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| Casagrande e Sócrates: irreverentes, contestadores, politicamente ativos e problemas com drogas (imagem extraída de www.facebook.com/wcasagrandejr) |
Tão marcante quanto a morte de Diego Maradona na última quarta-feira, a imagem do ex-atacante Walter Casagrande Júnior se desfazendo em lágrimas não saiu de minha cabeça. Casão chorou muito e não foi apenas por admiração ao argentino. O comentarista tem muita identificação com o Pibe: ambos foram craques com a bola, sempre foram muito questionadores, sempre foram politicamente ativos, tiveram envolvimento com drogas e, principalmente, os dois já chegaram ao fundo do poço em decorrência dos vícios.
O texto que fiz em homenagem a Maradona continha um parágrafo onde mencionava três jogadores com o mesmo perfil do argentino e que também passaram pelo mesmo drama vivido pelo Pibe: Paulo César Caju, Sócrates e o próprio Casagrande. Citei, ainda, o ex-botafoguense Afonsinho, igualmente contestador mas que, felizmente, não apresentou problemas com entorpecentes ao contrário dos demais lembrados.
Não é segredo que Maradona teve uma vida totalmente desregrada ao longo de sua carreira e que todos os seus excessos cobraram o preço. O Pibe apresentou diversos problemas de saúde após sua aposentadoria, além de recaídas com os vícios, exatamente como aconteceu com os três personagens deste texto.
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| Paulo César Caju (ao centro) vendeu sua medalha de campeão da Copa de 1970 para sustentar seu vício (imagem extraída de www.facebook.com/Botafogo) |
Até hoje me lembro quando Casagrande admitiu seus vícios. O comentarista havia se envolvido em um acidente de carro em 2007 e se mostrava bastante alterado durante as entrevistas. O ex-jogador, dias depois, se internou em uma clínica para dependentes químicos e confessou que estava sob efeito de drogas durante o incidente. O ex-atacante escreveu um livro, "Casagrande e Seus Demônios" (da Globo Livros), onde conta suas experiências com os narcóticos.
Paulo César Caju é bem conhecido pelos leitores antigos do blog. Eu sempre menciono que o ex-botafoguense foi uma das minhas inspirações para escrever visto que eu sempre lia sua coluna no extinto Jornal da Tarde. Caju, assim como Maradona e Casagrande, também se envolveu com drogas e chegou a ser internado duas vezes em clínicas para dependentes, como ele mesmo contou em entrevista para a revista Isto É. O ex-meia, mais tarde, confessou em entrevista à emissora Globo News que se desfez da medalha que ganhou na Copa de 70 para sustentar seus vícios. Hoje ele se diz "limpo" e escreve na revista Placar.
Sócrates não teve a mesma sorte de Caju ou Casagrande. O Doutor, que sempre apreciou uma vida boêmia, apresentou complicações em decorrência do alcoolismo em 2011 e foi internado várias vezes até falecer ao final daquele ano.
Foi impossível não correlacionar o drama vivido por Maradona com o de Caju, Sócrates ou Casagrande. Quatro personalidades com o mesmo perfil e que chegaram ao fundo do poço em decorrência de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas.
As lágrimas de Casagrande não foram uma mera busca por audiência. O comentarista conhece muito bem a dor vivida por Maradona e sobreviveu para contar a história. E cabe lembrar que seu melhor amigo, Sócrates, faleceu em decorrência do mesmo problema, ainda que a droga tenha sido lícita.
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| Sócrates não resistiu após um ano lutando contra complicações causadas pelo alcoolismo (imagem extraída de www.facebook.com/corinthians) |



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