço com seus bons passes e boa presença de área. E o Henrique, mesmo sem ser tecnicamente brilhante, fez um belo gol, o único da partida.

O resultado colocou o Palmeiras na 13ª posição, três pontos longe da zona de rebaixamento. O Fogão, por outro lado, somou a terceira derrota seguida e agora segura a lanterna do campeonato, correndo o risco de amargar o segundo rebaixamento de sua história, exatos doze anos após o primeiro em 2002.

O Palmeiras não briga por títulos neste ano e, dificilmente, jogará um futebol empolgante, salvo por um ou outro lampejo. O elenco, no entanto, conta com atletas jovens e promissores. A presença dos líderes Prass, Lúcio e Valdívia somadas à identificação que o treinador Dorival Júnior tem com o clube -ele é sobrinho do lendário volante Dudu- podem transformar esses garotos em grandes jogadores de bola. E a confiança gerada pelos últimos resultados pode ser o impulso que faltava ao time para fugir de vez do rebaixamento.

Espero, no entanto, que Dorival faça deste time uma máquina ofensiva e artística, ainda que a longo prazo.