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quarta-feira, 1 de maio de 2024

30 Anos sem Ayrton

Imagem modificada de www.facebook.com/sennabrasil



Domingo, dia 1º de maio de 1994. O mundo assistia perplexo ao grave acidente que Ayrton Senna sofrera em Imola durante Grande Prêmio de San Marino daquele ano. O final de semana já havia sido marcado por uma batida violenta de Rubens Barrichello na sexta-feira durante os treinos livres e pela morte de Roland Ratzenberger no sábado durante a etapa classificatória.

Senna não resistiu à violência da batida e faleceu horas depois. As causas do acidente levaram anos para serem elucidadas e até hoje geram discussões -debatia-se a hipótese de uma falha mecânica no carro da escuderia Williams e também a possibilidade do piloto ter sido atingido na cabeça por algum objeto na pista.

A morte do brasileiro, que era ídolo em diversos países, gerou uma comoção mundial e motivou a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) a rever seus protocolos de segurança para que novos acidentes fatais não viessem a ocorrer. Foram estabelecidos limites de velocidades nos boxes, o aumento do peso dos carros e uma série de outras medidas visando a segurança dos pilotos.



"Seria bom se pudéssemos rir juntos novamente hoje" -escreveu o grande
rival Alain Prost nas redes sociais (reprodução www.instagram.com/a.prost).



A súbita partida de Senna deixou um grande vazio no esporte brasileiro visto que o piloto era a grande referência no país, sobretudo quando pouquíssimos atletas tinham a mesma competitividade ou desempenho durante aquela época. Não obstante, poucos possuíam o carisma ou o apelo midiático de Ayrton, o que tornou a comoção ainda maior.

Senna recebeu muitas e merecidas homenagens. E continua sendo muito idolatrado, não apenas no Brasil mas em todo o planeta. O desempenho nas pistas e o carisma junto ao público fez com que o brasileiro deixasse um legado no esporte muito maior que os três títulos (1988, 1990 e 1991) que conquistou.

Houve e ainda há muitos pilotos tão bons ou melhores do que Senna, seja pelos títulos conquistados, seja pelo estilo nas pistas. Nenhum deles, contudo, soube unir talento e carisma em uma única pessoa, sendo capaz de cativar pessoas não apenas no Brasil mas também em todo mundo. O brasileiro foi tão marcante que ele ainda mexe com o coração dos torcedores mesmo passados 30 anos desde a sua trágica despedida.



Senna e a Seleção Brasileira teriam feito um pacto para conquistarem
o tetracampeonato juntos em 1994. Os jogadores fizeram questão de
relembrar a promessa (imagem extraída de www.facebook.com/sitetrivela). 




terça-feira, 21 de março de 2023

Os Dois Lados da Moeda

Reprodução www.instagram.com/a.prost



Cara e coroa. Dia e noite. Luz e escuridão. Yin e Yang. Todos fenômenos antagônicos (não necessariamente "inimigos") mas que não conseguem existir sem a presença da outra contraparte. São como duas faces de uma mesma moeda: estão sempre em oposição mas, ao mesmo tempo, são inseparáveis.

A rivalidade entre os pilotos Ayrton Senna e Alain Prost foi uma das maiores já ocorridas no esporte. Os dois adversários chegaram a transcender os limites da competitividade ao ponto da disputa entre ambos se tornar uma baixaria. Em 1989, o francês tirou o brasileiro da pista no Grande Prêmio do Japão e se sagrou tricampeão mundial na Fórmula 1. No ano seguinte, porém, o paulistano deu o troco no mesmo palco e provocou um acidente que sacramentou o seu título durante aquela temporada.

Imaginava-se que Senna e Prost fossem "inimigos" tamanha era a rivalidade entre ambos. Alguns jornalistas afirmam que os dois sequer se falavam enquanto eram colegas na escuderia McLaren entre 1987 e 1989. Conta-se que o francês até precisou ser escoltado pela polícia durante as provas aqui no Brasil temendo agressões de torcedores mais exaltados.

Ficou evidente, porém, que os dois eram apenas "rivais" e que se respeitavam a despeito de toda a animosidade que havia entre ambos. Mais do que isso, ficou claro que Prost e Senna eram como as duas faces de uma mesma moeda: estavam sempre em lados opostos mas jamais poderiam viver separados.



Reprodução www.instagram.com/a.prost



Prost deixou o automobilismo em 1993 e Senna, em seu último treino antes do acidente fatal em 1994, enviou uma mensagem dirigida ao francês sabendo que o rival estava comentando a sessão para uma emissora de televisão. O brasileiro deixou evidente o quanto sentia falta de seu grande adversário nas pistas, a quem chamou de "amigo" durante a transmissão.

O francês também reconheceu o quanto o brasileiro fora fundamental em sua carreira, sobretudo após a falecimento do rival. Prost afirmou em entrevistas que "quando Senna morreu, uma parte sua também morreu". A maior demonstração disto se deu durante o velório do paulista, quando Alain fez questão de ajudar a carregar o caixão até o sepultamento.

Prost jamais esqueceu Senna mesmo passados quase trinta anos desde o falecimento do rival. As redes sociais do francês estão repletas de fotos junto com o brasileiro que estão reproduzidas aqui no blog. Ademais, a cada 1º de maio Alain sempre recorda com dor as lembranças daquele dia fatídico quando "uma parte sua também morreu".

Senna e Prost eram realmente como duas faces de uma mesma moeda: estavam sempre duelando em lados antagônicos mas jamais poderiam viver sem a outra contraparte. A vida do francês nunca mais seria a mesma sem seu "outro lado" como ele mesmo sempre faz questão de demonstrar.



Reprodução www.instagram.com/a.prost




terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Carro Raiz X Carro Nutella




Havia, em meados de 2016, um meme que conflitava o "raiz" (objetos ou atividades realizados à moda antiga, sem a necessidade de modernidades) contra o "Nutella" (feitos com auxílio da tecnologia e/ou levando em conta a necessidades dos dias atuais). Na maioria das vezes, tratava-se de críticas de pessoas que nasceram até os anos 80 ou 90 e que discordavam das transformações que a sociedade sofreu durante as últimas décadas.

Os carros, da mesma forma, estão bastante diferentes daqueles comercializados até o final do século passado. Não há mais a necessidade de trocas de marchas, o motorista pode pisar fundo no freio graças ao ABS, há assistentes automáticos de quase todo tipo e muitas outras inovações tecnológicas. Tudo isto visando o conforto e, principalmente, a segurança do condutor.

Eu aprendi na faculdade as vantagens da automatização dos processos e também senti na prática em ambiente laboratorial todo o conforto de se confiar uma análise a uma máquina. Um analisador automático é muito mais fácil de ser operado, possui reprodutibilidade em seus ensaios e, principalmente, minimiza o erro por falha humana.

Conheci, porém, um canal do Youtube chamado Flatout Brasil (estilizado como "FlatOut Brasil") cujo tema são veículos antigos e também automóveis modificados (ou "tunados"). Através de seus influenciadores, pude ouvir o outro lado da história onde os apresentadores contam as vantagens do "carro raiz", com câmbio manual (e embreagem), sem freios ABS, controles de tração e outros assistentes tecnológicos tão rotineiros em nosso cotidiano.






O "carro raiz" depende muito mais da habilidade do condutor do que um "carro Nutella". Há a necessidade de se atentar à troca de marchas, à força exercida sobre os freios e vários outros processos hoje delegado a assistentes tecnológicos. Por outro lado, o motorista possui pleno controle sobre tais processos em tais veículos.

Um carro sem assistentes automatizados favorece a condução competitiva visto que o motorista mais habilidoso e, portanto, com maior controle sobre os processos, será o melhor em tal cenário. Ademais, tais veículos são mais adequados para demonstrações de perícia (em eventos e locais apropriados, obviamente), como a possibilidade de deliberadamente travar as rodas para derrapagens (algo difícil de ser realizado com ABS) ou de arrancadas (algo impossível com os controles de tração).

O canal, da mesma forma, exalta o prazer de dirigir com o motorista tendo pleno controle sobre os processos. O apresentador, porém, reconhece que é muito mais cansativo e estressante dirigir um carro manual visto que o condutor precisa se atentar a muito mais detalhes e também precisa realizar muito mais esforço para manobrar o veículo, trocar as marchas ou realizar as frenagens.

Os chamados "carros Nutella" portanto, existem para oferecer conforto e, principalmente, segurança ao motorista comum. Mas sempre haverá mercado, ainda que de nicho, para os "carros raízes", principalmente esportistas e condutores que buscam o prazer em dirigir estando no controle de todos os processos do veículo. Um tipo de máquina, portanto, jamais excluirá a outra por mais que a tecnologia evolua.







terça-feira, 23 de março de 2021

Mala Austríaca

Berger (direita) aprontou todas com Senna! E mais algumas
(imagem extraída de www.facebook.com/oficialayrtonsenna)!



Ayrton Senna completaria 61 anos no dia 21 de março. Ao longo de sua vitoriosa carreira, o piloto enfrentou muitos grandes rivais incluindo o compatriota Nelson Piquet, o inglês Nigel Mansell e o francês Alain Prost. Mas nenhum deles foi tão terrível quanto o austríaco Gerhard Berger, o seu companheiro de McLaren entre 1990 e 1992.

Berger era o "segundo piloto" da McLaren e sua função nas pistas era ser um escudeiro para Senna. O relacionamento entre os dois, contudo, era bastante amistoso, contrastando com a atualidade quando a rivalidade ocorre até mesmo entre companheiros de escuderia. O brasileiro e o austríaco sempre se deram muito bem, dentro e fora das pistas. Até demais!

Nós brasileiros somos vistos como um povo simpático pelos estrangeiros mas, por vezes, eles também nos veem como "inconvenientes" pelo excesso de brincadeiras. Berger, porém, era o fanfarrão da dupla enquanto Senna era sempre sério, concentrado e obcecado pelo desempenho nas pistas.

Não se sabe quem atirou a primeira pedra, mas a fama de zoeiro acabou ficando toda com Berger. Suas histórias com o brasileiro já se tornaram lendas nos bastidores da Fórmula 1. Algumas delas podem até ser consideradas "sem noção" -os links para as histórias estão no final do texto.



Imagem extraída de www.facebook.com/oficialayrtonsenna



Berger, porém, nunca faltou com o respeito e com o profissionalismo com Senna. O austríaco cumpria bem o seu papel nas pistas e, verdade seja dita, contribuiu muito com os dois títulos do brasileiro pela McLaren. A zoeira ficava mesmo restrita aos bastidores.

A dupla Senna-Berger foi desfeita em 1993 quando o austríaco migrou para a Ferrari, mas a amizade entre os dois permaneceu. Até hoje o piloto europeu mantem contato com a família de seu finado amigo e foi um dos mentores de Bruno Senna, sobrinho do brasileiro.

Berger, aliás, quase sempre é perguntado a respeito da relação com Senna durante as entrevistas, mesmo na mídia internacional. E, claro, quase sempre há os questionamentos a respeito das brincadeiras com Ayrton. E o próprio austríaco faz questão de contar como planejou e executou cada uma das pegadinhas.

Senna teve muitos adversários difíceis mas nenhum tão terrível quanto Berger. Tudo o que o austríaco fazia pelo brasileiro nas pistas era pago com juros nos bastidores! O europeu aprontou todas com Ayrton mas não deixava de ser uma demonstração de amizade entre os dois.



Imagem extraída de www.facebook.com/Formula1



AS ZOEIRAS DE BERGER:








Houve, ainda, um incidente de trânsito envolvendo a dupla em Nevers (França) e que foi publicado na revista Quatro Rodas deste mês mas não encontrei o link para o texto.




sábado, 14 de março de 2015

Os 23 de Dunga

Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/



Dunga anunciou durante a semana anterior os 23 convocados que defenderão a Seleção Brasileira nos amistosos contra a França (dia 26 de março) e contra o Chile (dia 29 de março). A convocação não teve lá muitas surpresas com o treinador mantendo a base da equipe. Os maiores destaques foram o retorno do lateral-esquerdo Marcelo e do atacante Robinho.

Muitos jogadores convocados já estão na faixa dos 30 anos e dificilmente teriam condições de disputar a Copa de 2018. A sensação é de que Dunga está priorizando a conquista da Copa América e acalmar os críticos ao invés de montar uma base para o próximo mundial. Os nossos últimos treinadores -incluindo o próprio Dunga entre 2006 e 2010- estavam tão preocupados em apagar o incêndio do momento que não apresentaram nenhum projeto a longo prazo e acabaram pagando o preço quando disputaram a Copa do Mundo.

As escolhas dos adversários foram muito boas e bastante apropriadas para verificar se estamos realmente preparados para enfrentar rivais de peso. A França ainda está órfã do maestro Zinedine Zidane e demonstra certa irregularidade, mas conta com grandes atletas (Benzema, Griezman, Pogba e Valbuena) e é conhecida por ser uma pedra no sapato do Brasil. Os Bleus sabem jogar com a bola no chão e devem dar muito trabalho à nossa Seleção. O Chile não possui títulos no futebol, mas a atual geração (Sánchez, Vidal e Aránguiz) é a melhor desde os tempos de Marcelo Salas e Bambam Zamorano. A Roja deu muito trabalho ao Brasil no último encontro graças ao seu futebol que combina posse de bola com disposição em campo. O Chile será o país-sede da próxima Copa América e os chilenos não apenas podem surpreender na competição como também podem ser considerados favoritos ao título por contarem com a força de sua torcida.

Como de praxe, farei comentários sobre as convocações do treinador.


GOLEIROS- Jefferson (Botafogo), Diego Alves (Valencia) e Marcelo Grohe (Grêmio): gosto dos três arqueiros, mas gostaria que Cássio, que está em boa fase no Corinthians, tivesse uma oportunidade.


LATERAIS- Danilo (Porto), Marcelo (Real Madrid), Filipe Luís (Chelsea) e Fabinho (Monaco): fiquei contente com o retorno de Marcelo. O lateral do Real Madrid é fraco defensivamente, mas é um craque quando pega a bola e sobe para o ataque. Danilo, segundo os tabloides, vem sendo cobiçado pelo Barcelona. Boa oportunidade para vermos o quanto ele evoluiu desde os seus tempos de Santos. Filipe Luís e Fabinho estão em boa fase em suas respectivas equipes.


ZAGUEIROS- Thiago Silva (PSG), David Luiz (PSG), Marquinhos (PSG) e Miranda (Atlético de Madrid): o Paris Saint-Germain deve ter a melhor zaga do mundo, afinal os dois defensores titulares mais o reserva foram convocados. Achei um exagero chamar os três zagueiros da equipe francesa. Miranda é bom de bola, mas ele e Thiago Silva dificilmente irão à Rússia pela idade.


VOLANTES- Fernandinho (Manchester City), Souza (São Paulo), Elias (Corinthians) e Luiz Gustavo (Wolfsburg): não entendo a insistência com o faltoso Luiz Gustavo, afinal ele acrescentou muito pouco nos últimos jogos disputados, incluindo os da última Copa do Mundo. Sobre Souza: se fosse para levar um volante do São Paulo, eu levaria o Maicon (hoje no Grêmio) que tem muito mais qualidade no passe, comete menos faltas e estava em melhor fase que o seu companheiro. Ok para Fernandinho e Elias, mas a dupla, pela idade, dificilmente joga a próxima Copa do Mundo.


MEIAS- Oscar (Chelsea), Firmino (Hoffenhein), Philippe Coutinho (Liverpool) e Willian (Chelsea): excelentes escolhas. Todos meio-campistas bons de bola e que passam por boa fase em seus respectivos times. E eles devem chegar em 2018 no auge de suas formas físicas.


ATACANTES- Robinho (Santos), Neymar (Barcelona), Tardelli (Shandong Luneng) e Douglas Costa (Shakhtar Donetsk): Robinho é bom de bola, mas acho que já contribuiu o bastante para a Seleção. Ademais, ele e Tardelli já estão na faixa dos 30 anos. Recebo a convocação de Douglas Costa com desconfiança, ainda mais após a goleada que o Shaktar sofreu para o Bayern na última semana. Neymar dispensa comentários.


E vocês? Quem vocês convocariam?



Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/




DEPENDE DO CARRO

Começa nesta madrugada a temporada 2015 da Fórmula 1. Dois brasileiros, Felipe Massa (da Williams) e Felipe Nasr (da Sauber) irão representar nosso país na competição. Eu, no entanto, estou na torcida pelo arrojado e determinado alemão Sebatian Vettel, que acabou de trocar de escuderia -deixou a Red Bull e assinou com a Ferrari. A vitória, no entanto, não depende muito do piloto, e sim do carro que se adaptar melhor às novas regras. Tem sido assim ano após ano.



CASEMITO?

Imagem extraída do Facebook oficial do Porto- https://www.facebook.com/FCPorto/

Até hoje não entendo por que o meu São Paulo desistiu do volante Casemiro (foto acima), revelado na base do próprio clube. Ele tem personalidade forte, mas é bom de bola e está em excelente fase no Porto, fazendo até gol na Champions League. Se tivesse utilizado bem o garoto ao invés de queimá-lo, podem ter certeza que Casemiro teria dado muito lucro ao Tricolor. E ele, possivelmente, estaria na Seleção Brasileira neste momento. O Real Madrid, dono do passe do atleta, até cogita reintegrá-lo após suas exibições recentes.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Design X Eficiência

Imagem extraída de https://www.facebook.com/ScuderiaFerrari



O temporada 2014 da Fórmula 1 foi marcada pela polêmica dos bicos, cujos formatos causaram muitos estranhamentos aos fãs da categoria. O visual dos carros nunca é por acaso: são conduzidos dezenas de estudos e testes para que o veículo tenha melhor aproveitamento de sua potência, mais estabilidade e diminuição do atrito com o ar. Tudo isto é levado em conta pelos engenheiros e projetistas na hora de se conceber um modelo.

Para a alegria dos fãs, foram adotados formatos mais conservadores para os carros na temporada 2015, como podemos ver nos carros da Ferrari. Compare a foto acima do modelo atual com as duas abaixo, que foram tiradas dos carros usados na temporada anterior.

As modificações feitas nos carros são feitas com apenas um objetivo: levar os pilotos da escuderia à vitória. As vantagens oferecidas pelas mudanças podem até ser mínimas, mas fazem toda a diferença em corridas onde o resultado é definido por milésimos de segundo. Mesmo alguns miligramas a menos ou a mais no veículo podem ser decisivos para o desempenho do carro e do piloto nas pistas.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/ScuderiaFerrari



Há, no entanto, outros fatores que movem o esporte além do desempenho das equipes e pilotos. E um destes fatores é justamente o fã.

O esporte, há anos, deixou de ser um mero entretenimento e se tornou um negócio extremamente lucrativo. Audiência, patrocinadores, venda de produtos licenciados, ... Tudo isto gera lucro à categoria. Mas para que os lucros venham, é necessário um consumidor. E o consumidor, no caso, é o fã.

A receptividade do fã, embora não pareça, faz toda a diferença para o esporte. Os patrocinadores, por exemplo, querem visibilidade para suas marcas. Se houver diminuição do interesse pela modalidade, isto significaria menos audiência e, consequentemente, menos visibilidade. E sem visibilidade, as empresas se desinteressam em anunciar nas escuderias, que, por sua vez, terão suas receitas comprometidas. Tal fator torna-se ainda mais decisivo em um cenário onde muito se falou em "crise na Fórmula 1".

Não sei até que ponto a receptividade ruim dos visual dos carros foi decisiva para que as montadoras adotassem modelos mais conservadores para 2015, mas faz todo o sentido visto que, até o momento, a maioria das escuderias abandonou os bicos mais extravagantes em favor dos designs mais conservadores.

O atual chefe de equipe da Ferrari fez menção à polêmica dos bicos da última temporada, alegando que a escuderia, no ano passado, possuía um carro "feio e não-vencedor". Tal frase, reforça a hipótese de que as críticas ao visual dos veículos tiveram influência nas mudanças para 2015.

Pelo jeito, o esporte não vive apenas de resultados.



Imagem extraída de https://www.facebook.com/ScuderiaFerrari



Leia mais:

Globo Esporte- Ferrari apresenta SF15-T de bico longo para a temporada 2015 da Fórmula 1: http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/01/ferrari-apresenta-sf15-t-novo-carro-para-temporada-2015-da-formula-1.html

Globo Esporte- Com chegada de Felipe Nasr, Sauber adota pintura "brasileira" para 2015: http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/01/com-chegada-de-felipe-nasr-sauber-adota-pintura-brasileira-para-2015.html



Globo Esporte- Com preto e prata, Force India deixa carro mais elegante para ano de 2015: http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/01/force-india-apresenta-novo-carro-para-temporada-2015-da-formula-1.html


Globo Esporte- Com novo FW37, Williams pretende dar sequência ao crescimento de 2014: http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/01/com-novo-fw37-williams-pretende-dar-sequencia-ao-crescimento-de-2014.html



FALANDO EM PATROCÍNIO...

Ainda falando do texto de Mauro Betting, publicado no jornal Lance da última quinta-feira, percebi que as emissoras referem-se à escuderia Infiniti Red Bull Racing como "Red Bull" mesmo. No futebol, a maioria dos veículos de imprensa recusa-se a chamar o Red Bull Brasil pelo nome correto para evitar qualquer alusão à marca austríaca de bebidas, mas na Fórmula 1 pode. Alguém aí pode me explicar a razão disto?



PARABÉNS AO NOSSO FUTEBOL AMERICANO!

O Brasil conquistou um feito inédito no esporte. Pela primeira vez, nossa Seleção irá disputar o mundial da categoria após derrotar o Panamá por 24x14. O mundial será disputado em julho nos Estados Unidos. Tal feito também ajudará na divulgação da modalidade. Quem sabe alguma emissora não se interesse em exibir o mundial sabendo-se que teremos um representante na competição. Com isso, o nosso futebol americano ganha visibilidade e também adeptos, o que ajudará no seu crescimento. Parabéns aos nossos atletas e boa sorte no mundial!



O SPIDER VOLTOU!

Anderson Silva tratou de dar nos ringues a resposta aos torcedores modinhas que só o apoiavam enquanto sua fase era boa. Muitos deixaram de torcer para o lutador brasileiro após aquelas derrotas para Chris Weidman. Pior: houve quem insultasse o atleta pela derrota, como se ele tivesse a obrigação, e não o objetivo, de vencer. No dia em que aprendemos a torcer de verdade, nós compreenderemos a verdadeira essência do esporte.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Nunca Será o Bastante

Imagem extraída de https://www.facebook.com/J.BianchiF1/



Não assisti ao Grande Prêmio do Japão no último final de semana. Eu estava em viagem e o horário era muito ingrato para mim. Para ser honesto, deixei de acompanhar a categoria há algum tempo.

Eu nem sabia quem era Jules Bianchi e nem o que estava acontecendo na categoria. Soube do acidente apenas ontem pela manhã, depois que cheguei em casa.

O acidente sofrido pelo francês foi devido a uma soma de fatores, incluindo o clima (havia uma forte tempestade em Suzuka, local da prova) e, talvez, falhas humanas (segundo o ex-piloto Alain Prost, a direção da prova deveria ter enviado o Safety Car à pista enquanto o guindaste estivesse removendo o carro de Adrian Sutil).

Há exatos vinte anos, a segurança nas corridas tornou-se ainda mais rigorosa após as mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, ambos falecidos em Imola, Itália. O austríaco morreu após sofrer um acidente nos treinos classificatórios enquanto Senna faleceu no dia seguinte, durante o GP de San Marino de 1994. Foram adotadas uma série de medidas de segurança, incluindo redução na potência dos motores, aumento do peso dos carros, limitação da velocidade nos boxes, uso de caixas de brita nas áreas de escape nas curvas mais perigosas, entre outras providências.

Não houve mais mortes de pilotos na F-1 desde a adoção das mudanças. Tais medidas diminuíram drasticamente a probabilidade de haver um acidente, mas não evitaram completamente uma ocorrência mais grave. Apenas para citar dois exemplos, Michael Schumacher fraturou uma perna em 1999 após uma forte batida causada por uma falha nos freios. Dez anos depois, Felipe Massa sofreu um traumatismo craniano durante um treino após ser atingido por na cabeça uma peça que se desprendeu do carro do compatriota Rubens Barrichello. Como se vê, por mais rigorosas que sejam as medidas de segurança adotadas, elas não podem ser consideradas infalíveis em hipótese alguma.

Tais fatos não inocentariam os organizadores da prova, supondo-se de que os ex-pilotos tenham razão em suas críticas. A adoção de medidas ainda mais rígidas na segurança das pistas diminuiriam drasticamente a ocorrência de acidentes, mas jamais os evitariam completamente. Mesmo os mais rígidos esquemas de segurança possuem falhas que, infelizmente, são percebidas apenas quando o pior já acontece.

Tenha sido por erro humano ou fatalidade, houve o acidente envolvendo o jovem piloto francês que hoje luta por sua própria vida.



Leia mais:

Globo Esporte- Imagens fortes: vídeo mostra batida de Bianchi no Japão, a mais de 150km/h: http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2014/10/imagens-fortes-video-mostra-batida-de-bianchi-no-japao-mais-de-200kmh.html

terça-feira, 8 de abril de 2014

Darwinismo Automobilístico

Imagem extraída do Facebook oficial de Lewis Hamilton-
https://www.facebook.com/LewisHamilton

A presença dos "supercampeões" na Fórmula 1 é um verdadeiro paradoxo para a modalidade. Você tem, por um lado, a consagração de grandes lendas do automobilismo, capazes de ganhar vários campeonatos consecutivos e gerando uma verdadeira supremacia na competição. Foi assim com os alemães Michael Schumacher e Sebastian Vettel, que deixaram seus nomes na história do automobilismo e são reverenciados pelos seus feitos magníficos.

Os "supercampeões", por outro lado, diminuem o interesse de torcedores e patrocinadores pela categoria. Ora, por que eu deveria torcer ou patrocinar algum piloto ou equipe sabendo-se que o título da temporada já tem dono? Qual a graça de uma competição se o vencedor será sempre o mesmo?

Foi provavelmente pensando nesses aspectos que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) promove mudanças tão radicais na competição, como a proibição das trocas de pneus (como ocorreu em 2005), a adoção do KERS (Kinetic energy recovery system- em 2009) e agora a adoção de motores V6 (menos potentes). Sempre pesam os aspectos de segurança aos pilotos e também o equilíbrio na competição.

As mudanças nas regras tiram os "supercampeões" de sua zona de conforto e oferecem competições menos previsíveis, renovando o interesse dos patrocinadores e dos espectadores.

Eu, no entanto, vejo as alterações impostas pela FIA da seguinte forma: vence aquele que se adequar mais às regras, e não necessariamente o melhor piloto ou carro. Isto ficou evidente na temporada 2005 -quando os pneus Michelin fizeram uma grande diferença na equipe Renaut- e na temporada de 2009 -quando Ross Brawn deixou seus carros mais leves ao não adotar o KERS, além de implantar o polêmico difusor traseiro em suas máquinas. Não tiro os méritos de Fernando Alonso (campeão em 2005) e de Jenson Button (campeão em 2009), mas é inegável que as novas regras selecionaram o carro que melhor se adequou às mudanças. É quase um "Darwinismo automobilístico", em que a equipe melhor adaptada triunfa, enquanto as demais se vêem literalmente ultrapassados pelos novos campeões.

A temporada de 2014 adotou novas e radicais mudanças após os quatro anos de hegemonia de Sebastian Vettel e sua Red Bull. E os resultados já aparecem com as Mercedes de Brawn sobrando na temporada enquanto o piloto alemão vem encontrando dificuldades para se adequar à nova realidade. O ambiente outrora confortável para Vettel, agora é hostil, incerto e inseguro. De predador na cadeia alimentar, o tetracampeão tornou-se presa neste ano.

Eu não duvido nem um pouco do potencial do piloto Lewis Hamilton (foto), do qual sou fã declarado desde seu surgimento na McLaren em 2007. Arrojado e agressivo, Lewis tem a ousadia que muitos esportistas não possuem pelo medo de colocarem tudo a perder. Mas não tenho dúvidas de que as mudanças no regulamento e a genialidade de Ross Brawn para se adaptar às novas regras têm sido o grande diferencial para a boa temporada da Mercedes.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Renascimento Mútuo

Imagem extraída de http://www.facebook.com/FelipeMassa.Org

Quem estava preocupado com uma possível ausência de brasileiros na Fórmula 1 em 2014, pode ficar tranquilo: Felipe Massa anunciou na semana passada que irá correr pela Williams, equipe tradicional da categoria mas que não vem fazendo boas campanhas nos últimos anos.

A escuderia inglesa já viveu seus tempos áureos nos anos 80 e 90, com sete títulos de pilotos (1980, 1982, 1987, 1992, 1993, 1996, 1997) e nove de construtores (1980, 1981, 1986, 1987, 1992, 1993, 1994, 1996, 1997). Grandes pilotos já dirigiram os carros da equipe, incluindo o lendário Alain Prost e o nosso tricampeão Nelson Piquet.

A escolha da equipe por Felipe Massa se deve a uma proposta da escuderia de renovação. Espera-se de que tanto a equipe quanto o piloto, que não vivem bons momentos, possam se reerguer juntos e voltar a serem destaques na F-1. Massa será o sétimo brasileiro a pilotar pela Williams -os outros foram José Carlos Pace, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Antônio Pizzonia, Rubens Barrichello e Bruno Senna.

Os dirigentes da escuderia acreditam que a experiência de Massa e as mudanças de regulamentos -como a substituição dos motores V8 por V6- serão benéficas à equipe e possibilitarão que tanto a Williams quanto o piloto brasileiro possam voltar a brigar por títulos.

Nós brasileiros também esperamos que, com isso, imagens como as da ilustração abaixo voltem a ser frequentes nas nossas manhãs de domingo...


Imagem extraída de http://www.facebook.com/FelipeMassa.Org

Boa sorte, Felipe Massa e Williams! Que 2014 seja um ano muito próspero a vocês!


Leia Mais:


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Feliz Aniversário, Vettel!

Imagem extraída de http://www.facebook.com/Official.SebastianVettel

Completa hoje 25 primaveras, o piloto de Fórmula 1, Sebastian Vettel.

Correndo pela Red Bull Racing desde 2009, o alemão surpreendeu o mundo quando, pilotando por uma equipe com pouca tradição da F1, conseguiu ser campeão três vezes seguidas, deixando para trás pilotos como Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Jenson Button, bem como escuderias de renome, como Ferrari, McLaren e Williams.

Vettel já tinha minha admiração quando faturou seu primeiro título como o mais jovem piloto da categoria a ser campeão. E guiando um carro que, teoricamente, não poderia competir com a potência de uma Ferrari ou de uma McLaren.

O fato, porém, que me fez respeitá-lo definitivamente aconteceu neste ano, quando, durante o GP da Malásia, Vettel desobedeceu uma ordem da equipe para diminuir o ritmo e ultrapassou o companheiro Mark Webber. O alemão foi muito criticado pelo gesto, mas este blogueiro que vos escreve parabenizou o piloto pela atitude de buscar a vitória -objetivo que cada esportista tem a obrigação profissional de conseguir- e de ignorar a ordem de seus chefes. Por que as escuderias querem tanto interferir no espetáculo que é a F1? Será que alguém apreciou quando Rubens Barrichello foi obrigado a ceder a primeira posição a Michael Schumacher? Ou quando Felipe Massa foi obrigado a ceder passagem a Fernando Alonso?

Parabéns, Sebastian! A F1 e o desporto precisam de mais pessoas como você! Pessoas com atitude e que façam jus ao "espírito esportivo"! A cada dia, tenho mais orgulho de torcer por você!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Estou com Vettel

Peço a sua licença mais uma vez, fã do futebol, para nos desvirarmos um pouco do assunto.

Passada uma semana após o incidente envolvendo os pilotos da escuderia Red Bull, a polêmica gerada pelo desentendimento entre Sebastian Vettel e Mark Webber continua repercutindo na mídia. E fico ainda mais pasmado em saber que a maior parte das pessoas do mundo automobilístico (pilotos, chefes de escuderias e jornalistas especializados) ficou do lado do australiano e da escuderia. A maioria destes entrevistados considerou o piloto alemão "insubordinado" e "egoísta", "pensando mais em si mesmo do que na equipe".

Eu também escolhi um lado: o lado de Sebastian Vettel. Já expliquei em outro post que esses "jogos de equipe" estão arruinando a competitividade e a esportividade da Fórmula 1. As montadoras sempre favorecem algum piloto ou então interferem no desenrolar das competições, esquecendo-se de que o objetivo profissional e pessoal de cada piloto é ganhar a prova.

A meu ver, Vettel teve a atitude mais do que correta em não aceitar a intromissão de sua escuderia em sua luta pelo título. O que muitos "especialistas" consideraram "insubordinação", "imaturidade" e "desrespeito a quem paga o salário do piloto", eu considerei"espírito esportivo".

Podem ter certeza que, caso Vettel seja demitido pela Red Bull, aparecerão dezenas de escuderias interessadas em seu talento que, aliás, fará muita falta à sua equipe atual, que possui um carro modesto se comparado à McLaren e à Ferrari.

Vettel venceu suas provas pelo talento. Não contou com um motor potente, nem com uma escuderia de renome e muito menos com engenheiros ou pneus que compensassem a falta de recursos -como foi caso de Jenson Button em 2009 e Alonso em 2005.

Cara Red Bull, se vocês quiserem punir ou até mesmo demitir Vettel, estejam à vontade. Mas o alemão fará muito mais falta para vocês do que vocês para ele.