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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Vovôs Maravilha

Imagem extraída de www.facebook.com/vascodagama



Ramón Díaz e Luiz Felipe Scolari têm muito em comum: já são avôs, venceram a Libertadores durante os anos 90, estão milionários e, teoricamente, já poderiam estar desfrutando tranquilamente de tudo o que conquistaram. Os dois treinadores, porém, aceitaram o desafio de tirar suas respectivas equipes da crise a despeito dos riscos de mancharem suas imagens. E ambos conseguiram ao comandaram reações improváveis neste segundo turno.

O Pelado, que estava sem clube após deixar o Al-Hilal, aceitou comandar o Vasco na luta contra o rebaixamento em julho de 2023. O argentino teve direito a um belo pacote de reforços (Gary Medel, Paglo Vegetti, Dimitri Payet, ...) e liderou uma reação inacreditável do Cruzmaltino, que estava com apenas 9 pontos na tabela e foi a 45, suficiente para no bajar.

Felipão, que já estava aposentado e trabalhando como dirigente no Athletico Paranaense, não resistiu ao convite do Galo e seu elenco estrelado. O gaúcho, após um início lento sem nenhuma vitória, conquistou o grupo com seu estilo que combina rigidez com paternalismo. O Atlético Mineiro reagiu bem e lutou pelo título brasileiro contra o Palmeiras até a última rodada.



Imagem extraída de www.facebook.com/atletico

 

Ramón e Felipão até seriam considerados "ultrapassados" a primeira vista, afinal o auge dos dois veteranos já foi há muito tempo. Os dois treinadores, porém, demonstraram que ainda são capazes de montar equipes competitivas e também de motivar seus jogadores a despeito do futebol ter mudado bastante desde os anos 90.

A dupla estava sem mercado antes de assinarem com seus atuais clubes -o último trabalho de Felipão havia sido o emergente Athletico Paranaense enquanto Pelado estava desfrutando dos "petrodólares" na Arábia Saudita. Os dois veteranos, porém, mostraram que ainda têm lenha para queimar e, com o sucesso obtido em 2023, ambos podem ter reaberto as portas dos grandes times.

Ramón Díaz e Luiz Felipe Scolari já não gozam do mesmo prestígio dos anos 90 mas provaram que não estão ultrapassados e que ainda podem prestar bons serviços a despeito do tempo de carreira. Se conseguirem manter a toada durante as próximas temporadas, os dois "vovôs" podem trazer mais alegrias para os seus torcedores. E com menos sustos desta vez.



Imagem extraída de www.facebook.com/vascodagama




sábado, 17 de junho de 2023

Plot Twist

Imagem extraída de www.facebook.com/atletico



Luiz Felipe Scolari, após uma boa campanha pelo Athletico Paranaense em 2022 (ele fora vice-campeão na Libertadores), anunciara sua aposentadoria do banco de reservas e trabalharia como dirigente no Furacão enquanto seu auxiliar, Paulo Turra, seria efetivado como treinador. Felipão, porém, não resistiu a uma nova oportunidade de comandar um grande time e prontamente aceitou o convite do Atlético Mineiro ontem. Turra também acabou desligado do Rubro-Negro na sequência. 

Felipão não precisaria voltar a trabalhar. Ele já é um treinador vitorioso com uma Copa do Mundo (de 2002 pela Seleção Brasileira) e duas Libertadores (1996 pelo Grêmio e 1999 pelo Palmeiras) no currículo, além de estar com a vida financeira resolvida. Mas o gaúcho certamente ainda deseja apagar as lembranças amargas que deixou no futebol (em especial, a derrota por 7x1 diante da Alemanha) além de se livrar do rótulo de "ultrapassado" que seus críticos passaram a lhe atribuir.

O gaúcho, justiça seja feita, ainda conseguiu montar equipes competitivas durante os últimos anos (foi campeão brasileiro pelo Palmeiras em 2018 e também vice na Libertadores pelo Athletico em 2022) mas nada que lembrasse os seus grandes trabalhos realizados durante os anos 90 e 2000.



Imagem extraída de www.facebook.com/clubathleticoparanaense



O ego, porém, sempre fala muito alto em situações como esta. Telê Santana, mesmo com problemas de saúde durante a década de 90, queria provar que ainda reunia condições de trabalhar e acertou com o Palmeiras em 1997, mas seu fragilizado corpo o obrigou a renunciar ao cargo antes de assumir. Ou Vanderlei Luxemburgo, que estava aposentado mas não resistiu à oportunidade de voltar ao Corinthians e calar a boca dos críticos que o chamam de "ultrapassado".

Felipão terá um gordo salário no Galo (estimado em R$ 1,2 milhões) e um elenco robusto à sua disposição, dois belos incentivos para voltar ao trabalho. Porém, precisará motivar o elenco que está com atrasos nos vencimentos e também buscar por resultados a curto prazo visto que as dívidas do Galo estão na casa de R$ 2 bilhões.

A escolha do Galo por Felipão pode dar certo ou errado visto que o futebol não é uma ciência exata mas o gaúcho não precisa provar a sua grandeza visto os títulos que conquistou falam por ele. Mais do que isso, uma eventual campanha ruim pode manchar ainda mais a sua imagem e oferecer ainda mais argumentos para os críticos atestarem que o técnico está realmente ultrapassado. Isso sem mencionar que o treinador não cumpriu a sua palavra de que não mais voltaria à casamata.


 

Imagem extraída de www.facebook.com/atletico




terça-feira, 11 de novembro de 2014

A Geração Perdida de Felipão

Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/



Felipão fez história na Seleção Brasileira com a conquista do penta em 2002 e ficou muito perto de deixar seu nome na história de outra seleção na década passada.

O treinador gaúcho esteve à frente da Seleção Portuguesa de 2003 a 2008 e ouso dizer que ele teve a honra de comandar a melhor geração de atletas lusos de todos os tempos.

A Seleção das Quinas da última década era composta pelo lendário Luís Figo (melhor jogador do mundo em 2000 e com passagens vitoriosas por Real e Barça), um Cristiano Ronaldo ainda em início de carreira e vários outros grandes nomes como Deco e Simão.

Para uma seleção que jamais conquistou títulos e sempre apresentou desempenhos modestos em competições (exceto pelo ano de 1966, quando a geração de Eusébio conquistou um terceiro lugar), Portugal viveu uma década que pode ser considerada memorável nos anos 2000. Foi vice-campeã na Euro 2004 e quarto lugar na Copa 2006.



Portugal 4-3-3 football formation
A Seleção Portuguesa semi-finalista de 2006
(imagem obtida via footballuser.com).



A Seleção das Quinas, por outro lado, não conseguiu aproveitar seu grande momento e o grande elenco que tinha à disposição. Acabou frustrando o torcedor ao perder a final em casa para a Grécia em 2004 e depois deixou a Copa 2006 de mãos vazias após as derrotas para a França de Zidane e depois para a Alemanha de Ballack. Na Copa do Mundo era até compreensível -os Bleus e a Mannschaft possuíam times fortes demais até mesmo para o Brasil de Ronaldinho e para a Argentina de Riquelme- mas a Grécia era um rival acessível por possuir pouca tradição no futebol e atuar muito mais na base da força do que da técnica.

Culpa do treinador? Não acho que Felipão tenha convocado ou escalado mal o time. Era a melhor geração portuguesa de todos os tempos desde a era de Eusébio. A equipe atuou mal? Talvez, mas os rivais mais retranqueiros, infelizmente, conseguem tirar os espaços dos times mais habilidosos jogando fechados lá atrás, fazendo faltes e aproveitando os espaços deixados para fazerem contra-ataques. Felipão, ironicamente, perdeu o título em casa no ano de 2004 sendo vítima de arma preferida.

Felipão deixou a Seleção Portuguesa em 2008 após a Eurocopa daquele ano e o time das Quinas ainda conta com o talento de Ronaldo (remanescente daquela geração), além de alguns lampejos de Nani e Moutinho. Estes atletas terão 32 anos em 2018, ano da próxima Copa do Mundo, e terão mais uma chance para conseguir os troféus que a geração de Figo, Simão e Deco não conseguiu apesar de todo o talento.

Foi uma grande geração que não passou do "quase lá".



Imagem extraída do Facebook oficial de Cristiano Ronaldo- https://www.facebook.com/Cristiano/

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

É o Treinador quem Convoca a Seleção?

Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/



Assistindo aos amistosos do Brasil contra a Colômbia e o Equador, me veio a seguinte pergunta: foi mesmo o Dunga quem convocou e escalou a nossa Seleção? A equipe é praticamente a mesma que Felipão utilizou para disputar a Copa do Mundo 2014. E, se olharmos friamente, há também muitas semelhanças com os times que Mano Menezes -antecessor de Felipão- escalou entre 2010 e 2012.



A seleção de Felipão na Copa 2014 (esquerda) e o time escalado por Dunga para os dois amistosos (direita): muitas
semelhanças e poucas diferenças na escalação (imagem obtida via this11.com).



O time escalado por Dunga melhorou um pouco o meio-de-campo em relação ao antecessor. Agora, os meias encostam mais nos atacantes, enquanto as equipes de Felipão deixavam um buraco no meio-de-campo obrigando os zagueiros a utilizarem a ligação direta. A Seleção, contudo, ainda apresenta individualismo demais e coletividade de menos. Muitas jogadas criadas são desperdiçadas porque os atletas tentam resolver tudo sozinhos ao invés de passarem a bola para um companheiro melhor posicionado. E o time confunde "velocidade" com "correria", um vicio que impregna o futebol brasileiro.

A Seleção Equatoriana padece do mesmo mal de jogar muito na correria. Não à toa, eles conseguiam chegar com facilidade à área brasileira em contra-ataques graças às arrancadas de seus jogadores. Mas pecavam muito nas finalizações e trocavam poucos passes. Em decorrência disso, tivemos um jogo bastante movimentado, mas pouco objetivo e decidido na bola parada mais uma vez.



Brasil ataca mais, mas não consegue furar as duas linhas de quatro
equatorianas, além de perder muito a bola por excesso de
individualismo. Equador atua em contra-ataques velozes aproveitando
os espaços deixados pelas subidas dos brasileiros, mas finaliza
mal (imagem obtida via this11.com).



O individualismo do Brasil, contudo, serviu para que o Brasil cavasse mais faltas próximas ao gol de Domínguez, que continua um bom goleiro e repetiu o bom desempenho exibido contra a França. O arqueiro equatoriano pouco pôde fazer contra a bola levantada na medida por Neymar para Willian fazer o único gol da partida.

Dunga ofereceu chance para os reservas mostrarem algum serviço. Éverton Ribeiro, Goulart, Coutinho, Elias e Fernandinho foram à campo. Estas, por sinal, foram as mesmas substituições feitas no jogo contra a Colômbia. O único estreante foi o corinthiano Gil, que teve pouquíssimo tempo para mostrar alguma coisa. Na prática, os dois amistosos transmitiram poucas esperanças de mudanças na Seleção, seja a curto ou a longo prazo.

Se o Brasil quiser apagar de vez o 7x1 sofrida pela Alemanha, terá de mudar muito mais que o treinador. É necessário mudar o jeito de jogar, abandonar os vícios de "jogar por uma bola", parar com essas bobagens de exaltar a raça em detrimento à técnica.

As seleções de 2010 (comandada pelo próprio Dunga) e de 2014 (comandada por Felipão) eram esforçadas, mas apresentavam pouca criatividade em campo. Dependiam muito do talento individual de seus poucos craques ao invés de se valerem do conjunto. A Espanha e a Alemanha (campeãs de 2010 e 2014, respectivamente), por outro lado, não tinham muitos destaques individuais, mas sim muito jogo coletivo. Vicente Del Bosque e Joachim Löw sabem muito bem que futebol não é jogo de um homem só e que no campo são 11 contra 11.

Dunga teve uma grande oportunidade de começar algo novo para o ciclo da Copa 2018, mas, com esse futebol de mais "pegada" do que técnica e placares magros, não animou muito os torcedores. E com praticamente o mesmo elenco de Felipão, transmitiu a sensação de que não é o treinador quem convoca a Seleção. Será?

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ele Voltou!

Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/


Felipão está de volta ao Grêmio. Quase duas semanas após deixar a Seleção Brasileira, o treinador gaúcho foi anunciado pelo Imortal, clube onde ele ficou famoso nos anos 90 ao conquistar muitos títulos, incluindo uma Copa do Brasil (1994), uma Libertadores (1995) e um Brasileirão (1996).

Felipão, à essa altura, já deve ter sido apresentado e já deve conceder suas primeiras entrevistas como treinador do Grêmio, substituindo Enderson Moreira que caiu no último domingo após o Tricolor perder em casa diante do Coritiba.

É fato que Felipão é um treinador que tem história e identificação com o Grêmio. Mas também é fato que Felipão não é o tipo de treinador que o Imortal precisa para brigar pelos títulos.

Enderson Moreira estava escalando o Grêmio com três volantes e sua equipe era muita raça para pouco futebol, e Felipão é um treinador cujo estilo não difere muito do antecessor. As únicas vantagens de Scolari com relação a Enderson são o seu passado vitorioso e que o treinador gaúcho sabe motivar sua equipe.

Felipão merece reconhecimento pela sua história gloriosa no Grêmio, mas os dirigentes não podem usar o passado como projeção para o futuro. Os cartolas, como a maioria dos brasileiros, preferem a "segurança" de um caminho já trilhado ao invés de arriscarem novas possibilidades.

As críticas que faço à escolha de Felipão nada têm a ver com seu recente fracasso na Seleção Brasileira, e sim pelo fato de que ele dificilmente mudará o estilo de jogo do Grêmio. Ele apenas deve mudar alguns jogadores, talvez a formação tática e deve continuar apostando no jogo defensivo de seu antecessor.

Espero estar errado com tudo o que escrevi aqui e que o treinador me surpreenda da melhor forma possível. Uma equipe da grandeza do Grêmio merece algo melhor do que apenas uma vaga na Copa Sulamericana.


Imagem extraída de https://www.facebook.com/MeuGremio/

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Justificar o Injustificável

Imagem extraída de https://www.facebook.com/CBF/


Evitei ao máximo fazer críticas à Seleção Brasileira após a vexatória derrota por 7x1 pela Alemanha. Primeiro porque reconheço que a equipe era limitada, mas tinha vontade de vencer e, a meu ver, não faltou comprometimento por parte dos atletas, pelo menos da maioria deles. Segundo porque é muito fácil pisar nas pessoas quando elas erram e chega a ser oportunismo jogar toda a culpa por um fracasso em algumas poucas pessoas e ignorar o sucesso que elas tiveram no passado.

A comissão técnica e os dirigentes, contudo, tiveram a maior parte da culpa pela derrota. O treinador e seus auxiliares porque convocaram muitos jogadores que não deveriam estar na Seleção e deixaram a desejar na organização do time -não havia padrão de jogo, coletividade, criatividade e improviso. E os cartolas, por sua vez, decidiram dar um passo atrás ao "ressuscitarem" Felipão e Parreira em um ato de puro desespero após os fracassos de Mano Menezes ao invés de prosseguirem com a renovação da equipe. A ideia deu certo a curto prazo com a conquista da Copa das Confederações em 2013, mas mostrou-se pouco efetiva para o mundial.

A entrevista coletiva que a dupla concedeu na quarta-feira nada mais foi do que tentar justificar o injustificável. Felipão ateve-se a dados estatísticos para explicar suas escolhas e Parreira leu uma carta assinada por uma torcedora identificada como Dona Lúcia. Alguns veículos da imprensa criticaram pesadamente a atitude da dupla (com razão) e alguns até viram "arrogância" por parte dos dois treinadores.

Vejo, por outro lado, que não é fácil lidar com alguns repórteres que adoram criar polêmica com o treinador apenas para vender jornal, com a imensa responsabilidade de fazer o time render para não passar vergonha diante de sua própria torcida (algo que, infelizmente, acabou acontecendo) e também com a imensa expectativa criada de que o hexacampeonato já estava assegurado. Ainda assim, não tiro a razão dos críticos e acho que a dupla de treinadores realmente devia explicações sobre o fracasso. Ser eliminado é normal e poderia acontecer, mas ter levado 7x1 em casa significa que realmente havia algo errado. Muito errado.

Há quem diga que Felipão e Parreira têm chances de permanecer, mas duvido muito. É verdade que eles conquistaram títulos mundiais no passado, mas o melhor mesmo é eles saírem após o jogo de sábado, nem que seja apenas por alguns anos até a poeira baixar.

Tite foi citado por muitos jornais para assumir o cargo, mas acho que ele, Muricy, Abel ou outros do gênero não são o que a Seleção precisa no momento. Eu faço coro com os resultados das enquetes e gostaria de ver Josep Guardiola (Bayern), Jürgen Klopp (Borussia Dortmuns) ou Arsène Wenger (Arsenal) no cargo. Todos eles têm boas ideias, fazem o time jogar coletivamente e aproveitam muito bem os talentos dos jogadores. Se a opção for mesmo por um técnico brasileiro, o meu favorito é Marcelo Oliveira do Cruzeiro, um dos poucos treinadores daqui que adotam o toque de bola e a ofensividade.

De qualquer forma, concordo com o que comentaristas escreveram a respeito da eliminação do Brasil: o fracasso é a melhor maneira de se dar início a uma renovação. Se tivéssemos vencido a Copa, dirigentes e treinadores sentariam em cima do hexa e diriam que o futebol brasileiro está às mil maravilhas e as falhas de nosso esporte permaneceriam encobertas pela euforia do título. Como o objetivo (que era encarado como "obrigação") não foi atingido, ao menos o nosso futebol passará por algumas mudanças, ainda que sutis.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sem Novidade

Imagem extraída de http://www.facebook.com/CBF

Apenas o volante Fernandinho (do Manchester City) e o lateral-direito Rafinha (do Bayern München -e não "Bayer", como está escrito na relação abaixo). Estas foram as tais "surpresas" que Felipão havia prometido na convocação para o amistoso contra a África do Sul. Quem esperou por Philippe Coutinho, Miranda, Kaká e outros, se decepcionaram.

Ainda há espaço para mais três atletas que atuam no Brasil, mas também não espero novidades. Acho que Jefferson (Botafogo), Réver (Atlético-MG) e Jô (Atlético-MG) devem completar a lista. Há ainda a expectativa para que Fred (Fluminense) se recupere até a Copa do Mundo. Como sempre, pesa a convicção do "professor" de manter por perto a sua "família". Ademais,o tempo está apertado para se fazer novos testes.

A meu ver, os atletas brasileiros que buscam por uma chance para jogar a Copa de 2014 com Felipão perdem seu tempo. O treinador já fechou o seu grupo há muito tempo e dificilmente promoverá grandes mudanças. Isto provavelmente pesou para que o atacante Diego Costa, que foi injustamente criticado pelo treinador e por dirigentes da CBF, optasse por defender a Espanha ao invés do Brasil.

Sobre o trabalho e as escolhas de Felipão, eu o elogio pela conquista da Copa das Confederações no ano passado, pelo resgate da motivação do time e também do respeito da Seleção Brasileira pelos adversários. Lamento, no entanto, que o "professor" esteja muito mais preocupado em defender do que criar chances de gol, além de convocar atletas como Hulk, Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires, que se destacam muito mais pelas características físicas do que pelas técnicas.

Ainda não vai ser na Copa de 2014 que voltaremos a ver o Brasil jogando com a bola no chão, driblando e encantando como fazia em seus tempos áureos, salvo por alguns bons jogadores, como Neymar, Bernard e Oscar. Este papel caberá à Espanha, à Alemanha e à Argentina, além de alguns bons lances de Colômbia, Chile, Holanda e Bélgica.


Imagem extraída de http://www.facebook.com/CBF

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Apenas Sangue e Suor

Imagem extraída de http://www.facebook.com/CBF

A Copa do Mundo ainda nem começou e já estou ansioso pelo seu término. Fico pensando em quem irá suceder Felipão assim que a participação do Brasil no mundial terminar, tenha a Seleção conquistado o título ou não.

Assisti ontem à uma entrevista do treinador do Cruzeiro, Marcelo Oliveira, concedida ao programa Arena Sportv e gostei muito do que ele falou. Marcelo declarou que se inspira no saudoso Telê Santana, que gosta de colocar o seu time no ataque e valorizando a posse de bola. Bem ao contrário do que "professores" como Felipão, Tite, Muricy e Mano Menezes gostam de fazer.

Os dois jogos da Seleção Brasileira (contra Honduras e Chile) mostraram claramente a mentalidade de Felipão: ele gosta de atletas esforçados, que gostam de dar o sangue, mesmo que isto signifique enfraquecer a equipe tecnicamente.

Luiz Gustavo, por exemplo, cometeu um monte de faltas no jogo contra o Chile e participou pouco da partida. E ele já tem duas expulsões na Bundesliga 2013-14, mas continua tendo vaga cativa com Felipão. O Hulk é esforçado e brigador, mas não o vejo driblar, passar ou criar. Paulinho e Ramires são velozes e colocam dinâmica no jogo, mas não têm molejo para sair driblando. E o Felipão erra ao deixar o Paulinho muito preso à marcação, quando o seu forte é justamente subir para o ataque.

Os chilenos jogaram com muitos desfalques -Vidal, Aránguiz e Isla foram poupados- e, mesmo assim, a Roja chegou a ter 65% da posse de bola. O time de Jorge Sampaoli atacou e marcou muito bem no jogo de ontem e até merecia a vitória, mas pecou ao manter os jogadores muito afastados uns dos outros (o que ocasionou muitos passes errados) e insistir em demasia no jogo aéreo, quando deveria atuar mais com a bola no chão, lembrando que o time do Chile é formado, em sua maioria, por jogadores baixinhos. O goleiro Claudio Bravo deu alguns sustos quando tentou sair jogando com os pés.

Pelo Brasil, gostei muito da participação de Willian, a única "invenção" de Felipão que eu aprovei. Ele já merecia ser convocado desde os tempos de Shaktar Donetsk, mas, às exceções de Hulk e Bernard, os treinadores não convocam mais atletas que atuam no Leste Europeu. E o Neymar foi bem, mas deveria jogar mais próximo da área. Esse negócio de armar o time no 4-2-3-1 e mandar o atacante voltar para marcar tira o seu brilho: você rebaixa o melhor atacante brasileiro para um meio-campista comum. Do jogo contra os brucutus de Honduras nem falo muito: os caras chutaram mais as pernas dos brasileiros do que a bola.

Fico pensando na possibilidade de Marcelo Oliveira assumir a Seleção depois que o Felipão for embora no ano que vem. Se ele fez o "limitado" Cruzeiro ser campeão brasileiro com toda aquela autoridade, imagine se ele tivesse em mãos alguns dos melhores jogadores do mundo em atividade...

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Águas Passadas

Imagem extraída de http://www.facebook.com/pages/CBF/109633385880527

Felipão garantiu o goleiro Júlio César na Copa de 2014. O arqueiro atualmente defende o Queens Park Rangers (que acabou de cair para a segunda divisão do Campeonato Inglês) e estará com 35 anos durante a disputa do mundial.

O carioca deixou a Internazionale ao término da temporada 2011-12 após uma aparente decadência com o fracasso da Seleção na Copa América 2011 e com as péssimas campanhas dos Nerazzurri -que trouxeram o sérvio Samir Handanovič para o lugar do brasileiro.

Não nego que Júlio César foi um excelente goleiro. Sua ascensão pela Inter durante a temporada 2006-07 foi arrasadora a ponto de mandar o titular Toldo para o banco. Foram cinco Campeonatos Italianos consecutivos (de 2005 a 2010) e uma Champions League (2009-10) pela equipe milanesa. Júlio também foi o goleiro da Seleção durante a "Era Dunga", fazendo grandes defesas e conquistando dois títulos (Copa América 2007 e Copa das Confederações 2009). Tudo indicava que o marido de Susana Werner traria o hexacampeonato em 2010 com sua segurança e com sua fase arrasadora.

A Copa de 2010, infelizmente, foi cruel com Júlio. O arqueiro falhou em alguns lances e levou gols de adversários teoricamente fáceis, como Coréia do Norte e Costa do Marfim. O goleiro fez temporadas fracas pela Internazionale após aquele ano. Ele ainda foi convocado por Mano Menezes para jogar a Copa América em 2011, mas falhou nos gols contra o Equador e não conseguiu evitar a eliminação do Brasil nos pênaltis contra o Paraguai. Aparentemente, estava acabada a carreira do arqueiro carioca pela Seleção.

Felipão, porém, deu mais chances ao goleiro e permitiu que o carioca retomasse a titularidade. Até o momento, Júlio não tem decepcionado e parece ter recuperado a confiança e segurança que o consagraram. O arqueiro, inclusive, foi o titular da Copa das Confederações deste ano, vencida pelo Brasil.

Mas o que esperar de Júlio César em 2014? Em 2010, quando estava no auge e atravessando um momento espetacular em sua carreira, o carioca decepcionou e seu rendimento teve uma queda vertiginosa desde então.

Dizem que águas passadas não movem o moinho, mas não podemos superestimar as capacidades de Júlio. Seu grande momento já foi.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Retrocesso

Quando a CBF anunciou o retorno de Luis Felipe Scolari à Seleção Brasileira, considerei como um retrocesso. Não que o seu antecessor Mano Menezes estivesse fazendo um bom trabalho, mas quando perdemos a Copa em 2010 com a envelhecida seleção de Dunga, os dirigentes da CBF mencionaram muito a palavra "renovação" ao colocar o ex-corinthiano no comando da Canarinho.

A renovação passou a ser colocada em prática logo na primeira convocação, com Neymar, Ganso e Pato tomando o lugar de atletas trintões como Juan, Lúcio, Maicon e Gilberto Silva. Esqueceram, contudo, de avisar aos dirigentes que todo processo de renovação é marcado por resultados irregulares. Como os resultados não vieram, os cartolas da CBF tiveram a ideia de ressuscitar o Felipão. Matamos a chance de reinventar o nosso futebol em favor da pressa por títulos.

Não nego que o ex-palmeirense teve o mérito de conquistar a Copa do Mundo de 2002 e a Copa das Confederações de 2013 em momentos quando a Seleção não transmitia nenhuma confiança. Tal argumento ganha força quando levamos em conta que Felipão escalou praticamente o mesmo time de seu antecessor e fez aquele time vencer um campeonato. O treinador, portanto, fez a diferença no banco de reservas.

Não posso concordar, contudo, que o treinador continue com a mesma filosofia de armar equipes mais preocupadas com os aspectos defensivos do que ofensivos. Ou será que alguém aí achou que jogamos um futebol de encher os olhos nos últimos anos? Ademais, ganhar na base da catimba e fazendo um monte de faltas é uma atitude que considero condenável, assim como fizemos contra a Espanha.

Também não posso concordar com a convocação que o senhor Felipão realizou ontem. Na última lista apareceu o nome do Maicon. Ele até pode ter sido eleito o melhor lateral da Copa 2010, mas isso foi há três anos atrás. Não justifica convocá-lo agora, afinal Maicon fez uma temporada fraquíssima no Manchester City e ficou esquentando banco na maior parte do tempo. Julio César, idem: ele acabou de ser rebaixado pelo fraquíssimo Queens Park Rangers e suas últimas exibições em nada lembram aquelas que o arqueiro fazia na Internazionale, quando desbancou o titular Toldo. Quanto ao retorno do Ramires, até aceito: não é tecnicamente brilhante, mas ele ajuda um pouco na armação de jogadas. Pena que a dupla de volantes vai ser Luis Gustavo e "mais um". Se eu armasse o time no 4-2-3-1, eu escolheria entre Paulinho, Hernanes e Ramires, pois os três não se limitam a marcar e ajudariam a aliviar a responsabilidade do Oscar, que é o único atleta que o Felipão designou para armar a jogadas.

Respeito o Felipão pelos títulos, mas não concordo com a sua filosofia de jogo, nem com suas convocações. E não estranhem se atletas como Juan, Lúcio e Cris reaparecerem. Se Júlio César e Maicon voltaram, não acharia nem um pouco estranho se mais veteranos reaparecerem. Se quer adicionar experiência em campo, convoque o Alex Cabeção assim que ele voltar de lesão.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Os Times que Eu Vou Apoiar em 2014

Imagem extraída do Facebook oficial de Gerard Piqué-
http://www.facebook.com/3GerardPique

Será que alguém aí viu alguma luz naquele amistoso horrível entre Brasil e Suíça? Eu só assisti ao segundo tempo e foi o suficiente para ver cenas dignas de um coliseu romano, com atletas desferindo mais chutes nos colegas de profissão do que na bola. E ainda tem gente capaz de exaltar o trabalho que o Felipão faz na Seleção Brasileira. Façam-me o favor.

Se o Brasil faz questão de abraçar o "estilo guerreiro" adotado por Felipão, Dunga, Mano Menezes, Tite, Muricy, Abel e tantos outros, estejam à vontade. Nesse caso, só me resta torcer para uma outra Seleção que jogue futebol de verdade: limpo, coletivo, bonito e agradável de se ver.

A primeira seleção que eu vou apoiar em 2014 vai ser, obviamente, a Espanha, assim como disse o grande Paulo César Caju. Esta, aliás, deverá ser a última Copa do Mundo da geração de Iniesta, Xavi, Villa e Torres, uma vez que quase todos estes atletas estarão com mais de 30 anos após 2014. O Tiki-Taka criado pelo Mestre Johan Cruyff e aperfeiçoado por Guardiola, Aragonés e del Bosque é mais do que futebol: é uma verdadeira obra de arte, com uma posse de bola absurda e muito toque de bola. O pobre adversário nem consegue jogar e fica a partida inteira correndo atrás da bola.

A Alemanha joga um futebol que combina o melhor da força física (atletas altos, fortes e velozes) com técnica e habilidade (dribles, jogo coletivo, passes e cruzamentos certeiros). A Mannschaft, outrora pesada e estritamente defensiva, agora conta com atletas leves, velozes e habilidosos, como Thomas Müller, Mario Götze, Marco Reus, Julian Draxler, Lewis Holtby, entre outros. O futebol alemão está tão forte que os dois finalistas da última Champions League eram alemães -o Bayern München e o meu Borussia Dortmund. O treinador Joachim Löw só deve lamentar não poder escalar Ribéry, Robben e Lewandowski em seu time.

Também vou torcer pelos nossos eternos rivais, a Argentina. O último amistoso contra a Itália (que alterna momentos de truculência com toque de bola) deixou bem claro que a Albiceleste não depende apenas de Lionel Messi e o time argentino tem à sua disposição atletas para envolver e pressionar o adversário. Lamento, apenas, que o grande Juan Román Riquelme não voltará à Seleção Argentina, pois sua inteligência e visão de jogo estão fazendo falta à Albiceleste até hoje.

Além das três seleções, também me agrada o Chile e seu toque de bola claramente influenciado por Marcelo Bielsa -o atual treinador, Jorge Sampaoli, é um entusiasta do estilo de seu conterrâneo. A Colômbia possui bons jogadores -Jackson Martínez, James Rodríguez e Falcao García, todos com passagem pelo Porto- que jogam um bom futebol. Idem para a Bélgica que tem Eden Hazard, Courtois, Vertonghen, entre outros. A França de Nasri, Ribéry e Benzema até sabe jogar coletivamente, mas sempre adota táticas defensivas e até violentas quando se depara com uma seleção grande. Tem que mudar isso, Didier Deschamps, afinal os Bleus têm craques à disposição e não precisam jogar na força.

O Brasil tem jogadores talentosos à disposição: Neymar, Oscar, Lucas, Hernanes, Willian, Bernard, ... Gostaria muito que o Felipão arrumasse um jeito de colocar todos esses atletas para jogar juntos e fazer a nossa seleção atuar como nos velhos tempos. Como o treinador gaúcho dificilmente vai fazer isso, minha torcida em 2014 continuará sendo para Espanha, Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Bélgica e França; as seleções que realmente jogam bola.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Retorno da Família Scolari

O técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, divulgou ontem a lista de convocados para o amistoso contra a Suíça, a ser realizado no dia 14 de agosto. Praticamente toda a base da Copa das Confederações foi mantida. Ao que indica, uma nova "Família Scolari" foi montada.

A principal novidade foi o lateral esquerdo Maxwell, do Paris Saint-Germain, que entra no lugar de Filipe Luis. Ele foi um jogador apenas razoável no meu Barcelona. E, pelo que eu vi nos jogos do PSG, Maxwell atua muito mais como opção defensiva do que ofensiva na lateral-esquerda.

Felipão convocou Bernard, Lucas e Hernanes. Achei ótimo, mas o treinador, provavelmente, vai continuar escalando Luiz Gustavo e Hulk como fez na Copa das Confederações.

É uma pena que a habilidade e a técnica estejam sendo deixados de lado em detrimento à raça e à força física. E o pior é que Felipão ganhou argumentos ao seu favor quando derrotou a Espanha amarrando o jogo e fazendo um monte de faltas. Rinus Michels e Telê Santana devem estar se revirando em seus túmulos com o resultado da última Copa das Confederações...

O Brasil já foi o paraíso dos craques. Hoje mais parece ser dos volantes brucutus e dos zagueiros raçudos.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Afinal, Onde Mano Errou?

Eu não concordava com a proposta de jogo que o técnico Mano Menezes nos oferecia para a Seleção Brasileira entre 2010 e 2012, da mesma forma que continuo não concordando com a mentalidade que o Felipão adota quando dirige o Brasil. Ambos colocam em campo muito mais gente para marcar do que para criar.

Mano, contudo, não montava seus times de maneira muito diferente de Felipão. Dani Alves, Thiago Silva, David Luis, Oscar, Hulk e Neymar tinham cadeira cativa com o treinador gaúcho, e continuaram tendo com Felipão. Paulinho e Marcelo atuavam esporadicamente. Dos atletas que o ex-corinthiano sempre convocava, perderam espaço Sandro e Rômulo, enquanto Jefferson foi desbancado para a reserva do "revivido" Júlio César. O esquema tático também continua o mesmo, adotando uma variação do 4-2-3-1, com os dois alas tendo de voltar para ajudar na marcação.

Em termos de personalidade, Mano e Felipão se assemelham muito. Nas entrevistas, ambos demonstram a mesma postura tranquila, mesmo diante de perguntas espinhosas. À beira do gramado, não é incomum vê-los gritando com os atletas. Felipão, aliás, chegou a indicar o conterrâneo Mano Menezes (os dois são do Rio Grande do Sul) para assumir a Seleção Portuguesa quando o pentacampeão deixou o comando da Seleção das Quinas. Um último detalhe em comum entre os dois: ambos ganharam projeção nacional dirigindo o Grêmio.

O que, então, Felipão tem a mais em relação a Mano, afinal? Por que trocamos um treinador por outro com as mesmas características, tanto em termos de personalidade, quanto de estilo de jogo?

O primeiro fator, sem dúvida, são os títulos: Felipão foi pentacampeão pela Seleção Brasileira e duas vezes campeão da Libertadores (1995 pelo Grêmio e 1999 pelo Palmeiras). Tais títulos tornaram o treinador respeitado em todo o Brasil.

Felipão também é tido como "motivador", fazendo o atleta jogar com raça e determinação. Eu, no entanto, acho que nunca faltou raça no Grêmio ou no Corinthians de Mano Menezes.

Por fim, talvez Mano estivesse muito "verde" para assumir uma responsabilidade tão grande como dirigir a Seleção Brasileira naquela época. Ele tinha apenas 48 anos quando teve o direito de comandar a Canarinho. E, em seu currículo, constavam apenas dois títulos na Série B, uma Copa do Brasil e títulos estaduais. Na Libertadores, o melhor que ele conseguiu foi um vice-campeonato em 2007, quando Riquelme, Dátolo, Palermo e outros atropelaram o Imortal. O único adversário que atuava na técnica e no talento mandou o raçudo Grêmio de Mano para a lona.

Quando Mano assumiu o Corinthians em 2008, muitos o consideravam o "Novo Felipão". Ele ainda não chegou lá, mas tem potencial para isso.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Uns Pedidos Para o Felipão

Agora que a "ressaca" da vitória de ontem sobre a França passou, gostaria de aproveitar e fazer uns pedidos para que o treinador da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, continue a nos presentear com placares como os de ontem.

Eu, como escrevi anteriormente, não achei a lista de convocados ruim, embora tenha sentido a ausência de nomes como Ronaldinho Gaúcho. Felipão, porém, é um treinador pouco flexível e dificilmente muda sua convicções. Se o time estivesse tão bem assim, o Brasil teria feito um estrago na Inglaterra, que é um time muito mais fraco que a França -acho que por lá, só Rooney, Walcott e o Oxlade-Chamberlain jogam bola. E o Roy Hodgson não levou o Danny Welbeck, que tem futebol para crescer e ajudar a renovar o English Team. E ontem contra a França, a equipe melhorou depois que ele mexeu no time.

Dessa forma, o primeiro pedido que faço ao Felipão: por que insistir com Hulk (que é apenas esforçado) e Gustavo (que é reserva do Bayern) como titulares? Li os jornais de hoje e comprovei que não fui apenas eu que critiquei o desempenho dos dois. O time melhorou muito ontem depois que Lucas e Hernanes os substituíram. E, ainda por cima, cada um deles deixou um gol.

Segundo pedido: se o senhor insiste em fazer o 4-2-3-1, com os dois atacantes abertos tendo de voltar para marcar, tudo bem. O Bayern e o Borussia Dortmund se dão bem fazendo isso. Mas libere os volantes para apoiar mais. O Paulinho salvou a sua pele no jogo contra a Inglaterra e o Hernanes anotou o dele ontem a despeito do senhor ter dito que "volante artilheiro só é bom na televisão". Os dois times alemães que eu mencionei têm qualidade no meio de campo porque os volantes participam do jogo, ajudando no ataque e na armação. Isso ajuda a diminuir a responsabilidade do meia central (Oscar, no nosso caso) na criação de jogadas e ainda dificulta a marcação do adversário.

Por fim, gostaria que o time jogasse mais com a bola no chão. No segundo tempo de ontem, o Brasil trocou mais passes no campo de ataque e isso melhorou muito o desempenho do nosso time. E nós temos jogadores que sabem fazer isso. Esse negócio de jogar na correria e nas bolas altas só dá certo se você tem os jogadores certos para isso. Nossos atletas não são nem muito altos e nem muito musculosos pra jogar dessa forma. O Bayern, que joga em velocidade e nas bolas altas, não fica só nesse esquema e o time sabe muito bem trocar passes quando precisa confundir a marcação adversária.

E é bom o Brasil se preparar, pois nossa chave tem a Itália (que joga trocando passes) e o México (time em evolução e que tem jogo coletivo e marcação eficientes). É muito importante não desperdiçar pontos nem chances de gol.

domingo, 2 de junho de 2013

Sobrou Raça, Faltou Futebol

Olhando o desempenho do Felipão nos últimos anos, a gente pode fazer a seguinte pergunta: como um treinador, apontado pelos próprios palmeirenses como responsável pelo rebaixamento do Verdão, pode ser o técnico da Seleção Brasileira?

O sujeito tem a sua disposição nomes como Bernard, Lucas e Hernanes mas deixa todos no banco. Prefere dar lugar a Luiz Gustavo (que é reserva no Bayern München) e Hulk (que é muito esforçado mas pouco técnico). Além disso, Felipão coloca Fred e Filipe Luis em campo, sendo que o jogador do Fluminense estava sentindo dores após a "batalha" contra o Olimpia enquanto o lateral do Atlético de Madrid sofreu uma fratura no rosto há pouco tempo. Esse tipo de atitude poderia agravar as lesões e dar fim à carreira da dupla.

Em campo, a Seleção do Felipão parecia uma versão melhorada do Palmeiras 2012: toque de bola só no campo de defesa e chances de gol somente nos chuveirinhos ou cruzamentos. Pudera, havia apenas um atleta criativo para organizar as jogadas no meio-de-campo, o Oscar. E, pra manter a tradição dos técnicos retranqueiros, o "professor" mandou recuar todo o time depois do gol do Fred. Levou dois gols merecidamente (Oxlade-Chamberlain e Rooney) e só se salvou da derrota porque Lucas achou Paulinho perto da área.

Neymar não foi mal no jogo, mas foi muito fominha em alguns lances. O ex-santista tentava resolver tudo sozinho ao invés de passar a bola para um companheiro melhor posicionado ou menos marcado. Tem que mudar isso, Neymar, ou você não vai conseguir jogar no Barcelona onde o jogo coletivo é muito valorizado.

O Brasil só conseguiu um empate contra a Inglaterra, que é um time muito mais de força e marcação do que de técnica. Quero só ver na semana que vem contra a França, que tem Benzema e Giroud. Sorte do Felipão que Ribéry não estará em campo -o meia do Bayern foi poupado por causa das finais da Champions e da DFB Pokal.

PS. não acredito que o Felipão não colocou o Dante em campo depois de todo aquele escândalo que a CBF fez, com direito a ameaça de corte.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Não Vence e Não Convence

Há duas maneiras de um time entrar para a história do futebol.

A primeira é vencer, conseguindo grandes títulos. Como a maioria dos "professores" só pensa no resultado final, os treinadores armam equipes defensivas e ficam jogando pelo regulamento. Óbvio que eu não compactuo com esse tipo de atitude, mas as regras do jogo permitem esse tipo de conduta. Exemplos? O Chelsea na temporada 2011-12 e o Corinthians do Tite.

A outra é convencer em campo, apresentando um futebol magnífico, com jogo coletivo, passes, dribles e muita criação de oportunidades. Essas equipes nem sempre conseguem os troféus mas sempre enchem os olhos de um torcedor e fascinam os admiradores do futebol-arte. Dois exemplos clássicos são a Holanda de 1974 e o Brasil de 1982, dirigidas pelos saudosos Rinus Michels e Mestre Telê Santana, respectivamente.

Melhor ainda são os times que conseguem unir beleza técnica e eficiência em um só time. Assim são a Espanha de 2010, o Barcelona de 2009 e 2011, o Bayern München e o Borussia Dortmund de agora. Todas equipes que jogam um belo futebol coletivo e, ainda por cima, abocanharam muitos títulos.

O nosso querido "professor", Luiz Felipe Scolari, está no comando da Seleção Brasileira desde o final do ano passado. Ele teve pouco tempo para montar uma equipe, é verdade, mas é inacreditável que ele não preencha nenhum dos dois requisitos para que o seu trabalho atual fique na memória de um torcedor.

O time que o Felipão escala joga um futebol extremamente burocrático -se é que joga- apesar de contar com muitos bons atletas, como Neymar, Oscar e Daniel Alves. E ele não consegue vencer nem adotando a filosofia do "futebol eficiente" e jogar pelo resultado.

Muitos articulistas declararam que o Felipão foi um treinador que parou no tempo e que ele vive até hoje da Libertadores de 1999 -que ele conquistou pelo Palmeiras- e da Copa de 2002 -que ele conquistou pela Seleção. Faz sentido, afinal ele tem a sua disposição alguns dos melhores jogadores do mundo e até hoje ele sequer deu padrão de jogo à sua equipe. Ainda tomamos sufoco do "time B" do Chile (com um jogador a menos) e perdemos para a burocrática Inglaterra, que há décadas não levanta um troféu e ainda, por cima, está abaixo da Seleção de Montenegro.

Pior ainda é se pensarmos na história recente do treinador gaúcho. Felipão esteve à frente do Palmeiras por dois anos, não conseguiu montar uma equipe competitiva e sequer deu padrão de jogo à equipe. Mesmo com o título da Copa do Brasil de 2012, Scolari foi considerado culpado pelo rebaixamento do Verdão pelos próprios torcedores. E ele foi escolhido como treinador da Seleção mesmo assim. Quer dizer, o cara rebaixa uma equipe e é recompensado?

Ainda resta algum tempo para a Copa das Confederações, mas não tenho muita expectativa sobre a Seleção do Felipão, que é um time que não vence e nem convence.

quinta-feira, 21 de março de 2013

O Felipão Precisa Mudar Alguns Conceitos

Quando a CBF anunciou o retorno de Luis Felipe Scolari à Seleção Brasileira, achei um grande absurdo, afinal estávamos acabando com a renovação de nosso futebol e dando um passo atrás. Pior ainda é saber que Guardiola, que estava desempregado na época, havia demonstrado disposição em dirigir a nossa Canarinho. E as demonstrações de retrocesso já começaram, com os retornos de Júlio César, Kaká e Luis Fabiano (que, graças à Deus, não foi convocado contra a Itália). O Júlio César, como eu disse antes, já foi um grande goleiro, mas agora está em franca decadência, jogando pelo insignificante Queens Park Rangers. O Kaká não vem jogando nada desde 2008 e ele é reserva do Özil e do Modric no Real Madrid.

Bom, o jogo de hoje teve dois tempos distintos: o primeiro em que o Brasil deu alguns lampejos de criatividade e ofensividade, e o segundo em que vi o time acuado como um animal indefeso para segurar o resultado, deixando a Itália crescer e arrancar o empate.

O primeiro tempo foi bom. Finalmente eu vi o Brasil apresentar um pouco de criatividade e ofensividade, com o Felipão emulando o 4-2-3-1 (ou 4-2-1-3) do Corinhtians e do São Paulo. Boas participações do Oscar e do Felipe Luis. Hulk e Daniel Alves não jogaram bem, mas foram esforçados. A Itália, apesar de ter ido para o vestiário com a derrota, não jogou mal, trocou passes e mostrou um jogo coletivo razoável. Foi uma boa jogada do técnico Cezare Prandelli usar a Juventus como base, um dos únicos times italianos que ainda apresenta alguma elegância em campo na Serie A. Só acho que ele errou ao não começar com o talentoso El Sharaawy.

No segundo tempo, o Felipão recuou o time e deixou todo o campo para a Itália jogar. Il Faraone entrou em campo e ajudou a pôr fogo no jogo. E o Felipão ainda tira o Oscar pra colocar o Kaká e o Hulk pra colocar o Jean. Não seria melhor tirar um volante e colocar outro meia para ajudar a manter a posse da bola? A Itália merecia ter vencido o jogo, se o Balotelli não tivesse perdido um gol feito.

Em resumo: o maior culpado pelo empate foi o Felipão que não teve ousadia para atacar e liquidar a fartura, e nem inteligência para manter a posse de bola e impedir os italianos de jogar.

Se o jogo serviu pra algo? Serviu pro Bayern de Munique ver algumas falhas no esquema tático da Juventus, já que Juve e Bayern se enfrentarão na Champions League nas próximas semanas...

Em tempo: do jeito que a coisa vai, nosso time em 2014 vai ser: Júlio César (Dida), Lúcio, Cris e Juan; Maicon, Gilberto Silva, Kaká, Kléberson e Gilberto Melo; Ronaldinho Gaúcho e Neymar.