Mostrando postagens com marcador Sérvia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sérvia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de junho de 2024

Nem o Narrador Aguentou

Dinamarca e Sérvia não saíram do 0x0 em jogo truncado
(imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Assisti ao jogo entre Dinamarca e Sérvia pela Sportv e confesso que senti pena do narrador. O jornalista, em dado momento, não conseguia mais esconder o incômodo com a partida truncada e de pouquíssimas emoções. Seja por incompetência nos arremates ou por comodismo com o placar, Rød-Hvide e Orlovi não saíram do 0x0, resultado que, ao menos, rendeu a classificação aos nórdicos em segundo lugar no Grupo C.

Kasper Hjulmand escalou a Dinamarca novamente em 3-5-2 com o lateral Bah no lugar de Kristiansen. Dragan Stojković, por sua vez, foi de 5-4-1 sem Vlahović e sem Tadić (mais uma vez!) com o óbvio propósito de jogar nos contra-ataques.

Os Rød-Hvide  tomaram a iniciativa trocando passes desde a defesa sempre tentando acionar os dois atacantes (Højlund e Wind) mas a dupla se esqueceu de calibrar a mira. Os Orlovi, recuados e presos na marcação alta, tentaram responder pela esquerda mas o grandão Mitrović tinha "adversários à altura" pela frente. O primeiro tempo foi bastante truncado ao ponto do narrador reclamar da partida e o empate foi um resultado justo.



Dinamarca, em 3-5-2, troca passes mas seus atacantes não 
conseguem acertar o alvo. Sérvia, em 5-4-1, tenta responder
pela esquerda mas esbarra na marcação rival
(imagem obtida via this11.com). 



Stojković corrige o erro que cometera e coloca Tadić em campo, além de Jović. Com a mudança, os Orlovi conseguem se aproximar mais da área de Schmeichel e até criam oportunidades na bola parada, mas os grandões dinamarqueses conseguem abafar.

Os Rød-Hvide passam a atuar mais nos contra-ataques mas os atacantes seguem perdendo gols mesmo com a zaga sérvia aberta. Stojković, percebendo a iminência da eliminação, apela para Vlahović nos minutos finais e escancara o time de vez, mas não consegue transpor a muralha vermelha.

Dinamarca se classifica em segundo na chave mas precisam urgentemente aproveitar as chances criadas. Os Rød-Hvide estão perdendo gols demais e isto pode custar caro no mata-mata onde os erros raramente são perdoados. Sérvia se despede da Euro 2024 fazendo uma campanha muito aquém do esperado. O elenco recheado de estrelas foi lento demais em campo e demonstrou uma covardia inexplicável apesar de contar com ótimos atletas ofensivos. O resultado de tudo isto foi uma partida tediosa que tirou a paciência até do narrador.



Imagem extraída de twitter.com/EURO2024




quinta-feira, 20 de junho de 2024

Empate Amargo

Eslovênia e Sérvia lutaram muito mas não passaram de um empate
(imagem extraída de www.facebook.com/FudbalskiSavezSrbije).



Eslovênia (um ponto) e Sérvia (nenhum ponto) necessitavam da vitória para continuarem sonhando com a classificação visto que enfrentarão rivais muito complicados na rodada final -Inglaterra e Dinamarca, respectivamente- mas as duas seleções balcânicas apenas empataram e terão de buscar pontos diante de adversários com mais elenco.

Matjaž Kek repetiu a escalação do confronto contra a Dinamarca, o 4-4-2. Dragan Stojković, por sua vez, enviou uma Sérvia bastante modificada com Mladenović no lugar do lesionado Kostić (que não deve mais jogar a Euro 2024) e com a volta de Tadić, corrigindo o erro que cometera contra a Inglaterra.

A Eslovênia aproveitou a lentidão da Sérvia e utilizou bolas longas buscando Šporar e Šeško aproveitando que os Orlovi recompunham mal a defesa, mas a dupla de atacantes perdeu muitos gols feitos.

Os sérvios, que demoraram novamente para entrarem no jogo, responderam triangulando bolas pelos lados buscando Tadić ou os dois atacantes, mas seus fortes jogadores não conseguiram vencer os eslovenos que também contavam com muitos atletas grandes, inutilizando a imposição física.



Eslovênia, em 4-4-2, aproveita a lentidão dos sérvios e busca seus
atacantes com bolas longas ou subidas pelas laterais. Sérvia, em
3-5-2, triangula bolas pelos lados tentando acionar Tadić ou seus
dois definidores (imagem obtida via this11.com).



Stojković se limita a trocar o amarelado Mladenović por Gaćinović e ordena sua equipe a adiantar mais as linhas. Assim, os Orlovi conseguem criar chances de gol e obrigam Oblak a trabalhar um pouco mais, mas deixam espaços às costas e o lateral Karničnik, em contra-ataque rápido, consegue abrir o placar para a Eslovênia.

Stojković, então, tenta uma cartada final trocando Tadić e Živković por Samardžić e Birmančević para dar velocidade à Sérvia. Kek se limita a "fechar a casinha" para seguir contra-atacando mas seus atacantes desperdiçam muitas oportunidades. No último lance da partida, Jović empata o jogo e traz alívio ao seu treinador

O resultado, apesar de comemorado pelos sérvios, foi péssimo para ambos que terão de buscar resultado na última rodada. Para a sorte dos dois rivais balcânicos, a Dinamarca também empatou e ainda há chances de se classificar sem depender da sorte.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




domingo, 16 de junho de 2024

Síndrome de Alemanha

Bellingham fez o único gol do jogo (imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024).



Joachim Löw, quando assumiu a Alemanha em 2006, mudou radicalmente o estilo de jogo da Mannschaft: saíram a força física e os jogadores altos para entrar o toque de bola típico da Espanha. O futebol praticado ficou mais bonito de se ver mas a equipe passou a sofrer contra adversários grandões. Foi mais ou menos o que observamos na Inglaterra hoje: um time muito leve e técnico mas fraco para disputar contra os grandalhões sérvios.

Dragan Stojković escalou seu time em 3-5-2, surpreendentemente com dois centroavantes altos (Mitrović e Vlahović) e sem o meia Tadić -provavelmente para recuperar bolas e levantá-las aos seus atacantes. Gareth Southgate, por sua vez, armou a Inglaterra em 3-4-3 com "dois laterais direitos" (Walker e Alexander-Arnold) talvez para vigiar Kostić.

O English Team tomou a iniciativa trocando passes e invertendo jogadas principalmente pela direita com Saka e Alexander-Arnold, sempre buscando o meia Bellingham que atuou com liberdade para inverter com Kane e pisar na área. Os Orlovi foram bastante tímidos inicialmente e precisaram levar o gol do camisa 10 inglês para acordarem.

O que sobrou de músculos aos sérvios durante o primeiro tempo, faltou em cérebro. A equipe criou pouco e dependeu muito dos lampejos de Kostić ou das bolas longas para levar algum perigo. Apenas no final, os Orlovi passaram a adiantar linhas e pressionar os ingleses na imposição física. Não obstante, Stojković perdeu seu camisa 11 e Mladenović o substituiu.



Inglaterra, em 3-4-3, troca passes principalmente pela direita
buscando Saka no meio. Sérvia, recuada em 3-5-2, reponde com
a imposição física ou com lançamentos de Kostić pela
esquerda (imagem obtida via this11.com).



A Sérvia passou a explorar seus pontos fortes na segunda etapa e trombou mais com os diminutos jogadores ingleses. A entrada de Tadić fez com que os Orlovi ganhassem de vez o meio-de-campo e o ataque pôde ser devidamente municiado.

A Inglaterra até assustou com um petardo de Kane mas não conseguiu mais se impor enquanto os sérvios, na força física, criaram grandes chances no segundo tempo sendo detidos pelo goleiro Pickford ou pelo próprio nervosismo.

O English Team triunfa mas o desempenho preocupa para as partidas subsequentes visto que a Dinamarca e a Eslovênia também possuem muitos jogadores grandes que podem sobrepujar os pequenos ingleses. A Sérvia, por sua vez, sai de campo com a sensação de que poderia ter empatado ou mesmo vencido o jogo -responsabilidade do treinador Stojković que errou ao barrar  Tadić.

A Inglaterra confirma o favoritismo na estreia mas necessita de mais atenção ao estilo de jogo adotado. A Alemanha também passou a praticar um futebol mais leve e enfrentou os mesmos problemas que o English Team hoje. Jogar com a bola no chão é lindo de se ver, mas os adversários já aprenderam como anular tal metodologia. Cabe mencionar que nem a Espanha atua mais assim.



Imagem extraída de www.facebook.com/EURO2024




quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Tamanho Não É Documento

Com este belo chute, Richarlison decidiu o jogo para o Brasil
(imagem extraída de www.facebook.com/fifaworldcup).



Escrevi na última segunda-feira um post exaltando os holandeses por sua estatura. Hoje, mais uma vez, a altura dos jogadores definiu o jogo, mas de forma negativa. A Sérvia apostou em atletas grandalhões mas foi justamente isto que acabou decidindo a partida em favor do Brasil.

Tite, como eu especulei, entrou em campo com Neymar recuado para o meio-de-campo para aproveitar a ótima fase de Vinícius Júnior pela esquerda. A Seleção atuou em 4-3-3 variando para 4-4-2/4-2-4 com o camisa 10 se juntando ao ataque -esquema muito semelhante ao da França com Griezmann ora atuando como 2º atacante, ora como meia.

A Sérvia foi em 3-4-3 variando para 4-4-2 (com Gudelj ou Lukić voltando para compor a defesa e Sergej alternando as funções de armador e atacante esquerdo) e também para 5-4-1 (com apenas Mitrović isolado na frente).



Variações táticas de Brasil e Sérvia: brasileiros jogam em 4-3-3
variando para 4-4-2/4-2-4 (com Neymar se juntando ao ataque) e,
muito raramente, 5-4-1 (com Casemiro compondo a zaga).
Orolvi vão de 3-4-3 variando para 4-4-2 (com com Gudelj ou
Lukić e Sergej recuando) ou 5-4-1 (com os laterais e os dois
pontas voltando) -imagem obtida via this11.com.



O Brasil tomou a iniciativa, adiantando as linhas e tentando se infiltrar com Raphinha e Vini Jr. Neymar ficava solto atrás de Richarlison e tinha liberdade para subir ou armar as jogadas como um meia conforme a necessidade.

Sérvia passou a maior parte do tempo encolhida em 5-4-1. Os grandões conseguiam ganhar as divididas e impedir a bola de circular na área de Vanja, mas os sérvios não tinham velocidade para correr e seu único recurso para contra-atacar eram bolas longas para Mitrović. Por vezes, tentavam sair jogando com a defesa mas os velozes brasileiros não tinham trabalho na recomposição.



Brasil, em 4-4-2/4-2-4, adianta as linhas, acelera o jogo e tenta
se infiltrar principalmente pelas pontas, mas os grandões sérvios
conseguem tirar os espaços. Sérvia, encolhida em 5-4-1, não
consegue sair jogando e tem apenas bolas longas para Mitrović
como opção de contra-ataque (imagem obtida via this11.com).



O treinador Dragan Stojković troca Živković e o amarelado Gudelj por Radonjić e Ilić, respectivamente. O objetivo seria evitar a expulsão do volante e também acabar com a lentidão sérvia em campo.

A Sérvia, com a mudança, passou a criar mais chances, principalmente pela esquerda com Radonjić, e até chegou a encurralar o Brasil durante vários momentos. Mas como os sérvios eram lentos na recomposição, os brasileiros tiveram mais espaço para contra-golpes e os gols (ambos anotados por Richarlison) saíram.

Stojković escancarou o time em busca do empate e a Sérvia até chegou a preocupar com cruzamentos ou bolas paradas, mas o Brasil conseguiu segurar. Tite, por sua vez, aproveitou que o jogo estava virtualmente controlado e realizou trocas apenas para rodar o elenco.

A alegria só não foi total para o Brasil visto que Neymar se machucou em dividida e preocupa para a sequência da competição. O camisa 10 foi visto chorando no banco de reservas, o que demonstra que a lesão pode ter sido grave.



Com a presença de Radonjić, a Sérvia, enfim, ganhou mobilidade
e pôde equilibrar o jogo, mas isso também deixou espaços que
Richarlison tratou de aproveitar (imagem obtida via this11.com).



Brasil vence a Sérvia por ter mais mobilidade em campo. Os grandalhões balcânicos até conseguiram tirar os espaços dos brasileiros, mas pagaram o preço por serem lentos na recomposição e isto foi determinante para o triunfo do Escrete Canarinho.

O tamanho dos jogadores pode ser determinante em campo mas depende muito do contexto da partida e também como o treinador escala os atletas. No caso da Sérvia, a estatura de seus futebolistas acabou sendo seu ponto fraco.



Imagem extraída de www.facebook.com/fifaworldcup




sábado, 13 de junho de 2015

De Virada É Mais Doloroso

Imagem extraída de http://worldleague.2015.fivb.com/



Tudo levava a crer que o Brasil teria uma tarde tranquila em Novi Sad, afinal a nossa Seleção estava tirando vantagem do bloqueio adversário e anotando vários pontos em ataques desviados nos grandões sérvios.

Enquanto assistia aos dois primeiros sets, ambos vencidos pelo Brasil, já imaginava um título para esta resenha como "Tamanho Não É Documento".

Não venceu as duas primeiros parciais com facilidade, afinal os sérvios têm muita qualidade como haviam demonstrado na estreia contra o Brasil em Belo Horizonte. Os atletas da Península Balcânica se valiam de sua força no ataque e de sua estatura no bloqueio para impedir que os brasileiros se distanciassem no placar.

Os dois primeiros sets terminaram com duas vitórias apertadas do Brasil por 25/23.

O Brasil havia começado bem o terceiro set, mas a Sérvia melhorou na recepção, cometeu menos erros no bloqueio e calibrou a pontaria no ataque.

Os donos da casa, aos poucos, tiravam a vantagem brasileira, equilibravam a partida e mostravam porque estavam na briga pelo troféu. A medida que os balcânicos iam crescendo, o Brasil era contaminado pelo nervosismo, passando a errar e a reclamar mais em quadra. A Sérvia venceu as duas parciais seguintes por 25/23, 25/21 e levou a partida para o tie-break.

O set desempate foi tão equilibrado quanto as parciais anteriores. Os donos da casa, porém, conseguiram abrir os dois tentos de vantagem e só precisaram administrar o placar até o 15º ponto. Vitória sérvia por 15/13 no quinto set.

O Brasil sofre sua primeira derrota na Liga Mundial 2015. E de virada. Os rivais devolveram o placar de 3x2 sets sofridos na estreia em Minas Gerais.

Como consolo, o Brasil recebe um ponto na tabela por ter levado o jogo ao set desempate, além do fato de já estar classificado para a fase final por ser o país-sede da grande decisão, a ser realizada em julho.

Um belo consolo, afinal perder de virada é realmente mais doloroso, sobretudo quando a vitória estava quase encaminhada com a vantagem de 2x0 sets.



Imagem extraída de http://worldleague.2015.fivb.com/



JOGO DURO... DE ASSISTIR!

México no 3-5-2 contra Bolívia no 4-4-2: mexicanos tiveram mais
posse de bola e criaram mais chances de gol, enquanto bolivianos
estavam com dificuldades em fazer a bola chegar até Marcelo
Moreno (obtido via this11.com).

Eu não esperava muita coisa do jogo México X Bolívia. E a partida acabou correspondendo às minhas expectativas. O jogo foi muito travado e tecnicamente fraco. O México ainda teve alguns lampejos por ser mais organizado em campo, jogar sem rifar a bola e criar mais chances de gol. Mas nada que realmente empolgasse. Pior para a Bolívia, que deixa escapar dois pontos importantes diante de um adversário que não tem a Copa América como prioridade.



TEVE DE TUDO E MAIS UM POUCO

Imagem extraída de https://www.facebook.com/cff.hns


Enquanto assistia ao jogo do Brasil pela Band, alternava com o canal Sportv para acompanhar o jogo entre Croácia e Itália, válido pelas Eliminatórias da Euro 2016. E o jogo foi recheado de polêmicas, a começar com o estádio. A Hrvatska foi obrigada a mandar o jogo em Split com portões fechados após o incidente com sinalizadores na partida em Milão. Alguns torcedores revoltados com a punição teriam pichado uma suástica no gramado. Com a bola rolando, o juiz anulou um gol legítimo da Itália. Melhor para a Croácia, que conseguiu um contra-ataque na sequencia e abriu o placar com Mandžukić. O grandão do Atlético de Madrid poderia ter aumentado a vantagem com um pênalti marcado, mas Buffon salvou a cobrança. Candreva, também de pênalti, empatou para os visitantes. Os donos da casa, que tentavam segurar a vantagem, tiveram de ir de novo ao ataque, mas estavam visivelmente nervosos em campo, bateram muito, reclamaram demais e viram o capitão Srna ser expulso. A Azzurra ainda foi obrigada a trocar Buffon por Sirigu depois que o arqueiro da Juventus deixou o campo lesionado. Não foi um grande jogo, mas deu muito pano pra manga.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A Sérvia Não Pode Ser Serva

Imagem extraída do Facebook oficial do Chelsea- https://www.facebook.com/ChelseaFC



A Iugoslávia foi uma das grandes potências do futebol durante a chamada Guerra Fria, período que corresponde à segunda metade do Século XX. Era uma seleção com muitos jogadores talentosos e grande potencial ofensivo. Seu futebol era tão bonito e ofensivo que os iugoslavos receberam o simpático apelido de "brasileiros da Europa". Embora nunca tenha conquistado títulos, a Seleção Iugoslava tinha um currículo de respeito, com um 4º lugar (1962) em Copas do Mundo e dois vices-campeonatos (1960 e 1968) em Eurocopas.

Com o fim da Guerra Fria, cada um dos países que formavam a antiga Iugoslávia tomou seu próprio rumo. Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Macedônia, Montenegro e Sérvia montaram suas próprias seleções e foram à luta. Algumas destas equipes tiveram maior destaque por contarem com mais atletas de renome e por jogarem um melhor futebol, enquanto outras sequer conseguiram disputar campeonatos continentais como nações independentes.

A Sérvia vem há algum tempo tentando recuperar seus dias de glória dos tempos em que fazia parte da Iugoslávia. O seu melhor desempenho até o momento, no entanto, ainda não foi nada melhor do que uma participação na Copa de 2010, quando conseguiu arrancar uma vitória da poderosa Alemanha mas terminou na lanterna de seu grupo. Os sérvios ainda não conseguiram participar da Eurocopa como uma nação independente.



Imagem extraída do Facebook oficial do Manchester City-
https://www.facebook.com/mcfcofficial



O que falta para que a Sérvia consiga participar com mais frequência de Eurocopas ou Copas do Mundo? O que deu certo nas vizinhas Croácia, Eslovênia e, mais recentemente, Bósnia-Herzegovina?

Simples. A Sérvia precisa de mais bons jogadores. Mais do que isso: esses bons atletas precisam se destacar nas melhores times das melhores ligas do mundo de modo que suas habilidades sejam desenvolvidas e aprimoradas. Somente com muitos minutos jogados e atuando ao lado de outros craques o atleta consegue melhorar seu nível técnico e ajudar a sua seleção. E não pode ser um único atleta: como o futebol é um jogo coletivo, são necessários muitos jogadores bons para que uma seleção consiga emplacar. Do contrário, Goran Pandev (Macedônia) e Mirko Vučinić (Montenegro) teriam carregado suas respetivas seleções nas costas.

Para a felicidade do país balcânico, há uma boa geração de atletas sérvios se destacando na Europa (em especial, na Inglaterra, Itália e Alemanha), com jogadores funcionais em todas as posições e com um razoável potencial para surpreender neste ciclo.

Atletas como os laterais Branislav Ivanović (Chelsea) e Aleksandar Kolarov (Manchester City), os zagueiros Neven Subotić (Borussia Dortmund), Nenad Tomović (Fiorentina) e Milan Biševac (Lyon), e os meio-campistas Nemanja Matić (Chelsea), Dušan Tadić (Southampton) e Adem Ljajić (Roma) vem participando com frequência de seus respectivos times e desfrutam da boa fase de suas equipes. Seus desempenhos podem vir a se refletir em partidas futuras da Sérvia. Vale mencionar, ainda, os muitos sérvios que defendem ou defenderam o português Benfica, como o já citado meio-campista Matić (hoje no Chelsea) o ala Lazar Marković (atualmente no Liverpool), o volante Ljubomir Fejsa e o winger Miralem Sulejmani (estes dois últimos, ainda a serviço dos Encarnados). Pena que o melhor jogador do país, o zagueiro Nemanja Vidić (ídolo do Manchester United e hoje na Internazionale) anunciou sua aposentadoria da seleção em 2012, após o fracasso na campanha para a Eurocopa daquele ano.



Imagem extraída do Facebook oficial de Neven Subotić- https://www.facebook.com/Subotic4/



O caminho para que a Sérvia chegue à Euro 2016, em teoria, não é muito complexo. Os Orlovi dividem a chave com Dinamarca, Portugal, Albânia e Armênia. Os dinamarqueses não possuem mais a força de seus tempos de "Dinamáquina" dos anos 80 (o treinador é o craque Morten Olsen, zagueiro daquele timaço) e a Seleção das Quinas vem apresentando desempenho irregular apesar de ter bons jogadores (Ronaldo, Moutinho e Nani). Albânia e Armênia, por enquanto, não têm tradição no futebol. Boas chances, portanto, para os sérvios conseguirem sua primeira participação em Eurocopas como nação independente.

Problemas? Os jogadores mencionados mostraram-se bons em seus respectivos clubes, mas ainda nem todos brilharam na seleção de seu país. Muitos até participaram das Eliminatórias para a última Copa do Mundo, mas alguns ainda estavam "verdes" demais para representarem seu país. Outro detalhe é que um time cheio de estrelas nem sempre dá liga e o treinador precisa trabalhar bem a cabeça de seus jogadores para evitar possíveis briga de ego no elenco. Por fim, a Sérvia é um time que sempre se destacou pela qualidade de seus defensores, mas sempre apresentou pouca qualidade do meio-de-campo para a frente. Hoje a equipe conta com mais meias velozes e/ou com saída de bola, mas isso ainda é uma novidade nos Orlovi e a equipe terá de aprender a ousar se quiser dar um passo adiante.

Acho que não falta qualidade técnica na Sérvia. falta apenas a equipe sair de sua zona de conforto e ter apetite em campo para superar os rivais. Quem sabe, os sérvios não nos surpreendem neste ciclo com mais ofensividade e futebol bonito.



Imagem extraída do Facebook oficial do Southampton-
https://www.facebook.com/southamptonfc



VERDÃO AINDA NÃO CONVENCE

O Palmeiras, até o momento, não derrotou nenhum adversário de peso -perdeu por 1x0 da Ponte Preta e do Corinthians- e ainda sofreu para superar o São Bento de Sorocaba no último sábado. É verdade que ainda estamos no começo da temporada, mas para um time que fez tantos investimentos e conta com tantas boas opções no elenco (Mouche, Valdívia, Arouca, Zé Roberto, Cleiton Xavier, Maikon Leite e Tobio), eu esperava algo melhor do Verdão.



CRISE? QUE CRISE?

Quase todo dia eu leio notas afirmando a presença de problemas no Real Madrid. Sequência de derrotas em janeiro, lesões no elenco, vaias a Ronaldo, ... Todo time apresenta oscilações, mas muitos veículos de imprensa estão exagerando na dimensão das notícias e fazendo parecer que o Real está a beira de um colapso. Como um time pode estar em crise se está na liderança do Campeonato Espanhol, jogando um bom futebol e com um clima aparentemente bom no elenco? Ah! E a derrota por 4x0 para o vizinho Atlético se deveu muito aos desfalques do time merengue.



CADÊ O VÔLEI?

Não acredito que NENHUMA emissora brasileira transmitiu a final do Sul-Americano Masculino de vôlei entre Sada/Cruzeiro e UPCN Vóley. Não adianta dizer que nosso vôlei é esperança de medalha se as emissoras não dão a atenção devida à modalidade. Quando os jogadores conquistam os troféus, a mídia vai lá, diz que sempre acreditou nos atletas, que sempre apoiou o vôlei brasileiro... Tô vendo. É um belo apoio mesmo.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Bravo, Lazio!

Imagem extraída do Facebook oficial da Lazio- https://www.facebook.com/SSLazioOfficialPage/



Bati palmas para a bela iniciativa da Lazio, clube italiano que conta com atletas albaneses e sérvios em seu elenco.

Albânia e Sérvia, dois países situados na Península Balcânica, possuem um grande histórico de animosidades. E a relação entre os dois países voltou a se complicar no final dos anos 90 com a Guerra do Kosovo, quando a Albânia declarou forte apoio à independência kosovar, enquanto a Sérvia revindica soberania sobre o território.

Houve, durante a semana passada, um incidente durante o jogo entre Sérvia e Albânia (válido pelas Eliminatórias da Euro 2016), quando um drone carregando uma bandeira albanesa sobrevoou o estádio onde a partida era realizada. O atacante sérvio Aleksandar Mitrović retirou a bandeira do objeto o que gerou reação dos atletas albaneses. Torcedores sérvio invadiram o gramado causando uma confusão generalizada e a partida foi suspensa. A UEFA avalia punições às duas seleções em decorrência do tumulto.

Dias após o ocorrido, a Lazio reuniu seus atletas sérvios e albaneses para uma sessão de fotos. O objetivo, segundo o presidente do clube, é demonstrar que o futebol tem muito a ensinar à política. Demonstrar como os atletas, em campo, superam as divergências entre seus países de origem e atuam como uma verdadeira equipe.

Posaram para as fotos (da esquerda para direita na foto acima) o zagueiro/volante Lorik Cana (albanês-kosovar), o atacante Filip Đorđević (sérvio), o goleiro Etrit Berisha (albanês-kosovar), o lateral Dušan Basta (sérvio) e o goleiro Thomas Strakosha (albanês).

Divergências político-diplomáticas deveriam ficar restritas aos governantes e não deveriam repercutir no esporte, que representa a união entre os povos. O futebol, aliás, deveria ser um meio de se aproximar os diferentes povos e as diferentes culturas, inclusive aquelas que possuem diferenças entre si.

Em um clube, atletas de diferentes nacionalidades são obrigados a conviver e a trabalhar juntos, e isto é dever profissional. Do contrário, não há união no elenco e o time perde.

Que o exemplo dos atletas da Lazio seja seguido por todos, não apenas no esporte, mas também entre todas as pessoas no mundo.

Bravo, Lazio!



Imagem extraída do Facebook oficial da Lazio- https://www.facebook.com/SSLazioOfficialPage/



Leia mais:

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Viva a Rivalidade!

Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/



A partida entre Brasil e Sérvia não valia muita coisa, afinal as duas equipes já estavam classificadas para a segunda fase e a disputa era apenas pela liderança do Grupo B, o que ofereceria a seu detentor algumas vantagens na próxima etapa.

O jogo, no entanto, foi bastante disputado. Os treinadores optaram por mandar suas equipes titulares e nenhum dos dois times estava disposto a perder. O nervosismo dos técnicos e das jogadoras era evidente do primeiro ao último minuto de jogo. O resultado foi uma grande partida, com os nervos e a rivalidade à flor da pele.

As equipes deram o sangue em quadra em um jogo equilibrado e cheio de ralis, mas contaram bastante com os erros adversários. O Brasil errou muito no primeiro set, principalmente no bloqueio e na recepção, enquanto as sérvias eram mais agressivas e forçavam mais o ataque, levando a equipe balcânica a abrir 1x0 com parcial de 26/24.

Nas duas parciais seguintes, a Sérvia até começou bem, mas cometeu muitos erros de ataque. As sérvias pareciam bastante desconcentradas e perdiam algumas bolas fáceis. O Brasil acertou o bloqueio e nossas meninas fizeram mais pontos de ataque, embora tenham forçado pouco neste fundamento. Com isso, o Brasil virou para 2x1, com parciais de 25/21 (2º set) e 25/19 (3º set).

Na última parcial, a Sérvia voltou a crescer mas o Brasil logo assumiria a liderança no placar, levando o treinador Zoran Terzić à loucura. Na metade final, contudo, o Brasil sofreu um "apagão", cometeu uma grande sucessão de erros e permitiu que as rivais do Leste Europeu encostassem. Fernanda Garay deu números finais à partida ao fechar o 4º set em 25/23. Tijana Bošković foi a maior pontuadora da partida, com 24 pontos, enquanto a ponteira Jaqueline a central Thaísa foram as maiores pontuadoras pelo Brasil com 16 pontos cada.

O Brasil, com o resultado, manteve-se invicto na primeira fase com 14 pontos somados, três sets perdidos (dois contra a Turquia e um contra a Sérvia) e levará uma boa vantagem para a segunda fase no Grupo F.



Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/



A vantagem conquistada vem a calhar, pois o Brasil enfrentará um verdadeiro "grupo da morte" na segunda fase, com Estados Unidos, Rússia, Holanda e Cazaquistão. As já conhecidas Sérvia, Bulgária e Turquia também integram a chave, mas não enfrentam o Brasil em confronto direto por já terem cruzado com nossas meninas na primeira fase. As russas e norte-americanas dispensam comentários, enquanto a Holanda tem potencial para surpreender. O Cazaquistão merece respeito por ser uma seleção do Leste Europeu, lembrando que os ex-países socialistas investiam (e ainda investem) pesado no esporte como forma de se projetarem.

O primeiro adversário será o Cazaquistão, em Verona. O duelo ocorrerá na quarta-feira, dia 1º de outubro, às 15:00h (horário de Brasília). Esta fase ainda será na fórmula de pontos corridos.

Parabéns pela campanha invicta, Brasil! E boa sorte na próxima fase!



Imagem extraída de http://italy2014.fivb.org/

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Paz

Imagem extraída do Facebook oficial Edin Džeko- https://www.facebook.com/edindzeko/


Ainda estou ensaiando para escrever um texto para homenagear meu ídolo Edin Džeko (à esquerda na foto). Ele e Aleksandar Kolarov (à direita na foto), seu amigo e colega de Manchester City, nasceram em países que já foram inimigos no passado. Hoje os dois jogadores unem forças para que nunca mais haja confrontos na antiga Iugoslávia.

Uma imagem, contudo, vale mais do que mil palavras. Bósnios e sérvios não apenas podem conviver pacificamente como também podem ser amigos. Edin e Aleks treinam juntos, jogam juntos, concedem entrevistas juntos e se divertem juntos.

Observando as atuais animosidades entre nações, quase sempre motivadas pelo nacionalismo exacerbado, fico pensando como a amizade entre Aleks e Edin é exemplar, não apenas para o futebol, mas também para todos os países. Eles nasceram em meio a confrontos também motivados pelo nacionalismo, deixaram as diferenças de lado e hoje lutam para que a tragédia que marcou o passado de ambos nunca mais aconteça.

"... Tento mostrar a crianças que a origem do nome não é importante, assim como se somos muçulmanos ou católicos. Quero mostrar que o mais importante é ser um bom homem, uma boa mulher. Vejam Aleksandr. O que é importante para mim é que alguém seja uma boa pessoa, e ele é um bom homem. Não é importante se ele vem da Sérvia, apesar do que aconteceu entre os países. Não importa se ele é da Croácia, de Gana, da Bósnia ou da Inglaterra" (Edin Džeko).


Imagem extraída do Facebook oficial Edin Džeko- https://www.facebook.com/edindzeko/


Leia mais:

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Geografia Diz Tudo Mesmo?

Imagem extraída do Facebook de Neven Subotić- https://www.facebook.com/Subotic4

O Brasil jogará seus dois últimos amistosos antes da Copa do Mundo contra o Panamá dia 3 de junho no Serra Dourada e contra a Sérvia de Neven Subotić (foto) dia 6 no Morumbi.

Segundo algumas fontes, a Sérvia foi escolhida por ter um estilo de jogo "muito semelhante ao da Croácia", primeira adversária do Brasil na Copa. O mesmo teria se aplicado ao Panamá em relação ao México e à África do Sul (no ano passado) com relação a Camarões.

A única proximidade que existe entre os países mencionados é meramente geográfica. A Sérvia é situada na mesma região que a Croácia, o Panamá tem uma relativa proximidade do México, e Camarões fica no mesmo continente que a África do Sul. E as semelhanças param por aí.

O futebol dos países mencionados não tem nenhuma proximidade técnica. A Sérvia é uma seleção que se destaca pelos seus defensores (Subotić, Kolarov, Ivanović, Matić, ...) enquanto a Croácia é um time bastante ofensivo e conta com grandes meio-campistas (Rakitić, Perišić e Modrić). O Panamá, então, nem se compara ao organizado México, que é uma seleção que sabe marcar direitinho e joga coletivamente, além de ter os talentos de Chicharito e Giovani dos Santos. E o que dizer de Camarões do craque Samuel Eto'o e que já chegou às quartas-de-final em 1990 enquanto a África do Sul nunca alcançou sequer as oitavas?

Como se vê, a proximidade geográfica não significa necessariamente que os estilos das seleções também serão próximos. Ou será que o estilo de futebol da Argentina ou do Uruguai é igual ao nosso?

A geografia explica muitas coisas, mas não o futebol.


Leia mais:


O Estado de São Paulo- Fifa diz que Brasil jogará com a Sérvia antes da Copa do Mundo: http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,fifa-diz-que-brasil-jogara-com-a-servia-antes-da-copa-do-mundo,1129074,0.htm

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Esperança

Imagem extraída do Facebook oficial de Edin Džeko- http://www.facebook.com/edindzeko

Na segunda-feira, eu ainda estava tentando recuperar meu ritmo após ter passado oito dias no interior de São Paulo em férias. E qual a minha grande surpresa quando vejo esta imagem postada pelo Facebook oficial do atacante Edin Džeko?

Džeko (direita na foto) nasceu em Sarajevo, capital da Bósnia-Hezergovina e palco de violentos confrontos armados no começo dos anos 90 quando os bósnios declararam independência da Iugoslávia. Aleksandar Kolarov (esquerda) nasceu em Belgrado, capital da Sérvia, país que se opôs fortemente à fragmentação da Iugoslávia. As batalhas terminaram há vinte anos, mas ainda há muita animosidade entre os povos que habitam a região. Isto ficou muito evidente durante as Eliminatórias Europeias para a Copa 2014, quando torcedores sérvios queimaram uma bandeira da Croácia.

Por ironia do destino, o bósnio Džeko tornou-se colega do lateral sérvio Kolarov. Ambos atuam juntos desde 2011, quando o atacante foi adquirido junto ao Wolfsburg. O defensor já estava nos Citizens desde 2010, quando foi contratado junto à Lazio. Dois atletas que seriam inimigos em decorrência dos confrontos envolvendo seus países natais agora atuam juntos, colaborando com a boa campanha do Manchester City na temporada 2013-14 -é vice-líder na Premier League e fez boa campanha em seu grupo na Champions com cinco vitórias e apenas uma derrota. A equipe azul-celeste tem ainda o zagueiro Matija Nastasić (sérvio) e o atacante Stevan Jovetić (montenegrino), também nascidos na antiga Iugoslávia.

Não posso afirmar se Džeko postou a foto por amizade a Kolarov ou por mero profissionalismo, mas a imagem acima demostra que as feridas deixadas pela guerra podem, sim, ser cicatrizadas por mais dolorosas que tenham sido. Povos outrora inimigos podem deixar as diferenças de lado e conviverem pacificamente. A foto reproduzida aqui no blog demonstra como um bósnio e um sérvio abandonam a tristeza dos conflitos passados e passam a atuar juntos como uma equipe.

As lembranças deixadas pela guerra jamais se apagarão por mais que o tempo passe. Džeko participa ativamente na reconstrução de seu país e auxilia pessoas que sofreram com os confrontos ocorridos na Bósnia-Hezergovina. O bósnio, no entanto, demonstra com esta simples atitude postada em seu Facebook que não vale a pena ficar preso aos ressentimentos passados e que temos muito mais a ganhar quando superamos nossas diferenças em prol de algo mais edificante. Vejo a boa campanha do City como um reflexo desta nobre atitude de Džeko e Kolarov.

Edin e Aleksandar, muito obrigado por esta magnífica imagem. Que ela sirva de exemplo, não apenas a bósnios e sérvios, como também a todas as pessoas do mundo para que haja mais paz entre os povos.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

De Olho nas Sérvias

Imagem extraída de http://www.facebook.com/TorcidaMolicoOsasco

Hoje publico meu primeiro post sobre a Sérvia. Pensei em escrever a respeito da boa geração de zagueiros daquele país, como Neven Subotić, Nemanja Vidić ou Branislav Ivanović. Ou, quem sabe, tecer uma homenagem à bela e talentosa tenista Ana Ivanović. Eu, no entanto, resolvi reforçar a mensagem de domingo sobre a força do vôlei sérvio.

Os países do Leste Europeu sempre investiram pesado no esporte. Já expliquei que a principal motivação dos socialistas durante a Guerra Fria era utilizar o desporto como arma política e utilizar as olimpíadas para provar sua superioridade em relação ao  lado capitalista. A guerra (que nunca aconteceu de verdade) acabou, mas os agora ex-socialistas continuaram investindo pesado na formação de seus atletas.

Quem acompanhou o FIVB World Grand Prix 2013 deve ter notado a grande campanha do selecionado sérvio que obteve o terceiro lugar na competição, além de ter eleito três jogadoras na seleção do campeonato: a ponteira Brankica Mihajlović, a meio-de-rede Milena Rašić e a oposta Jovana Brakočević. Esta última, por sinal, acabou de ser campeã mundial pelo VafikBank Istanbul e sua atuação diante do nosso Unilever/Rio de Janeiro foi incontestável.

A Seleção Sérvia é composta de atletas, em sua maioria, jovens, talentosas e altas. Elas ainda prestarão serviços ao seu país por muitos anos (oito das jogadoras selecionadas têm 25 anos ou menos). Se a atual geração já conquistou um surpreendente terceiro lugar, imagine quando as meninas do Leste Europeu ganharem maturidade e entrosamento. E elas superaram equipes tradicionais como Itália, Rússia, Cuba e Estados Unidos.

Duas das atletas que obtiveram o bronze em Sapporo atuarão na Superliga 2013-14, as ponteiras Brankica Mihajlović (Unilever/Rio) e Sanja Malagurski (Molico Nestlé). Elas vieram ao Brasil porque sabem da hegemonia de nosso voleibol e vieram conhecer a nossa escola. E seria muito bom que nossas atletas e os nossos treinadores aproveitassem a oportunidade e também aprendessem o máximo possível com as estrangeiras.


Imagem extraída de http://www.facebook.com/unilevervolei

A Superliga 2013-14 já começou há algumas semanas, mas, ainda assim, ofereço as boas-vindas a Mihajlović e Malagurski ao nosso país. Espero que elas gostem do Brasil e façam muito sucesso em nossas terras. Teremos muito o que aprender com a escola sérvia de voleibol, assim como as meninas, sem dúvida, não irão esquecer suas passagens pelo Brasil.

E fica de olho nelas, Zé Roberto! Elas são potencias concorrentes por medalhas!

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Jogo da Paz

Faz quase dez anos que as guerras que decretaram a fragmentação da antiga Iugoslávia terminaram, mas as feridas deixadas pelo ditador Slobodan Milosevic ainda não haviam cicatrizado. E, por isso, a expectativa para o jogo entre as duas ex-nações da Iugoslávia era muito grande. As confederações de futebol dos dois países até fizeram acordos para que uma única torcida comparecesse aos estádios para que brigas motivadas pelas questões políticas não interferissem no espetáculo.

As equipes, no entanto, demonstraram respeito mútuo e, pelo menos para o campo, não permitiram que as questões políticas interferissem no jogo. Todos se cumprimentaram e respeitaram ao minuto de silêncio dedicado ao um dirigente croata.

No final, prevaleceu a diplomacia e a esportividade, mostrando que duas nações, outrora inimigas, podem se respeitar, ao menos dentro de campo, e que o passado sombrio envolvendo as duas nações está ficando para trás.

Independente do resultado, quero parabenizar as duas equipes pela partida e pela atitude exemplar para as próximas gerações, que poderão desfrutar de um futuro de paz e prosperidade após um passado marcado pelo sangue e pela intolerância.

O JOGO

A partida teve o resultado merecido, afinal a Croácia tinha um time muito mais ofensivo e criativo que o da Sérvia, que é mais conhecida pelos seus defensores do que pelos seus meias ou atacantes, como Vidic, Subotic e Ivanovic.

Lamento apenas que a Hrvatska não ter valorizado a posse de bola, apesar de contar com meias de habilidade razoável, como Rakitic, Modric, Kranjcar e Perisic (este último, não foi convocado para estas partidas). Garanto que se a Croácia tivesse trocado mais passes, certamente teríamos uma partida bem nais tranquila para os Vatreni. O jogo foi decidido muito mais na força física do que na habilidade.

Me impressionou também a participação dos trintões croatas -Srna, Pletikosa, Simunic e Olic- que mostraram que ainda têm muita lenha para queimar apesar de já terem 30 anos ou mais.

Espero que até 2014, os croatas melhorem seu time e consigam repetir (ou mesmo superar) o desempenho de 1998, com Boban, Bilic e Suker. Quanto à Sérvia, lembremo-nos que trata-se de um time predominantemente jovem. Esses garotos ainda vão crescer e amadurecer muito e, quem sabe, dar muitas alegrias a seu sofrido país.