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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Uma Chance para Vahid?

Imagem extraída do Facebook oficial do Trabzonspor- https://www.facebook.com/Trabzonspor/



Uma das seleções que mais me desapontou na última copa foi a da Bósnia-Herzegovina. O time nem de longe era ruim, com atletas que estavam bem na Europa como Džeko (Manchester City), Pjanić (Roma), Ibišević (Stuttgart) e Lulić (Lazio). O grupo também era acessível, tendo apenas a Argentina como adversário realmente forte. Os outros dois rivais, a Nigéria e o Irã, não eram adversários intransponíveis para os Zmajevi e havia chances reais para que a Bósnia, ao menos, chegasse às oitavas.

O grande problema, a meu ver, foi que o treinador Safet Sušić mudou o esquema de 4-4-2 para 4-2-3-1, com o objetivo de aumentar a solidez defensiva. O atacante Vedad Ibišević acabou pagando o pato na história e a Bósnia perdeu poder de fogo, além de deixar o centroavante Edin Džeko isolado na frente. Tanto é verdade que todas as vezes em que Ibišević entrou no decorrer das partidas, a Bósnia só melhorou, inclusive na estreia contra a Argentina quando Vedo diminuiu para o time balcânico.

É claro que a Seleção Bósnia tem muita gratidão a Sušić, afinal ele conseguiu uma classificação inédita para uma Copa do Mundo. O fato foi motivo de festa e euforia na Bósnia-Herzegovina, um país arrasado por guerras e que encontrou no futebol um motivo para comemorar após anos de sofrimento.

A Bósnia ainda não engrenou neste ciclo. Os Zmajevi ocupam a vice-lanterna do Grupo B da Eliminatórias da Euro 2016 (que possui apenas a Bélgica como rival de respeito), e o time tropeçou duas vezes seguidas em casa, perdendo para o modesto Chipre e empatando com a Bélgica.

Estou torcendo para que a Bósnia se recupere, mas não escondo meu desejo em ver Vahid Halilhodžić (foto -atualmente no Trabzonspor da Turquia) à frente dos Zmajevi. Motivos? Primeiro: ele é bósnio e seria uma grande honra se ele dirigisse a seleção de seu pais. Segundo: ele tem muita experiência, dirigindo várias equipes na França onde foi condecorado pelos anos de serviços prestados ao futebol local, além de passagens em clubes do Marrocos, Croácia e Turquia. E ainda classificou duas seleções africanas (Costa do Marfim em 2010 e Argélia em 2014) para a Copa do Mundo. Terceiro: sua Argélia jogou um bom futebol, aliando solidez defensiva e meio-campo ofensivo, embora tenha sido pragmático contra Rússia e Bélgica.

Contra Halilhodžić, pesam as polêmicas envolvendo o treinador e a imprensa da Argélia. O técnico bósnio é conhecido pela personalidade forte.

Mesmo torcendo para a Alemanha, lamentei quando a Argélia foi eliminada naquela partida válida pelas oitavas-de-final da última Copa. Mesmo o durão Halilhodžić não segurou as lágrimas naquele momento após ver a vaga inédita para as quartas-de-final tão perto. Ele, no entanto, sabe que seu trabalho não foi em vão, visto que o treinador bósnio saiu do estádio aplaudido pelo público presente e abraçado pelos seus comandados.

Espero que Sušić recupere a Bósnia e faça a sua seleção reagir na tabela, mas ainda gostaria, e muito, de ver Vahid Halilhodžić dirigindo a seleção de seu país algum dia.



Imagem extraída do Facebook oficial do Trabzonspor- https://www.facebook.com/Trabzonspor/



Leia mais:

ESPN- Sobrevivente de guerra, ídolo no Nantes e cavaleiro francês: conheça Vahid Halilhodzic, técnico da Argélia: http://espn.uol.com.br/noticia/421804_sobrevivente-de-guerra-idolo-no-nantes-e-cavaleiro-frances-conheca-vahid-halilhodzic-tecnico-da-argelia

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Paz

Imagem extraída do Facebook oficial Edin Džeko- https://www.facebook.com/edindzeko/


Ainda estou ensaiando para escrever um texto para homenagear meu ídolo Edin Džeko (à esquerda na foto). Ele e Aleksandar Kolarov (à direita na foto), seu amigo e colega de Manchester City, nasceram em países que já foram inimigos no passado. Hoje os dois jogadores unem forças para que nunca mais haja confrontos na antiga Iugoslávia.

Uma imagem, contudo, vale mais do que mil palavras. Bósnios e sérvios não apenas podem conviver pacificamente como também podem ser amigos. Edin e Aleks treinam juntos, jogam juntos, concedem entrevistas juntos e se divertem juntos.

Observando as atuais animosidades entre nações, quase sempre motivadas pelo nacionalismo exacerbado, fico pensando como a amizade entre Aleks e Edin é exemplar, não apenas para o futebol, mas também para todos os países. Eles nasceram em meio a confrontos também motivados pelo nacionalismo, deixaram as diferenças de lado e hoje lutam para que a tragédia que marcou o passado de ambos nunca mais aconteça.

"... Tento mostrar a crianças que a origem do nome não é importante, assim como se somos muçulmanos ou católicos. Quero mostrar que o mais importante é ser um bom homem, uma boa mulher. Vejam Aleksandr. O que é importante para mim é que alguém seja uma boa pessoa, e ele é um bom homem. Não é importante se ele vem da Sérvia, apesar do que aconteceu entre os países. Não importa se ele é da Croácia, de Gana, da Bósnia ou da Inglaterra" (Edin Džeko).


Imagem extraída do Facebook oficial Edin Džeko- https://www.facebook.com/edindzeko/


Leia mais:

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A Bósnia É uma Mãe

Imagem extraída de https://www.facebook.com/AFASeleccionArgentina

Não dá para negar que a Nigéria se empenhou, afinal as Super Águias precisavam apenas de um empate para não terem de depender do Irã. Mas a Argentina tem ele, Lionel Messi, um dos melhores jogadores do mundo. Mais maduro e mais decisivo do que em 2006 e 2010, Leo, que completou 27 anos ontem, fez um gol relâmpago logo aos três minutos. A Albiceleste sofreu o empate logo em seguida com uma jogada rápida completada por Musa, aos 4 minutos do primeiro tempo.

O aniversariante, de fato, foi o protagonista da partida, fez as principais jogadas, criou os lances de maior perigo e deixou mais um gol. E sua ausência foi muito sentida quando a Pulga foi substituída por Ricky Álvarez.

A Nigéria, por outro lado, soube tirar proveito das falhas defensivas dos argentinos. A defesa albiceleste, pelo jeito, ainda não se firmou após as saídas de Zanetti, Burdisso, Samuel e Cambiasso. Fui um dos que mais exaltou a renovação defensiva da Argentina e não mudo de opinião: todos os citados já tinham 30 anos ou mais em 2010 e era necessário sangue novo.


A interpretação é livre: 4-4-2, 4-2-3-1 ou 4-3-3. Dependendo de
como você posiciona Messi, Di María e Lavezzi (que entrou no
lugar do lesionado Agüero), você obtêm diferentes visões do
ataque argentino. Lá atrás, contudo, as subidas dos laterais e
a fraca zaga ofereceram "fortes emoções" ao torcedor argentino,
em sua maioria protagonizadas por Musa (obtido via this11.com). 


Se a Nigéria não conseguiu chagar às oitavas por seus próprios meios, os africanos podem agradecer profundamente à eliminada Bósnia-Herzegovina, que derrotou o Irã por 3x1 e eliminou o time do Oriente Médio. Os Zmajevi se despediram de seu primeiro mundial com uma boa vitória, justamente em cima de uma das melhores defesas da Copa 2014. E, de quebra, ajudaram as Super Águias a alcançarem vôos mais altos.

Deste Grupo F, lamentei a eliminação da Bósnia, não por jogarem um bom futebol (embora haja jogadores que sabem tratar bem uma bola), mas pelo respeito e admiração que tenho pela história do país, e também pelo esforço e talento de seus valorosos atletas. O Irã enfrentou a Nigéria e a Argentina só na retranca e protagonizou duas das partidas mais monótonas do mundial. E a Nigéria é mais força do que talento. Basta ver quantos cartões os africanos levaram hoje e quantas vezes os argentinos entraram na caderneta do árbitro.

Torcerei para que a Albiceleste faça um grande mundial. Tudo em nome do futebol-arte, representado na Argentina por Agüero, Lavezzi, Higuaín, Di María, Maxi Rodríguez e, claro, Lionel Messi.


Imagem extraída de https://www.facebook.com/AFASeleccionArgentina

domingo, 22 de junho de 2014

Uma Lágrima para a Bósnia

Imagem extraída do Facebook oficial de Edin Džeko- https://www.facebook.com/edindzeko

Fiquei triste com a eliminação da Bósnia-Herzegovina logo na segunda rodada deste mundial. A derrota diante da Nigéria mais a vitória da Argentina diante do Irã impossibilitam que os Zmajevi consigam avançar à próxima fase, mesmo em caso de um triunfo sobre o Irã.

A Bósnia não joga exatamente um futebol bonito, embora conte com alguns atletas que considero talentosos, como Džeko, Ibišević, Pjanić e Lulić. A equipe apresentou consistência defensiva ao sofrer poucos gols, mas apresentava muitos problemas para ligar o meio-de-campo ao ataque, o que representava dificuldades para criar chances de gol. Não obstante, acho que o treinador Safet Sušić errou ao deixar o atacante Ibišević no banco novamente -ele havia sido o melhor em campo na derrota contra a Argentina e é fundamental para que o centroavante Džeko tenha um bom rendimento em campo.

A inédita classificação para uma Copa do Mundo havia sido motivo de muita festa para a Bósnia-Herzegovina. Trata-se de um país arrasado pelas guerras de fragmentação da antiga Iugoslávia no início dos anos 90. A violência dos conflitos foi amplificada por causa das diferenças étnico-religiosas dos habitantes do país -bósnios de maioria muçulmana, croatas de maioria católica e sérvios de maioria ortodoxa. Tal fato causou muitas mortes motivadas pelo ódio e intolerância.

Muitos atletas que defendem a Seleção Bósnia nasceram em meio aos confrontos e alguns deles carregam as cicatrizes deixadas pela violência, como a perda de amigos, familiares e a fuga dos conflitos armados.

O futebol serviu como um alento àquele país após anos de confronto e outros tantos dedicados à difícil reconstrução daquela nação. Cresci assistindo às cenas de bombardeios nos noticiários quando era criança e hoje, quase vinte anos após os conflitos, vi notícias de povo contagiado pela alegria diante de uma inédita classificação para uma copa do mundo.

Torci muito pela Bósnia-Herzegovina e também pela Croácia justamente por causa das tragédias que marcaram o passado destes países. Muitos atletas que representam estas nações encontraram no futebol um motivo para superarem a dor. Suas vitórias no esporte foram conquistas para suas respectivas nações e também para seus povos.

Penso, contudo, que não é o fim para esta geração que conseguiu um feito inédito. Eu mesmo escrevi que a mera participação no mundial já havia sido uma grande vitória para os bósnios.

Torci e continuo torcendo para que estes jogadores tenham um futuro glorioso pela frente e, quem sabe, consigam levar a Bósnia à França na Euro 2016 e à Rússia na Copa 2018. O sucesso que estes jogadores atingiram servirá de incentivo para que mais garotos bósnios se dediquem ao futebol e, quem sabe, consigam repetir ou mesmo superar o desempenho desta geração.

Muito obrigado por terem vindo ao Brasil, delegação da Bósnia-Herzegovina! Parabéns pelo feito inédito e voltem sempre!


Imagem extraída do Facebook oficial de Vedad Ibišević- https://www.facebook.com/VedadIbisevic

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Engatando a Primeira Marcha

Imagem extraída de https://www.facebook.com/AFASeleccionArgentina


Assisti ontem à partida entre Argentina e Bósnia-Herzegovina, válida pela primeira rodada do Grupo F. Não foi lá um grande jogo, com muitos passes errados e uma aparente falta de entrosamento entre os atletas dos dois times. Mais pareceu que estavam todos voltando de férias à primeira vista, mas logo as coisas se ajeitaram.

A Argentina me surpreendeu com a adoção do esquema de três zagueiros (Fernández, Garay e Campagnaro) para dar liberdade aos laterais Rojo e Zabaleta e mudando o esquema para 3-4-3. Maxi Rodríguez foi escalado para a vaga de Higuaín, porém aberto pela direita, o que deu mais liberdade para Agüero subir, mas obrigou Messi a ter de voltar um pouco, o que justificou sua atuação um pouco apagada no primeiro tempo.

A Bósnia mudou seu esquema tático de 4-4-2 para 4-1-4-1, saindo o atacante Ibišević, entrando o winger Hajrović e adiantando-se Lulić para a vaga pertencente ao atacante do Stuttgart. A opção dificultou os avanços argentinos ao colocar mais atletas no meio-de-campo mas deixou o principal atleta, Džeko, muito isolado na frente, obrigando-o a ter de voltar para buscar a bola e fazendo-o perder um pouco sua função de centroavante.


O 4-1-4-1 de Sušić foi eficaz ao parar os argentinos, tanto que o
gol contra de Kolašinac saiu em lance de bola parada. Por outro
lado, a Bósnia não tinha uma referência na área para arrematar
os contra-ataques devido ao recuo de Džeko. Com Maxi e Di
María em campo, os laterais Rojo e Zabaleta puderam subir sem
comprometerem a defesa (imagem obtida via this11.com).


Sabella respondeu no segundo tempo colocando Higuaín no lugar de Maxi Rodríguez e Gago no lugar de Campagnaro. O resultado foi a mudança do esquema para 4-3-3/4-4-2 e Messi pôde jogar onde gosta. E ele não tardou a corresponder à mudança. Fez gol, passou, correu, driblou. Enfim, a Pulga levou os bósnios à loucura com toda sua genialidade.

A Sušić deu a tréplica com Ibišević, que levou muito perigo ao gol de Romero e diminuiu a vantagem argentina na segunda metade da etapa complementar. A partir daí, foram os bósnios quem cresceram na partida e Sabella gastou sua última mudança colocando o volante Biglia no lugar de Agüero para segurar o ímpeto rival.


Os dois times no 4-4-2: a entrada de Higuaín ajudou Messi a
jogar mais próximo da área. A Bósnia, contudo, passou a levar
perigo com o ingresso de Ibišević, que colocou fogo no jogo
e diminuiu a vantagem argentina (obtido via this11.com).


Os dois times ainda não jogaram com capacidade total, mas vejo muito potencial em ambos. Penso como será quando as equipes engatarem a segunda marcha e chegarem à plenitude nas próximas rodadas.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Bósnia-Herzegovina: A Maior Vitória Já Foi Alcançada

Imagem extraída do Facebook oficial de Senad Lulić- https://www.facebook.com/lulic19official

Não importa qual será o desempenho da Bósnia-Herzegovina neste mundial. A inédita classificação para a Copa do Mundo já foi uma imensa vitória a ponto de parar o país situado na Península Balcânica.

Foi uma grande alegria após anos de guerras e sofrimento que marcaram o processo de separação do país da antiga Iugoslávia. Muitos perderam suas vidas durante os confrontos e muitos atletas ainda guardam fortes lembranças daqueles dias tensos que marcaram suas infâncias.

A federação de futebol local foi reconhecida e filiada à FIFA em 1996, mas apenas em 2014 a Bósnia conseguiu participar de uma competição oficial. E a campanha da classificação foi respeitosa, com os bósnios somando oito vitórias, um empate, uma derrota e terminado à frente dos gregos (que já foram campeões em uma Eurocopa) no Grupo G. Os Zmajevi jamais conseguiram se classificar para uma Eurocopa sequer.

O objetivo, em princípio, é aproveitar cada minuto desta alegria. A Bósnia, por ser estreante, não tem tradição em competições, mas o Grupo F não é exatamente complicado, tendo apenas a Argentina como adversária de renome. A campanha recente também anima, com o time balcânico derrotando Costa do Marfim e México nos recentes amistosos. Dá para sonhar com uma classificação para as oitavas-de-final.

A Bósnia conta com vários atletas bem conhecidos nos grandes clubes europeus: o centroavante Edin Džeko (Manchester City), o atacante Vedad Ibišević (Stuttgart), o meia-esquerdo Senad Lulić (Lazio), o veterano zagueiro Emir Spahić (Bayer Leverkusen) e o meia Miralem Pjanić (Roma). Com um elenco desses, o "sonho" pode se tornar uma realidade.


COMO SE CLASSIFICOU: primeira colocada no Grupo G das eliminatórias européias

GRUPO- F: composto por Argentina (cabeça-de-chave), Bósnia-Herzegovina, Irã e Nigéria

ASSOCIAÇÃO: N/FSBiH (Nogometni/Fudbalski Savez Bosne i Hercegovine/Ногометни/Фудбалски Савез Босне и Херцеговине)

FEDERAÇÃO: UEFA (Europa)


DESTAQUE DO TIME- Edin Džeko: o grandão Džeko (1,93m) não é unanimidade no Manchester City devido à concorrência acirrada, mas ele é o grande herói de sua seleção, além de ser o artilheiro com 35 gols em 62 jogos. Džeko também luta para reconstruir seu país e também para impedir que novos confrontos étnicos surjam em seu país com a ajuda de seu amigo sérvio Aleksander Kolarov.

FIQUE DE OLHO- Miralem Pjanić: tem apenas 24 anos mas já é sucesso na Roma, clube que defende desde 2011. Ajudou o clube Giallorosso a voltar à Champions League após anos de ausência. A boa campanha em 2013-14 somada à participação na Copa do Mundo deve valorizá-lo ainda mais. Te cuida, Roma!

CAPITÃO- Emir Spahić: o atleta mais velho do time (33 anos) ainda tem mercado na Europa apesar da idade. Tanto que o Bayer Leverkusen o contratou junto ao Sevilla na temporada 2013-14 para a disputa da Champions League. É zagueiro, mas aparece com frequência na área em lances de bola parada.

TÉCNICO- Safet Sušić: foi meia-atacante e a maior parte de sua carreira profissional se deu na França, em especial no PSG, onde ficou por quase dez anos. A maior parte de sua experiência como treinador foi na Turquia, onde treinou cinco equipes diferentes. Comanda a Seleção da Bósnia desde 2009. É tio de Tino-Sven Sušić, jovem meia que disputará a copa.


CONVOCADOS:

Goleiros:
Asmir Begović (Stoke City, Inglaterra)
Jasmin Fejzić (VfR Aalen, Alemanha)
Asmir Avdukić (Borac Banja Luka, Bósnia-Herzegovina)

Defensores:
Avdija Vršajević (Hajduk Split, Croácia)
Ermin Bičakčić (1899 Hoffenheim, Alemanha)
Emir Spahić (Bayer Leverkusen, Alemanha)
Sead Kolašinac (Schalke 04, Alemanha)
Ognjen Vranješ (Elazığspor, Turquia)
Muhamed Bešić (Ferencváros, Hungria)
Mensur Mujdža (SC Freiburg, Alemanha)
Toni Šunjić (Zorya Luhansk, Ucrânia)

Meio-Campistas:
Miralem Pjanić (Roma, Itália)
Zvjezdan Misimović (Guizhou Renhe, China)
Tino-Sven Sušić (Hajduk Split, Croácia)
Senijad Ibričić (Kayseri Erciyesspor, Turquia)
Haris Medunjanin (Gaziantepspor, Turquia)
Anel Hadžić (Sturm Graz, Áustria)
Sejad Salihović (1899 Hoffenheim, Alemanha)
Senad Lulić (Lazio, Itália)

Atacantes:
Vedad Ibišević (VfB Stuttgart, Alemanha)
Edin Džeko (Manchester City, Inglaterra)
Edin Višća (İstanbul BB, Turquia)
Izet Hajrović (Galatasaray, Turquia) 


PROVÁVEL FORMAÇÃO- 4-4-2:


Bosnia and Herzegovina 4-4-2 football formation
Imagem obtida via footballuser.com


EXPECTATIVA: oitavas-de-final

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Esperança

Imagem extraída do Facebook oficial de Edin Džeko- http://www.facebook.com/edindzeko

Na segunda-feira, eu ainda estava tentando recuperar meu ritmo após ter passado oito dias no interior de São Paulo em férias. E qual a minha grande surpresa quando vejo esta imagem postada pelo Facebook oficial do atacante Edin Džeko?

Džeko (direita na foto) nasceu em Sarajevo, capital da Bósnia-Hezergovina e palco de violentos confrontos armados no começo dos anos 90 quando os bósnios declararam independência da Iugoslávia. Aleksandar Kolarov (esquerda) nasceu em Belgrado, capital da Sérvia, país que se opôs fortemente à fragmentação da Iugoslávia. As batalhas terminaram há vinte anos, mas ainda há muita animosidade entre os povos que habitam a região. Isto ficou muito evidente durante as Eliminatórias Europeias para a Copa 2014, quando torcedores sérvios queimaram uma bandeira da Croácia.

Por ironia do destino, o bósnio Džeko tornou-se colega do lateral sérvio Kolarov. Ambos atuam juntos desde 2011, quando o atacante foi adquirido junto ao Wolfsburg. O defensor já estava nos Citizens desde 2010, quando foi contratado junto à Lazio. Dois atletas que seriam inimigos em decorrência dos confrontos envolvendo seus países natais agora atuam juntos, colaborando com a boa campanha do Manchester City na temporada 2013-14 -é vice-líder na Premier League e fez boa campanha em seu grupo na Champions com cinco vitórias e apenas uma derrota. A equipe azul-celeste tem ainda o zagueiro Matija Nastasić (sérvio) e o atacante Stevan Jovetić (montenegrino), também nascidos na antiga Iugoslávia.

Não posso afirmar se Džeko postou a foto por amizade a Kolarov ou por mero profissionalismo, mas a imagem acima demostra que as feridas deixadas pela guerra podem, sim, ser cicatrizadas por mais dolorosas que tenham sido. Povos outrora inimigos podem deixar as diferenças de lado e conviverem pacificamente. A foto reproduzida aqui no blog demonstra como um bósnio e um sérvio abandonam a tristeza dos conflitos passados e passam a atuar juntos como uma equipe.

As lembranças deixadas pela guerra jamais se apagarão por mais que o tempo passe. Džeko participa ativamente na reconstrução de seu país e auxilia pessoas que sofreram com os confrontos ocorridos na Bósnia-Hezergovina. O bósnio, no entanto, demonstra com esta simples atitude postada em seu Facebook que não vale a pena ficar preso aos ressentimentos passados e que temos muito mais a ganhar quando superamos nossas diferenças em prol de algo mais edificante. Vejo a boa campanha do City como um reflexo desta nobre atitude de Džeko e Kolarov.

Edin e Aleksandar, muito obrigado por esta magnífica imagem. Que ela sirva de exemplo, não apenas a bósnios e sérvios, como também a todas as pessoas do mundo para que haja mais paz entre os povos.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Enrolando a Língua

Imagem extraída do Facebook oficial de Bastian Schweinsteiger-
http://www.facebook.com/BastianSchweinsteiger

Para a felicidade dos locutores brasileiros, equipes como Islândia, Polônia e Ucrânia não se classificaram para a Copa de 2014. Fico imaginando os malabarismos que os narradores teriam de fazer para pronunciar certos encontros consonantais que não existem na língua portuguesa. Experimente pronunciar nomes como Guðmundsson, Szczęsny, Błaszczykowski ou Tymoshchuk.

Ainda assim, virão muitas seleções que contam com atletas cujos nomes são muito difíceis de se pronunciar para quem só sabe português. São os casos a Alemanha, Croácia e Bósnia-Herzegovina.

Meu conhecimento com relação aos idiomas destes países é restrito, mas eu aprendi a pronúncia dos nomes com uma ajudinha da Wikipedia (que fornece a pronúncia de alguns nomes através do sistema IPA -International Phonetic Alphabet) e do Google Tradutor.

O que eu vou escrever aqui, no entanto, pode ser de valia na hora de pronunciar aqueles nomes com acentos e encontros consonantais inexistentes em nosso idioma. Não vou me ater à gramática, apenas à pronúncia de alguns fonemas.


Imagem extraída do Facebook oficial de Marco Reus-
http://www.facebook.com/MarcoReus11

ALEMANHA: a pronúncia do idioma alemão parece complicada a primeira vista, mas, acredite, o idioma alemão tem a mesma raiz do idioma inglês e ambos compartilham de algumas semelhanças, apesar da gramática alemã ser mais complexa com mais tempos verbais. Observe:

EI- tem o som de "ai". Exemplo: Schwensteiger ("xiváinstaiguer"), Weindenfeller ("vaindenfeler")

EU- tem som de "oi". Exemplo: Neuer ("nóier"), Reus ("róis")

Ü- tem som de "i". Exemplo: Müller ("miler"), Schürrle ("xirle")

Ö- tem som de "â". Exemplo: Götze ("gâtse"), Özil ("âssil")

W- tem som de "v". Exemplo: Westermann ("vesterman")

S e Z- os fonemas destas letras são invertidos em relação ao português. Desta forma, na Alemanha "s" tem som de "z", e vice-versa. Exemplo: Mertesacker ("mertezaker"), Klose ("cloze"), Schmelzer ("ximelser"), Zieler ("sieler")

ß/SS (as duas grafias são aceitas)- tem som de "s". Exemplo: Kießling/Kiessling ("kiessling"), Großkreutz/Grosskreutz ("grosscróits")


Imagem extraída de http://www.facebook.com/Mandzukic.Mario


CROÁCIA E BÓSNIA-HERZERGOVINA: os países que faziam parte da antiga Iugoslávia falam idiomas que derivam do sérvio-croata (bósnio, croata ou sérvio), com alguma diferenças. A pronúncia, no entanto, é similar.

C- tem som de "ts", semelhante à pronúncia de "zz" na Itália (como em "pizza"). Exemplo: Štimac ("shtimats")

Ć- tem som de "ti". Exemplo: Ćorluka ("tiorluka), Rebić ("rebiti")

Č- tem som de "tx". Exemplo: Kovačić ("kovatxiti")

Š- tem som de "x". Exemplo: Šuker ("xuker")

Ž- tem som de "j". Exemplo: Željko ("jeliko")

DŽ- tem som de "dj", semelhante ao "g" em "ge" ou "gi" na Itália. Exemplo: Džeko ("djeko"), Džemaili ("djemaili")

J- tem som de "i". Exemplo: Jelavić ("ielavitch")

Esqueci algum fonema? Errei alguma pronúncia? Escreva nos comentários!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Renascendo das Cinzas

Imagem extraída de http://www.facebook.com/pages/Senad-Lulić/134834776559340

Volto a falar hoje sobre um dos meus assuntos preferidos: os países da antiga Iugoslávia, mais precisamente a Bósnia-Herzegovina. Não sei explicar ao certo o fascínio que eu tenho em relação à história desses países, mas acredito que seja pelo fato de eu ter acompanhado às guerras separatistas envolvendo aquelas nações através dos noticiários de televisão durante minha infância. Eram frequentes os noticiários oferecerem boletins informando os bombardeios em Sarajevo (capital da atual Bósnia-Herzegovina), bem como a fuga de refugiados para a Alemanha e Suíça.

Com o fim da guerra e a dissolução da Iugoslávia, os países arrasados pela guerra começaram a se reconstruir. Não tem sido um processo fácil para nenhuma daquelas nações e muitas feridas abertas pelos conflitos entre aqueles povos ainda sangram, mesmo com mais de 10 anos passados após o término das batalhas.

Ainda assim, muitos dos refugiados e seus descendentes decidiram se estabelecer nas nações que os acolheram. Alguns, inclusive, optaram por defender seus novos lares.


Imagem extraída de http://www.facebook.com/Dzekoooooo

A Seleção da Bósnia-Herzegovina, no entanto, ainda conta com atletas de sucesso em grandes times na Itália, Alemanha e Inglaterra. O lateral-esquerdo Senad Lulić (Lazio), o meia Miralem Pjanić (Roma) e os atacantes Vedad Ibišević (Stuttgart) e Edin Džeko (Manchester City) são alguns dos jogadores bósnios bem sucedidos em suas carreiras no outro lado da Europa.

O desempenho dos Zmajevi nas Eliminatórias para a Copa 2014 também têm sido motivo de alegria para o torcedor bósnio: a Seleção da Bósnia-Herzegovina vem forte em seu grupo (seis vitórias, um empate e uma derrota até o momento) e vem liderando junto com a Grécia de Karagounis e com sete pontos de vantagem a Eslováquia de Marek Hamšík. A Bósnia, favorecida por uma chave relativamente tranquila e por bons atletas, vem caminhando a passos largos rumo ao Brasil em 2014. Vale, ainda, mencionar que foi por muito pouco que a Bósnia não consegue chegar à Euro 2012, quando deu azar e cruzou com a Seleção Portuguesa de Cristiano Ronaldo e João Moutinho na repescagem. Na ocasião, os bósnios ficaram apenas um ponto atrás da líder França em seu grupo.


Imagem extraída de http://www.facebook.com/pages/Edin-Džeko/237510419640355

Torço pelo sucesso dos atletas bósnios, não apenas por simpatizar com os povos da antiga Iugoslávia, mas também pela importância que isso teria no país. Uma classificação inédita para a Copa do Mundo representaria uma grande vitória para uma nação devastada pelas guerras e simbolizaria o renascimento de um povo sofrido.

Džeko, Lulić, Pjanić e companheiros: boa sorte em sua campanha!

quarta-feira, 27 de março de 2013

O Futebol do Leste Europeu Vive

Nos tempos da Guerra Fria -disputa ideológica entre capitalistas e socialistas-, o esporte tinha grande importância como arma política e cultural. Era a grande chance de um dos lados humilhar ou outro sem precisar usar armas. Os socialistas sabiam disso e faziam grandes investimentos no esporte. É só ver quantas medalhas olímpicas União Soviética, Cuba e China conquistaram ao longo dos anos. Com o fim da União Soviética, o esporte deixou de ser uma arma política, mas as agora ex-nações socialistas continuaram investindo no esporte. China, Cuba, Rússia e Ucrânia continuam sendo grandes bichos-papões de ouros olímpicos.

O futebol também mereceu investimentos dos Estados socialistas. Os países do Leste Europeu (praticamente, todos eram socialistas) nunca conquistaram uma Copa do Mundo, mas já chegaram perto, com a Checoslováquia (vice-campeã em 62) e a Polônia (terceiro lugar em 74 e 82). Na Eurocopa, a situação foi melhor, com a União Soviética faturando o título de 1960 e a Checoslováquia levando o caneco em 76.

Com o fim da Guerra Fria, muitas daquelas nações do Leste Europeu se fragmentaram devido a perda de força do regime socialista na União Soviética e o aumento de movimentos nacionalistas, que clamavam por independência de seus Estados. Iugoslávia, Checoslováquia e a própria União Soviética se desmembraram em vários países independentes. Era uma loucura traçar mapas daquela região nos anos 90, já que surgia um país novo a cada mês!

Por causa da instabilidade política, o futebol desses países foi afetado. Algumas seleções chegaram a ser impedidas de participar de torneios da FIFA. Ainda assim, bons jogadores oriundos daquela região brilharam naquela época, como os croatas Davor Suker e Slaven Bilic. Aliás, a Croácia foi a melhor ex-nação socialista em copas do mundo até o momento. A geração de Suker, Bilic e Boban conquistaram um surpreendente terceiro lugar em 1998. Ainda em copas do mundo, vale mencionar o bom quarto lugar da Bulgária de Hristo Stoichkov obtido em 1994. Nas competições europeias, destaque para o vice-campeonato da República Checa em 1996.

Hoje, as ex-nações socialistas vêm mostrando futebol de qualidade. Jogadores daquela região vêm se destacando nos grandes clubes e na Champions League. Há alguns anos atrás, estavam em evidência os nomes de Shevchenko, Jankulovski e Nedved, além de Milan Baros, Rosicky, Mutu, Arshavin e Pavlyuchenko, que ainda continuam em atividade. Também aparecem jovens promissores como Mandzukic, Subotic, Piszczek, Dzeko entre outros.

Mais do que isso, as seleções do Leste Europeu estão fazendo boas campanhas nas eliminatórias européias para a Copa do Mundo de 2014. A própria Croácia, Bulgária, Hungria, Romênia, Albânia, Rússia, Bósnia-Herzegovina e Montenegro estão muito bem colocadas em seus grupos.

- "Os grupos são fáceis!" -Diz algum descrente. Então, vá até o grupo de Montenegro e observe que o time de Mirko Vucnic deixou a Inglaterra na vice-liderança. E a Bósnia-Herzegovina de Edin Dzeko deixou a Grécia, que já foi campeã européia, comendo poeira na tabela.

Além do desempenho dos times, foi satisfatório ver que alguns times vêm se preocupando com a qualidade e com a renovação de seu futebol para não ficar dependendo de uma geração vitoriosa para sempre. A Rússia é um bom exemplo. Arshavin e Pavlyuchenko nem entraram em campo contra o Brasil na segunda-feira e, mesmo assim, os russos botaram a Canarinho na roda, com muitas trocas de passes. E não é que o retranqueiro do Fabio Capello botou o time pra jogar coletivamente? Fiquei muito satisfeito com o que vi.

Que os times do Leste Europeu continuem nos presenteando com jogadores e futebol de qualidade. Quem sabe não pinte alguma surpresa vinda de lá em 2014?