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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A Ausência na Copa das Confederações Fará Bem ao Brasil

Imagem extraída de www.facebook.com/CBF



A Seleção Brasileira teve um ano para ser esquecido em 2015. Mais uma vez fomos bem nos amistosos, mas quando havia algo em disputa, o Brasil sempre se acovardava em campo. Não obstante, fomos eliminados na Copa América e perdemos o direito de disputarmos a Copa das Confederações, competição da qual somos recordistas em títulos.

A extensão dos prejuízos é muito maior do que aparenta. O Brasil não apenas deixa de disputar um título. Sem a vaga na Copa das Confederações (a ser realizada em 2017 na Rússia), o time perde visibilidade e, consequentemente, patrocinadores e jogadores, que poderiam aparecer para emissoras de todo o mundo, lucrando milhões com isto. E a Seleção, obviamente, perde uma oportunidade de se preparar para a Copa do Mundo, a ser realizada no ano seguinte.

Há, por outro lado, algo bom para ser tirado da ausência do Brasil na Copa das Confederações, por mais absurdo que pareça.

O Brasil venceu as três últimas edições da competição, 2005 (Alemanha), 2009 (África do Sul) e 2013 (Brasil). O que deveria ser bom, acabou prejudicando a equipe, pois nas três ocasiões a nossa Seleção disputou a Copa do Mundo nos anos seguintes com excesso de confiança, sempre se apoiando no título do ano anterior. O resultado nem precisamos recordar.

A ausência, portanto, deverá aumentar as cobranças com relação à equipe e incentivá-los a se superarem em campo. Sem um título no ano anterior, os atletas serão obrigados a saírem de sua zona de conforto e se empenharem mais dentro das quatro linhas.

Podemos até utilizar o ciclo de 2002 como exemplo. Na ocasião, o Brasil estava em um verdadeiro caos, chegando a trocar de treinador três vezes. Não obstante, demos vexame na Copa das Confederações de 2001, ficando com um mero quarto lugar.

A Seleção Brasileira, porém, parece ter se motivado com a seca de títulos e deu a resposta em campo no ano seguinte. Não obstante, criou-se uma expectativa menor sobre a possibilidade de ganharmos o Mundial e os atletas tiveram um pouco mais de tranquilidade para jogarem, apesar de toda a badalação que sempre ocorre em torno de nossos jogadores.

Não há garantia de que a Seleção Brasileira fará um bom Mundial em 2018, mas o ambiente criado pela ausência na Copa das Confederações é, sem dúvida, muito mais propício do que se o Brasil tivesse participado e ganhado o título. Os três últimos ciclos estão aí como prova cabal disto.



Imagem extraída de www.facebook.com/CBF



LUGANO

O São Paulo, enfim, anunciou o retorno do zagueiro Diego Lugano. O Cerro Porteño não queria liberar o defensor sem uma compensação financeira, mas os dois clubes chegaram a um acordo. A vinda do Díos seria uma maneira de preencher o vazio deixado pela aposentadoria de Rogério Ceni, afinal o elenco ficaria órfão de um líder e de alguém que tivesse tamanha identificação com o clube para motivar os colegas de dentro de campo. O torcedor tem o direito de comemorar, mas não pode criar uma expectativa muito grande com relação ao zagueiro, afinal ele está com 35 anos e já não tem o mesmo vigor físico de dez anos atrás. Mas que ele tem muito a contribuir com a equipe, com certeza tem.



DIEGO

O Santos sonha com o retorno de Robinho para a Vila Belmiro. Há até uma grande estratégia de marketing planejada para pagar parte dos vencimentos do atacante e lucrar em cima da imagem do jogador. Eu, porém, acho que outro velho conhecido teria muito mais a contribuir com o Peixe neste momento: o meia Diego, atualmente oscilando no Fenerbahçe. Diego tem muita identificação com o clube e poderia suprir uma eventual saída de Lucas Lima. Além disso, ele ainda tem 30 anos e um eventual retorno ao Santos poderia reerguer sua carreira.



WENDELL LIRA

Emocionante a escolha do outrora desconhecido atacante Wendell Lira para o Prêmio Puskás, dedicado ao autor do gol mais bonito do ano. Em uma demonstração de simplicidade e humildade, o jogador desabafou nos microfones e expressou toda a emoção de ter superado ninguém menos que o grande Lionel Messi. Parabéns, Wendell! Dedicaremos um texto a você em breve! Enquanto isso, desfrute de toda a sua fama recém-adquirida que você merece!


terça-feira, 2 de julho de 2013

A Copa do Mundo Ainda Não É Nossa

O brasileiro tem toda razão em comemorar o tetracampeonato na Copa das Confederações, afinal a nossa Seleção passou por um princípio de crise iniciado com a eliminação para a Holanda na Copa do Mundo de 2010. E esse princípio foi agravado com a eliminação da Copa América de 2011 diante do burocrático Paraguai e da perda do ouro olímpico em 2012 ante o organizado México. Foi um grande alívio para a torcida brasileira e para os jogadores.

Gostaria, no entanto, de lembrar que o título que realmente vai interessar a torcedores e dirigentes é o que estará em jogo no próximo ano, em 2014, e que a conquista da Copa das Confederações não necessariamente irá refletir no desempenho do Brasil na Copa do Mundo.

Resgatando o argumento levantado pelo articulista Luiz Antônio Prósperi do jornal O Estado de São Paulo, recordamo-nos do segundo ciclo de Carlos Alberto Parreira na Seleção. Na ocasião, o treinador carioca faturou a Copa América de 2004 sobre a Argentina (apertado, mas foi) para em seguida nos presentear com a última grande exibição da Seleção Brasileira dos últimos anos, quando o Brasil anotou 4x1 sobre a Albiceleste (mais uma vez) na Copa das Confederações de 2005, com muito toque de bola e com Adriano, Kaká, Ronaldinho e Robinho no auge de suas formas físicas. Foi uma pena, no entanto, que o Brasil tenha entrado na Copa do Mundo de 2006 como grande favorito e nos oferecido um espetáculo de apatia e monotonia em campo. O jogo coletivo inexistia e, mesmo com bons jogadores em campo, nenhum deles justificou os altíssimos salários que recebiam em seus respectivos clubes. A eliminação diante da França de Henry e Zidane foi um balde de água fria no favoritismo dos brasileiros.

Dunga, que apareceu como grande surpresa para dirigir a Seleção após a queda de Parreira (os favoritos eram Luxemburgo e Muricy), venceu a Copa América de 2007 por convincentes 3x0 sobre a Argentina de Riquelme e Messi. Em seguida, o ex-volante faturou o tricampeonato da Copa das Confederações em 2009 após tomar um calor dos Estados Unidos na final. A equipe do treinador gaúcho, porém, atuava com muita raça e passionalidade, mas pouca técnica. Isso ficou muito evidente na fatídica eliminação contra a Holanda em 2010, quando o Brasil acusou o golpe da virada holandesa, teve um jogador expulso e não teve sequer forças para reagir.

Peço ao treinador Luis Felipe Scolari que contenha os ânimos dos atletas e lembre os jogadores de que na Copa do Mundo a história pode ser outra. Júlio César, que estava em ambas as copas anteriores, está aí de prova se algum jogador quiser saber. E toda e qualquer conquista que a Seleção obteve até o momento poderá ser "esquecida" ao menor tropeço em 2014. Parreira é a lembrança constante disso.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Gigante Acordou. Só que Não.

O Brasil conquistou a Copa das Confederações. Não apreciei a forma como nossa seleção ganhou a competição, com mais cautela do que ofensividade, mas não tiro os méritos da equipe.

Gostaria, no entanto, de lamentar a utilização do lema "O Gigante Acordou" para se referir ao título conquistado ontem pelo Brasil, algo que foi feito por alguns torcedores e por alguns veículos da imprensa.

O lema foi utilizado para descrever a onda de protestos que explodiu no Brasil, desencadeado pelo aumento do preço das passagens de ônibus. A inflação do preço das tarifas foi o grande estopim para que as manifestações eclodissem por todo o território nacional.

"O Gigante Acordou" porque a população brasileira cansou-se de aguentar passivamente o alto custo de vida no Brasil para receber em troca serviços públicos de baixíssima qualidade, como transporte, educação e saúde, além das infindáveis denúncias de irregularidades envolvendo políticos. "O Gigante Acordou" porque a população conscientizou-se das injustiças que estava sofrendo e foi às ruas, descobrindo que o povo tem o poder de derrubar reis e governantes, como aconteceu na Revolução Francesa.

A Seleção Brasileira, no entanto, pouco fez para apoiar as manifestações pelo Brasil. O meia Juninho Pernambucano até sugeriu que os atletas cantassem o Hino Nacional de costas para a bandeira como forma de demonstrar solidariedade ao povo brasileiro. Os atletas não precisavam bater de frente com ninguém, mas poderiam demonstrar alguma sintonia com o momento que o Brasil estava vivendo. Que falta faz o Doutor Sócrates em um momento como esse...

Não questiono, em hipótese alguma, o mérito da conquista de nossa seleção. Mas é questionável vulgarizar o lema do "Gigante" e utilizá-lo para designar um time que pareceu tão distante de da população de seu país.

Balanço da Copa das Confederações 2013

Após pouco mais de duas semanas de competição, findou-se ontem a Copa das Confederações 2013.

O campeonato foi o grande teste para o Brasil mostrar se estava (ou não) pronto para sediar uma Copa do Mundo. O Brasil alcançou parte dos objetivos, mas muitas reportagens publicadas mostraram que ainda estamos devendo em infra-estrutura para recebermos um evento desse porte. Mesmo os estádios receberam muitas críticas da FIFA, das delegações e dos sites de notícias.

Quanto a qualidade do futebol apresentado, a maior parte das equipes armou seus times muito mais para evitarem a derrota do que para buscarem o resultado. A Espanha foi a única seleção que sempre buscou jogo ao invés de adotar o estilo pragmático de outros que só priorizam a defesa. Houve alguns lampejos de Neymar, Oscar, Fred, Pirlo, Suárez, Forlán e Cavani, mas foi muito pouco para seleções que ostentam mais estrelas que a Espanha. Poderíamos ter mais craques em campo, não?

Vamos a um balanço desta Copa das Confederações:

MELHOR JOGO- JAPÃO X ITÁLIA: em partida válida pela segunda rodada do Grupo A, os nipônicos trocaram muitos passes e chegaram a abrir 2x0 sobre a Itália, que buscou resultado valendo-se de seus atletas fisicamente superiores aos japoneses. O placar final foi de 4x3 para a Azzurra, mas muitos concordaram comigo que o Japão, pelo futebol apresentado, merecia a vitória.

PIOR JOGO- NIGÉRIA X URUGUAI: a Nigéria e o Uruguai já revelaram muitos jogadores talentosos, mas, nos dias de hoje, temos atletas cada vez mais musculosos e cada vez menos habilidosos. Muitas faltas, correria, trombadas e pouco futebol. A partida entre Brasil e Uruguai, válida pelas semifinais, também merece uma "menção honrosa" pela grande quantidade de faltas e de passes errados.

MELHOR TIME- ESPANHA: a única seleção que entrava em campo para jogar bola em todas as partidas. O Brasil leva uma menção pelo desempenho de cinco vitórias em cinco partidas mencionadas, mas não pela qualidade do futebol apresentado.

PIOR TIME- TAITI: não mereciam levar tal rótulo pela simpatia e pelo esforço demonstrados. Mas, sem contar com atletas profissionais e com poucos recursos técnicos, a equipe da Oceania teve desempenho pífio e foi eliminada com o incrível saldo de gols de -23.

MELHOR JOGADOR- ANDRÉS INIESTA (Espanha): mesmo sem o título, o baixinho do Barcelona ainda foi, para mim, o grande nome do torneio. Com passes precisos, boa presença de área e velocidade (que, aliás, ele não costuma demonstrar no Barça), Iniesta foi o motor e o cérebro da Furia, junto de seu eterno parceiro Xavi. Não consigo imaginar como será o time assim que um deles se aposentar, coisa que Xavi já andou cogitando. Andrea Pirlo (Itália), pela sua versatilidade, técnica e habilidade, também merece ser mencionado.

PIOR JOGADOR- ANDRÉS SCOTTI (Uruguai): o jogador mais experiente da Copa das Confederações (está com 37 anos) decepcionou. Em seu único jogo como titular, enfrentou o fraco Taiti, desperdiçou um pênalti e ainda conseguiu ser expulso. Um campeonato para o zagueiro esquecer.

SURPRESA: não houve, mas vale fazer uma menção ao Japão, que quase complicou a classificação da Itália na segunda rodada da fase de grupos.

DECEPÇÃO- MÉXICO: esperava que o México apresentasse a organização e o futebol envolvente exibido nos últimos anos, mas a Seleção Mexicana, em má fase, entrava em campo armando ferrolhos e dependendo dos talentos individuais de Chicharito e Giovani dos Santos. Não chegou, sequer, a ameaçar os favoritos de seu grupo.

SELEÇÃO DA COPA (esquema 4-3-3):

Goleiro- Gianluigi Buffon (Itália): conseguiu segurar o empate contra a Espanha e defendeu três pênaltis contra o Uruguai. Melhor goleiro da competição com louvor!

Laterais- Christian Maggio (Itália) e Jordi Alba (Espanha): o italiano Maggio fez grandes partidas, tanto na marcação quanto na armação, além de ter excelente presença de área. Pela esquerda, o garoto Jordi Alba voou nos jogos e deu muita canseira nos adversários, além de ter anotado dois gols (ambos contra a Nigéria).

Zagueiros- Sergio Ramos (Espanha) e Gerard Piqué (Espanha): OK. A dupla espanhola perdeu a cabeça e cometeu muitas faltas contra o Brasil na final, mas isso não tira o brilho dos zagueiros que, além de marcarem de maneira muito limpa, se impuseram ofensivamente, posicionando-se próximos à linha da intermediária.

Volante- Andrea Pirlo (Itália): o experiente volante da Juventus não pôde participar de todos os jogos por lesão, mas mostrou muita habilidade, técnica e visão de jogo com seus passes precisos. Menção honrosa a Paulinho (Brasil), que mostrou eficiência ofensiva e defensiva.

Meias- Andrés Iniesta (Espanha) e Xavi Hernández (Espanha): preciso comentar?

Atacantes- Luis Suárez (Uruguai), Fred (Brasil) e Neymar (Brasil): só não coloquei Edinson Cavani (Uruguai) porque o atacante da Napoli deixou um pouco a desejar nas partidas iniciais, sendo que os demais mencionados foram mais regulares em campo. Neymar mostrou que já tem futebol para jogar pela Seleção -só precisa ser menos individualista e para de tentar cavar tantas faltas. O polêmico Luisito Suárez mostrou que é um grande jogador ao repetir as boas atuações de outras competições. E Fred supera Fernando Torres (Espanha) ao mostrar mais mobilidade em campo que o espanhol. Precisamos levar em conta, também, que quatro dos cinco gols de "El Niño" foram anotados contra o fraquinho Taiti.

Técnico- Vicente del Bosque (Espanha): foi o ÚNICO treinador em toda a Copa das Confederações 2013 a montar sua equipe para tomar a ofensiva em todas as partidas. Todos os demais, praticamente, só armavam ferrolhos. Uma pequena menção a Alberto Zaccheroni (Japão) que soube utilizar muito bem a disciplina de seus atletas e quase colocou a Itália na lona.

Revelação- Abel Hernández (Uruguai): tudo bem que era só o fraquinho Taiti, mas anotar QUATRO tentos na competição e em uma única partida com apenas 22 anos nas costas mostram que o garoto tem futuro.

domingo, 30 de junho de 2013

Um Campeão que Não Empolgou

Parabéns ao Brasil pela conquista do tetracampeonato na Copa América. E ponto final.

Como disse o grande Paulo Cézar Caju, não vou mudar de opinião sobre a Seleção Brasileira apenas porque conseguiu derrotar a melhor equipe do mundo até o momento. Como eu expliquei em posts anteriores, uma vitória em um mata-mata pode meramente premiar a equipe que teve mais sorte no dia do jogo.

Não faço questão nenhuma de exaltar uma equipe que joga mais na cautela do que no ataque, não dispõe de jogo coletivo e comete faltas como se fosse a coisa mais normal do mundo. Faltas, aliás, que o Brasil cometeu demais em campo, parando as jogadas dos espanhóis na truculência. Mais parecia o Chelsea enfrentando o Barcelona. E ainda digo: o número de cartões que a Furia recebeu não reflete necessariamente o número de infrações cometidas, uma vez que o Brasil cometeu muito mais faltas do que seus adversários.

O gol inicial que Fred anotou desnorteou os adversários que perderam a cabeça, mas a maior parte dos atletas ainda tentou jogar bola. Os brasileiros também fizeram muita catimba para o meu gosto.

Continuo discordando da maneira como o Felipão dirige suas equipes, priorizando apenas os atletas "obedientes" em detrimento ao talento. Isso ficou evidente desde 2002 quando ele injustamente deixou Romário de fora da copa daquele ano.

Pelos dois gols anotados, Fred merece ser o nome do jogo. Oscar também foi muito bem hoje, mas gostaria que o garoto do Chelsea tivesse pelo menos mais um parceiro na armação das jogadas pelo meio nos próximos jogos. Algumas seleções como o México chegaram a matar a nossa Seleção marcando o meia e acabando com a armação das jogadas.

No jogo de hoje, o Brasil venceu e o futebol perdeu.

Salve Simpatia!

Por incrível que pareça a disputa pelo terceiro lugar desta Copa das Confederações foi uma grande festa. Os atletas adversários e o trio de arbitragem riam juntos, se cumprimentavam e pareciam estar se divertindo.

Confesso que não esperava um jogo tão tranquilo. Não houve muitas faltas apesar das trombadas e das equipes recuadas atuando nos contra-ataques. Foi um jogo muito limpo, o que não era muito esperado de duas equipes que costumam partir para a truculência.

A boa defesa do Itália não conseguiu segurar Suárez e Cavani que incomodaram -e muito!- o grande Gigi Buffon. O arqueiro da Itália fez vários milagres e não teve culpa nos dois gols de Edinson Cavani. Chances de gols, praticamente, só nas bolas paradas. A Azzurra parece ter sentido as ausências de Balotelli e Pirlo e não deu tanto trabalho para Muslera.

O Uruguai fez o de sempre: recuou todo o time e apostou nos contra-ataques encabeçados pelo seu trio ofensivo. Cavani foi o melhor e mais perigoso deles, com dois gols anotados, muitas oportunidades criadas e desperdiçadas também. A zaga uruguaia também fez bem o papel de fechar os espaços para o ataque italiano. Não havia muito o que fazer nos dois gols sofridos -ambos em lances de bola parada.

O jogo terminou empatado em 2x2 e acabou indo para os pênaltis. Buffon defendeu as cobranças de Forlán, Gargano e de seu companheiro de Juventus, Martín Cáceres. Muslera pegou a cobrança de De Sciglio. As cobranças terminaram em 3x2 para a Azzurra.

Tecnicamente, o jogo não foi nenhum primor, com poucos passes trocados e muita correria. A partida, no entanto, não chegou a ser ruim e houve alguns bons lances individuais e com poucas faltas. Lamento apenas que o Uruguai merecia um pouco mais a vitória por ter criado mais oportunidades de gol.

O nome do jogo, sem dúvida, foi Gianluigi Buffon, que segurou quase tudo e compensou as falhas da zaga italiana. Os três pênaltis defendidos também o credenciam a tal mérito. Gigi, aliás, merece ser eleito o melhor goleiro da competição por ter sido muito mais exigido que Casillas ou Júlio César, mas acho que o saldo de gols vai pesar mais na eleição dos melhores goleiros da competição. Se o Uruguai tivesse ficado com o bronze, eu teria eleito Edinson Cavani como o nome do jogo.

Parabéns à Itália e ao Uruguai pela descontração em campo e pelo jogo limpo. Eu estava esperando uma partida truculenta, mas vocês nos mostraram que times defensivos podem, sim, jogar cometendo poucas faltas.

sábado, 29 de junho de 2013

Palpites para a Final e a Disputa do Terceiro Lugar

Encerra-se amanhã a Copa das Confederações 2013. Foram pouco mais de duas semanas de competição, com algumas boas partidas. Brasil e Espanha confirmaram o favoritismo e farão a final no Maracanã, enquanto Uruguai e Itália disputarão o bronze na Arena Fonte Nova.

Quem vai ganhar? Não sabemos, mas tenho alguns palpites.

URUGUAI X ITÁLIA

No "Clássico da Puma" (sim, as duas seleções são as únicas participantes do campeonato a serem patrocinadas pela empresa alemã), teremos mais um jogo truncado, com duas equipes muito mais preocupadas em defender do que criar oportunidades de gol.

A Itália é um pouco melhor que o Uruguai por contar com meias um pouco mais criativos, jogo um pouco mais coletivo, toque de bola e dois atletas diferenciados -Pirlo e Buffon. Apesar disso, não acredito que a Azzurra vá apresentar aquele futebol agradável da estréia e deve se concentrar em parar o trio ofensivo do Uruguai.

A Celeste, por outro lado, aparenta ter apenas três jogadores -Cavani, Suárez e Forlán- enquanto os demais atletas ficam todos recuados. Um jogador, no entanto, pode ser a chave para superar a Itália, Martín "El Pelado" Cáceres, que conhece quase todo o time da Azzurra por atuar com quase todos os adversários pela Juventus.

Ainda que "El Pelado" dê a fita dos companheiros juventinos, acredito que a Itália triunfe sobre o Uruguai por 1x0.

BRASIL X ESPANHA

No jogo mais esperado de todos, vejo o Brasil em total desvantagem em relação à Espanha. Motivo? Nossa Seleção não tem jogo coletivo nem disciplina tática para organizar uma defesa ou realizar um ataque ordenado para confundir a marcação espanhola. O Brasil nunca se notabilizou por estas características e elas podem fazer falta em uma partida onde entregar a bola para o adversário pode ser fatal. A única vantagem do time brasileiro é que temos atletas mais fortes do que o adversário e isso pode ser a diferença contra os "baixinhos" da Furia.

A Espanha, por outro lado, possui um jogo previsível, mas ainda não houve quem superasse o Tiki-Taka dos espanhóis. O "ônibus" do Chelsea e a verticalização do Bayern até conseguiram deter o meu Barcelona (que é uma das bases para a Roja), mas não houve, ainda, uma defesa capaz de superar a Furia até o momento, lembrando o melhor que a Itália conseguiu foi arrancar o empate na quinta-feira. Ainda estou esperando uma revanche entre Alemanha e Espanha para saber se a verticalização também funciona contra a Furia.

Se eu conheço o Felipão, ele não vai mudar o time e vai recuar todo o Brasil para tentar contra-ataques velozes. Perguntem ao Didier Deschamps se isso funcionou quando a sua França recebeu a Espanha em março deste ano.

Acho que a Espanha leva o título por 1x0.

Se Quiserem Vencer a Espanha, que Imitem o Bayern

Quando a partida entre Espanha e Itália terminou, alguns comentaristas esportivos defenderam que o Brasil deveria seguir os passos da Azzurra para derrotar a Furia e recuar todo o time para tentar contra-ataques velozes, possivelmente pelas laterais. Mas, sejamos francos, não precisamos que a Itália nos ensine isso: o Muricy fazia isso no São Paulo, e o Tite e o Mano Menezes adotaram estratégias semelhantes no Corinthians. Há, ainda, o "exemplo" do Chelsea, que deixava seus volantes e defensores atrás da linha da intermediária e valia-se dos contra-golpes velozes com Juan Mata e Ramires acionando Drogba, estratégia que superou o meu Barcelona e o Bayern München em 2012.

Eu, como amante do futebol-arte, não aceito tal sugestão. O time do Brasil já não está aquela maravilha, com muito mais gente para marcar do que para armar uma jogada. E ainda me aparecem pessoas que sugerem que o Felipão recue ainda mais o time? O que mais eles vão sugerir depois disso? Que o Brasil faça "rodízio de faltas" para ferir Iniesta e Xavi visando tirá-los do jogo? Que os brasileiros façam cera e catimba para irritar os espanhóis e cavar uma expulsão? Dá um tempo. Já temos muito disso nos nossos clubes. Nossa Seleção, que tem atletas habilidosos, não precisa usar recursos tão baixos e vulgares.

Há métodos muito mais interessantes para superarmos a Espanha. E um desses métodos foi ensinado justamente pelo campeão da última Champions League, o Bayern München.

Diferente do Chelsea, que mantinha toda a equipe recuada, o Bayern abusa da mobilidade de seus atletas, fazendo-os parecer que estão em todos os lugares ao mesmo tempo. Todo mundo volta para marcar e todos os atletas têm toda liberdade para subir para o ataque. Lahm e Alaba tinham toda a liberdade para apoiar Ribéry e Robben pelos lados, Martínez e Schweinsteiger subiam para apoiar e fazer companhia para Müller no meio-de campo, e o zagueiro Dante mostrava boa presença de área, e não era apenas para cabecear bolas em lances de bola parada: o baiano até arriscou algumas jogadas individuais em contra-ataque na última temporada. Quando o adversário estava com a bola, Mandzukic, Robben e Ribéry apareciam lá atrás para ajudar na marcação. A movimentação dos dois alas era tão intensa que era comum vê-los trocar de lado. A marcação do Bayern era feita por pressão e os jogadores bávaros conseguiam roubar a bola no campo de ataque.

Nossa Seleção tem atletas fortes e velozes para emular o estilo de jogo do Bayern. Podemos manter todo o time se movimentando, com total liberdade para que os defensores subam para apoiar e, ao mesmo tempo, solicitar que os atletas que atuam no ataque voltem para ajudar na marcação. Será necessário, contudo, muita organização e disciplina tática para que os atletas saibam para onde passar a bola caso estejam muito marcados. Rifar a bola contra a Espanha pode ser mortal.

A eficiência deste estilo, obviamente, tem um preço: os atletas do Bayern sempre saíam muito extenuados de campo e as lesões eram muito frequentes. Na temporada passada, Robben, Mandzukic, Gómez, Kroos e Boateng se lesionaram, desfalcando o time por longos períodos e só não deixaram o time bávaro na mão porque a equipe de Munique contava com reservas à altura dos titulares.

Duvidam que isso funcione? No mata-mata da Champions, o Bayern superou quatro times que trocam passes e valorizam a posse da bola: Juventus, Arsenal, Barcelona e Borussia Dortmund.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Que Falta Faz a Alemanha!

A Copa das Confederações ofereceu ao Brasil a possibilidade de algumas das grandes seleções do mundo virem ao nosso país e nos presentear com o futebol de outras culturas. A Espanha nos concede o prazer de assistir a um belo jogo coletivo, com muito toque de bola e muita ofensividade. A Itália, se não mostrou um futebol bonito, ao menos permitiu que o brasileiro contemplasse como o maestro Andrea Pirlo faz a diferença em campo e como um volante pode participar do jogo sem deixar a marcação de lado. E no Uruguai, salvam-se Cavani, Forlán e Suárez, três bons atacantes.

É uma pena, no entanto, que a Alemanha não tenha tido o direito de participar desta edição da Copa das Confederações.

Adotando um estilo que combina o jogo coletivo e a verticalização, a Alemanha deixa de ser aquela seleção pragmática com zagueiros truculentos de outrora e torna-se o paraíso dos atletas velozes, habilidosos e técnicos.

A base da Alemanha é composta, basicamente, por atletas do Bayern München e do Borussia Dortmund. Ambos foram os finalistas da última Champions League, deixando para trás equipes como Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Arsenal, Chelsea, Milan e Juventus. Imaginem como seria um time que combinasse a nata das duas melhores equipes da Europa. Joachim Löw só deve lamentar as ausências de Ribéry, Robben, Lewandowski e, talvez, Dante, todos eles atletas que fizeram toda a diferença em campo nesta temporada pelos seus respectivo clubes.

A Alemanha, contudo, não se vale apenas do Bayern e do Borussia. Atletas como Özil, Podolski, Mertesacker e Khedira ainda são presenças constantes na lista da Mannschaft. Além deles, há muitos jovens promissores à espera de uma vaga na seleção alemã, como Lewis Holtby, Höwedes, Draxler, Schürrle, Zieler e ter Stegen. Se levarmos em conta que Podolski disputou sua primeira Copa do Mundo com apenas 21 anos e Müller com 20 (ambos como titulares), não será nenhuma surpresa se um desses garotos aparecer no time principal.

Lamento profundamente que a Alemanha tenha caído diante daquela pragmática Itália na última Eurocopa e, com isso, tenha perdido o direito de vir ao Brasil nos presentear com seu futebol magnífico. Foi uma grande zebra e, ao mesmo tempo, um duro golpe no futebol-arte. Seria uma grande honra ver Götze, Müller, Reus e outros desfilando em nossos gramados.

A Alemanha é uma seleção que faz muita falta nesta Copa das Confederações 2013, bem ao contrário do Uruguai e da Itália, que fazem muitas faltas.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Jesús Salva!

A Itália, pra variar, resolveu praticar o que o Mestre Johan Cruyff chama de "anti-futebol": equipe muito recuada, muitas faltas, preocupação excessiva com a marcação e com a defesa. Oportunidade de gol que é bom, só na bola parada ou no contra-ataque. Bem parecido com as equipes do nosso futebol.

A Espanha mereceu a classificação porque buscou o jogo o tempo todo. Mesmo com o ferrolho italiano à frente, Iniesta e seus companheiros não abriram mão da criação de oportunidades, tocaram a bola e buscaram o jogo o tempo todo, com a marcação adiantada e bem próxima do meio-de-campo. O único erro dos espanhóis foi pecar nas finalizações. Seria um grande insulto ao futebol que uma equipe retranqueira e faltosa como a Itália eliminasse a única representante do futebol-arte do campeonato.

Não consigo entender, aliás, o que houve com a Itália. Estreou contra o México mostrando um futebol de troca de passes e aproveitando muito bem a base vida da Juventus, que também joga com a bola no chão. Depois daquele jogo contra o Japão, o senhor Cesare Prandelli resolveu armar um muro no campo de defesa e jogar em contra-ataques velozes pelas pontas. E, ainda por cima, hoje ele me aparece fazendo as duas linhas de quatro defensores (o chamado "ônibus") e me arma a equipe em um 3-4-2-1.

O jogo foi para a prorrogação e depois pênaltis. Todas as dez cobranças iniciais foram convertidas e a partida foi para as cobranças alternadas. Na sétima cobrança para a Itália, o zagueiro Bonucci isolou a bola. Jesús Navas, em seguida, não desperdiçou e colocou a Furia na final.

O nome do jogo, na minha opinião, foi o capitão da Espanha, Iker Casillas, que fez vários milagres no tempo normal, defendendo, inclusive, chutes bem de perto. Destaque também para o atacante Navas, que foi muito esforçado em campo e converteu o pênalti da classificação.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sobrou Músculo, Faltou Futebol

O Brasil venceu o Uruguai por 2x1. Gols de Fred (após pegar um rebote originado de um chute de Neymar), Cavani (após uma falha de Marcelo) e Paulinho (cabeceio após cobrança de escanteio de Neymar). E o goleiro Júlio César salvou um pênalti cobrado por Forlán, após David Luiz ter derrubado Lugano na área. Essa foi a parte boa do jogo de hoje.

A parte ruim: foi um jogo que, como esperava, muito pegado com times mais preocupados com a marcação do que com a criação de oportunidades. Passes errados, faltas, trombadas, catimba e correria dos dois lados. Ambos os times atuavam muito mais na cautela do que na ousadia, com as equipes muito recuadas.

Uma substituição que até agora não entendi: por que o Felipão tirou o Oscar -o único jogador do Brasil capaz de organizar e armar jogadas no meio-de-campo- para colocar um volante (Hernanes)? Com a necessidade de vencer o jogo, não seria melhor ter tirado um zagueiro ou o defensivo Luiz Gustavo para colocar o atleta da Lazio? Não é um campeonato de pontos corridos, Felipão, e um empate poderia ter sido fatal, sobretudo se levarmos em conta que os Uruguaios têm bons cobradores de bolas paradas e que o goleiro Júlio César não transmite mais a segurança de outrora -ele defendeu um pênalti hoje, é verdade, mas está muito irregular de modo geral.

A sensação que a partida transmitiu foi a de que o futebol da América do Sul prioriza muito mais os aspectos físicos e defensivos em detrimento à criatividade e à ofensividade, mesmo levando-se em conta que a maior parte dos atletas que estava em campo hoje atua na Europa. Não dava gosto de torcer para nenhum dos dois times.

Júlio César foi eleito o MVP da partida, mas eu considero Neymar o melhor em campo por ter participado dos dois gols.

Agora, o Brasil espera o próximo adversário, que pode ser a Espanha ou a Itália. Como seria uma partida entre a Furia e a Canarinho? Gostaria muito que essa pergunta fosse respondida no próximo domingo.

Palpites para os Jogos das Semifinais da Copa das Confederações

BRASIL X URUGUAI

No clássico sul-americano, temos duas equipes que privilegiam a defesa em detrimento ao ataque. O Brasil ainda tem muita timidez para jogar na frente e atua pouco coletivamente. E o pior é que temos muitos atletas talentosos e/ou técnicos que estão ficando no banco em detrimento àqueles que se destacam pelas características físicas. O Uruguai não é muito diferente, armando um ferrolho de sete ou oito homens atrás da linha da intermediária e liberando apenas Cavani, Suárez e Forlán (quando o camisa 10 está em campo) para atacar. E a Celeste, praticamente, só cria oportunidades de gol no contra-ataque e na correria. Palpito um jogo truncado, com grande possibilidade de empate (provavelmente por 0x0) e decisão nos pênaltis. Se houver um vencedor, seja no tempo normal ou prorrogação, será por um placar magro.

ESPANHA X ITÁLIA

Na reedição da final da Euro 2012, a Espanha ainda leva vantagem total sobre a Itália por possuir melhores jogadores, tanto individualmente quanto coletivamente, além de ser mais ofensiva. A Azzurra deve atuar truncando o jogo, como fez contra o Brasil na partida anterior. Os italianos terão, ainda, o desfalque de sua principal referência no ataque, Balotelli (lesionado). Pirlo deve retornar, o que dá aos italianos um pouco de esperança para conseguirem sua revanche. Palpito 2x0 para a Furia.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Amistosos que Podem Fazer Falta

O Brasil vai encarar o Uruguai na semifinal e, se passar, deverá cruzar o caminho da Espanha na final, uma vez que a Itália estará com muitos desfalques importantes para a próxima quinta-feira -Balotelli e, possivelmente, Pirlo, não jogarão no dia 27.

Já faz um bom tempo que o Brasil não enfrenta o Uruguai. Desde junho de 2009, para ser mais preciso, quando a Canarinho goleou a Celeste em plena Montevidéu durante partida válida pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2010. Na ocasião, a geração atual de jogadores ainda estava engatinhando pela Seleção Uruguaia e, portanto, Suárez, Cavani, Lodeiro e outros ainda não haviam demonstrado todo o seu potencial em campo.

A Celeste, antes de 2010, não era considerada uma ameaça real devido às campanhas pífias, chegando a ficar de fora de vários mundiais nos últimos anos. O Uruguai, contudo, voltou a chamar atenção do mundo ao conquistar um surpreendente quarto lugar no mundial daquele ano e, depois, conquistar a Copa América de 2011 após superar a favorita Argentina nas quartas-de-final. Ainda que o nível da competição sul-americana seja baixo, o desempenho da Celeste mostrou que o quarto lugar na Copa de 2010 não havia sido meramente um golpe de sorte.

A Espanha, outro potencial adversário do Brasil, também passava desapercebida por conta do grande jejum de títulos que sofreu entre 1964 (quando ganhou sua primeira Euro) até 2008 (quando surpreendeu a Alemanha com seu futebol de troca de passes). De uma seleção considerada coadjuvante, a Furia tornou-se temida e respeitada pelos seus adversários. De todos os títulos possíveis desde 2008, a Roja só não conseguiu levantar o caneco na Copa das Confederações de 2009, quando caiu diante dos Estados Unidos. Eu não tenho nenhum registro de confrontos recentes entre Brasil e Espanha.

A nossa Seleção realizou amistosos contra Holanda, França, Inglaterra, Argentina, Itália e Alemanha durante os últimos três anos. Gostaria de saber o porquê da Furia e da Celeste nunca terem sido chamadas para um amistoso contra o Brasil, a despeito de serem adversários em potencial para a Canarinho nas competições, como vai acontecer agora.

A Espanha e o Uruguai, obviamente, ganharam visibilidade com o desempenho nas últimas competições, mas assistir a VTs de partidas e encarar o adversário no gramado são duas coisas muito diferentes. Cria-se uma antítese em que sabe-se muito sobre o adversário ao mesmo tempo em que nada se sabe sobre ele.

Enquanto o Brasil estava enfrentando, com todo o respeito, adversários como Japão, Bósnia-Hezergovina e Gabão; deixamos de enfrentar oponentes que realmente poderiam ameaçar a Seleção em competições.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Volte Sempre, Taiti!

Eu assisti ao jogo da Espanha contra a Nigéria. Em virtude disso, não vi o jogo do Uruguai contra o Taiti, apenas acompanhei alguns lances via internet.

Os campeões da Oceania vieram para a edição 2013 da Copa das Confederações como grande azarões, afinal a equipe não dispunha de um time profissional. Seu único atleta profissional é Marama Vahirua, que estava atuando no futebol grego. A participação dos taitianos na competição já poderia ser considerada um grande prêmio.

Como esperado, os taitianos levaram três goleadas: 6x1 da Nigéria, 10x0 da Espanha e 8x0 do Uruguai. Mesmo com o esforço demonstrado, os comandados do treinador Eddy Etaeta não conseguiram fazer frente aos seus adversários.

Não sei de onde vem essa cultura do torcedor brasileiro de apoiar a equipe mais fraca, mas o fato é que o Taiti caiu nas graças do povo brasileiro e mesmo de alguns adversários.

Ao término da despedida da partida de ontem para o Uruguai, os atletas do Taiti estenderam uma faixa com os dizeres "Obrigado Brasil" em retribuição ao carinho recebido. Não obstante, o treinador Eddy Etaeta cumprimentou cada um dos repórteres após conceder sua última entrevista coletiva no Brasil.

Aos taitianos, posso sugerir para que continuem em sua busca pela profissionalização de seu futebol. Não é um caminho fácil e, provavelmente, levará alguns anos até que a equipe da Oceania consiga fazer frente aos adversários de outros continentes. Já postei isto uma vez, mas repito: vejam como os times do Japão, Estados Unidos, Índia, China e Oriente Médio têm feito, levando grandes jogadores em final de carreira para atuarem em suas terras e, com isso, aumentar o interesse no futebol nesses países. É apenas um modelo, mas que pode vir a funcionar. A própria participação do Taiti nesta Copa das Confederações, provavelmente, irá aumentar o interesse de todos no futebol daquele país.

Obrigado, Taiti. E voltem sempre!

Sugestões para a Próxima Copa das Confederações

Previsível, curta demais e com poucos times interessantes. Assim vejo a Copa das Confederações. Não apenas o campeonato que está sendo realizado aqui no Brasil, mas todas as Copas das Confederações dificilmente trazem partidas emocionantes ou surpresas antes da fase de mata-mata. E quando a competição chega a seu auge, termina.

Não sei o quanto as seleções valorizam a competição, mas poderíamos torná-la mais emocionante e desafiadora aumentando a quantidade de times e a duração do torneio.

Gostaria, dessa forma, que a FIFA organizasse uma competição com o dobro de equipes -de oito para dezesseis. Além dos campeões de cada confederação, poderiam ser convidados para participar do torneio os vice-campeões. Para preencher as duas vagas restantes, o vice-campeão da Copa do Mundo anterior e o detentor do título da Copa das Confederações anterior também teriam direito a vagas na competição.

As equipes seriam, então, organizadas em quatro grupos e os cabeças-de-chave seriam escolhidos conforme os critérios já aplicados na Copa do Mundo. Provavelmente, Brasil, Itália, Argentina, Alemanha, Espanha e Uruguai encabeçariam as grupos.

Eu disse Argentina e Alemanha? Sim. O aumento de vagas oferecidas permitiria que mais seleções da Europa e da América do Sul participassem, aumentando o desafio do torneio, a visibilidade e possibilitando mais confrontos emocionantes na fase de mata-mata. Às equipes "menores", haveria uma chance maior de divulgar seu futebol, uma vez que o número de vagas disponíveis para a Oceania e para a Ásia é muito menor em relação às europeias e sul-americanas.

Um torneio mais extenso também seria interessante para as emissoras de televisão. Acho que todas as detentoras dos direitos de transmissão e os patrocinadores também compactuariam com a minha ideia.

Vamos lá, FIFA! É uma ideia interessante para todas as partes envolvidas! Não vejo porque não extender e, posteriormente, valorizar a Copa das Confederações!

domingo, 23 de junho de 2013

Balanço da Terceira Rodada da Copa das Confederações

Nada como falar de futebol. É sempre um grande prazer para mim comentar partidas e, principalmente, escrever palavras de incentivo para que os treinadores e os jogadores pratiquem o futebol-arte. Nada de truculência, deslealdade ou anti-jogo.

Não esperava grandes emoções no Grupo A, afinal, os times classificados já estavam definidos e não havia muita coisa em jogo. Assim eu pensava.

O clássico entre Brasil e Itália foi um bom jogo. Após um primeiro tempo tedioso, onde só uma equipe parecia ter vontade de jogar bola, tivemos um segundo tempo movimentado com muitos gols. O Brasil vem melhorando a cada jogo, mas o Felipão ainda se preocupa em demasia com a marcação e explora apenas os aspectos defensivos do 4-2-3-1. Quem acompanha o futebol alemão ou assistiu à última edição da Champions League sabe que o 4-2-3-1 transforma-se num 4-3-3 ou mesmo em um 2-5-3 no ataque, dependendo de como os volantes e os laterais avançam. Nossa seleção têm atletas para jogar dessa forma, seja trocando passes, seja verticalizando as jogadas. É muito pouco para uma seleção com tantos bons jogadores como a nossa manter apenas Neymar, Hulk, Oscar e Fred na frente. Podem ver que quando os laterais e o segundo volante (Hernanes ou Paulinho) avançam, o Brasil consegue trocar mais passes na frente e, consequentemente, cria mais oportunidades de gol. A Itália, por outro lado, me desapontou muito: substituiu o toque de bola pelo pragmatismo, perdeu com justiça e corre o risco de rodar diante da Espanha na quinta. Será que a ausência de Andrea Pirlo pesou tanto assim na Azzurra?

O jogo entre Japão e México serviu para dar um pouco de gás a Javier "Chicharito" Hernández, que anda em baixa no Manchester United. E só. O México foi uma grande decepção nesta Copa das Confederações ao apostar em um futebol tão pragmático e não merecia ter vencido o esforçado Japão, que apresentou um bom jogo coletivo e muita garra. Mesmo sem terem pontuado na competição, os japoneses foram uma agradável surpresa nesta copa.

O Grupo B estava em aberto, embora eu não estivesse esperando nenhuma surpresa dos jogos de hoje. E foi o que se confirmou.

A Espanha, mesmo mudando um pouco sua proposta de jogo hoje, foi totalmente superior aos grandões da Nigéria. É uma pena que os times da África estejam trabalhando apenas os aspectos físicos em detrimento aos técnicos. Nunca faltou talento naquele continente, seja pelos atletas africanos propriamente ditos, seja pelos seus descendentes que atuam pela França e pela Inglaterra. Quanto à Furia, nem preciso me alongar demais porque vocês sabem que sou fã da Seleção Espanhola e seu Tiki-Taka.

O Uruguai, como esperado, entrou com o time reserva e aplicou um sonoro 8x0 no Taiti. Pena que o jogo tenha sido tão violento por ambas às partes. Pelos taitianos, até posso dar um desconto, visto que eles não são uma equipe profissional, mas é triste ver uma seleção que foi duas vezes campeã mundial ser tão faltosa. Os únicos atletas que acho que se salvam na Celeste são Suárez, Cavani e, um pouco, o Forlán.

Tirando a partida entre o Brasil e a Itália (quando eu esperava um "jogo de compadres"), a terceira rodada transcorreu sem grandes surpresas.

Amanhã, eu postarei uma resenha para sugerir mudanças para a próxima Copa das Confederações, que está prevista para ocorrer na Rússia em 2017.

Voa, Alba!

Jordi Alba foi a grande revelação da Euro 2012. Tal feito o credenciou a grande contratação do meu Barcelona para a temporada 2012-13, mas o lateral-esquerdo deixou um pouco a desejar durante seu retorno ao clube que o revelou. Normal, afinal, Jordi Alba ainda é jovem, vai ganhar experiência, maturidade e, provavelmente, vai dar muitas alegrias ao torcedor catalão.

Alegrias, aliás, como as que o garoto nos proporcionou hoje ao anotar dois gols e tomar conta do lado esquerdo. Com muita velocidade, bom posicionamento e pontaria certeira, o atleta do Barcelona foi o nome do jogo com muita justiça. Fernando Torres deixou o seu também e chegou à marca de 5 gols na competição.

A Espanha, apesar da posição confortável na tabela, ainda poderia ser eliminada da Copa das Confederações 2013. Era uma probabilidade bem pequena, é verdade, mas existia. Era importante, portanto, vencer a Nigéria.

Hoje os espanhóis utilizaram-se do tradicional toque de bola, mas com mais velocidade e verticalidade. Jogadas velozes e individuais, além dos cruzamentos, foram feitas com mais frequência. A marcação espanhola fez o padrão, adiantando os defensores e mais preocupada em fechar espaços e atrapalhar o posicionamento dos atacantes nigerianos do que realizar desarmes. Não à toa, a Espanha comete pouquíssimas faltas.

A Nigéria, apesar de ser superior fisicamente, não conseguiu ameaçar a Roja. Com marcação confusa e apostando em contra-golpes velozes, os africanos vez ou outra chegaram a dar alguns sustos em Valdés, mas ficou só no "quase". Os nigerianos foram esforçados, mas não tiveram futebol para superar a técnica e o jogo coletivo da Furia.

Com a primeira posição assegurada no Grupo B, a Espanha vai reencontrar a Itália e reeditar a final da Euro 2012.

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CAMINHÃO?

No outro jogo, o Uruguai não teve piedade do Taiti e anotou oito tentos em cima do campeão da Oceania. Destaque para Abel Hernández que marcou quatro gols. "Luisito" Suárez, que entrou na metade do segundo tempo, teve tempo de deixar duas vezes o seu cartão de visita. O jogo foi muito faltoso, com direito a dois atletas expulsos (Scotti para a Celeste e Ludivion para o Taiti). Com o resultado, o Uruguai confirma o favoritismo e vai encarar o Brasil nas semifinais.

Ainda sou pela Espanha

Reconheço que a Seleção Brasileira melhorou sua forma de jogar. Vejo mais passes trocados no campo de ataque e maior presença dos volantes na frente -não preciso falar muito dos laterais porque a nossa tradição é permitir que aqueles defensores que atuam mais abertos subam para atacar e apoiar.

A Espanha, no entanto, continua justificando sua posição no ranking da FIFA ao exibir um futebol limpo, agradável, ofensivo e coletivo.

"Então você vai torcer contra a nossa seleção, seu traidor da pátria"?

Vamos com calma. Eu já expliquei a diferença entre nacionalismo e ufanismo. Não é porque eu sou brasileiro que vou apoiar a seleção de meu país incondicionalmente e sem questionar ou criticar sua maneira de jogar. Nós temos todo direito de concordar ou não com as escolhas do técnico Luis Felipe Scolari, da mesma forma que outras pessoas têm o direito de achar o Tiki-Taka da Espanha chato e monótono. Obviamente, não compactuo com as vaias que a Furia recebeu em sua estréia contra o Uruguai, mas é um direito que o torcedor tem para discordar a proposta de jogo de Vicente del Bosque.

Gosto do futebol da Espanha porque é um futebol que parece ser jogado muito mais com o cérebro do que com os pés. Ninguém rifa a bola. Todos sabem que o melhor jeito de manter o controle do jogo é mantendo a posse da redonda. Quanto menos o adversário ficar com a pelota, menos ele poderá criar uma oportunidade de gol conta meu time. E como manter a posse de bola? Trocando passes -os atletas se mantêm próximos uns dos outros para facilitar o toque de bola e também para dificultar a marcação do adversário. Além disso, o Tiki-Taka desgasta bem menos o atleta, fazendo a bola correr ao invés do jogador.

Outras seleções até trocaram alguns passes. A Itália, em sua estréia contra o México, fez um belo jogo, com a bola no chão e tocando a redonda, mas se esqueceu do bom futebol nas duas partidas seguintes e voltou a priorizar os aspectos defensivos. O Japão fez uma bela partida contra a Itália, mas ainda respeita demais o adversário. A Nigéria, o Uruguai e o México jogam recuando demais seus times, atuam na base da força ou dependendo em demasia do talento individual dos jogadores da frente.

Todos nós temos o direito de torcer para quem quisermos. Há quem prefira torcer para o Brasil incondicionalmente. Eu, no entanto, prefiro futebol bem jogado e isso é o que a Espanha pratica. E ainda afirmo: mesmo que a Roja seja derrotada pelo futebol pragmático, não vou mudar minha opinião.

sábado, 22 de junho de 2013

100 %

O Brasil confirma a boa fase e vence a Itália por um placar convincente de 4x2. Gols de Dante, Neymar e Fred (2) para o Brasil, enquanto Giaccherini e Chiellini descontaram para a Azzurra. Com o resultado, o Brasil faz uma campanha com 100% de aproveitamento em sua fase de grupos e terá o direito de enfrentar um adversário, teoricamente, mais fraco.

Foi um placar convincente, mas o jogo, que estava bom com o Brasil trocando passes no campo de ataque e pressionado, logo mudou para uma partida faltosa, com muita correria e trombada. O Brasil chegou a superar a Itália em número de faltas no primeiro tempo. Cheguei a tirar um cochilo entre os 20 e os 35 minutos do primeiro tempo de tão truncada que estava a partida. O Brasil melhorou no segundo tempo com boa movimentação dos laterais e dos volantes para atropelar a marcação italiana. As entradas de Dante (que substituiu David Luiz, que se lesionou ainda no primeiro tempo) e de Hernanes (no lugar de Paulinho, lesionado) melhoraram muito o time, pois a dupla joga bem melhor que os titulares.

A Itália, pelo jeito, sentiu a falta de Pirlo. Sem o "cérebro", não havia quem organizasse as jogadas. Os outros meias da Azzurra precisam comer muito arroz com feijão para compensar a ausência do volante, pois o camisa 21 já anunciou que deve jogar sua última copa do mundo em 2014. E Cesare Prandelli me desapontou muito hoje: ao invés de jogar naquele futebol agradável de trocas de passes que apresentara na estréia contra o México, o treinador retornou ao estilo pragmático priorizando a marcação, deixando apenas Balotelli e Diamanti adiantados. Só faltava ele ter emulado o "ônibus" do compatriota Roberto Di Matteo para fechar o "espetáculo" com "chave de ouro".

Por apresentar um futebol tão retranqueiro, a Itália perdeu com justiça. Ainda espero o dia em que a nossa Seleção vai deixar o pragmatismo definitivamente de lado e jogar aquele futebol que nos consagrou como nos tempos de Garrincha, Didi, Pelé, Tostão, Zico e Sócrates.

Pelos dois gols, acho que é justo que Fred seja considerado o melhor em campo.

TARDE DEMAIS

No outro "amistoso", a estrela de Javier "Chicharito" Hernández brilhou e o atacante anotou dois gols sobre o Japão. Okazaki descontou para os japoneses. No entanto, foi tarde demais para o jogador do Manchester United mostrar serviço: os dois times se despedem da Copa das Confederações abraçados após as derrotas de quarta-feira e apenas cumpriram tabela na partida de hoje.

A Espanha Fez o que Tinha de Fazer

Muitos prefeitos e governadores recuaram o aumento das passagens de ônibus, mas a onda de protestos continua forte aqui no Brasil. Confesso que fica difícil falar de esporte e de entretenimento enquanto meu país está ameaçando pegar fogo. Talvez eu faça mais um post para comentar o momento que o Brasil está atravessando, mas eu particularmente não aprecio falar sobre política, apenas abri três exceções nestas duas semanas para declarar meu apoio às causas do Movimento Passe Livre (algumas das causas que eu mencionei, atribui erradamente ao movimento, fica aqui, portanto, meu pedido de desculpas) e às manifestações que contaram com a presença de meus amigos.

Bem, hoje a Copa das Confederações estava "em recesso" e li algumas notícias sobre as seleções participantes. Muitas notícias mostrando o bom clima nas delegações apesar da onda de protestos.

Lendo as notícias sobre a Espanha, a seleção que mais me agrada pelo seu futebol de toque de bola, vi muitos comentários de internautas indignados com a goleada que a Furia aplicou ontem no Taiti. Muitos leitores diziam que a Roja deveria ter "mais humildade" com os jogadores da Oceania e "humilhar menos" os taitianos.

Respeito a opinião de quem se expressou dessa maneira, mas acho que Vicente del Bosque e seus comandados agiram de maneira correta. A meu ver, facilitar o jogo para um adversário, por mais fraco que ele seja, é uma grande falta de espírito esportivo e o pior: é subestimar um adversário, portanto, uma falta de respeito.

Eu sempre escrevo que a obrigação profissional de cada time é ganhar o jogo. Tanto, que sou contra equipes que "entregam" as partidas ao adversário apenas para prejudicar um rival direto. Isso é uma falta de fair play e também uma falta de respeito com o adversário e com o torcedor que pagou o ingresso.

Del Bosque escalou um time considerado reserva para enfrentar o Taiti -se bem que atletas como Torres, Azpilicueta, Juan Mata, Villa e Silva são bons demais para serem considerados reservas. Os atletas espanhóis, convenhamos, nem precisaram dar muito de si para superar os taitianos, que sequer têm um time profissional. Com todo o respeito, perder por 10X0 da melhor seleção da atualidade foi pouco para o Taiti.

Eu, dessa forma, apoio a maneira como a Espanha agiu. A Furia jogou um futebol limpo e respeitou o adversário de verdade, sem subestimá-lo.

Ao Taiti, peço para que o treinador Eddy Etaeta e seus comandados não desanimem. A profissionalização de um esporte é difícil e vocês ainda terão um longo caminho a percorrerem. Querem um exemplo para se inspirarem? Vejam o Japão, que profissionalizou seu futebol há pouco tempo. Há 20 anos atrás, os japoneses eram uma equipe repleta de jogadores tecnicamente fracos e, hoje, vários atletas estão brilhando na Europa. Sugestão? Aproveitem sua passagem pelo Brasil e convidem alguns atletas mais experientes em atividade por aqui para jogarem na Oceania e ajudarem o futebol taitiano a ganhar adeptos. O próprio Japão fez isso no começo dos anos 90 quando levou Zico para jogar no Kashima Antlers. Este investimento está dando frutos na geração atual. Mas, se vocês forem fazer isso, convidem CRAQUES para jogar -nada de convidar aqueles zagueiros e volantes botinudos que estão acabando com nosso futebol!