segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Tem Vaga pro Carrasco?

Imagem extraída de www.facebook.com/ChampionsLeague



Zinedine Zidane é um nome que traz muitas lembranças tristes ao torcedor brasileiro, afinal o meia francês foi responsável pela eliminação do Brasil nas Copas de 1998 e de 2006. Periódicos da França, contudo, ventilaram o nome de Zizou para a vaga de Tite recentemente. O ex-jogador teria recusado inicialmente porque sonha em treinar os Bleus mas encontrou portas fechadas em seu país visto que o contrato de Didier Deschamps foi estendido até 2026.

O presidente da Federação Francesa de Futebol (Fédération Française de Football), Noël Le Graët, até declarou que "não se importaria se Zidane assumisse a Seleção Brasileira" e que "não atenderia uma ligação do técnico para contratá-lo", palavras que causaram revolta ao atacante Kylian Mbappé.

Zidane, sem dúvida, encontraria muita resistência aqui no Brasil devido às Copas de 98 e 2006 mas teríamos à disposição um treinador com um currículo vitorioso (ele venceu cinco Champions Leagues, sendo duas como jogador e três como técnico), querido pelo elenco (à exceção de Gareth Bale, Zizou sempre foi muito bem quisto pelos atletas no Real Madrid) e moderno.

O francês começou utilizando o 4-3-3 mas mudaria para o 4-4-2 em 2016-17. Seu esquema tático utilizava quatro volantes (Kroos, Casemiro, Modrić e Isco) que podiam ser dispostos em linha ou em losango, semelhante ao de Massimiliano Allegri em sua primeira passagem pela Juventus. Com a saída de Ronaldo, Zizou voltaria a adotar a formação de três atacantes.



Zidane utilizou esta formação em seu apogeu no Real Madrid,
um 4-4-2 com quatro volantes que podiam ser dispostos em
linha ou em losango (imagem obtida via www.footballuser.com).



Zidane, além da rejeição por parte de torcedores, teria problemas com o idioma (ele atuou na França, Itália e Espanha) embora muitos dos jogadores jogam ou já jogaram nesses países e alguns deles (Danilo, Casemiro, Vini Jr., Rodrygo e Militão) já trabalharam com Zizou no Real Madrid, o que poderia ajudar o técnico em sua adaptação ao Brasil.

Zizou não teve o nome "vazado" pela CBF como aconteceu com Ancelotti, Mourinho, Jorge Jesus ou Abel Ferreira. Mas seria um treinador acessível (está sem time no momento) e poderia assinar motivado pelas declarações polêmicas de Le Graët.

A CBF ainda segue na busca pelo substituto de Tite. Os dirigentes ainda não chegaram a um consenso mas gostariam de anunciar um nome até março quando a Seleção Brasileira terá seu primeiro compromisso. E a pressa de nossos cartolas poderia ser mais um ponto a favor de Zidane.



Zidane nos deixou lembranças amargas como essa em 2006, mas também poderia nos "compensar"
e conquistar títulos pelo Brasil (imagem extraída de www.facebook.com/fifaworldcup)!




domingo, 8 de janeiro de 2023

Série Lugares Especiais: Churrascaria Franboi

A fachada da churrascaria não é mais essa mas não tive acesso a fotos mais
recentes (imagem extraída de www.facebook.com/churrascariafranboi).



A Churrascaria Franboi é um restaurante localizado no bairro do Rio Pequeno (Zona Oeste de São Paulo) e bastante frequentado pelos amigos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas por ser próximo ao Portão 3 do campus. Eu mesmo já fui ao estabelecimento em três ocasiões, sendo que uma delas eu já reportei aqui no blog.

Trata-se de um restaurante bastante simples com uma área externa coberta e não muito grande em termos de área útil. O estabelecimento serve refeições, sanduíches e petiscos, além de caipirinhas. Os times da minha faculdade costumam ir ao local para happy hours e também para comemorar as vitórias de seus jogos.

Eu estive lá duas vezes em 2010. A primeira foi justamente para comemorar a minha vitória no Cartola FC quando ganhei uma aposta com meus colegas de classe. Confesso que até hoje não entendo como eu consegui isso visto que eu entendia menos de futebol que meus amigos e sou totalmente leigo em mercado financeiro. Mas eu era bom com jogos eletrônicos e acredito que esse conhecimento foi determinante para o meu sucesso no fantasy game.

Voltaria lá alguns meses depois para encontrar um amigo que havia regressado do Canadá. Eu cheguei bastante atrasado visto que eu estava fazendo um experimento demorado no laboratório onde trabalhava e ainda tive que ir até lá à pé. Na ocasião, estava um outro conhecido que, por muito pouco, não ganhou uma televisão em um bolão na Copa 2010 -ele acertou que o Japão venceria o Camarões com gol de Keisuke Honda mas acabou perdendo no critério de desempate. 



A Atlética da Farmácia já teve uma parceria com o Franboi
(imagem extraída de www.facebook.com/sociofarmaciausp).



Eu iria ao Franboi uma terceira vez em 2012. Estávamos comemorando o noivado de um amigo e tomamos a caipirinha do estabelecimento que teve alguns efeitos, digamos, indesejados. No mesmo dia, rumamos para a USP onde estava havendo uma festa no CEPEUSP mas não ficamos muito tempo por lá.

Soube, posteriormente, que o Franboi até acertou uma parceria com a Atlética da minha faculdade, com direito a vantagens para quem aderisse a um plano de sócio-torcedor com a instituição. Não faço ideia, contudo, se ainda há tal vínculo com o restaurante visto que a pandemia prejudicou muitos negócios.

Não fui mais ao Franboi depois de 2012 mas passei na frente do restaurante em 2021 e, aparentemente, o estabelecimento resistiu à pandemia. O estabelecimento estava com uma fachada nova (em vermelho) mas eu estava de carona e não pude descer para verificar como estava o lugar.

Eu não tive uma ligação tão forte com o Franboi quanto os colegas da Farmácia mas passei momentos muito divertidos no restaurante. As três vezes que eu estive lá foram de muitas risadas com os amigos da faculdade, principalmente a última que teve um desfecho bizarro!



Imagem extraída de www.facebook.com/churrascariafranboi




sábado, 7 de janeiro de 2023

Resgate

Imagem extraída de www.facebook.com/AFASeleccionArgentina



O futebol argentino sempre foi exaltado pela garra e pela determinação de seus jogadores. Os nossos clube buscam por atletas nascidos no país vizinho justamente para que possam injetar um pouco de raça em nossas equipes. Não a toa jogadores como Tévez, D'Alessandro, Kannemann, Calleri e outros rapidamente se tornaram ídolos por aqui.

Quem acompanhou a Albiceleste durante os ciclos para as Copas 2014 e 2018, contudo, percebeu que a Seleção Argentina estava bem diferente daquelas equipes "guerreiras" de outras décadas. Talvez por influência de Messi (que foi formado e moldado pelo Barcelona de Guardiola), a raça e a intensidade foram substituídas pela elegância e pelo toque de bola.

Os jogadores mais "guerreiros" como Tévez e D'Alessandro também foram perdendo espaço com as transformações da Argentina e substituídos pelos colegas mais técnicos. O único atleta que mantinha um pouco daquela atitude de outrora era Javier Mascherano que eu criticava mas hoje reconheço toda a sua importância na equipe.

A Argentina, com isso, tornou-se uma equipe agradável de se assistir pelo futebol praticado mas também monótona pela apatia em campo. A obsessão em tentar emular o Barcelona de Guardiola para encaixar Lionel Messi havia sacrificado toda a atitude da equipe.



Imagem extraída de www.facebook.com/AFASeleccionArgentina



Lionel Scaloni assumiu durante o ciclo para a Copa 2022 por falta de opções. A AFA havia procurado treinadores de renome para a vaga de Jorge Sampaoli, incluindo Guardiola, mas o ex-lateral, que seria apenas interino, acabou ficando. 

O treinador, que viveu a transição da geração de Simeone para a de Messi, resgatou o estilo "guerreiro" que havia consagrado a Albiceleste antes do surgimento da Pulga. Não por acaso, o futebol de Scaloni lembra muito o do técnico do Atlético de Madrid ou de Mauricio Pochettino visto que todos surgiram mais ou menos na mesma época.

O próprio Messi estava diferente para o Mundial 2022. Antes cabisbaixo a cada derrota ou gol sofrido, a Pulga deu uma demonstração de raça e determinação em campo. Estava mais do que disposto a conquistar o troféu em seu sprint final.

O futebol continuou agradável de se ver com toque de bola, dribles e lances individuais. A equipe, porém, tonou-se mais faltosa. A adoção de um meio-de-campo mais marcador do que criador (Fernández, De Paul e Mac Allister) sacrificou a elegância em prol da raça mas os resultados foram alcançados.

Os times, portanto, precisam se atentar às constantes mudanças do futebol visto que a está cada vez mais fácil de se obter informações e os treinadores, com isso, têm mais facilidade para inovar ou elaborar contramedidas para enfrentar seus adversários. Mas, ao mesmo tempo, isso faz com que muitos valores sejam perdidos e Scaloni soube dar um passo atrás para dar dois adiante ao resgatar o espírito guerreiro que a Argentina havia esquecido ao longo dos anos.



Imagem extraída de www.facebook.com/AFASeleccionArgentina




sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

O Limite de Klopp

Imagem extraída de www.facebook.com/LiverpoolFC



Até hoje lembro quando o Liverpool anunciou o técnico Jürgen Klopp. Os Reds, após mais um começo de temporada ruim em 2015, demitiram o antecessor Brendan Rodgers e convidaram o alemão, que pegou o bonde andando. Kloppo havia acabado de deixar o Borussia Dortmund e anunciou que tiraria um ano para descansar, mas não resistiu à oferta do clube inglês.

Klopp demorou quatro anos para conquistar seu primeiro título com o Liverpool e tirar os Reds da fila. E foi em grande estilo, faturando a Champions League em 2019 e apresentando um futebol que permanece influente até os dias de hoje. Conceitos como a marcação alta, a recomposição e o "perde-pressiona" foram difundidos pelo treinador alemão.

Os dirigentes do Liverpool foram bastante pacientes com Klopp. O treinador passou várias temporadas em branco antes de conquistar seu primeiro troféu. Bateu na trave em 2016 quando perdeu a Europa League para o Sevilla de Unai Emery e em 2018 quando viu o Real Madrid de Zidane ficar com a Champions League. Ainda assim, os Reds acreditaram no trabalho do alemão e permitiram que continuasse o seu trabalho, bem diferente de nós brasileiros que trocamos de técnico a cada três meses. E os chefes de Kloppo continuam acreditando visto ainda que não há planos para demití-lo.

O alemão está prestes a completar oito anos no cargo. Não é o treinador mais longevo da história -Sir Alex Ferguson no Manchester e Arsène Wenger no Arsenal permaneceram por mais de vinte anos em seus respectivos clubes- mas Klopp também já está há bastante tempo no banco dos Reds. O desempenho recente do Liverpool, contudo, me levou a questionar se já não está na hora de Kloppo e os Reds seguirem por caminhos separados.



Imagem extraída de www.facebook.com/LiverpoolFC



Alguns jornalistas passaram a levantar a questão se Klopp já não estaria em fim de ciclo visto que o Liverpool já não apresenta a mesma contundência de três anos atrás e o desempenho neste início de temporada foi modesto -é apenas o 6º colocado na Premier League e o time sofreu para ir às oitavas da Champions League apesar do grupo considerado "acessível".

O Liverpool vem renovando o seu elenco paulatinamente. Já deixaram o clube Mané, Lovren, Sturridge e Wijnaldum. Chegaram Thiago Alcântara, Diogo Jota, Díaz, Konaté, Núñez e Gakpo. O time ainda se mantém competitivo -venceu a FA Cup e a EFL Cup, além de ter sido vice na Champions League e na Premier League em 2022.

Klopp ainda tem mais uma temporada e meia para reagir -seu contrato vai até o final de 2023-24. O treinador, por tudo o que conquistou, merece uma chance para ajustar o elenco e provar que não está ultrapassado visto que o time ainda demonstra potencial em campo. Mas eu desaconselharia uma nova extensão de seu vínculo visto que a fantástica geração de 2018-19 está indo embora aos poucos e Kloppo deveria acompanhá-los em algum momento, a menos que o técnico realize uma performance muito excepcional.

O futebol é feito de ciclos, como disse meu amigo Dudu. Klopp já teve a sua lenta ascensão entre 2015 a 2019, viveu o seu auge e parece estar se aproximando de sua queda. Eu sempre defendo que treinadores tenham oportunidades para repararem seus erros e realizar ajustes na equipe, mas Kloppo já fez tudo isso, conquistou seus troféus e já parece ter cumprido a sua missão no Liverpool.



Imagem extraída de www.facebook.com/LiverpoolFC




quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Torneiras Fechadas

Apesar dos pedidos de Abel Ferreira, Leila freou as contratações e dará prioridade
ao uso da base em 2023 (imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras).



Eu estava pensando em escrever uma crítica às atitudes da presidenta do Palmeiras, Leila Pereira, por não ter contratado nenhum jogador até o presente momento mas precisamos elogiar, e muito, as ações da mandatária durante esta janela de transferências.

O Palmeiras dará prioridade aos garotos formados no próprio clube e realizará apenas contratações pontuais. Já era tempo afinal desde 2015 o Verdão vem revelando muitos garotos talentosos mas que estavam sem espaço em detrimento aos vários medalhões adquiridos pelas gestões anteriores.

A Crefisa, desde que firmou a parceria com o Palmeiras em 2015, trouxe diversos jogadores de renome. Houve até exageros nas contratações visto que o time chegou a contar com mais de quarenta nomes no elenco e o time estava inchando ao invés de crescer. Tanto que o Verdão não conquistou muitos títulos no período desde o início dos investimentos até 2020/21, quando, enfim, veio o esperado bicampeonato da Libertadores.

A dirigente, contudo, diminuiu drasticamente o número de contratações desde que Leila chegou à presidência, tendo como prioridade a manutenção do elenco antes de buscar por reforços. Neste ano, a mandatária promoveu sete atletas formados na Academia de Futebol motivada pelo sucesso de Endrick (já negociado com o Real Madrid) e pelo lucro obtido através de outros jogadores revelados pelo Palmeiras -Gabriel Veron, Patrick de Paula e Wesley entre eles.

Eu sempre defendo que os clubes priorizem o uso da base antes de buscar por contratações e gostei muito da atitude de Leila. Promover os garotos revelados pelo próprio clube é mais barato e mais lucrativo, embora o Palmeiras não esteja exatamente passando por necessidades financeiras. Ademais, um amigo meu sempre afirmava que é um desperdício contratar jogadores para compor elenco quando há bons jovens à disposição.



Imagens como esta devem ser menos frequentes em 2023 no
Palmeiras (imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras).



Leila também merece elogios no caso Dudu. O atacante queria antecipar a renovação de seu contrato e obter um aumento significativo mas a mandatária foi firme e dobrou o atleta, fazendo-o aceitar os termos propostos pelo clube. Decisão acertada visto que o camisa 10 já está com 30 anos, tende a cair de rendimento durante as próximas temporadas e ele não se mostrou tão indispensável quanto ele acreditava -os títulos de 2020 foram conquistados sem o jogador.

Minha única crítica à mandatária é que o Palmeiras deveria promover uma renovação maior em seu elenco. A manutenção da base facilita o trabalho do treinador que terá em mãos um time montado, mas também torna a equipe previsível para os adversários. As eliminações para o Athletico-PR na Libertadores e para o São Paulo na Copa do Brasil (ambos rivais com muito menos poder aquisitivo que o Verdão) foram indícios de que o Palmeiras está ficando "manjado" em campo.

Talvez Leila também pudesse considerar alguns reforços para Abel visto que a temporada 2023 promete ser ainda mais acirrada com os rivais milionários Flamengo e Atlético Mineiro se fortalecendo, e também com a promoção dos "novos ricos" Cruzeiro e Bahia.

É possível que Leila tenha errado ao optar pela "administração" em detrimento a novos reforços mas a mandatária ofereceu um justo e merecido espaço aos meninos que há anos vêm reivindicando por vagas na equipe principal, e que as gestões anteriores negavam em favor de medalhões.



O sucesso de Endrick motivou Leila a promover mais garotos
da base (imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras).




quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Segunda Chance

Imagem extraída de www.facebook.com/corinthians



A Associação Albanesa de Futebol (Federata Shqiptare e Futbollit -FSHF) anunciou o brasileiro Sylvinho como treinador de sua seleção até julho de 2024. O ex-lateral terá como auxiliares os também ex-jogadores Doriva e Pablo Zabaleta. O trio terá a missão de levar os Kuq e Zinjtë de volta à Eurocopa e repetir a façanha de Gianni De Biasi em 2016. Será a segunda aventura do ex-corinthiano no banco de reservas na Europa -ele teve uma passagem fraca pelo Lyon da França em 2019.

A Albânia apresentou um desempenho razoável durante o último ciclo conseguindo subir (e permanecer) na divisão B da Nations League e, por muito pouco, não foi à repescagem para a Copa do Mundo 2022 -ficou a apenas dois pontos da Polônia no Grupo I das Eliminatórias Europeias. Há, portanto, algum potencial na equipe dos Balcãs.

Sylvinho terá um bom material humano para trabalhar, sendo a maioria jogadores que se destacam ou se destacaram no futebol italiano: os goleiros Etrit Berisha e Thomas Strakosha; o lateral Elseid Hysaj; os zagueiros Marash Kumbulla e Berat Djimsiti; e o volante Kristjan Asllani. O treinador ainda pode receber reforços oriundos de outros países, incluindo outras nações da Península Balcânica (há muitos atletas de etnia albanesa nascidos no Kosovo e na Macedônia do Norte) e a Suíça (muitos albaneses-kosovares buscaram refúgio por lá durante a guerra em 1999).  

A missão para o ex-lateral também não parece impossível. A Albânia está no Grupo E das Eliminatórias da Euro 2024, composto por Polônia, República Checa, Ilhas Faroe e Moldávia. É possível até sonhar com a vaga direta (com o aumento de participantes a partir de 2016, um 2º lugar já é suficiente para a classificação), embora a repescagem seja algo mais plausível (é necessário realizar uma boa campanha como 3º colocado). Sylvinho, portanto, não precisaria realizar um grande feito pelos Kuq e Zinjtë para entrar para a história do futebol e se recolocar no mercado.



Imagem extraída de www.facebook.com/corinthians



Uma pena que algumas das referências do histórico time de 2016 já não estejam mais à disposição. O zagueiro e capitão Lorik Cana se aposentou naquele ano, enquanto o volante Taulant Xhaka deixou a Seleção Albanesa após desentendimentos com Gianni De Biasi.

Eu sempre busco avaliar pontos negativos nas decisões do futebol. Observei, contudo, poucos possíveis prejuízos a Sylvinho ou à Seleção Albanesa na contratação do brasileiro, visto que os Kuq e Zinjtë são azarões e o treinador pouco teria a perder visto que sua primeira experiência na Europa já foi ruim. O ex-lateral só sairia prejudicado em caso de resultados muito ruins ou se tiver desentendimentos com o grupo.

Sylvinho, por outro lado, terá de fazer uma campanha excepcional pela Albânia se quiser uma recolocação efetiva no mercado. Além de repetir o feito de De Biasi, o ex-lateral teria de superar o italiano levando os Kuq e Zinjtë pelo menos até às oitavas-de-final. Se tiver êxito, pode subir degraus em sua carreira e, quem sabe, voltar aos clubes do continente.

Um eventual sucesso do ex-lateral também significaria a possibilidade da Europa reabrir as portas aos treinadores brasileiros. O próprio Sylvinho havia sido o último técnico nascido no Brasil a receber uma oportunidade em um grande clube europeu mas sua passagem pelo Lyon foi fraquíssima e o ex-lateral foi demitido antes de completar seis meses no cargo.

Resta saber se Sylvinho terá êxito em sua missão. O caminho não parece muito complicado mas o futebol possui o fator humano envolvido e nem sempre os resultados são os esperados. Basta lembrar-nos da última Copa do Mundo quando o Marrocos surpreendeu e deixou para trás Bélgica, Espanha e Portugal. Ou quando a Alemanha, com um ótimo time no papel, caiu novamente já na fase de grupos.



Imagem extraída de www.facebook.com/corinthians




terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Legião Estrangeira

O São Paulo deseja oferecer uma cidadania brasileira a Arboleda para abrir mais vagas
destinadas a jogadores estrangeiros (imagem obtida de www.facebook.com/saopaulofc).



A quantidade de atletas estrangeiros atuando aqui no Brasil aumentou significativamente durante os últimos vinte anos. Hoje praticamente todos os clubes brasileiros possuem pelo menos um jogador nascido fora do país em seus elencos.

Os estrangeiros vêm ao Brasil devido à situação financeira de nossos clubes que, de modo geral, é melhor que a das instituições de países vizinhos e, portanto, nossos times têm condições de pagar salários mais elevados. Os torcedores também gostam dos gringos visto que eles possuem outra mentalidade (costumam ser mais aplicados em campo), algo que os fãs sempre exaltam.

A vinda de estrangeiros, contudo, não traz apenas vantagens aos times. Nossos clubes podem escalar no máximo até cinco jogadores nascidos fora do país, número que já foi menor visto que até meados de 2013 apenas três desses atletas poderiam estar à disposição do treinador.

A medida protecionista existe para evitar que algum jogador estrangeiro tire o emprego de um brasileiro. Tal regra também existe na Europa mas o atleta pode se valer de algum ancestral oriundo do Velho Continente para obter um passaporte europeu e, dessa forma, não ocupar uma vaga destinada a um forasteiro.



O zagueiro Kuscevic está sem espaço no Palmeiras devido aos muitos
estrangeiros no elenco (imagem extraída de www.facebook.com/Palmeiras).



O São Paulo pretende obter uma cidadania brasileira para o zagueiro Arboleda e, desta forma, utilizar mais atletas estrangeiros em 2023. Em 2022 o Tricolor possuía sete jogadores nascidos fora do país (Calleri, Arboleda, Bustos, Galoppo, Ferraresi, Neves e Colorado) e o treinador era obrigado a barrar dois deles para não exceder a cota. E mais gringos podem desembarcar no Morumbi, o zagueiro argentino Alan Franco e o volante equatoriano Jhegson Méndez.

O Palmeiras passou por situação semelhante visto que possuía seis estrangeiros (Gómez, Flaco López, Merentiel, Kuscevic, Piquerez e Atuesta) em 2022 e o defensor chileno quase sempre era o preterido. O Verdão deve emprestar ou negociar dois deles para resolver a situação.

Um outro problema ocorre durante as chamadas "datas FIFA" quando os estrangeiros são convocados para defender suas respectivas seleções. As federações de outros países costumam ser menos flexíveis que a CBF e raramente os clubes conseguem dispensas para seus atletas, o que significa desfalque e prejuízo técnico. Um dos maiores prejudicados foi o Flamengo que perdeu De Arrascaeta em vários momentos e ainda recebeu de volta o meia lesionado.

Reforços são sempre bem-vindos independente do berço. A vinda de estrangeiros, contudo, não é motivo apenas de alegria para os times. Como observado, há um ônus na contratação de gringos e os clubes precisam estar preparados para lidar com isso. São Paulo, Palmeiras e Flamengo tiveram de realizar muitas manobras para utilizar seus jogadores nascidos fora do Brasil.



Cada "data FIFA" significava um sofrimento a mais para o flamenguista
que perdia De Arrascaeta (foto acima), Vidal e Varela para as seleções
estrangeiras (imagem extraída de www.facebook.com/FlamengoOficial).