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| Imagem extraída do Facebook oficial do Arsenal- https://www.facebook.com/Arsenal/ |
Adquiri na última segunda-feira um exemplar do livro Os Números do Jogo, de Chris Anderson e David Sally, publicado pela Paralela. Os autores, dois economistas, mostram como a estatística revela dados surpreendentes a respeito do futebol e ainda provam como muitas crenças a respeito do esporte estão erradas. Ainda não terminei de ler o livro, mas tem sido uma experiência, no mínimo, surpreendente.
Dois capítulos me chamaram a atenção. Um deles mostra como a posse de bola (que os autores chamam de "controle sobre a bola") permitem que as equipes tenham o controle sobre as partidas e, com isso, tenham mais facilidade de chegar às vitórias. É o estilo praticado por Barcelona, Borussia Dortmund, Arsenal e a Seleção Espanhola.
O outro capítulo mostra o extremo oposto. Menciona equipes que têm menos de 20% da posse de bola, possuem jogadores grandalhões porém pouco habilidosos e que depende em demasia de bola parada ou ligações diretas para sobreviver nos campeonatos. E o exemplo mencionado pela obra é justamente o Stoke City, que enfrentou o Arsenal no último sábado.
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| Imagem extraída do Facebook oficial do Arsenal- https://www.facebook.com/Arsenal/ |
O Stoke poderia ser tranquilamente chamado de "Stroke ('derrame') City", afinal os Potters sempre causam grandes emoções e sempre estressam o seu torcedor, dada as suas campanhas muito mais por sobrevivência do que pela luta por títulos. A equipe, como o próprio livro menciona, conta com muitos atletas grandalhões, lentos e pouco habilidosos. Para o Stoke, ficar com a bola não é o estilo apropriado de jogo e seus treinadores preferem lançar mão do jogo aéreo, o estilo que mais se adequa aos atletas do time. A obra menciona, ainda, que uma das jogadas preferidas dos Potters é cobrar laterais em direção à meta adversária na esperança de que um dos grandões faça o arremate para o gol.
A partida terminou com vitória do Stoke por 3x2. O grandão Peter Crouch, de 2,01m, anotou o primeiro gol dos Potters. Crouch, aliás, é o atleta com o perfil típico do Stoke, sendo muito grande e desengonçado. O time da casa chegou a abrir 3x0 ainda na primeira etapa, mas os Gunners conseguiram diminuir para 3x2 após o intervalo e poderiam ter chegado ao empate ou à virada.
Quem me acompanha aqui pelo blog sabe que eu aprecio muito mais o estilo do Arsenal. Eu aprecio as equipes que jogam com a bola no chão e privilegiam o aspecto coletivo. Por outro lado, há muitos times que adotam o estilo do Stoke aqui no Brasil, com times muito dependentes dos chuveirinhos e da bola parada. Prefiro sempre que as equipes tenham a bola e tentem fazer seus gols sem depender em demasia das faltas ou escanteios.
O Stoke, por outro lado, me fez lembrar das palavras de um amigo, que criticava os treinadores por trazerem seus vícios e convicções às equipes ao invés de criarem um estilo de jogo compatível com os atletas que possuem no elenco. Aqui mesmo no Brasil, a primeira coisa que um técnico novo faz é pedir a contratação de seus jogadores de confiança e tentar implantar seu estilo de jogo ao invés de se adaptar ao que o time está acostumado. As mudanças, obviamente, nem sempre são bem-sucedidas e isto contribui para as constantes mudanças de treinadores no Brasil, uma vez que sempre queremos resultados a curto prazo. Não temos paciência para fazermos investimentos.
O Stoke City não é um exemplo de futebol bonito, mas serve como modelo para que os treinadores aprendam a ser flexíveis com os jogadores que possuem. Muitos talentos são perdidos devido à rigidez dos técnicos, que tentam implantar seus estilos de jogo na marra ao invés de tentarem criar um ambiente favorável aos atletas que possuem.
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| Imagem extraída do Facebook oficial do Stoke City- https://www.facebook.com/stokecity/ |



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